A desindustrialização e o setor automotivo: retomada urgente ou crise sem fim
3
hiperinflação em vários momentos da década
2
. No dia da posse de Fernando Collor de Mello,
em 15 de março de 1990, o novo governo adotou um plano de estabilização monetária
extremamente contracionista, que resultou numa nova recessão entre 1990 e 1992 (queda do
PIB de 3,89%). Junto com o plano, o governo Collor inaugurou uma política de abertura
comercial indiscriminada, com forte redução dos impostos de importação, que afetou os
diversos setores da produção nacional, levando as empresas a um processo intenso de
reestruturação produtiva e organizacional, em busca de competitividade com os produtos
importados, com consequências trágicas sobre o nível de emprego: a Taxa de Desemprego
Total na Região Metropolitana de São Paulo salta de 10,3%, em 1990, para 19,3%, em 1999
3
.
A eficácia do Plano Real, a partir de meados de 1994, foi assegurada com base em duas
medidas de política econômica com severas consequências para o setor produtivo nacional:
a sobrevalorização do real frente ao dólar, que barateia as importações (conhecida como
“âncora cambial”) e a manutenção de elevadas taxas de juros (âncora monetária”
), para atrair
a entrada de dólares e reduzir o déficit externo, decorrente da balança comercial negativa,
provocada pelo forte aumento das importações.
Entre 2004 e 2008, já no governo Lula, a economia volta a crescer de forma mais
sustentada, estimulada por um cenário externo de aumento da demanda e dos preços das
chamadas “commodities”
, produtos agrícolas e da indústria extrativa de baixo valor
agregado (soja, açúcar, milho, petróleo cru, minério de ferro) e por um aumento da demanda
interna, resultado de políticas de transferência de renda (como o programa Bolsa Família, a
partir do final de 2003 e, posteriormente, pela política de valorização do Salário Mínimo e o
ince
ntivo à construção civil, com o programa Minha Casa, Minha Vida”
.
Mas a recuperação da economia sofreria novo impacto negativo a partir da crise
internacional, agravada em setembro de 2008, a partir da quebra do banco estadunidense
Lehman Brothers. O PIB
que crescia a uma taxa anualizada de 6,8% até o terceiro trimestre
de 2008 - se desacelera rapidamente, até registrar, no ano de 2009, uma queda de 0,13%.
2
Na segunda metade da década de 1980 o Brasil experimentou três fracassados planos de
estabilização monetária:
Plano Cruzado
que se desdobrou em Cruzado I (fev/86) e Cruzado II
(nov/86); Plano Bresser (jun/87) e Plano Verão (jan/89). Nos anos 1990, o Brasil teve ainda dois
planos de estabilização monetária: Plano Collor
também desdobrado em Collor I (mar/90) e Collor
II (jan/91)
e, finalmente, o Plano Real, em julho de 1994, único capaz de debelar o processo
inflacionário agudo.
3
Taxa de Desemprego Total, segundo a Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada
pelo DIEESE e Fundação SEADE-SP.