Síntese Especial
O aumento do endividamento das
famílias no Brasil e o novo Desenrola
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TABELA 1
Percentual de famílias endividadas, segundo tipo de dívida
Tipo de dívida
2019
2026
Variação em pontos
percentuais
Cartão de crédito
78,4%
84,9%
6,6
Carnês
14,0%
16,0%
2,0
Crédito pessoal
8,4%
12,6%
4,3
Financiamento de casa
8,6%
9,7%
1,1
Financiamento de carro
9,7%
9,1%
-0,6
Crédito consignado
5,5%
6,6%
1,1
Cheque especial
5,7%
3,6%
-2,1
Cheque pré-datado
1,3%
0,3%
-1,0
Fonte: CNC. Peic
Elaboração: DIEESE
Dados divulgados recentemente no Relatório de Cidadania Financeira do
Banco Central do Brasil apontam na mesma direção, mostrando que o número de
pessoas utilizando cartão de crédito nas modalidades com juros (rotativo e
parcelado) aumentou de 34 milhões, em 2020, para 52,8 milhões, em 2024. Entre as
que utilizam crédito pessoal não consignado, o crescimento foi de 13,3 milhões para
41,7 milhões. Para se ter uma ideia de grandeza, nesse mesmo intervalo de tempo,
os que têm financiamento automotivo passaram de 9,4 milhões para 9,7 milhões e
os que têm financiamento imobiliário, de 6,8 milhões para 8,4 milhões.
A análise do tipo de dívida que cresce no Brasil no período recente indica,
portanto, que a motivação para o endividamento está vinculada ao consumo
corrente, ou seja, à necessidade de as famílias fecharem o orçamento do mês
utilizando modalidades de crédito como complemento de renda, o que revela
deterioração das condições econômicas da população.
Da mesma maneira, deve-se registrar que o aumento do endividamento
ocorreu em uma situação de deterioração do mercado de crédito, principalmente no
que diz respeito aos juros. Vale lembrar que a taxa Selic chegou ao menor patamar
histórico em 2021, durante a pandemia da covid-19, quando atingiu 2% ao ano, e,
desde então, aumentou cerca de 7,5 vezes, até atingir 15% ao ano em julho de 2025
e 14,5% ao ano em maio do ano corrente
1
. Dado que a Selic é a referência do custo
1
Apesar da manutenção da taxa Selic em patamares muito elevados, a inflação acumulada em 2025 (4,26%)
permaneceu próxima à registrada em 2019 (4,48%), período em que o crescimento do PIB foi de apenas 1,2%.
Diferentemente daquele contexto, a economia brasileira apresentou trajetória de crescimento desde 2021, o que
indica que a persistência de juros elevados não pode ser explicada apenas pelo comportamento inflacionário. Nesse
debate, diversos economistas e instituições têm questionado a adequação da atual meta contínua de inflação de 3%
ao ano para uma economia com as características estruturais do Brasil, especialmente diante da elevada
desigualdade social e necessidades de investimento e crescimento econômico.