PREÇOS DOS ALIMENTOS CAÍRAM EM DOZE MESES, EM QUINZE CAPITAIS
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São Paulo, 07 de junho de 1999.
Apesar de, em maio último, o preço dos gêneros de primeira necessidade haver subido na maior parte das dezesseis capitais em que o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, em comparação com maio do ano passado, quinze cidades registraram queda no preço do conjunto de produtos de alimentação. Em maio, os maiores aumentos ocorreram em Porto Alegre (4,97%), Curitiba (3,50%), Salvador (3,16%) e Recife (2,84%), e as principais retrações se verificaram em Natal (-8,29%), Aracaju (-6,14%) e Vitória (-2,89%). Em doze meses, apenas a capital gaúcha apresentou uma pequena variação positiva (0,25%), enquanto os recuos mais significativos ocorreram em Natal (-18,62%), Salvador (-10,19%), Aracaju (-8,48%), Fortaleza (-8,08%), João Pessoa (-7,19%) e Goiânia (-7,02%). Nos cinco primeiros meses do ano, catorze localidades tiveram aumento no custo da cesta básica, registrando um comportamento oposto ao verificado em doze meses.
Devido ao comportamento apurado em maio, mais duas capitais (Porto Alegre e Curitiba) - além de São Paulo - ultrapassaram o patamar de R$ 100,00 para o custo da cesta básica, conforme definida no Decreto lei 399, de 30 de abril de 1938. A capital paulista continuou mantendo o maior valor para a ração essencial mínima (R$ 105,05), sendo seguida por Porto Alegre (R$ 104,82) e Curitiba (R$ 101,52). Os menores valores foram apurados em Salvador (R$ 82,15) e Natal (R$ 82,38).
Considerando o preceito constitucional (artigo 7º, inciso IV ) que determina que o salário mínimo deve ser suficiente para o sustento de uma família, suprindo os gastos com alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, transportes, higiene, lazer e previdência, o DIEESE estima, mensalmente, o valor do salário mínimo necessário. Para tanto, e levando em conta que o salário mínimo é nacionalmente unificado, toma por base o custo da cesta básica mais cara, que mais uma vez foi verificada em São Paulo. Assim, o salário mínimo necessário para a manutenção de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) deveria ser, em maio, equivalente a R$ 882,53, o que corresponde a 6,5 vezes o salário mínimo vigente. (R$ 136,00, a partir de maio).
Tabelas da Cesta Básica Nacional
Quanto se trabalha para comer em Região Centro-Oeste
Para adquirir os alimentos básicos previstos no decreto lei 399, um trabalhador cuja remuneração seja o salário mínimo precisaria trabalhar, em média, no mês de maio, 149 horas e 17 minutos, jornada inferior à apurada para abril, de 155 horas e 56 minutos. Como houve aumento no custo da cesta na maioria das capitais, esta redução no tempo de trabalho necessário explica-se pelo reajuste de 4,62%, concedido ao salário mínimo. Em maio de 1998, este mesmo trabalhador comprometia 166 horas de sua sornada, para comprar a mesma cesta. Esta situação justifica-se pelo fato de, no ano passado, a cesta básica em quinze capitais, estar custando mais do que atualmente.
Considerando o salário mínimo líquido de R$ 125,12 - após o desconto da parcela referente à Previdência Social - a cesta básica correspondia, em maio, a 73,76% deste valor, na média das dezesseis capitais. Esta proporção é inferior tanto à apurada em abril (77,05%), quanto à registrada há um ano (81,77%).
Comportamento dos preços
Tomate e batata, com alta em todas as capitais em que estes produtos têm seus preços pesquisados, e o feijão, com queda em dezesseis cidades foram determinantes para o comportamento do custo total da cesta básica. Carne, arroz, café, açúcar e óleo de soja também foram produtos cujos preços caíram na maior parte das localidades pesquisadas.
O tomate - produto sujeito a freqüentes oscilações - neste mês apresentou aumento em todas as localidades, as mais significativas verificadas em Porto Alegre (48,39%), Salvador (47,89%), Curitiba (46,15%), Recife (37,50%), Vitória (35,06%) e Fortaleza (31,18%). Em apenas duas capitais - Belém (3,51%) e Natal (0,98%) - as elevações foram inferiores à 10%.
Pesquisada somente nas nove capitais do Centro-Sul, a batata teve alta em todas, com destaque para Porto Alegre (23,96%), Goiânia (16,00%), Rio de Janeiro (15,58%) e Belo Horizonte (15,00%). Os menores aumentos ocorreram em São Paulo (6,93%) e Florianópolis (6,67%).
Independentemente de a variedade pesquisada ser do tipo preto ou de cores, o feijão registrou queda em todas as dezesseis capitais. As mais significativas verificaram-se em cidades do Nordeste, onde o levantamento acompanha o preço do feijão de cores: Fortaleza (-31,18%), Aracaju (-29,19%), João Pessoa (-20,12%) e Natal (-15,59%). As menores retrações foram apuradas em Porto Alegre (-4,29%), onde o DIEESE pesquisa o produto de tipo preto, e Recife (-4,41%). Estes recuos justificam-se, em parte, pois o produto teve aumentos extraordinários em 1998, especialmente no primeiro semestre, e atualmente vem apresentando redução devido à colheita de uma boa safra.
Dentre as dezesseis capitais pesquisadas, treze indicaram queda no preço da carne, produto de maior peso na cesta básica. Os recuos mais significativos deram-se em Aracaju (-8,71%), Brasília (-6,22%), Vitória (-5,95%) e João Pessoa (-4,25%). Os aumentos foram apurados em Curitiba (2,21%), Goiânia (1,26%) e Recife (0,87%).
O preço do café - que nos primeiros meses do ano subiu, uma vez que é produto de exportação e cotado em dólar - registrou queda em doze capitais, como ocorreu em Aracaju (-15,76%), Vitória (-13,41%), Salvador (-13,36%) e Curitiba (-10,18%). Aumentos inferiores a 1% verificaram-se em Florianópolis (0,76%), Brasília (0,25%) e Goiânia (0,24%) e em Recife a variação foi nula.
Também em doze cidades houve recuo no preço do óleo de soja, produto que também sofre influência do preço do dólar. As maiores retrações foram apuradas em Natal (-17,79%), Aracaju (-15,61%), Recife (-11,45%) e Vitória (-10,00%). Quatro capitais registraram aumento, o mais expressivo em Curitiba (9,87%).
Em onze capitais o DIEESE apurou retração no preço do açúcar e do arroz. No primeiro caso, os destaques ficaram por conta de Natal (-12,50%), Salvador (-12,00%), Goiânia (-10,26%), Fortaleza (-10,00%) e em Vitória (-9,62%). Dentre as quatro capitais em que houve alta, a mais expressiva foi apurada em Aracaju (10,71%), enquanto houve estabilidade em Florianópolis. Quanto ao arroz, as maiores quedas ocorreram em Vitória (-22,22%), Rio de Janeiro (-9,52%), Aracaju (-8,13%) e Recife (-7,11%). Houve estabilidade em Fortaleza e o maior aumento ocorreu em Curitiba (1,98%).
São Paulo
Pelo décimo terceiro mês consecutivo, o DIEESE apurou em São Paulo o maior custo para os treze produtos que compõem a ração essencial mínima: R$ 105,05, apesar de a variação verificada este mês - 0,49% - ter sido a menor entre as onze capitais em que foram apurados aumentos nos preços.
Os preços de seis produtos tiveram queda: carne bovina de primeira (-0,77%), feijão carioquinha (-10,77%), arroz agulhinha tipo 2 (-4,12%), café em pó (-1,43%), açúcar refinado (-4,26%) e óleo de soja (-3,85%). Leite tipo C e banana nanica mantiveram-se estabilizados, enquanto cinco apresentaram aumento: farinha de trigo (0,68%), batata (6,93%), tomate (12,96%), pão francês (0,76%) e manteiga (0,51%).
A comparação entre o custo da cesta e o salário mínimo apresentou, em São Paulo, comportamento semelhante ao apurado para a média das dezesseis capitais, no que se refere ao comprometimento da jornada para a compra dos gêneros de primeira necessidade. Em maio, o trabalhador paulistano que ganha salário mínimo precisava cumprir 169 horas e 55 minutos para realizar a mesma compra que, em abril, requisitava 176 horas e 54 minutos. Em maio de 1998 - quando a cesta básica paulistana atingiu seu maior valor desde a implantação do real (R$ 112,14) - a jornada necessária chegava a 189 horas e 47 minutos.
O comportamento do salário mínimo líquido para a compra dos mesmos bens segue na mesma direção. No mês passado, a proporção era de 83,96%, em abril chegava a 87,41% e em maio de 1998 atingia 93,76%.
Tabela - Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais Maio de 1999
Capital
Valor da cesta básica (R$)
Variação mensal (%)
Porcentagem do salário mínimo líquido
Tempo de Trabalho
Variação no ano
(%)
Variação Anual
(%)
São Paulo
105,05
0,49
83,96
169h 55min
2,90
-6,32
Porto Alegre
104,82
4,97
83,78
169h 33min
4,32
0,25
Curitiba
101,52
3,50
81,14
164h 13min
5,57
-2,94
Brasília
98,66
-0,70
78,85
159h 36min
4,49
-0,90
Rio de Janeiro
97,67
1,74
78,06
158h 00min
3,87
-3,47
Belo Horizonte
96,66
-0,70
77,25
156h 21min
3,29
-6,26
Florianópolis
93,59
1,16
74,80
151h 24min
5,52
-4,52
Belém
90,57
0,50
72,39
146h 30min
7,48
-1,23
Vitória
89,33
-2,89
71,40
144h 30min
4,28
-0,23
João Pessoa
88,86
0,69
71,02
143h 44min
8,15
-7,19
Recife
87,63
2,84
70,04
141h 45min
9,59
-4,72
Aracaju
86,79
-6,14
69,37
140h 24min
-0,79
-8,48
Fortaleza
86,71
1,65
69,30
140h 16min
3,15
-8,08
Goiânia
84,31
0,51
67,38
136h 22min
-2,26
-7,02
Natal
82,38
-8,29
65,84
133h 15min
0,23
-18,62
Salvador
82,15
3,16
65,66
132h 53min
5,54
-10,19
Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica - DIEESE.
Ração Essencial Preços Médios em maio de 1999 (em R$)
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Produtos
Centro-Oeste
Sudeste
Sul
Norte/Nordeste
Brasília
Goiânia
Belo Horizonte
Rio de Janeiro
São Paulo
Vitória
Curitiba
Floria- nópolis
Porto Alegre
Aracaju
Belém
Fortaleza
João Pessoa
Natal
Recife
Salvador
Carne
4,52
4,02
4,53
4,61
5,17
4,11
5,11
4,74
5,17
4,94
4,06
4,55
4,96
4,88
4,65
4,34
Leite
0,70
0,60
0,83
0,87
0,80
0,74
0,74
0,70
0,70
0,81
0,77
0,82
0,95
0,86
0,95
0,76
Feijáo
1,66
1,18
1,16
1,22
1,49
1,23
1,31
1,43
1,14
1,24
2,02
1,04
1,19
1,19
1,54
0,99
Arroz
0,95
0,96
0,84
0,95
0,93
0,98
1,03
1,01
0,81
1,13
1,06
1,13
1,14
1,06
1,16
1,10
Farinha de trigo 1
0,83
0,86
0,88
1,02
0,98
1,25
0,69
0,94
0,95
0,87
0,90
0,76
1,04
1,08
1,03
0,83
Batata 2
0,88
0,87
0,92
0,89
1,08
0,56
1,04
0,64
1,19
-
-
-
-
-
-
-
Tomate
1,05
1,03
1,06
1,21
1,22
1,04
1,14
1,16
1,38
0,97
1,18
1,22
0,99
1,03
0,99
1,05
Pão
2,44
2,19
2,93
3,13
2,64
3,20
2,27
2,46
2,70
2,38
2,64
2,66
2,30
2,07
2,38
2,19
Café
6,63
6,83
6,25
6,33
6,89
5,20
6,76
6,61
6,82
5,70
7,50
6,32
6,40
5,81
6,76
7,12
Banana
1,69
0,75
1,28
0,94
1,22
0,83
1,19
0,62
1,14
1,49
1,74
1,28
1,60
1,04
1,32
1,30
Açúcar
0,60
0,35
0,49
0,46
0,45
0,47
0,49
0,48
0,50
0,62
0,63
0,45
0,58
0,49
0,48
0,44
Óleo
1,20
1,13
1,22
1,22
1,25
1,17
1,39
1,37
1,22
1,46
1,49
1,43
1,41
1,34
1,16
1,22
Manteiga
7,58
8,89
7,35
6,86
10,51
6,55
7,95
7,25
6,80
7,08
4,52
7,20
7,35
7,61
8,15
9,30
Gasto Mensal
98,66
84,31
96,66
97,67
105,05
89,33
101,52
93,59
104,82
86,79
90,57
86,71
88,86
82,38
87,63
82,15
Tempo de trabalho
159h 36min
136h 23min
156h 22min
157h 60min
169h 56min
144h 30min
164h 13min
151h 24min
169h 34min
140h 24min
146h 31min
140h 16min
143h 45min
133h 16min
141h 45min
132h 53min
Cidade mais cara
4º
14º
6º
5º
1º
9º
3º
7º
2º
12º
8º
13º
10º
15º
11º
16º
(1)Farinha de mandioca no Nordeste; farinha de trigonas demais Regiões. (2)Ração do Nordeste não prevê consumo de batata. Os preços médios da Ração Essencial referem-se a 1 quilo, 1 litro e 1 dúzia, exceto no caso do óleo (900ml). No mês de maio de 1999, o salário mínimo em todas as cidades pesquisadas valia R$ 136,00.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos