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DIEESE - Cesta Básica Nacional - Junho/99
CESTA DE SÃO PAULO DEIXA DE SER A MAIS CARA DO PAÍS

..... São Paulo, 06 de julho de 1999.

A queda de 1,00%, no custo dos gêneros de primeira necessidade em São Paulo e a simultânea alta de 1,77%, no preço dos mesmos bens, em Porto Alegre fizeram com que a capital paulista deixasse de ser, em junho, após treze meses, a cidade mais cara do país, posto ocupado, no último mês, pela localidade gaúcha. Os dados foram apurados pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - que realiza mensalmente, em dezesseis capitais brasileiras, a Pesquisa Nacional de Cesta Básica.

Além de Porto Alegre, seis outras capitais registraram aumento no valor dos produtos pesquisados, com destaque para Natal, que teve a maior elevação (5,04%), Recife (1,20%) e Salvador (1,05%). As retrações - apuradas em nove cidades - mais significativas ocorreram em Aracaju (-3,87%), Goiânia (-3,06%) e Belo Horizonte (-2,20%).

Devido ao comportamento de junho, três localidades mantiveram o custo da cesta - conforme estabelecida no decreto-lei 399, de 30 de abril de 1938 - acima de R$ 100,00: Porto Alegre (R$ 106,68), São Paulo (104,00) e Curitiba (R$ 100,76). Os menores valores foram registrados em Goiânia (R$ 81,73), Salvador (R$ 83,01) e Aracaju (R$ 83,43).

Com base no custo da cesta mais elevada - no caso, a de Porto Alegre - e considerando que o salário mínimo deveria ser suficiente para o sustento de uma família, como prevê a Constituição Brasileira, o DIEESE estima que o salário mínimo necessário deveria ser de R$ 896,22, ou seja, 6,6 vezes o valor vigente (R$ 136,00).

Entre janeiro e junho deste ano, apenas duas capitais - Goiânia (-5,25%) e Aracaju (-4,63%) - acumulam uma variação negativa no custo da cesta básica. Dentre as outras catorze cidades, os maiores aumentos neste ano ocorreram em Recife (10,91%), João Pessoa (7,62%), Salvador (6,64%) e Porto Alegre (6,17%).

Em doze meses - de julho de 1998 a junho deste ano - apenas Porto Alegre registrou aumento no conjunto de produtos da cesta básica (2,22%). As mais expressivas variações negativas deram-se em Natal (-14,72%), Aracaju (-11,05%), Goiânia (-8,83%) e Fortaleza (-7,80%).

Cesta x Salário

Como na maioria das capitais pesquisadas o custo da cesta básica caiu em junho, o tempo de trabalho necessário para a aquisição dos produtos que compõem a ração essencial, na média das dezesseis cidades, registrou uma pequena queda quando comparado com o apurado em maio. Desta forma, a jornada de trabalho comprometida passou de 149 horas e 17 minutos para 148 horas e 47 minutos. Em relação a junho de 1998, o recuo é mais significativo, pois naquele mês, o comprometimento chegava a 165 horas.

A mesma comparação pode ser feita quando se considera o salário mínimo líquido, depois, portanto, do desconto da parcela referente à previdência social. Neste caso, na média das dezesseis capitais, 73,51% do rendimento líquido foram gastos para a compra dos produtos básicos, em junho, enquanto, em maio, o comprometimento era de 73,76%. Em junho de 1998, 81,31% do salário mínimo líquido era gasto para a compra da mesma cesta básica.

Tabelas da Cesta Básica Nacional
Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste

Brasília

Goiânia

Região Sudeste

Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória

Região Sul

Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre

Regiões Norte e Nordeste

Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador


Ração Essencial
Preços Médios em junho de 1999
(em R$)
.....
Produtos Centro-Oeste Sudeste Sul Norte/Nordeste
Brasília Goiânia Belo
Horizonte
Rio de
Janeiro
São
Paulo
Vitória Curitiba Floria-
nópolis
Porto
Alegre
Aracaju Belém Fortaleza João
Pessoa
Natal Recife Salvador
Carne 4,40 3,88 4,42 4,49 5,10 4,28 4,92 4,78 5,16 4,73 3,96 4,50 4,91 4,93 4,76 4,23
Leite 0,75 0,61 0,83 0,87 0,80 0,71 0,73 0,69 0,73 0,80 0,76 0,86 0,96 0,86 0,92 0,76
Feijáo 1,52 1,04 1,02 1,07 1,33 1,12 1,24 1,26 0,97 1,02 1,91 1,15 1,09 1,03 1,28 1,03
Arroz 0,87 0,87 0,81 0,91 0,89 0,96 1,04 1,03 0,79 1,00 0,99 0,99 1,10 1,04 1,11 1,11
Farinha de trigo 1 0,80 0,83 0,85 0,98 0,96 1,02 0,70 0,95 0,89 0,94 0,89 0,71 1,04 1,13 1,06 0,84
Batata 2 0,93 0,84 0,87 0,83 1,09 0,60 0,90 0,61 1,18 - - - - - - -
Tomate 1,07 1,07 1,03 1,22 1,30 0,90 1,28 1,25 1,68 1,09 1,28 1,42 1,17 1,43 1,15 1,19
Pão 2,40 2,14 2,93 3,08 2,60 3,60 2,26 2,46 2,68 2,09 2,62 2,66 2,20 2,01 2,38 2,11
Café 7,03 6,39 6,04 6,32 6,82 5,23 6,76 6,42 6,93 5,58 7,15 6,29 6,35 5,79 7,16 6,79
Banana 1,63 0,76 1,28 0,99 1,20 0,77 1,22 0,63 1,11 1,42 1,60 1,09 1,40 1,09 1,43 1,31
Açúcar 0,61 0,30 0,48 0,46 0,42 0,44 0,46 0,47 0,49 0,55 0,58 0,43 0,61 0,45 0,42 0,43
Óleo 1,15 1,07 1,18 1,16 1,20 1,14 1,36 1,35 1,18 1,35 1,42 1,41 1,34 1,35 1,14 1,17
Manteiga 7,88 8,43 7,43 7,24 10,55 6,25 8,48 7,45 7,20 7,19 4,52 7,30 7,66 7,42 7,25 9,30
Gasto Mensal 97,63 81,73 94,53 96,12 104,00 89,83 100,76 93,79 106,68 83,43 88,99 87,53 88,42 86,53 88,68 83,01
Tempo de trabalho 157h
56min
132h
13min
152h
55min
155h
29min
168h
14min
145h
19min
162h
60min
151h
43min
172h
34min
134h
58min
143h
57min
141h
36min
143h
02min
139h
58min
143h
27min
134h
17min
Cidade
mais cara
16º 14º 12º 11º 13º 10º 15º

(1)Farinha de mandioca no Nordeste; farinha de trigonas demais Regiões.
(2)Ração do Nordeste não prevê consumo de batata.
Os preços médios da Ração Essencial referem-se a 1 quilo, 1 litro e 1 dúzia, exceto no caso do óleo (900ml).
No mês de junho de 1999, o salário mínimo em todas as cidades pesquisadas valia R$ 136,00.
.....
Comportamento dos preços
A maior parte dos produtos que compõem a cesta básica apresentou queda generalizada em seus preços. Oito produtos, cujos preços são acompanhados em dezesseis capitais, registraram reduções na maioria delas: óleo de soja em quinze, feijão em catorze, arroz e açúcar em treze, carne em doze, pão em onze, café em dez e banana em oito. A farinha de trigo e a batata, pesquisadas nas nove capitais da região Centro-Sul, tiveram recuos, respectivamente, em sete e seis cidades.

As elevações predominaram no caso do tomate (em catorze das dezesseis capitais) e da manteiga (em dez). A farinha de mandioca, cujo preço é levantado apenas nas sete capitais do Norte e Nordeste, registrou alta em quatro.

As retrações mais significativas do preço do óleo de soja - que chegou a subir no início do ano, diante da expectativa de melhores preços internacionais da soja, devido a desvalorização do real, ocorrida em janeiro - ocorreram em Aracaju (-7,53%), Goiânia (-5,31%), João Pessoa (-4,96%), Rio de Janeiro (-4,92%) e Belém (-4,70%). O único aumento foi apurado em Natal, com 0,75%.

O feijão - que no primeiro semestre de 1998 apresentou aumentos expressivos em todo o país - vem registrando quedas significativas, independemente de a variedade acompanhada ser do tipo preto ou de cores e é um dos principais responsáveis por a variação anual do custo da cesta ser negativa em quinze capitais, uma vez que a boa safra vem provocando redução de seu preço. Os destaques foram verificados em Aracaju (-17,74%), Recife (-16,88%), Porto Alegre (-14,81%) e Natal (-13,43%). As duas altas ocorreram em Fortaleza (10,68%) e Salvador (4,04%), ambas capitais onde o produto acompanhado é da variedade cores.

Comportamento semelhante vem sendo observado no arroz, que em 1998 também teve altas significativas e vem apresentando recuos em 1999 em função da boa safra. As maiores quedas ocorreram em Fortaleza (-12,53%), Aracaju (-11,55%), Goiânia (-9,38%) e Brasília (-8,42%). No caso do açúcar, os preços também vêm caindo sistematicamente e as principais retrações, em junho, deram-se em Goiânia (-14,29%), Recife (-12,50%), Aracaju (-11,29%) e Natal (-8,16%).

A carne - produto de maior peso na cesta básica - teve suas principais reduções registradas em Aracaju (-4,23%), em Curitiba (-3,74%) e Goiânia (-3,48%). As duas altas mais significativas ocorreram em Vitória (4,14%) e Recife (2,34%).

O pão foi outro produto cujo preço foi influenciado pela desvalorização cambial, pois sua principal matéria prima, o trigo, é importado. Num primeiro momento, seu preço subiu e a redução recente acompanha o comportamento apurado na farinha de trigo. As maiores reduções foram levantadas em Aracaju (-12,18%), João Pessoa (-4,35%), e Salvador (-3,65%). Em Vitória, o pão teve alta de 12,50%, havendo estabilidade em quatro localidades. A farinha de trigo, por sua vez, registrou a retração mais expressiva (-18,62%), contrariando o comportamento apurado no caso do pão. Outras quedas significativas deram-se em Porto Alegre (-6,29%) e Brasília (-4,00%).

O café - que num primeiro momento, com a desvalorização do real, apresentou altas - vem registrando recuos na maioria das cidades, as principais verificadas em Goiânia (-6,59%), Salvador (-4,67%) e Belém (-4,44%). Em duas capitais a variação foi nula, enquanto em quatro foram observadas altas, as mais expressivas ocorridas em Brasília (6,03%) e Recife (5,91%).

Os fortes aumentos apurados no tomate - produto sujeito a freqüentes oscilações em todo o país - refletem a entressafra. As maiores elevações foram observadas em Natal (38,83%), Porto Alegre (21,74%), João Pessoa (18,18%), Fortaleza (16,39%) e Recife (16,16%). Duas capitais registraram reduções: Vitória (-13,46%) e Belo Horizonte (-2,83%).

A redução na produção de leite devido à entressafra, ainda que não tenha ocasionado a alta do produto, proporcionou o aumento do preço da manteiga, principalmente em Curitiba (6,71%), Porto Alegre (5,88%), Rio de Janeiro (5,44%) e João Pessoa (4,36%). Mesmo assim, houve queda em Recife (-10,97%), Goiânia (-5,25%), Vitória (4,48%) e Natal (-2,45%). Em Belém e Salvador houve estabilidade.



Salário mínimo nominal e necessário
Junho de 1997 a junho de 1999
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
1997
Junho R$ 120,00 R$ 790,11
Julho R$ 120,00 R$ 770,37
Agosto R$ 120,00 R$ 768,36
Setembro R$ 120,00 R$ 776,42
Outubro R$ 120,00 R$ 789,69
Novembro R$ 120,00 R$ 802,13
Dezembro R$ 120,00 R$ 837,16
1998
Janeiro R$ 120,00 R$ 864,88
Fevereiro R$ 120,00 R$ 854,55
Março R$ 120,00 R$ 869,76
Abril R$ 120,00 R$ 916,30
Maio R$ 130,00 R$ 942,09
Junho R$ 130,00 R$ 936,46
Julho R$ 130,00 R$ 882,78
Agosto R$ 130,00 R$ 852,11
Setembro R$ 130,00 R$ 844,55
Outubro R$ 130,00 R$ 861,02
Novembro R$ 130,00 R$ 854,89
Dezembro R$ 130,00 R$ 857,66
1999
Janeiro R$ 130,00 R$ 880,93
Fevereiro R$ 130,00 R$ 896,81
Março R$ 130,00 R$ 892,86
Abril R$ 130,00 R$ 878,24
Maio R$ 136,00 R$ 882,53
Junho R$ 136,00 R$ 896,22


Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7°;, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.


São Paulo

Após treze meses, São Paulo deixou de ser a capital mais cara. Seu valor, em junho, ficou em R$ 104,00, o que representa uma queda de 1,00%, em relação à maio.

Dos treze produtos acompanhados, nove tiveram redução em seus preços: feijão carioquinha (-10,73%), açúcar refinado (-6,67%), arroz agulhinha tipo 2 (-4,30%), óleo de soja (-4,00%), farinha de trigo (-2,04%), banana nanica (-1,64%), pão francês (-1,52%), carne bovina de primeira (-1,35%) e pó de café (-0,97%). O leite tipo C manteve-se estável, e três produtos tiveram aumento: o tomate (6,56%), a batata (0,93%) e a manteiga (0,38%).

Quando se compara o custo da cesta básica paulistana com o salário mínimo líquido, percebe-se que o comprometimento do rendimento para a aquisição dos gêneros de primeira necessidade caiu de 83,96%, em maio, para 83,12%, em junho. Há um ano, quando a cesta custava R$ 111,47, esta proporção era bem maior: 93,20%.

O mesmo comportamento é constatado quando se considera a jornada de trabalho necessária para a compra dos alimentos básicos por um trabalhador remunerado pelo salário mínimo (R$ 136,00). Em maio, eram necessárias 169 horas e 55 minutos para fazer a mesma aquisição que, em junho, passou a requisitar 168 horas e 14 minutos. Em junho de 1998, eram comprometidas, por essa compra, 188 horas e 38 minutos.

Tabela - Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Junho de 1999

Capital

Valor da cesta básica (R$)

Variação mensal (%)

Porcentagem do salário mínimo líquido

Tempo de Trabalho

Variação no ano (%)

Variação Anual (%)

Porto Alegre

106,68

1,77

85,26

172h 34min

6,17

2,22

São Paulo

104,00

-1,00

83,12

168h 14min

1,87

-6,70

Curitiba

100,76

-0,75

80,53

162h 59min

4,78

-0,73

Brasília

97,63

-1,04

78,03

157h 55min

3,40

-0,32

Rio de Janeiro

96,12

-1,59

76,82

155h 29min

2,22

-4,70

Belo Horizonte

94,53

-2,20

75,55

152h 55min

1,02

-5,27

Florianópolis

93,79

0,21

74,96

151h 43min

5,75

-4,76

Vitória

89,83

0,56

71,80

145h 18min

4,87

-4,32

Belém

88,99

-1,74

71,12

143h 57min

5,60

-3,24

Recife

88,68

1,20

70,88

143h 27min

10,91

-4,38

João Pessoa

88,42

-0,50

70,67

143h 01min

7,62

-5,38

Fortaleza

87,53

0,95

69,96

141h 35min

4,13

-7,80

Natal

86,53

5,04

69,16

139h 58min

5,28

-14,72

Aracaju

83,43

-3,87

66,68

134h 57min

-4,63

-11,05

Salvador

83,01

1,05

66,34

134h 16min

6,64

- 7,41

Goiânia

81,73

-3,06

65,32

132h 12min

-5,25

-8,83

Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica - DIEESE.
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