DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Busca

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Emprego e Desemprego
Índice do Custo de Vida
Cesta Básica Nacional
Salário Mínimo Necessário
Publicações
Estudos e Pesquisas
Notas Técnicas
Indicadores
Conjuntura e Debate
Metodologias
Educação
Projetos de Cooperação
Internacional
Licitações
Oportunidades


    Serviços

Calcule o expurgo de seu FGTS

Fontes rurais

Rede de Apoio à Negociação


DIEESE - Cesta Básica Nacional - Junho/2003
Cesta básica tem queda em todas as capitais

..... São Paulo, 04 de Julho de 2003

O custo dos gêneros de primeira necessidade caiu, em junho, em todas as dezesseis capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econôcirc;micos - realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. As retrações variaram de -0,37%, em Recife, a -10,18%, em Belém. A tendência de queda dos produtos alimentícios essenciais já havia ocorrido em maio, quando apenas uma localidade teve alta nos preços básicos.

São Paulo continuou a ser, em junho, a capital com o maior valor para a ração essencial mínima, conforme prevista no decreto lei 399, de 30 de abril de 1938. Na capital paulista, a cesta básica custou R$ 169,22. Patamar semelhante foi apurado também em Porto Alegre, onde os gêneros básicos custaram R$ 167,96. Os menores custos ocorreram em João Pessoa  (R$ 134,94), Natal (R$ 137,29) e Fortaleza (R$ 137,80).

Com base no maior valor apurado para a cesta básica, em junho, a de São Paulo, e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para a manutenção de um trabalhador e de sua família, atendendo suas necessidades com alimentação, moradia, transportes, educação, saúde, vestuário, higiene, lazer e previdência, o DIEESE estima mensalmente o valor do salário mínimo necessário. Em junho, para garantir o suprimento de todos estes itens, o salário mínimo deveria ser de R$ 1.421,62. Apesar de esse valor estar em queda - em abril equivalia a R$ 1.557,55 e em maio a R$ 1.478,16 - ele ainda representa 5,9 vezes o mínimo vigente, de R$ 240,00.

Tabelas da Cesta Básica Nacional
Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste

Brasília

Goiânia

Região Sudeste

Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória

Região Sul

Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre

Regiões Norte e Nordeste

Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador


Variações acumuladas

Nos seis primeiros meses de 2003, o custo da cesta básica teve variações bastante diferenciadas, nas várias cidades onde a pesquisa é realizada. Os maiores aumentos acumulados foram registrados nas capitais do Nordeste, onde, entre janeiro e junho, os gêneros essenciais tiveram alta que variou de 10,14%, em Natal a 15,42%, em Fortaleza. A cidade onde os preços menos subiram, este ano, foi Belo Horizonte, onde a variação em seis meses é de apenas 0,89%. Outras três localidades tiveram alta inferior a 3,00%: Curitiba (2,07%); Porto Alegre (2,38%) e Goiânia (2,39%).

Também em doze meses - entre julho de 2002 e junho de 2003 - as altas acumuladas são bastante díspares. Em quatro capitais, os aumentos superam os 30%: Salvador (36,92%), Aracaju (36,28%), Recife (32,27%) e Brasília (30,29%). Em outras cinco, o acumulado é inferior a 25,00%: Belém (20,11%), Natal (23,40%), Florianópolis (23,82%), Curitiba (24,61%) e Porto Alegre (24,96%).

Cesta x Salário

Em junho último, a jornada necessária para que um trabalhador remunerado pelo salário mínimo adquirisse o conjunto de gêneros essenciais ficou, na média nas dezesseis capitais, em 136 horas e 53 minutos. Este tempo é inferior ao exigido em maio, de 142 horas e 54 minutos, mas superior às 128 horas e 37 minutos comprometidas em junho de 2002.

A mesma comparação pode ser feita com o custo médio da cesta básica nas dezesseis capitais e o valor do salário mínimo líquido (após o desconto da parcela referente à previdência social). Neste caso verifica-se que, em junho, o custo médio da cesta equivalia a 67,37% do salário mínimo líquido, enquanto em maio atingia 70,33%. Em junho de 2002 o percentual ficava em 63,30%.

Tabela - Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Brasil - Junho de 2003

Capital

Variação
mensal
(%)

Valor da
cesta

(R$)

Porcentagem do
salário mínimo
líquido

Tempo de
trabalho

Variação
no ano
(%)

Variação
anual
(%)

Recife

-0,37

141,83

63,99

130h 01min

13,64

32,27

Salvador

-1,75

140,17

63,24

128h 29min

10,38

36,92

Vitória

-2,12

146,67

66,17

134h 27min

8,25

27,16

João Pessoa

-2,46

134,94

60,88

123h 42min

11,72

25,01

Brasília

-3,08

159,08

71,77

145h 49min

7,54

30,29

Fortaleza

-3,40

137,80

62,17

126h 19min

15,42

28,74

Porto Alegre

-3,60

167,96

75,78

153h 58min

2,38

24,96

São Paulo

-3,82

169,22

76,35

155h 07min

6,61

28,68

Aracaju

-3,92

151,64

68,42

139h 00min

13,78

36,28

Florianópolis

-4,91

154,43

69,68

141h 34min

3,90

23,82

Curitiba

-5,01

155,33

70,08

142h 23min

2,07

24,61

Goiânia

-5,02

140,79

63,52

129h 03min

2,39

29,50

Belo Horizonte

-5,43

152,28

68,71

139h 35min

0,89

28,44

Rio de Janeiro

-5,53

157,31

70,98

144h 12min

7,31

25,76

Natal

-5,90

137,29

61,94

125h 51min

10,14

23,40

Belém

-10,18

142,37

64,23

130h 30min

4,22

20,11

Fonte: DIEESE

Comportamento dos preços

Tomate, feijão, açúcar e óleo foram os produtos cujos preços mais caíram, em junho, na maior parte das dezesseis capitais onde o DIEESE realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica.

O tomate, produto sempre sujeito a oscilações mas que se encontra em plena safra, teve forte redução em seus preços, sendo o principal responsável pelo recuo do valor da cesta. As maiores quedas foram verificadas em Belém (-38,11%), Belo Horizonte (-37,71%), Porto Alegre (-32,78%), Goiânia (-29,01%) e Rio de Janeiro (-28,92%).

O preço do feijão apresentou queda em quinze localidades, independentemente de o produto pesquisado ser de variedade preto ou cores, devido à chegada da safra ao mercado. A única elevação ocorreu em Porto Alegre (4,51%). As principais quedas foram apuradas em João Pessoa (-11,25%), Aracaju (-9,89%), Goiânia (-9,20%) e Recife (-8,30%).

As principais retrações no preço do açúcar ocorreram em Goiânia (-19,61%), João Pessoa (-11,31%) e Fortaleza (-8,76%). Apenas em Natal houve alta, de 1,32%.

Com a queda do dólar e a pressão da estimativa de uma super safra, o óleo de soja - cujo preço tem a moeda americana por parâmetro - vem apresentando redução em seus preços. Em junho, as maiores quedas ocorreram em Aracaju (-10,07%), Vitória (-6,17%) e Belém (-5,11%). Pequena variação positiva foi apurada no Rio de Janeiro (0,40%).

Pesquisada apenas no Centro-Sul, a batata apresentou queda em todas as cidades em que tem seu preço apurado. Rio de Janeiro (-20,32%), Vitória (-18,03%), Curitiba (-17,98%) e Belo Horizonte (-17,54%) foram as capitais que registraram as maiores variações.

O preço da carne bovina, produto de maior peso na cesta, caiu em nove capitais, em especial em Florianópolis (-6,16%), Curitiba (-3,08%) e Fortaleza (-2,27%). O produto teve aumento em outras sete regiões, os mais expressivos verificados em João Pessoa (8,22%) e Porto Alegre (2,75%).

Arroz e leite foram os produtos cujos preços tiveram predominantemente aumento nas dezesseis capitais. O preço do arroz subiu em catorze localidades, com destaque para Curitiba (16,17%), Porto Alegre (10,84%), Vitória (9,58%) e Brasília (9,38%). Houve queda apenas em Florianópolis (-1,87%) e Aracaju (-1,13%).

O leite in natura teve alta em nove capitais. As variações mais significativas ocorreram em Vitória (4,21%) e Rio de Janeiro (3,39%). O preço do produto manteve-se estável em Fortaleza, João Pessoa, Belo Horizonte, Aracaju, Goiânia e São Paulo. Apenas em Natal (-0,75%) houve redução.

São Paulo
A capital paulista continua a ser a cidade onde o custo da cesta básica é mais elevado - R$ 169,22 - ainda que seu preço tenha caído 3,82% em junho. No primeiro semestre deste ano, a alta acumulada é de 6,61%. Em doze meses, o aumento chega a 28,68%.

Dos treze produtos que compõem a cesta básica prevista para o paulistano, nove apresentaram diminuição em seus preços em junho: tomate (-18,63%), batata (-8,99%), feijão carioquinha (-7,27%), óleo de soja (-4,82%), banana nanica (-4,08%), açúcar refinado (-2,82%), carne bovina de primeira (-1,57%), farinha de trigo (-1,39%) e pão francês (-0,82%). O leite in natura tipo C ficou estável e três itens apresentaram elevações: arroz agulhinha (7,56%), manteiga (2,26%) e café em pó (0,39%).

Em doze meses, muitos produtos ainda registram aumentos extremamente elevados, como o arroz (79,61%), açúcar (76,92%), óleo de soja (58,00%), feijão (57,91%) e farinha de trigo (53,51%). As variações mais moderadas foram apuradas no tomate (3,75%), carne (15,74%) e leite (17,68%).

O trabalhador paulistano, remunerado pelo salário mínimo, comprometeu, em junho, 155 horas e 7 minutos para comprar os gêneros de primeira necessidade, o que representa um tempo menor que o exigido em maio, que chegava a 161 horas e 17 minutos. No entanto, a jornada agora exigida é bem superior à necessária, para a mesma aquisição, em junho de 2002: 144 horas e 39 minutos.

O mesmo raciocínio pode ser feito quando se compara o custo da cesta com o salário mínimo líquido. Em junho, a cesta custava 76,35% de um salário líquido, enquanto em maio representava 79,39%. Em junho de 2002, os gêneros essenciais comprometiam 71,20% dos ganhos de um trabalhador remunerado pelo mínimo.


Tabela Ração Essencial


Salário mínimo nominal e necessário
junho de 2001 a junho de 2003
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
2001
Junho R$ 180,00 R$ 1.072,14
Julho R$ 180,00 R$ 1.055,84
Agosto R$ 180,00 R$ 1.070,46
Setembro R$ 180,00 R$ 1.076,84
Outubro R$ 180,00 R$ 1.081,04
Novembro R$ 180,00 R$ 1.091,04
Dezembro R$ 180,00 R$ 1.101,54
2002
Janeiro R$ 180,00 R$ 1.116,66
Fevereiro R$ 180,00 R$ 1.084,91
Março R$ 180,00 R$ 1.091,21
Abril R$ 200,00 R$ 1.143,29
Maio R$ 200,00 R$ 1.121,53
Junho R$ 200,00 R$ 1.129,18
Julho R$ 200,00 R$ 1.154,63
Agosto R$ 200,00 R$ 1.168,92
Setembro R$ 200,00 R$ 1.247,97
Outubro R$ 200,00 R$ 1.270,40
Novembro R$ 200,00 R$ 1.357,43
Dezembro R$ 200,00 R$ 1.378,19
2003
Janeiro R$ 200,00 R$ 1.385,91
Fevereiro R$ 200,00 R$ 1.399,10
Março R$ 200,00 R$ 1.466,73
Abril R$ 240,00 R$ 1.557,55
Maio R$ 240,00 R$ 1.478,16
Junho R$ 240,00 R$ 1.421,62

Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos