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ESQUISA
DIEESE
O modelo kaleckiano
Kalecki parte da matriz teórica marxista e conclui, assim como Keynes, que é a demanda
efetiva que determina o nível de produção e emprego de uma economia. Mas, o modelo
kaleckiano dá um passo à frente ao discutir os fatores de distribuição de renda e seus efeitos
sobre a taxa de salário e desemprego.
A CURVA DE PHILLIPS E O TRADE-OFF ENTRE INFLAÇÃO E DESEMPREGO
Alban W. Phillips, professor da
London School of Economics
, publicou em 1958 um estudo sobre o comportamento
dos salários no Reino Unido para os anos de 1861 e 1957 em que demonstra que
a curva de
Phillips
é uma rela±
ção inversa entre a taxa de desemprego e a taxa de aumento do salário nominal: quanto maior a taxa de
desemprego, menor será a taxa de inflação dos salários.
A taxa de crescimento dos salários (gw) é dada (u > u*) por uma redução na taxa de desemprego (u) que ultra-
passa a taxa natural de desemprego, onde (
) mede a resposta da variação do salário ao desemprego.
As contribuições, principalmente dos economistas Samuelson e Solow à curva de Phillips levaram a dicotomia
entre inflação e desemprego. Uma redução do desemprego gera aumento dos salários nominais (monetários),
aumentando os custos de produção e gerando inflação no período seguinte. A expressão “curva de Phillips” pas-
sou a ser utilizada para demonstrar a relação inversa ou
o trade±off
da política econômica entre inflação e
desemprego
.
Curva de Phillips original
Curva de Phillips atual
A curva de Phillips tornou-se um referencial na formulação de política econômica. Os formuladores de política
poderiam escolher diferentes combinações entre taxa de desemprego e taxa de inflação ou estipular uma meta
para uma das taxas - a de inflação, por exemplo -
e deixar que a taxa de desemprego variasse.
Os monetaristas, liderados por Milton Friedman, argumentavam que as políticas de cunho “keynesianas” adota-
das com o objetivo de reduzir a taxa de desemprego foram responsáveis pelo aumento inflacionário nos anos
seguintes.
Para Friedman, Phillips e seus seguidores caíram no erro de confundir valores nominais e reais. A crítica se deve
ao fato de empresários e trabalhadores terem expectativas diferentes quanto à taxa de inflação esperada. O au-
mento da demanda agregada baseada na emissão monetária levaria à redução do desemprego e ao aumento do
salário monetário. Assim, os trabalhadores aumentavam a oferta de trabalho com base no salário nominal e os
empresários aumentavam a demanda por trabalho com base no salário real devido à expectativa de aumento na
inflação. Quando os trabalhadores percebiam a “ilusão monetária” reduziam a oferta de trabalho, o desemprego
voltava à sua taxa natural, porém com um nível mais elevado de inflação.