Terceirização e morte no trabalho: um olhar sobre o setor elétrico brasileiro
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Coge – instituição criada e gerida pelas empresas do setor elétrico, cuja finalidade é apoiar e
dar suporte técnico às iniciativas gerenciais dessas empresas.
A Fundação Coge, desde o ano 2000, é a instituição que tem realizado a elaboração do
Relatório de Estatísticas de Acidentes no Setor Elétrico Brasileiro. Antes desta data, o
levantamento ficava a cargo do Grupo de Intercâmbio e Difusão de Informações sobre
Engenharia de Segurança e Medicina do Trabalho (GRIDIS), sob coordenação da Eletrobrás.
Nos últimos anos em que vem sendo responsável por estes estudos, a Fundação Coge
tem aprimorado o Relatório de Estatísticas de Acidentes. Merece menção o esforço da
Fundação em obter informações junto às empresas do conjunto dos trabalhadores do setor, o
que engloba os terceirizados.
Com relação ao número de trabalhadores terceirizados, os Relatórios de 2003 a 2006
apresentavam dados não totalizados do quadro de terceirizados. Este número podia ser obtido
somando os dados divulgados por cada empresa. Em 2007, o Relatório apresentou um número
já totalizado. Já em 2008, o relatório, além de registrar o total de trabalhadores terceirizados
para o ano, apresentou dados totalizados para 2003 a 2006.
Tabela 1
Composição da força de trabalho do setor elétrico brasileiro
2003 a 2008
Ano
Trabalhadores Próprios
Trabalhadores Terceirizados
Força de Trabalho
2003
97.399
39.649
137.048
2004
96.579
76.972
173.551
2005
97.991
89.238
187.229
2006
101.105
110.871
211.976
2007
103.672
112.068
215.735
2008
101.451
126.333
227.784
Fonte: Fundação Coge, Relatório de Estatísticas de Acidentes no Setor Elétrico Brasileiro 2006 a 2008
Elaboração: DIEESE. Subseção Sindieletro-MG
Os dados apresentados na Tabela 1 revelam que, em 2008, o setor elétrico contava
com 227,8 mil trabalhadores, dos quais 126,3 mil eram terceirizados. O número total dos que
atuavam no setor é quase o dobro do número de empregados apontados pela RAIS de 2008,
que correspondia a 117,3 mil trabalhadores para as atividades de geração, transmissão,
comércio atacadista e distribuição de energia elétrica. A conclusão para esta discrepância é
que o número obtido por meio da RAIS nas classes de atividades relacionadas ao setor
elétrico refere-se apenas aos empregados do quadro próprio.