DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Busca

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Emprego e Desemprego
Índice do Custo de Vida
Cesta Básica Nacional
Salário Mínimo Necessário
Publicações
Pesquisas
Indicadores
Conjuntura
Metodologias
Educação
Projetos de Cooperação
Internacional
Licitações
Cotação Prévia
Oportunidades


    Serviços

Calcule o expurgo de seu FGTS

Fontes rurais

Rede de Apoio à Negociação

Anuário dos Trabalhadores - Sistema de consulta


DIEESE - Cesta Básica Nacional - Agosto/99
ALIMENTOS BÁSICOS SOBEM EM CATORZE CAPITAIS

..... São Paulo, 03 de setembro de 1999.

Ao contrário do que ocorreu em julho, quando o custo dos gêneros de primeira necessidade recuou em todas as dezesseis capitais em que o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, em agosto apenas duas localidades mantiveram o mesmo comportamento. As outras catorze cidades registraram elevações que variaram entre 0,07% (Goiânia) e 5,76% (Curitiba). Além da capital paranaense, também foram expressivos os aumentos ocorridos em Florianópolis (5,25%), Vitória (4,73%) e Belo Horizonte (4,68%). As retrações foram apuradas em Recife (-5,77%) e Fortaleza (-1,95%).

O ritmo de alta dos preços, em agosto, foi determinante para que São Paulo, após dois meses em segundo lugar, voltasse a ser a cidade mais cara dentre as dezesseis pesquisadas. Enquanto a capital paulista apresentou um aumento de 3,11%, elevando o custo da cesta para R$ 106,23, Porto Alegre, que ocupou a liderança em junho e julho, registrou, em agosto, uma variação de 1,61%, o que fez com que os produtos básicos custassem R$ 105,32. Além destas duas capitais, apenas Curitiba teve um valor para a ração essencial mínima, conforme prevista no decreto-lei 399, de 30 de abril de 1938, superior a R$ 100,00, totalizando R$ 102,76. Os menores valores foram registrados em Recife (R$ 79,33) e Goiânia (R$ 81,40).

Com base no custo da cesta mais cara - e levando em conta o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo, nacionalmente unificado, deve ser suficiente para manter o trabalhador e sua família, suprindo suas necessidades com alimentação, moradia, educação, transportes, vestuário, saúde, lazer e previdência -, o DIEESE estima, mensalmente, o salário mínimo necessário. Assim, tomando por base a cesta da capital paulista, o DIEESE calcula que o salário mínimo deveria corresponder a R$ 892,44, ou seja, 6,6 vezes o valor vigente de R$ 136,00.

Cesta x Salário

O trabalhador cuja remuneração seja apenas o salário mínimo necessitou trabalhar, em agosto, 148 horas e 52 minutos, na média das dezesseis capitais, para adquirir os alimentos básicos que compõem a cesta. Esta jornada supera em praticamente 3 horas o tempo comprometido em julho último (145 horas e 49 minutos) e encontra-se em patamar semelhante ao verificado em agosto de 1998: 149 horas e 01 minuto.

Considerando a relação entre o custo da cesta e o salário mínimo líquido - após o desconto da parcela referente à previdência -, em agosto 73,56% do rendimento foram comprometidos com a compra dos bens essenciais, enquanto em julho o custo da cesta correspondia a 68,01%. Há doze meses, o comprometimento era praticamente o mesmo que o atual (73,62%).

Entre janeiro e agosto deste ano, o custo da cesta básica subiu em doze capitais. Os principais aumentos foram constatados em Salvador (8,95%), João Pessoa (8,58%), Florianópolis (8,29%) e Curitiba (6,86%). As quatro cidades onde ocorreu redução foram Goiânia (-5,63%), Aracaju (-2,62%), Recife (-0,79%) e Fortaleza (-0,10%).

Nos últimos doze meses - agosto de 1998 comparado a agosto de 1999 - verificou-se elevação do custo da cesta em treze capitais, com destaque para Curitiba (10,88%), Belém (9,95%), João Pessoa (7,44%) e Belo Horizonte (7,17%). No mesmo período, diminuiu o custo da cesta em Recife (-3,26%), Aracaju (-1,07%) e Natal (-0,06%).

Tabelas da Cesta Básica Nacional
Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste

Brasília

Goiânia

Região Sudeste

Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória

Região Sul

Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre

Regiões Norte e Nordeste

Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador




Variações de preço
O preço da carne, produto de maior peso na cesta básica, subiu em catorze das dezesseis capitais, devido ao início da entressafra. Os maiores aumentos foram apurados em Curitiba (8,11%), onde foi determinante para que a cidade tivesse a maior alta no custo total da cesta, Fortaleza (3,59%) e Belo Horizonte (3,05%). As duas quedas foram verificadas em Brasília (-0,44%) e Natal (-0,61%).

Contribuições ainda mais significativas para o custo total da cesta básica foram dadas pelo tomate e a banana. Dentre as treze capitais em que o primeiro produto teve aumento de preço, algumas apresentaram variações muito elevadas: Florianópolis (57,00%), Vitória (44,23%), Belo Horizonte (36,79%) e Rio de Janeiro (30,17%). As duas únicas capitais nas quais o custo da cesta caiu registraram variações negativas no preço do tomate: Recife (-14,29%) e Fortaleza (-9,02%).

No caso da banana, doze cidades apontaram alta em seu preço, também com algumas variações significativas: Belém (17,14%), Salvador (12,33%), Rio de Janeiro (11,64%) e Curitiba (11,54%).

Onze capitais registraram aumento no preço do açúcar, com destaque para os comportamentos apurados em Goiânia (10,71%), Aracaju (9,84%), Rio de Janeiro e São Paulo (ambas com alta de 9,30%). Entretanto, o produto apresentou forte queda em Recife (-23,40%).

No entanto, óleo de soja, manteiga, arroz, feijão e batata tiveram queda em seus preços na maior parte das capitais em que são pesquisados.

Os preços do óleo de soja e da manteiga recuaram em doze capitais. No primeiro caso, as principais retrações foram verificadas em Recife (-9,52%), Porto Alegre (-7,75%) e Brasília (-5,88%). Em relação à manteiga, os destaques foram Recife (-7,05%), Florianópolis (-4,57%) e Porto Alegre (-4,32%).

Para o arroz e o feijão, o DIEESE apurou reduções em onze cidades. Em todas as seis capitais em que é pesquisado o preço do feijão preto foram registradas quedas, as mais significativas em Florianópolis (-7,40%) e Brasília (-6,44%). Quando o produto acompanhado é da variedade de cores, o comportamento foi mais heterogêneo com recuos expressivos - Belém (-20,49%), Recife (-12,96%) e Fortaleza (-9,16%) - e altas significativas - Belo Horizonte (19,61%), João Pessoa (14,42%) e Natal (13,00%). Quanto ao arroz, as principais quedas ocorreram em Recife (-10,67%), Curitiba (-5,83%), Brasília (-4,65%) e Rio de Janeiro (-4,55%).

A batata, cujo preço é acompanhado apenas nas nove capitais do Centro-Sul, apresentou redução em sete, com destaque para o Rio de Janeiro (-28,57%), Belo Horizonte (-21,92%), Vitória (-20,00%), Goiânia (-18,18%) e Porto Alegre (-16,33%).

No próximo mês pode ocorrer alta nos preços dos produtos essenciais, uma vez que o forte calor na maior parte do território brasileiro, a ausência de chuvas em algumas regiões produtoras e eventuais excessos em outras podem prejudicar as safras tanto no que se refere à quebra da que deveria estar sendo colhida como a que deveria ser plantada agora. Um bom exemplo é o feijão, que no mercado atacadista de São Paulo já apresenta alta superior a 100%.

Ração Essencial
Preços Médios em agosto de 1999
(em R$)

.....
Produtos Centro-Oeste Sudeste Sul Norte/Nordeste
Brasília Goiânia Belo
Horizonte
Rio de
Janeiro
São
Paulo
Vitória Curitiba Floria-
nópolis
Porto
Alegre
Aracaju Belém Fortaleza João
Pessoa
Natal Recife Salvador
Carne 4,49 4,08 4,73 4,51 5,33 4,42 5,19 4,87 5,12 4,78 4,00 4,62 5,19 5,04 4,60 4,34
Leite 0,78 0,68 0,83 0,87 0,80 0,69 0,72 0,69 0,73 0,80 0,77 0,86 0,95 0,87 0,85 0,76
Feijáo 1,29 0,94 1,22 1,01 1,19 1,04 1,12 1,14 0,98 1,01 1,43 0,99 1,11 1,12 0,94 0,92
Arroz 0,82 0,80 0,77 0,84 0,84 0,92 0,97 0,97 0,78 1,00 0,91 1,02 1,11 1,03 1,00 1,08
Farinha de trigo 1 0,80 0,83 0,85 0,92 0,96 0,97 0,62 0,91 0,92 0,94 0,91 0,78 1,01 1,10 0,94 0,78
Batata 2 0,83 0,63 0,57 0,50 0,93 0,36 0,72 0,60 0,82 - - - - - - -
Tomate 1,16 1,06 1,45 1,51 1,50 1,50 1,67 1,57 1,79 1,11 1,42 1,21 1,10 1,37 0,84 1,34
Pão 2,36 2,10 2,88 3,12 2,58 2,80 2,28 2,46 2,69 2,10 2,64 2,65 2,20 1,96 2,18 2,17
Café 6,75 6,20 5,90 6,31 6,95 4,98 6,63 6,23 6,05 5,58 7,02 6,18 6,29 5,82 7,08 6,68
Banana 1,68 0,80 1,32 1,24 1,30 0,75 1,16 0,69 1,22 1,52 1,64 0,98 1,47 1,11 1,26 1,36
Açúcar 0,55 0,31 0,52 0,47 0,47 0,46 0,48 0,51 0,52 0,67 0,61 0,46 0,60 0,46 0,36 0,48
Óleo 1,12 1,05 1,18 1,12 1,16 1,12 1,28 1,31 1,09 1,31 1,41 1,42 1,36 1,23 1,14 1,12
Manteiga 7,77 8,43 6,50 6,95 10,50 6,10 7,39 6,40 6,80 7,47 4,87 6,85 7,52 7,51 7,90 8,65
Gasto Mensal 97,09 81,40 98,50 98,18 106,23 88,76 102,76 96,04 105,32 85,19 89,25 83,98 89,21 86,47 79,33 84,81
Tempo de trabalho 157h
03min
131h
41min
159h
20min
158h
49min
171h
51min
143h
35min
166h
14min
155h
22min
170h
22min
137h
48min
144h
23min
135h
51min
144h
19min
139h
53min
128h
20min
137h
12min
Cidade
mais cara
15º 10º 12º 14º 11º 16º 13º

(1)Farinha de mandioca no Nordeste; farinha de trigonas demais Regiões.
(2)Ração do Nordeste não prevê consumo de batata.
Os preços médios da Ração Essencial referem-se a 1 quilo, 1 litro e 1 dúzia, exceto no caso do óleo (900ml).
No mês de agosto de 1999, o salário mínimo em todas as cidades pesquisadas valia R$ 136,00.


..... São Paulo.
Após dois meses na segunda posição, a capital paulista voltou a ser a cidade mais cara dentre as dezesseis em que o DIEESE realiza, mensalmente, a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, com seu custo chegando a R$ 106,23, em função do aumento de 3,11%. Neste ano, o conjunto de produtos essenciais acumula alta de 4,06%, enquanto nos últimos doze meses o aumento fica em 4,73%.

Apesar da alta no total da cesta, oito dos treze produtos que a compõem registraram recuo em agosto. Foram apuradas quedas nos preços da batata (-7,00%), feijão carioquinha (-2,37%), farinha de trigo (-1,37%), arroz agulhinha tipo 1 (-1,18%), óleo de soja (-0,85%), pão francês (-0,39%), manteiga (-0,25%) e café em pó (-0,24%). Houve estabilidade no preço do leite tipo C, enquanto os quatro produtos que tiveram aumento registraram variações mais que suficientes para compensar as retrações: tomate (21,95%), açúcar refinado (9,30%), banana nanica (4,84%) e carne bovina de primeira (2,90%).

O trabalhador que recebe salário mínimo precisou trabalhar, em agosto, 171 horas e 50 minutos para adquirir os produtos da cesta básica, jornada bastante superior à de julho - 166 horas e 40 minutos - e ligeiramente maior que a de agosto de 1998: 171 horas e 39 minutos.

Quando comparado ao salário mínimo líquido, o custo da cesta correspondeu, em agosto, a 84,90% de seu valor, proporção maior que as de julho (82,34%) e agosto de 1998 (84,81%).

Tabela - Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Brasil - agosto de 1999

Capital

Valor da Cesta Básica (R$)

Variação Mensal

Porcentagem do salário mínimo líquido

Tempo de trabalho

Variação no ano (%)

Variação Anual

(%)

São Paulo

106,23

3,11

84,90

171h 50min

4,06

4,73

Porto Alegre

105,32

1,61

84,18

170h 22min

4,82

3,91

Curitiba

102,76

5,76

82,13

166h 13min

6,86

10,88

Belo Horizonte

98,50

4,68

78,72

159h 20min

5,26

7,17

Rio de Janeiro

98,18

3,49

78,47

158h 49min

4,41

6,03

Brasília

97,09

0,42

77,60

157h 03min

2,83

5,68

Florianópolis

96,04

5,25

76,76

155h 21min

8,29

4,64

Belém

89,25

2,75

71,33

144h 22min

5,91

9,95

João Pessoa

89,21

1,51

71,30

144h 18min

8,58

7,44

Vitória

88,76

4,73

70,94

143h 34min

3,62

6,98

Natal

86,47

0,79

69,11

139h 52min

5,21

-0,06

Aracaju

85,19

2,13

68,09

137h 48min

-2,62

-1,07

Salvador

84,81

3,74

67,78

137h 11min

8,95

6,67

Fortaleza

83,98

-1,95

67,12

135h 51min

-0,10

1,12

Goiânia

81,40

0,07

65,06

131h 40min

-5,63

0,84

Recife

79,33

-5,77

63,40

128h 19min

-0,79

-3,26
Fonte: DIEESE.

Salário mínimo nominal e necessário
Agosto de 1997 a agosto de 1999
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
1997
Julho R$ 120,00 R$ 770,37
Agosto R$ 120,00 R$ 768,36
Setembro R$ 120,00 R$ 776,42
Outubro R$ 120,00 R$ 789,69
Novembro R$ 120,00 R$ 802,13
Dezembro R$ 120,00 R$ 837,16
1998
Janeiro R$ 120,00 R$ 864,88
Fevereiro R$ 120,00 R$ 854,55
Março R$ 120,00 R$ 869,76
Abril R$ 120,00 R$ 916,30
Maio R$ 130,00 R$ 942,09
Junho R$ 130,00 R$ 936,46
Julho R$ 130,00 R$ 882,78
Agosto R$ 130,00 R$ 852,11
Setembro R$ 130,00 R$ 844,55
Outubro R$ 130,00 R$ 861,02
Novembro R$ 130,00 R$ 854,89
Dezembro R$ 130,00 R$ 857,66
1999
Janeiro R$ 130,00 R$ 880,93
Fevereiro R$ 130,00 R$ 896,81
Março R$ 130,00 R$ 892,86
Abril R$ 130,00 R$ 878,24
Maio R$ 136,00 R$ 882,53
Junho R$ 136,00 R$ 896,22
Julho R$ 136,00 R$ 870,76
Agosto R$ 136,00 R$ 892,44

Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7°;, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos