Óleo de soja aumenta nas dezesseis capitais pesquisadas pelo DIEESE
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São Paulo, 3 de setembro de 2001
Em agosto, os preços dos alimentos essenciais apresentaram redução em nove das dezesseis capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. As maiores quedas foram observadas em João Pessoa (-3,97), Recife (-3, 13%), Vitória (-2, 68%) e Belo Horizonte (-2, 43%).
Nas outras sete capitais, foram apuradas elevações, com destaque para Rio de Janeiro (2, 90%), Porto Alegre (1, 57%), Florianópolis (1,13%) e Curitiba (1,06).
As cestas mais caras foram observadas em Porto Alegre (R$ 127,42), São Paulo (R$ 126,39) e Rio de Janeiro (R$ 125,62).
Com base no valor da cesta mais cara - a de Porto Alegre -, e considerando o preceito constitucional que diz que o salário mínimo deveria ser suficiente para suprir os gastos do trabalhador e de sua família com alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, transporte, higiene, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário para cobrir todas essas despesas. Em agosto, deveria ser de R$ 1.070, 46, ou seja, 5,9 vezes o piso vigente, de R$ 180,00.
Tabelas da Cesta Básica Nacional
Quanto se trabalha para comer em Região Centro-Oeste
Recife é a única das capitais pesquisadas a apresentar variação negativa no preço da cesta de janeiro a agosto deste ano. Já Florianópolis (14,09%), Vitória (12,64%) e Porto Alegre (11,39%) registraram as maiores elevações.
Em doze meses - setembro de 2000 a agosto de 2001 - os maiores aumentos foram percebidos no Rio de Janeiro (18,51%), Florianópolis (18,14%) Porto Alegre (18,00%) e Vitória (15,07%). Em Recife (1,71%), Belo Horizonte (6,75%), Brasília (7,36%) e Belém (7,43%) ocorreram as menores elevações do período.
Cesta x Salário
Em agosto, quem ganhava salário mínimo precisou trabalhar 133 horas e 47 minutos, na média das dezesseis capitais pesquisadas, para adquirir os produtos que compõem a ração essencial, definida pelo Decreto-Lei nº 399, de 30 de abril de 1938. Esta jornada foi inferior à de julho, que ficou em 134 horas e 42 minutos, e também à de agosto de 2000 (142 horas e 39 minutos). Em relação ao mesmo mês do ano passado, houve redução de aproximadamente nove horas.
Quando se considera o salário mínimo líquido - após a dedução da contribuição previdenciária - sempre levando em conta a média das capitais, em agosto, o percentual comprometido com a compra da cesta foi de 65,85%. Em julho de 2001, ficou em 66,30%, e, em agosto de 2000, em 70,48%.
Comportamento dos preços
A desvalorização cambial provocou elevação de alguns produtos da cesta. Os preços do trigo - produto importado majoritariamente - do pão e da soja são exemplos.
O pão apresentou alta em dez capitais, com destaque para Rio de Janeiro (16,62%), Brasília (9,15%) e Belém (8,85%). A farinha de trigo, pesquisada nas nove capitais do Centro-Sul, apresentou aumento de preço em todas essas localidades, principalmente em Porto Alegre (9,30%), Florianópolis (9,09%) e Curitiba (6,99%).
Já a soja, que, ao contrário do trigo, é exportada em grande escala, além do câmbio, sofreu influência da quebra da safra americana. A elevação de seu preço no mercado internacional provocou grande alta no preço do óleo de soja, que apresentou elevação em todas as cidades pesquisadas. As maiores altas foram apuradas no Rio de Janeiro (30,77%), Curitiba (27,69%), Belo Horizonte (25,20%) e Vitória (25,00%). As menores foram observadas em Belém (8,51%) e Recife (9,93%).
A carne e o feijão aumentaram de preço em doze capitais, devido à seca e à entressafra. As maiores elevações no preço da carne ocorreram em Goiânia (8,00%) e Curitiba (6,20%). A maior redução foi registrada em Brasília (-5,10%).
As elevações mais significativas no preço do feijão foram apuradas no Rio de Janeiro (11,98%), em Brasília (10,60%) e em Vitória (9,58%). As principais quedas foram observadas em Natal (-5,81%), Belém (-5,42%), Aracaju (-4,99%) e Florianópolis (-1,36%).
Outro produto que ficou mais caro foi o açúcar. A alta em seu preço foi registrada em oito capitais, entre as quais destacam-se Aracaju (6,12%), João Pessoa (3,42%) e Brasília (3,23%). As capitais nas quais foram observadas quedas foram Rio de Janeiro (-8,64%), Natal (-2,27%), São Paulo (-1,25%) e Florianópolis
(-1,16%). Nas demais cidades, não houve alteração de preço.
Alguns produtos, como o tomate, registraram quedas generalizadas. Seu preço caiu em quinze capitais e manteve estabilidade em uma (Florianópolis). As quedas mais expressivas, de mais de 10%, ocorreram em onze cidades, destacando-se Goiânia (-28,97%), Vitória (-23,89%) e Brasília (-23,21%).
O café também teve queda acentuada em agosto. O preço do produto caiu em onze capitais. As maiores baixas ocorreram em Aracaju (-9,14%), Vitória (-7,09%) e Florianópolis (-5,30%). Em duas capitais, Natal e Fortaleza, houve estabilidade, e nas outras três, Porto Alegre (3,70%), Rio de Janeiro (3,38%) e Salvador (1,98%), ocorreu aumento.
O leite e a manteiga apresentaram reduções de preço em oito e nove capitais, respectivamente. No caso do leite, destacam-se pela queda Curitiba (-5,88%), Salvador (-2,30%) e João Pessoa (-2,04%). Os aumentos foram observados em cinco cidades, com destaque para Brasília (3,13%), Florianópolis (2,44%) e Belém (2,04%). Em Recife, Fortaleza e Aracaju, não houve variação.
As maiores reduções no preço da manteiga ocorreram em Vitória (-13,72%) e Aracaju (-10,64%) e os aumentos mais expressivos, em Recife (5,59%) e João Pessoa (2,93%).
A banana também caiu de preço em oito cidades, entre elas Belo Horizonte (-8,57%), Vitória (6,67%), Natal
(-4,59%) e Florianópolis (-4,49%). Em Curitiba e Fortaleza, os preços permaneceram estáveis e, entre as seis cidades nas quais foram registrados aumentos, sobressaem-se Porto Alegre (9,44%), Aracaju (5,56%) e João Pessoa (5,45%).
O arroz e a farinha de mandioca, produto pesquisado apenas em sete capitais do Norte e Nordeste, tiveram comportamento equilibrado. O arroz apresentou redução em sete cidades e alta, em outras sete. As quedas mais significativas foram observadas em Aracaju (-4,53%) Belo Horizonte (-3,37%) e Recife (-3,30%). Os principais aumentos ocorreram em Fortaleza (4,81%) e Rio de Janeiro (4,69%). Vitória e Brasília foram as únicas cidades onde o preço do produto não teve alteração.
A farinha de mandioca registrou alta em três cidades e queda em outras três, com taxas que oscilaram entre 2,13%, em Recife, e -1,19%, em Fortaleza. Em Belém, houve estabilidade.
São Paulo.
Na capital paulista, a cesta básica teve pequena alta, em agosto. A variação acumulada em 2001, janeiro a agosto, é de 5,73%. Nos últimos doze meses atinge 10,26%.
Dos treze produtos que compõem a cesta básica, seis apresentaram queda de preços e os demais, aumento, para o paulistano. O produto que registrou a maior elevação foi o óleo de soja (18,33%), seguido pelo feijão (6,73%) e a farinha de trigo (3,45%). As quedas mais expressivas ocorreram nos preços do tomate (-7,35%), manteiga (-2,81%) e café (-1,70%).
O tempo de trabalho necessário para a aquisição da cesta por um trabalhador paulistano que recebe salário mínimo foi de 154 horas e 29 minutos, em agosto. Em julho, a jornada foi ligeiramente menor, 153 horas e 20 minutos, e, em agosto de 2000, correspondeu a 167 horas e 1 minuto, ou seja, cerca de 12 horas e 30 minutos a mais.
Ao se comparar o custo da cesta básica com o salário mínimo líquido, após o desconto previdenciário, o custo da ração representou 76,03% do mínimo, percentual inferior ao de agosto do ano passado, quando foi de 82,53%, mas ligeiramente superior ao de julho (75,61%).
Tabela - Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Brasil - agosto de 2001
CAPITAL
VALOR DA CESTA (R$)
VARIAÇÃO MENSAL (%)
PORCENTAGEM DO SALÁRIO MÍNIMO LÍQUIDO
TEMPO DE TRABALHO
VARIAÇÃO NO ANO (%)
VARIAÇÃO ANUAL (%)
PORTO ALEGRE
127,42
1,57
76,65
155H44MIN
11,39
18,00
SÃO PAULO
126,39
0,56
76,03
154H29MIN
5,73
10,26
RIO DE JANEIRO
125,62
2,90
75,57
153H32MIN
10,90
18,51
CURITIBA
120,79
1,06
72,66
147h38min
10,72
10,56
FLORIANÓPOLIS
117,82
1,13
70,88
144H00MIN
14,09
18,14
BRASÍLIA
116,66
-1,33
70,18
142H35MIN
4,15
7,36
BELO HORIZONTE
113,80
-2,43
68,46
139H05MIN
2,41
6,75
VITÓRIA
108,26
-2,68
65,13
132H19MIN
12,64
15,07
BELÉM
106,32
0,66
63,96
129H57MIN
4,14
7,43
ARACAJU
104,62
-2,32
62,94
127H52MIN
9,71
12,82
GOIÂNIA
101,69
0,06
61,17
124H17MIN
9,02
12,02
JOÃO PESSOA
97,95
-3,97
58,92
119H43MIN
7,68
11,82
NATAL
97,92
-1,94
58,91
119H41MIN
3,29
13,02
FORTALEZA
97,66
-2,06
58,75
119H22MIN
7,30
13,33
RECIFE
95,29
-3,13
57,32
116H28MIN
-3,13
- 1,71
SALVADOR
93,08
-0,69
55,99
113H46MIN
7,35
12,05
Fonte: DIEESE.
Ração Essencial Preços Médios em Agosto de 2001 (em R$)
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Produtos
Centro-Oeste
Sudeste
Sul
Norte/Nordeste
Brasília
Goiânia
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
São Paulo
Vitória
Curitiba
Floria- nópolis
Porto Alegre
Aracaju
Belém
Fortaleza
João Pessoa
Natal
Recife
Salvador
Carne
5,58
5,40
5,52
5,75
6,26
5,65
6,36
6,07
6,50
6,27
4,99
5,85
5,86
5,97
5,13
5,22
Leite
1,01
0,87
1,11
1,06
1,06
0,90
0,96
0,84
0,89
0,88
1,00
0,99
0,96
0,87
1,04
0,85
Feijão
2,41
1,71
1,81
2,43
2,22
2,16
2,44
2,09
2,13
1,69
1,94
1,91
1,78
1,62
1,77
1,72
Arroz
1,07
1,01
0,86
1,34
0,96
0,93
0,99
0,98
0,86
1,29
0,96
1,09
1,19
1,13
1,22
1,17
Farinha
1,11
1,07
1,06
1,06
1,20
1,05
1,02
1,28
0,94
0,80
0,91
0,83
0,91
0,94
0,96
0,72
Batata
1,09
1,21
1,03
1,23
1,38
1,00
1,14
1,05
1,52
Tomate
0,86
0,76
0,92
1,09
1,26
0,86
1,07
1,16
1,49
1,19
1,79
1,06
1,06
1,49
1,03
1,02
Pão
3,34
2,72
3,77
4,21
3,40
3,81
2,67
3,37
3,14
2,44
2,83
3,08
2,63
2,60
2,68
2,69
Café
5,92
5,65
5,97
6,12
6,73
3,94
4,86
4,76
5,14
5,64
5,87
5,92
5,33
5,34
6,10
8,55
Banana
1,50
0,83
1,18
1,38
1,34
0,84
1,33
0,85
1,39
1,90
1,83
0,83
1,16
0,83
1,33
1,18
Açúcar
0,96
0,73
0,85
0,74
0,79
0,79
0,86
0,85
0,81
1,04
1,04
0,91
1,21
0,86
0,86
0,95
Óleo
1,37
1,45
1,54
1,53
1,42
1,55
1,38
1,61
1,37
1,69
1,53
1,57
1,69
1,50
1,66
1,58
Manteiga
8,67
8,99
8,57
8,53
11,08
5,79
8,66
8,68
7,08
9,07
5,79
9,16
8,91
8,35
8,30
8,20
Gasto Mensal
116,66
101,69
113,80
125,62
126,39
108,26
120,79
117,82
127,42
104,62
106,32
97,66
97,95
97,92
95,29
93,08
Tempo de trabalho
142h35m
124h17m
139h05m
153h32m
154h29m
132h19m
147h38m
144h00m
155h44m
127h52m
129h57m
119h22m
119h43m
119h41m
116h28m
113h46m
Cidade mais cara
6º
11º
7º
3º
2º
8º
4º
5º
1º
10º
9º
14º
12º
13º
15º
16º
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Salário mínimo nominal e necessário Agosto de 1999 a agosto de 2001
Período
Salário mínimo nominal
Salário mínimo necessário
1999
Agosto
R$ 136,00
R$
892,44
Setembro
R$ 136,00
R$ 908,74
Outubro
R$ 136,00
R$ 933,44
Novembro
R$ 136,00
R$ 940,16
Dezembro
R$ 136,00
R$ 940,58
2000
Janeiro
R$ 136,00
R$ 942,76
Fevereiro
R$ 136,00
R$ 930,83
Março
R$ 136,00
R$ 967,21
Abril
R$ 150,00
R$ 973,84
Maio
R$ 151,00
R$ 939,06
Junho
R$ 151,00
R$ 919,41
Julho
R$ 151,00
R$ 936,12
Agosto
R$ 151,00
R$ 936,01
Setembro
R$ 151,00
R$ 1.003,67
Outubro
R$ 151,00
R$ 1.030,05
Novembro
R$ 151,00
R$
1.021,65
Dezembro
R$ 151,00
R$
1.004,26
2001
Janeiro
R$ 151,00
R$ 1.036,35
Fevereiro
R$ 151,00
R$ 1.037,02
Março
R$ 151,00
R$ 1.066,68
Abril
R$ 180,00
R$ 1.092,97
Maio
R$ 180,00
R$ 1.090,28
Maio
R$ 180,00
R$ 1.090,28
Junho
R$ 180,00
R$ 1.072,14
Julho
R$ 180,00
R$ 1.055,84
Agosto
R$ 180,00
R$ 1.070,46
Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.
Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7°;, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.
Nota: O valor da cesta básica de Brasília, referente a julho, foi corrigido para R$ 118,23.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos