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A persistente desigualdade entre negros e não negros no mercado de trabalho
As médias de rendimento também comprovam a desigualdade de
remuneração por raça/cor. Os não negros recebem, em média, mais do que os
negros. No segundo trimestre de 2022, enquanto o homem não negro recebeu R$
3.708 e a mulher
não
negra, R$ 2.774, a trabalhadora negra ganhou, em
média,
R$
1.715, e o homem negro, R$ 2.142. Esses números indicam que a mulher negra
rec
ebeu, em 2022, 46,3% do rendimento recebido pelo homem não negro. Para o
homem negro, essa proporção foi de 58,8%.
A diferença entre os rendimentos de negros e não negros é constante nos
dados do mercado de trabalho e precisa ser modificada a partir de
políticas
públicas
e sensibilização da sociedade. Não importa somente elevar a escolaridade da
população negra,
mas sensibilizar a sociedade em
relação à
discriminação
existente
no mercado de trabalho, que penaliza parcela expressiva de brasileiros.
Rendimento médio real mensal, por raça/cor e sexo
Brasil
2º trimestre de 2019, 2020, 2021 e 2022 (em reais de 2º
trimestre de 2022)
Mulher Negra
Homem Negro
Mulher Não Negra
Homem Não Negro
Total
2º trimestre de 2019
2º trimestre de 2020
2º trimestre de 2021
2º trimestre de 2022
Fonte: IBGE, PnadC
Elaboração: DIEESE
Obs.: Negros = Pretos + Pardos; Não Negros = Brancos + Amarelos + Indígenas
Para o conjunto de ocupados brasileiros, o rendimento caiu entre os
segundos trimestres de 2021 e 2022 (-4,70%). Entre as ocupadas negras, a
redução
foi de -3,54%, e, entre as
não
negras, de -6,00%; para os homens, entre negros, de
-2,59% e, entre os
não
negros, de -3,61%.
4.169
3.919
3.847
3.708
3.153
3.001
2.951
2.774
2.898
2.705
2.702
2.575
2.222
2.333
2.199
2.142
1.873
1.729
1.778
1.715