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DIEESE - Cesta Básica Nacional - Julho/2003
Cesta Básica apresenta nova queda em todas as capitais

..... São Paulo, 04 de Agosto de 2003

O preço do conjunto de gêneros alimentícios que compõe a ração essencial mínima, conforme definida no decreto-lei 399, de 30 de abril de 1938, voltou, em julho, a registrar queda em todas as dezesseis capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. As maiores quedas ocorreram em Aracaju (-9,95%), Belo Horizonte (-5,14%), Fortaleza (-4,36%), São Paulo (-4,18%) e Curitiba (-4,04%). As menores retrações verificaram-se em Porto Alegre (-1,03%), Belém (-1,14%), Natal (-1,89%) e Goiânia (-1,96%).

Em conseqüência do comportamento dos preços, Porto Alegre - que registrou o menor recuo - voltou a ter a cesta mais cara, equivalendo a R$ 166,23. Com a queda mais acentuada, São Paulo passou a apresentar o segundo maior valor para os produtos básicos: R$ 162,15. Os menores custos verificaram-se em João Pessoa (R$ 131,64) e Fortaleza (R$ 131,79).

Com base no maior custo da cesta básica e levando em consideração o preceito constitucional que determina que o salário mínimo deve ser suficiente para a manutenção do trabalhador e de sua família, suprindo suas necessidades com alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, transporte, higiene, lazer e previdência social, o DIEESE estima, mensalmente, o valor do salário mínimo necessário. Em julho, o trabalhador que ganha o mínimo deveria receber R$ 1.396,50, ou seja, 5,81 vezes o piso vigente.

Tabelas da Cesta Básica Nacional

Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste

Brasília

Goiânia

Região Sudeste

Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória

Região Sul

Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre

Regiões Norte e Nordeste

Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador


Variações acumuladas

As variações acumuladas nas dezesseis capitais pesquisadas são bastante diferenciadas tanto para os sete primeiros meses de 2003 quanto para o período que se estende de agosto de 2002 a julho deste ano.

Entre janeiro e julho, os preços dos gêneros essenciais tiveram redução em duas capitais - Belo Horizonte
(-4,29%) e Curitiba (-2,05%), aumentos pouco expressivos em localidades como Goiânia (0,38%), Florianópolis (0,80%) e Porto Alegre (1,33%) e altas significativas, como ocorreu em Recife (10,11%) e Fortaleza (10,39%).

Em doze meses também há bastante dispersão com relação às variações acumuladas. As menores taxas verificaram-se em Curitiba (15,50%) e Vitória (16,65%), e as maiores ocorreram em Brasília (25,29%), Recife (25,52%), João Pessoa (26,08%) e Salvador (32,10%).


Cesta x jornada

O trabalhador formal, cujo rendimento é o salário mínimo, precisou cumprir, na média das dezesseis capitais, em julho, jornada de 132 horas e 14 minutos para adquirir os gêneros de primeira necessidade. Esta jornada é inferior à exigida em junho - de 136 horas e 53 minutos - mas aproximadamente superior, em uma hora , àquela necessária em julho de 2002, de 131 horas e 12 minutos.

O mesmo quadro pode ser observado quando se compara a proporção do custo da cesta contra o salário mínimo líquido, ou seja, após os descontos da Previdência Social. Neste caso, em julho, o custo da cesta correspondia, na média das dezesseis cidades, a 65,08% do mínimo líquido, percentual menor que o requerido em junho (67,37%), mas superior ao exigido em julho de 2002, de 64,58%.

Tabela - Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Brasil - Julho de 2003

Capital

Variação
mensal
(%)

Valor da
cesta

(R$)

Porcentagem do
salário mínimo
líquido

Tempo de
trabalho

Variação
no ano
(%)

Variação
anual
(%)

Porto Alegre

-1,03

166,23

75,00

152h 23min

1,33

20,95

Belém

-1,14

140,74

63,50

129h 01min

3,03

18,59

Natal

-1,89

134,69

60,77

123h 28min

8,05

18,93

Goiânia

-1,96

138,03

62,28

126h 32min

0,38

21,38

Salvador

-2,06

137,28

61,94

125h 50min

8,10

32,10

João Pessoa

-2,45

131,64

59,39

120h 40min

8,99

26,08

Brasília

-2,56

155,00

69,93

142h 05min

4,78

25,29

Florianópolis

-2,98

149,83

67,60

137h 21min

0,80

18,08

Recife

-3,10

137,43

62,01

125h 59min

10,11

25,52

Rio de Janeiro

-3,15

152,35

68,74

139h 39min

3,93

19,59

Vitória

-3,98

140,83

63,54

129h 06min

3,94

16,65

Curitiba

-4,04

149,06

67,25

136h 38mn

-2,05

15,50

São Paulo

-4,18

162,15

73,16

148h 38min

2,15

20,43

Fortaleza

-4,36

131,79

59,46

120h 48min

10,39

19,07

Belo Horizonte

-5,14

144,46

65,18

132h 25min

-4,29

18,48

Aracaju

-9,95

136,55

61,61

125h 10min

2,45

21,44

Fonte: DIEESE

Comportamento dos preços

Nove dos produtos cujos preços são acompanhados pelo DIEESE registraram, predominantemente, queda na maioria das capitais. O principal destaque foi o feijão que, independente de ser do tipo preto ou cores, teve redução em todas as dezesseis cidades. As retrações mais significativas ocorreram em localidades onde é pesquisado o preço do feijão de cores, como Aracaju (-22,47%), Salvador (-17,86%), Belo Horizonte
(-16,22%), Belém (-15,80%), João Pessoa (-14,22%) e São Paulo (-14,13%). A entrada da safra do produto possibilitou a recomposição dos estoques e o aumento da oferta do produto, com a conseqüente redução generalizada do preço.

Açúcar e tomate tiveram redução em quinze capitais. No caso do açúcar, as maiores quedas ocorreram em capitais do Nordeste: Natal (-13,64%), Recife (-11,94%), Fortaleza (-10,40%), Salvador (-7,91%) e Aracaju
(-6,56%). Não houve alteração no preço do produto em Belém. O tomate manteve a tendência de queda, já apurada em junho, e seu preço chegou a apresentar reduções bastante expressivas: Aracaju (-33,16%), Vitória (-29,51%), Rio de Janeiro (-26,21%), Brasília (-20,31%) e Florianópolis (-20,00%). Porto Alegre foi a única localidade onde o preço do tomate subiu (9,88%). O rápido amadurecimento do produto provocado pelas altas temperaturas deste inverno e, em conseqüência, a maior oferta, contribuíram para este comportamento.

Com o término do movimento ascendente do valor do dólar, e com sua queda subseqüente, o óleo de soja também vem apresentando um comportamento de preço declinante. A redução ocorreu em catorze capitais, com destaque para Brasília (-5,93%), Florianópolis (-4,22%) e Aracaju (-3,20%). Em Natal, constatou-se alta de 2,02% e no Rio de Janeiro a variação foi nula.

A batata, cujo preço é pesquisado apenas nas nove capitais do Centro-Sul do país, apresentou redução em todas, com destaque para Vitória (-30,00%), Brasília (-28,57%) e Rio de Janeiro (-27,52%).

Produtos como arroz, café e carne não apresentaram, em julho, tendências no comportamento de seus preços. Os primeiros, porém, vêm de um período de altas recorrentes enquanto a carne encontra-se em período de entressafra, o que pode ocasionar a alta de seu preço.

O preço do arroz manteve-se em alta em sete capitais, a mais expressiva apurada em João Pessoa (8,42%). Em nove localidades, porém, o produto encontra-se em declínio, com os movimentos mais significativos registrados em Aracaju (-12,75%), Recife (-8,89%), Salvador (-6,81%) e Florianópolis (-6,67%).

A carne e o café tiveram aumento em nove localidades e queda em sete. No caso da carne, Brasília, com alta de 5,79% e João Pessoa, com queda de 5,23% foram as cidades que registraram os comportamentos mais extremados. Nas demais, as variações ficaram entre 2,48%, de alta, ocorrida em Natal, e 1,83%, de queda, verificada em Porto Alegre.

Quanto ao café, a alta de seu preço teve início com o movimento ascendente do dólar mas ainda ocorre em parte das capitais pesquisadas. Os maiores aumentos verificaram-se em João Pessoa (3,16%), Recife (2,56%) e Vitória (2,09%). As quedas mais significativas foram observadas em Florianópolis (-4,60%), Aracaju (-4,46%) Goiânia (-3,61%) e Belo Horizonte (-3,49%).

São Paulo
O custo da cesta básica, na capital paulista, caiu 4,18%, em julho, o que fez com que seu valor - R$ 162,15 - deixasse de ser o mais elevado dentre as dezesseis localidades onde a Pesquisa Nacional da Cesta Básica é realizada, passando a ocupar o segundo lugar.

De janeiro a julho, o preço dos gêneros de primeira necessidade encareceu apenas 2,15%, mas entre agosto de 2002 e julho último, a alta atinge 20,43%.

Dos treze produtos que compõem a cesta básica do paulistano, dois mantiveram-se estáveis - leite in natura tipo C e banana nanica –, dois registraram pequenas elevações - café (0,98%) e manteiga (0,24%) - e os outros nove tiveram seus preços reduzidos: batata (-21,51%), feijão carioquinha (-14,13%), tomate
(-12,65%), açúcar (-4,35%), óleo de soja (-2,95%), farinha de trigo (-2,82%), carne bovina de primeira
(-0,80%), arroz agulhinha tipo 2 (-0,54%) e pão francês (-0,41%).

Em doze meses, somente dois produtos - batata (-6,90%) e tomate (-6,45%) - apresentam queda de preços. Para os demais, os aumentos foram: arroz (71,96%), açúcar (67,09%), manteiga (51,67%), farinha de trigo (39,39%), óleo de soja (38,55%), café (38,61%), banana (28,33%), pão (25,52%), feijão (21,77%), carne (15,71%) e leite (10,53%).

O trabalhador paulistano que recebe o salário mínimo comprometeu, em julho, 148 horas e 38 minutos de sua jornada mensal, para adquirir os alimentos essenciais, enquanto em junho a mesma compra exigia 155 horas e 07 minutos. Em julho de 2002, o comprometimento encontrava-se em patamar próximo ao atual, uma vez que a aquisição da cesta básica requisitava o cumprimento de 148 horas e 6 seis minutos, ou seja, 32 minutos a menos que atualmente.

Quando se considera o percentual do salário mínimo líquido - após o desconto da parcela referente à Previdência Social - comprometido com a compra dos gêneros essenciais verifica-se que, em julho, esta compra exigia 73,16% do mínimo, enquanto em junho eram necessários 76,35% e em julho de 2002, 72,90%.


Tabela Ração Essencial


Salário mínimo nominal e necessário
julho de 2001 a julho de 2003
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
2001
Julho R$ 180,00 R$ 1.055,84
Agosto R$ 180,00 R$ 1.070,46
Setembro R$ 180,00 R$ 1.076,84
Outubro R$ 180,00 R$ 1.081,04
Novembro R$ 180,00 R$ 1.091,04
Dezembro R$ 180,00 R$ 1.101,54
2002
Janeiro R$ 180,00 R$ 1.116,66
Fevereiro R$ 180,00 R$ 1.084,91
Março R$ 180,00 R$ 1.091,21
Abril R$ 200,00 R$ 1.143,29
Maio R$ 200,00 R$ 1.121,53
Junho R$ 200,00 R$ 1.129,18
Julho R$ 200,00 R$ 1.154,63
Agosto R$ 200,00 R$ 1.168,92
Setembro R$ 200,00 R$ 1.247,97
Outubro R$ 200,00 R$ 1.270,40
Novembro R$ 200,00 R$ 1.357,43
Dezembro R$ 200,00 R$ 1.378,19
2003
Janeiro R$ 200,00 R$ 1.385,91
Fevereiro R$ 200,00 R$ 1.399,10
Março R$ 200,00 R$ 1.466,73
Abril R$ 240,00 R$ 1.557,55
Maio R$ 240,00 R$ 1.478,16
Junho R$ 240,00 R$ 1.421,62
Julho R$ 240,00 R$ 1.396,50

Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.
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