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DIEESE - Cesta Básica Nacional - Março/2003
Alimentos básicos sobem, novamente, em todas as capitais

..... São Paulo, 04 de Abril de 2003

Todas as dezesseis capitais onde o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica registraram, em março, aumento no preço do conjunto de gêneros alimentícios essenciais, a exemplo do que havia ocorrido em fevereiro. As elevações variaram entre 0,53%, em Recife, a 6,83%, em Goiânia e no Rio de Janeiro. Três outras localidades apresentaram alta superior a 5,00%: Belo Horizonte (6,60%), Belém (6,54%) e Curitiba (5,47%).

Apesar de ter registrado aumento menos expressivo do que o ocorrido em seis outras cidades, São Paulo - com alta de 4,83% - continuou a ser a capital mais cara dentre as pesquisadas. A ração essencial mínima - conforme prevista no decreto lei 399, de 30 de abril de 1938 - custou R$ 174,59 nesta cidade. Cinco capitais apresentaram valores acima de R$ 160,00 para os produtos básicos: Porto Alegre (R$ 172,85), Brasília (R$ 167,49), Curitiba (R$ 166,89), Rio de Janeiro (R$ 166,76), Belo Horizonte (R$ 163,76) e Florianópolis (R$ 163,10). Os menores valores foram apurados em João Pessoa (R$ 133,55), Recife (R$ 136,71) e Natal (R$ 139,84).

Com base no maior custo apurado para a cesta básica e levando em consideração o preceito constitucional que estabelece que o salário mínimo deve ser suficiente para alimentar o trabalhador e sua família, suprindo suas necessidades com alimentação, moradia, educação, saúde, vestuário, higiene, transporte, lazer e previdência, o DIEESE estima, mensalmente, o valor do salário mínimo necessário. Em março, último mês em que o salário mínimo no país valia R$ 200,00, o requerido para o atendimento das necessidades básicas de uma família seria 7,3 vezes mais: R$ 1.466,73.


Tabelas da Cesta Básica Nacional

Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste

Brasília

Goiânia

Região Sudeste

Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória

Região Sul

Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre

Regiões Norte e Nordeste

Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador



Cesta x jornada

Os assalariados remunerados pelo salário mínimo precisaram trabalhar, em março, 169 horas e 52 minutos, na média das dezesseis capitais onde o DIEESE realiza a Pesquisa Nacional da Cesta Básica, para adquirir o conjunto de gêneros essenciais. Essa jornada é superior à observada em fevereiro - de 162 horas e 44 minutos - e muito maior que a exigida em março de 2002 (141 horas e 4 minutos).

Comparação semelhante pode ser feita quando se considera o salário mínimo líquido, ou seja, após a dedução do valor referente à contribuição previdenciária. Neste caso, em março, o custo da cesta representou, em média, 83,61% do mínimo líquido, percentual maior que o de fevereiro (80,10%) e, principalmente que o requerido em março de 2002, 69,43%.


Variações acumuladas

O custo dos gêneros essenciais acumula, entre janeiro e março deste ano, altas que variam de 5,36%, apurada em Porto Alegre a 19,30%, verificada em Fortaleza. Além da capital cearense, as maiores variações ocorreram no Rio de Janeiro (13,76%) e Brasília (13,22%).

No período que se estende de abril de 2002 até março último, os maiores aumentos ocorreram em Goiânia (43,15%) e Belo Horizonte (40,95%), enquanto os menores foram verificados em Vitória (28,41%) e João Pessoa (28,64%).

Tabela
Pesquisa Nacional da Cesta Básica
Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Brasil - março de 2003

Capital

Variação
mensal
(%)

Valor da
cesta

(R$)

Porcentagem do
salário mínimo
líquido

Tempo de
trabalho

Variação
no ano
(%)

Variação
anual
(%)

Goiânia

6,83

153,60

83,16

168h58min

11,70

43,15

Rio de Janeiro

6,83

166,76

90,29

183h26min

13,76

31,67

Belo Horizonte

6,60

163,76

88,66

180h08min

8,49

40,95

Belém

6,54

151,22

81,87

166h21min

10,70

31,68

Curitiba

5,47

166,89

90,36

183h35min

9,67

35,70

Florianópolis

4,89

163,10

88,31

179h25min

9,73

36,39

São Paulo

4,83

174,59

94,53

192h03min

9,99

34,41

Fortaleza

4,60

142,43

77,11

156h40min

19,30

32,25

Porto Alegre

4,41

172,85

93,58

190h08min

5,36

34,36

Salvador

4,37

140,27

75,94

154h18min

10,46

35,85

Brasília

4,23

167,49

90,68

184h14min

13,22

34,92

Vitória

3,68

149,28

80,82

164h12min

10,18

28,41

Aracaju

2,20

148,41

80,35

163h15min

11,35

31,78

Natal

1,58

139,84

75,71

153h49min

12,19

28,19

João Pessoa

1,37

133,55

72,31

146h54min

10,57

28,64

Recife

0,53

136,71

74,02

150h23min

9,53

31,87

Fonte: DIEESE

Variação dos preços

O comportamento do custo da cesta básica, em março, foi basicamente determinado pelo preço do tomate, que subiu em quinze capitais. A única localidade onde o produto apresentou pequena retração (de 0,61%) foi Recife, cidade que registrou o menor aumento (0,53%) no valor dos gêneros de primeira necessidade. Em São Paulo, se o preço do tomate tivesse permanecido estável, a variação da cesta seria de apenas 0,51%, contra os 4,83% apurados. Goiânia (90,40%), Curitiba (76,86%), Florianópolis (76,19%), Brasília (63,57%), Rio de Janeiro (61,39%) e Vitória (61,11%) foram as localidades com os maiores aumentos. Das capitais com alta, apenas em João Pessoa (7,24%), a elevação ficou abaixo de 10%.

O café foi outro produto cujo preço teve predomínio de alta em março (subiu em treze localidades). As maiores elevações ocorreram em Florianópolis (12,02%), Fortaleza (8,04%), Curitiba (7,37%) e Vitória (6,77%). Houve queda em Belém (-3,63%), Natal (-1,68%) e Rio de Janeiro (-1,25%).

Em doze capitais o DIEESE identificou alta no preço do feijão. Os principais aumentos - todos em localidades onde é acompanhado o preço do feijão de cores - foram verificados em João Pessoa (10,90%), Salvador (8,20%) e Recife (7,55%). Nas quatro cidades onde o preço caiu, o DIEESE pesquisa o feijão preto: Curitiba (-1,56%), Porto Alegre (-1,92%), Brasília (-2,50%) e Florianópolis (-5,93%).

Também em doze capitais houve aumento no açúcar, com destaque para o comportamento apurado em João Pessoa (17,56%), Natal (4,80%) e Fortaleza (4,62%). Em Recife e São Paulo, os preços não se alteraram enquanto ocorreram reduções em Salvador (-2,88%) e no Rio de Janeiro (-0,74%).

Pesquisada apenas nas nove capitais da região Centro-Sul do país, a batata teve alta em sete, em especial em Florianópolis (20,91%), Belo Horizonte (19,57%) e Rio de Janeiro (13,38%). As retrações foram verificadas em Vitória (-6,10%) e Goiânia (-2,94%).

Dos produtos para os quais predominou a redução de preço destacam-se a carne e o arroz, com recuo em onze localidades. No caso do óleo de soja, a queda foi em dez cidades.

As principais reduções no preço da carne ocorreram em João Pessoa (-4,63%), Fortaleza (-3,15%) e Brasília (-2,82%). Das cinco localidades onde houve alta, as mais significativas foram: Natal (3,58%) e Florianópolis (2,24%).

No caso do arroz, as maiores quedas ocorreram no Rio de Janeiro (-10,29%) e Florianópolis (-9,34%). Natal e Aracaju apresentaram estabilidade e o principal aumento foi verificado em Belo Horizonte (15,86%).

O óleo de soja registrou os maiores recuos em João Pessoa (-3,41%) e Salvador (-2,46%). Não houve alteração em Natal e Aracaju. As altas ocorreram em quatro capitais,. em especial Curitiba (2,68%) e Rio de Janeiro (2,23%).

São Paulo

Em março, o custo da cesta básica na capital paulista atingiu R$ 174,59, o maior valor dentre as dezesseis capitais pesquisadas. O aumento, em relação a fevereiro, foi de 4,83%. Nos três primeiros meses deste ano, a alta chega a 9,99% e nos últimos doze meses totaliza 34,41%.

Dos treze produtos que compõem a cesta básica do paulistano, cinco subiram: tomate (46,24%), batata (6,25%), feijão carioquinha (3,19%), manteiga (1,33%) e café em pó (1,01%). Em quatro itens - leite in natura tipo C, pão francês, banana nanica e açúcar refinado - houve estabilidade, enquanto outros quatro registraram redução: carne bovina de primeira (-0,39%), óleo de soja (-1,14%), farinha de trigo (-2,02%) e arroz agulhinha (-2,61%).

Em doze meses, todos os produtos pesquisados apresentaram variações positivas, as principais registradas no tomate (76,92%), óleo de soja (73,33%), feijão (69,96%) e farinha de trigo (59,02%). As menores altas ocorreram no leite (9,34%), carne (12,65%) e banana (12,92%). Os demais produtos subiram mais de 30%.

O trabalhador paulistano que ganha salário mínimo necessitou cumprir 192 horas e 3 minutos, em março, para comprar os produtos básicos, uma jornada mais de 33 horas maior que a exigida em igual mês, em 2002 (158 horas e 45 minutos). Em fevereiro último, a jornada necessária correspondia a 183 horas e 12 minutos.

Quando se considera a relação entre o custo da cesta e o salário mínimo líquido - com a dedução do valor destinado à Previdência - verifica-se que, em março, foram comprometidos 94,53% do rendimento líquido com a compra dos mesmos produtos que requisitavam 90,17% da renda em fevereiro e 78,14%, em março de 2002.


Tabela Ração Essencial


Salário mínimo nominal e necessário
março de 2001 a março de 2003
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
2001
Março R$ 151,00 R$ 1.066,68
Abril R$ 180,00 R$ 1.092,97
Maio R$ 180,00 R$ 1.090,28
Maio R$ 180,00 R$ 1.090,28
Junho R$ 180,00 R$ 1.072,14
Julho R$ 180,00 R$ 1.055,84
Agosto R$ 180,00 R$ 1.070,46
Setembro R$ 180,00 R$ 1.076,84
Outubro R$ 180,00 R$ 1.081,04
Novembro R$ 180,00 R$ 1.091,04
Dezembro R$ 180,00 R$ 1.101,54
2002
Janeiro R$ 180,00 R$ 1.116,66
Fevereiro R$ 180,00 R$ 1.084,91
Março R$ 180,00 R$ 1.091,21
Abril R$ 200,00 R$ 1.143,29
Maio R$ 200,00 R$ 1.121,53
Junho R$ 200,00 R$ 1.129,18
Julho R$ 200,00 R$ 1.154,63
Agosto R$ 200,00 R$ 1.168,92
Setembro R$ 200,00 R$ 1.247,97
Outubro R$ 200,00 R$ 1.270,40
Novembro R$ 200,00 R$ 1.357,43
Dezembro R$ 200,00 R$ 1.378,19
2003
Janeiro R$ 200,00 R$ 1.385,91
Fevereiro R$ 200,00 R$ 1.399,10
Março R$ 200,00 R$ 1.466,73

Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7º, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.
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