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Relatório do Observatório Brasileiro das Desigualdades 2025 |
Pacto Nacional pelo Combate às Desigualdades
Um dos principais desafios para eliminar as
desigualdades no Brasil consiste em assegurar melhores
condições no mercado de trabalho e superar suas
disparidades, que continuam sendo uma das principais
fontes de reprodução das iniquidades sociais. Mesmo
diante de dados recentes bastante positivos, o mercado
de trabalho ainda é marcado por forte heterogeneidade
e precarização, reproduzindo estruturas excludentes.
Em 2024 o dado mais positivo foi a redução da taxa
de desocupação. O índice nacional caiu para 6,6%, o
que equivale a uma queda de 1,2 ponto percentual
em relação a 2023. Destaca-se ainda que essa redução
foi mais expressiva entre as mulheres (de 9,5% para
8,1%) e entre a população negra (de 9,1% para 7,6%). Em
termos absolutos, houve melhora para todos os grupos
populacionais e em todas as regiões do país. Ainda
assim, as taxas de desocupação de mulheres e pessoas
negras continuam significativamente mais elevadas
do que as dos homens e as da população não negra.
A desigualdade atinge seu ponto mais agudo quando
se comparam as taxas de desocupação das mulheres
negras (9,6%) com as dos homens não negros (4,6%),
revelando um hiato de oportunidades, relacionado a
desigualdades no acesso e na permanência no mercado de
trabalho, bem como na progressão na carreira profissional.
O rendimento médio mensal real de todas as fontes,
incluindo a renda do trabalho, alcançou R$ 3.066 em
2024, o que representa um crescimento real de 2,9%
em comparação ao do ano anterior. Esse aumento
indica uma recuperação relativa do poder de compra
da população ocupada. Entretanto, ao desagregar os
dados por sexo, observa-se que os homens tiveram
um crescimento (3,1%) superior ao das mulheres (2,6%),
o que contribui para a manutenção da desigualdade
salarial. Em termos regionais, essa diferença se acentua:
no Nordeste, o rendimento dos homens aumentou
7,2%, enquanto o das mulheres cresceu 4,7%. No Sul, a
discrepância foi ainda mais significativa, com um avanço
de 11,3% para os homens, em comparação a 6,8% para as
mulheres. Por outro lado, nas regiões Sudeste e Centro-
Oeste, as mulheres registraram crescimento superior ao
dos homens, o que, embora positivo, não foi suficiente
para superar as desigualdades: em 2024, as mulheres
da região Sudeste ainda recebiam apenas 73% do
rendimento médio dos homens.
Quando a análise incorpora o recorte racial, as
disparidades se aprofundam. As mulheres negras, grupo
historicamente mais vulnerável no mercado de trabalho
brasileiro, apresentaram crescimento de 5,2% em seus
rendimentos médios – acima da média nacional e dos
homens não negros (3,0%). Esse desempenho mais
favorável ocorreu na maioria das regiões do país, com
exceção do Nordeste e do Sul. Apesar desse avanço
relativo, o rendimento médio mensal das mulheres
negras permanece como o mais baixo entre os grupos
analisados: R$ 2.008, valor que corresponde a apenas
43% do rendimento médio dos homens não negros,
que foi de R$ 4.636. Esses dados reiteram a intersecção
entre gênero e raça como dimensões estruturantes da
desigualdade salarial no Brasil.
As desigualdades de renda se manifestam com mais
intensidade ainda quando se observa a concentração
no topo da pirâmide social. Em 2024, o rendimento
médio do 1% mais rico do país foi 30,5 vezes superior ao
rendimento médio dos 50% mais pobres. Essa razão,
embora tenha apresentado redução em comparação ao
ano anterior (32,9 vezes), mantém-se estruturalmente
elevada. A maior disparidade foi registrada na região