CESTA BÁSICA TEM COMPORTAMENTO HETEROGÊNEO EM ABRIL
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São Paulo, 6 de maio de 1999.
O comportamento dos preços dos gêneros de primeira necessidade foi bastante diversificado, em abril, com queda em sete capitais e aumento em nove, segundo apurou o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. Os dados da Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada mensalmente em dezesseis capitais, indicaram os maiores aumentos em Aracaju (5,43%), Vitória (4,40%) e Recife (3,87%). As principais retrações, por sua vez, ocorreram em Salvador (-4,11%), João Pessoa (-2,74%), Fortaleza (-2,69%) e Goiânia (-2,19%).
São Paulo continuou a ser a única cidade onde o custo dos produtos básicos, conforme definidos no decreto-lei 399, de 30 de abril de 1938, superou R$ 100,00, atingindo, nesse mês, R$ 104,54, ainda que tenha sido apurada uma queda de 1,64% no preço do conjunto de itens pesquisados nesta cidade. Três outras capitais - todas elas com variações positivas no custo total - registraram valores bastante próximos a este patamar: Porto Alegre (R$ 99,86), Brasília (R$ 99,36) e Curitiba (R$ 98,09).
A Constituição Brasileira, no inciso IV do artigo 7º, estabelece que o salário mínimo deve satisfazer as necessidades básicas do trabalhador e de sua família, com moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação, transportes, higiene, lazer e previdência. Baseado nestes princípios - e considerando que o salário mínimo é nacionalmente unificado -, o DIEESE estima, mensalmente, o valor do salário mínimo necessário para a manutenção de uma família composta de um casal e dois filhos menores. Tomando como referência o valor da cesta básica mais cara, no caso a de São Paulo, o DIEESE calcula que o salário minimo necessário deveria corresponder a R$ 878,24.
Variação dos Produtos
Feijão, óleo de soja, arroz e açúcar foram produtos cujos preços caíram em diversas capitais. Por outro lado, o tomate e o leite tipo C tiveram queda em seus preços na maior parte das cidades pesquisadas.
O feijão teve redução em seu preço em quinze capitais, independentemente de a variedade pesquisada ser o preto ou o de cores. As quedas mais significativas ocorreram em Salvador (-25,33%), Belo Horizonte (-18,75%), Vitória (-18,29%) e São Paulo (-18,14%). Entre as principais retrações, apenas na capital capixaba é pesquisado o feijão preto. No entanto, na única cidade com elevação - Belém (3,35%) - o DIEESE acompanha o preço do feijão de cores.
O óleo de soja registrou retração em catorze localidades, com destaques para Salvador (-12,59%) e Rio de Janeiro (-9,23%). No entanto, nas duas cidades em que o preço subiu os aumentos foram expressivos: Natal (13,19%) e Aracaju (11,61%).
No caso do arroz, os preços caíram em treze cidades, com destaque para Porto Alegre (-11,46%), Goiânia (-7,77%) e Rio de Janeiro (-7,08%). Para o açúcar, as reduções verificaram-se em onze capitais, em especial em João Pessoa (-13,89%), Recife (-7,84%) e Belo Horizonte (-7,02%). Houve alta expressiva em Vitória (15,56%).
O preço do tomate seguiu seu comportamento habitual de fortes oscilações. Em doze capitais, a alta foi significativa, como ocorreu em Florianópolis (115,91%), Porto Alegre (97,87%), Vitória (35,09%), Curitiba (34,48%) e Rio de Janeiro (26,58%).
Também o leite tipo C registrou comportamento predominantemente altista, com as elevações mais expressivas no Rio de Janeiro (11,39%), Porto Alegre (10,77%), Florianópolis (6,06%) e Recife (5,68%). Outras quatro capitais apresentaram estabilidade, enquanto em Belém houve queda de 5,13%.
Tabelas da Cesta Básica Nacional
Quanto se trabalha para comer em Região Centro-Oeste
A jornada de trabalho necessária para que um trabalhador, cuja remuneração equivale ao salário mínimo, pudesse adquirir os gêneros de primeira necessidade representou, em média, 156 horas e 5 minutos, em abril. Em comparação com o mês anterior, houve crescimento do tempo de trabalho necessário, que em março ficava em 155 horas e 20 minutos. No entanto, em relação a abril de 1998 o DIEESE apurou redução significativa, uma vez que no ano passado a jornada chegava a 172 horas. A redução da jornada está diretamente relacionada com o fato de o reajuste aplicado - em maio de 1998 - ao salário mínimo (8,33%) ser superior à variação verificada no preço da cesta. A maior elevação no custo da cesta, em doze meses, ocorreu em Brasília (5,53%), e em dez capitais seu preço caiu, sendo as variações mais significativas apuradas em Curitiba (-10,07%), Rio de Janeiro (-5,36%) e Natal (-4,12%).
O mesmo raciocínio pode ser feito quando a comparação é feita entre o custo da cesta e o salário mínimo líquido - de R$ 119,60, após o desconto da parcela referente à Previdência Social. Em abril último, o valor da cesta correspondia a 77,12% do salário mínimo líquido, na média das dezesseis capitais, enquanto em março esta relação ficava em 76,74%. Da mesma forma que se verificou na jornada, a situação é bem melhor que em abril de 1998, quando a compra da cesta comprometia 84,97%.
São Paulo.
A capital paulista continua apresentando o custo mais elevado para a cesta básica, entre as dezesseis capitais, - R$ 104,54, apesar da queda de 1,64% verificada em abril. Esta redução derivou, basicamente, das retrações apuradas nos preços do feijão carioquinha (-18,14%), do arroz agulhinha tipo 2 (-6,73%), da banana nanica (-6,15%), do açúcar refinado (-4,06%) e do óleo de soja (-5,11%). O valor da cesta só não foi ainda menor em função do grande aumento ocorrido no tomate (16,13%) e na farinha de trigo (4,30%).
Ao contrário do que ocorreu na média das dezesseis capitais, em São Paulo o trabalhador que ganha salário mínimo comprometeu, em abril, uma jornada menor - de 176 horas e 54 minutos - que em março - 179 horas e 52 minutos - para adquirir os gêneros de primeira necessidade. Em abril de 1998, o tempo de trabalho necessário atingia 194 horas e 53 minutos, muito superior ao atual, uma vez que em doze meses o preço dos treze produtos essenciais caiu 1,69%.
Devido ao comportamento verificado em abril, a porcentagem do salário mínimo líquido comprometida com a compra da ração essencial mínima ficou 87,41%, enquanto em março correspondia a 88,86%. Em abril de 1998, o comprometimento chegava a 98,80%.
Tabela - Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais Abril de 1999
Capital
Valor da cesta básica (R$)
Variação mensal (%)
Porcentagem do salário mínimo líquido
Tempo de Trabalho
Variação no ano
(%)
Variação Anual
(%)
São Paulo
104,54
-1,64
87,41
176h 54min
2,40
-1,66
Porto Alegre
99,86
2,86
83,49
168h 59min
-0,62
-2,50
Brasília
99,36
2,45
83,08
168h 08min
5,23
5,53
Curitiba
98,09
0,15
82,02
165h 59min
2,01
-10,07
Belo Horizonte
97,34
-1,09
81,39
164h 43min
4,02
-0,32
Rio de Janeiro
96,00
-0,49
80,27
162h 27min
2,10
-5,36
Florianópolis
92,52
1,69
77,36
156h 34min
4,32
-5,05
Aracaju
92,47
5,43
77,32
156h 29min
5,70
0,04
Vitória
91,99
4,40
76,91
155h 40min
7,39
2,31
Belém
90,12
0,26
75,35
152h 30min
6,94
2,88
Natal
89,83
1,84
75,11
152h 01min
9,30
-4,12
João Pessoa
88,25
-2,74
73,79
149h 20min
7,41
1,37
Recife
86,50
3,87
72,32
146h 31min
8,18
0,75
Fortaleza
85,30
-2,69
71,32
144h 21min
1,48
-3,70
Goiânia
83,88
-2,19
70,13
141h 57min
-2,76
-1,26
Salvador
79,63
-4,11
66,58
134h 45min
2,30
-3,41
Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica - DIEESE.
Ração Essencial Preços Médios em abril de 1999 (em R$)
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Produtos
Centro-Oeste
Sudeste
Sul
Norte/Nordeste
Brasília
Goiânia
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
São Paulo
Vitória
Curitiba
Floria- nópolis
Porto Alegre
Aracaju
Belém
Fortaleza
João Pessoa
Natal
Recife
Salvador
Carne
4,82
3,97
4,61
4,65
5,21
4,37
5,00
4,81
5,19
5,41
4,07
4,59
5,18
5,04
4,61
4,42
Leite
0,69
0,60
0,83
0,88
0,80
0,71
0,73
0,70
0,72
0,81
0,74
0,80
0,95
0,79
0,93
0,77
Feijáo
1,91
1,37
1,30
1,34
1,67
1,34
1,50
1,53
1,19
1,75
2,16
1,51
1,49
1,41
1,61
1,12
Arroz
0,96
0,95
0,89
1,05
0,97
1,26
1,01
1,05
0,85
1,23
1,05
1,13
1,17
1,14
1,25
1,09
Farinha de trigo 1
0,86
0,89
0,85
0,96
0,97
1,06
0,70
1,05
0,95
0,87
0,89
0,72
1,10
1,15
1,06
0,74
Batata 2
0,81
0,75
0,80
0,77
1,01
0,49
0,93
0,60
0,96
-
-
-
-
-
-
-
Tomate
0,90
0,89
0,87
1,00
1,08
0,77
0,78
0,95
0,93
0,78
1,14
0,93
0,80
1,02
0,72
0,71
Pão
2,62
2,26
2,98
3,11
2,62
3,80
2,25
2,46
2,58
2,46
2,64
2,64
2,30
2,12
2,48
2,27
Café
6,62
6,81
6,48
6,82
6,99
5,38
7,54
6,56
7,14
6,76
7,67
6,81
6,54
5,95
6,76
8,23
Banana
1,49
0,79
1,40
0,87
1,22
0,73
1,28
0,63
1,10
1,63
1,69
1,25
1,42
1,71
1,30
1,30
Açúcar
0,59
0,39
0,53
0,49
0,47
0,52
0,51
0,48
0,51
0,56
0,62
0,50
0,62
0,56
0,47
0,50
Óleo
1,23
1,17
1,23
1,18
1,30
1,30
1,27
1,39
1,25
1,73
1,48
1,41
1,52
1,63
1,31
1,25
Manteiga
7,55
9,02
7,91
7,10
10,45
6,40
7,35
6,95
7,60
8,73
4,46
7,30
7,51
7,49
7,90
9,10
Gasto Mensal
99,36
83,88
97,34
96,00
104,54
91,99
98,09
92,52
99,86
92,47
90,12
85,30
88,25
89,83
85,21
79,63
Tempo de trabalho
168h 09min
141h 57min
164h 44min
162h 28min
176h 55min
155h 41min
165h 60min
156h 34min
168h 60min
156h 29min
152h 31min
144h 21min
149h 21min
152h 01min
144h 12min
134h 46min
Cidade mais cara
3º
15º
5º
6º
1º
9º
4º
7º
2º
8º
10º
13º
12º
11º
14º
16º
(1)Farinha de mandioca no Nordeste; farinha de trigonas demais Regiões. (2)Ração do Nordeste não prevê consumo de batata. Os preços médios da Ração Essencial referem-se a 1 quilo, 1 litro e 1 dúzia, exceto no caso do óleo (900ml). No mês de abril de 1999, o salário mínimo em todas as cidades pesquisadas valia R$ 130,00.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos