DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Busca

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Emprego e Desemprego
Índice do Custo de Vida
Cesta Básica Nacional
Salário Mínimo Necessário
Publicações
Pesquisas
Indicadores
Conjuntura
Metodologias
Educação
Projetos de Cooperação
Internacional
Licitações
Cotação Prévia
Oportunidades


    Serviços

Calcule o expurgo de seu FGTS

Fontes rurais

Rede de Apoio à Negociação

Anuário dos Trabalhadores - Sistema de consulta


DIEESE - Índice do Custo de Vida - Agosto/99
PELO TERCEIRO MÊS, PREÇOS PÚBLICOS RESPONDEM PELA INFLAÇÃO

..... São Paulo, 02 de setembro de 1999.

Em agosto, os preços públicos ou de serviços que têm controle do governo constituíram-se, mais uma vez, no principal fator de pressão para a alta no Índice do Custo de Vida (ICV) no município de São Paulo, calculado pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. Neste mês, a elevação, porém, foi menos intensa que nos dois meses anteriores, e a taxa ficou em 0,38%, ou seja, 0,81 ponto percentual (pp) inferior à detectada em julho (1,19%).

Grupos como Saúde e Transportes foram os que apresentaram as maiores variações, enquanto as quedas mais significativas registraram-se para Vestuário e Despesas Pessoais (tabela 1 e gráfico 1).


Tabela 1 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Maiores e menores taxas por grupo e subgrupo do ICV
Município de São Paulo - agosto 1999(em %)

Itens com maiores taxas



Itens com menores taxas



Saúde

1,24

Vestuário

-2,56

Assistência médica

0,95

Roupas

-3,74

Medicamentos e produtos farmacêuticos

2,01

Calçados

-0,56

Transportes

1,11

Despesas pessoais

-0,23

Individual

0,67

Higiene e beleza

-0,34

Coletivo

2,13

Fumo e acessórios

-0,04

Alimentação

0,50

Educação e leitura

-0,03

Produtos In natura e semi-elaborados

1,78

Educação

-0,03

Indústria da alimentação

-0,36

Leitura

0,00

Fora do domicílio

-0,30



Habitação

0,42

Equipamentos domésticos

0,09

Locação, impostos e condomínio

-0,21

Eletrodomésticos

0,12

Operação do domicílio

0,78

Utensílios

0,40

Conservação do domicílio

0,72

Móveis

0,04



Rouparia

-0,55

Fonte: DIEESE.

O maior aumento foi apurado no grupo Saúde (1,24%), resultado da pressão de medicamentos e produtos farmacêuticos (2,01%), subgrupo que vem, sistematicamente, tendo elevações superiores às taxas inflacionárias.

Nos Transportes (1,11%), a alta mais expressiva foi observada no subgrupo transporte coletivo (2,13%), em conseqüência dos reajustes nas passagens do metrô (9,88%), ônibus intermunicipais (8,59%) e trens de subúrbio (10,26%). O comportamento dos preços relativos ao subgrupo transporte individual (0,95%) foi bastante diferenciado em relação ao combustível (1,21%), com alta na gasolina (2,59%) e óleo diesel (10,64%) e queda acentuada no álcool (-4,87%).

Os produtos in natura e semi-elaborados (1,78%) foram os grandes responsáveis pela taxa observada no grupo Alimentação (0,50%). Neste subgrupo cabe salientar os aumentos ocorridos nos legumes (11,39%), com especial atenção ao tomate (22,01%), frutas (4,19%), carnes (2,53%) e peixes e frutos do mar (6,99%). Porém, observam-se quedas nas raízes e tubérculos (-5,16%), em especial cebola (-13,14%) e batata (-6,80%), e nos grãos (-1,76%), sendo -1,97% no arroz e -2,06% no feijão.

Gráfico 1 -Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Taxas por grupos do ICV - Município de São Paulo - agosto de 1999


Fonte: DIEESE.

Produtos da indústria da alimentação (-0,36%) apresentaram baixa generalizada em seus subgrupos, com exceção de doces/açúcar/conservas (1,04%), que subiram em decorrência da alta do açúcar (9,10%).

Pelo terceiro mês consecutivo houve aumento nos gastos com a Habitação (0,42%), em conseqüência dos reajustes autorizados pelo governo nos últimos dois meses para os componentes incluídos entre os serviços públicos (1,18%). A maior alta ocorreu no gás de botijão (3,95%) e restou um resíduo do acréscimo da eletricidade (2,22%), ambos pertencentes ao subgrupo operação do domicilio (0,78%).

O grupo que mais contribuiu para reduzir o ICV/DIEESE, em agosto, foi o Vestuário (-2,56%), conseqüência das queda de preços verificadas em especial entre as roupas (-3,74%), devido a inúmeras liquidações observadas no mercado.

Os demais grupos que colaboraram para um menor índice em agosto foram: Despesas Pessoais (-0,23%), Educação e Leitura (-0,03%) e Equipamentos (0,09%).

Análise por estrato
As taxas por estrato de renda foram bastante díspares neste mês de agosto. O aumento mais expressivo (0,49%) foi registrado para as famílias de menor poder aquisitivo (renda média de R$ 377,49), incluídas no estrato 1, enquanto o menor impacto (0,31%) ocorreu para aquelas de maiores rendas (média de R$ 2.792,90), englobadas no estrato 3. Este estrato foi também o que apresentou a maior diferença em relação ao mês de julho, com a taxa diminuindo 0,86 ponto percentual (tabela 2).


Tabela 2 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Índices por estrato de renda - Município de São Paulo - julho e agosto de 1999

Índices

jul./99

(%)

ago/99

(%)

Diferença

(pp)

Geral

1,19

0,38

-0,81

Estrato 1

1,23

0,49

-0,74

Estrato 2

1,17

0,47

-0,69

Estrato 3

1,17

0,31

-0,86

Fonte: DIEESE

Dada a estrutura dos gastos das diversas famílias, os impactos das variações de preço são diferenciados conforme os estrato de renda (tabela 3 e gráfico 2).

As famílias do estrato 1 foram as que mais sentiram os aumentos, uma vez que os quatro grupos que mais subiram - Alimentação (0,21 pp), Transportes (0,18 pp), Habitação (0,15 pp) e Saúde (0,13 pp) - contribuíram com 0,67 pp no cálculo de seu índice. Por outro lado foi este estrato o que mais se beneficiou com as quedas que originaram principalmente do grupo Vestuário (-0,17 pp).

As famílias de maior poder aquisitivo foram as menos afetadas pelos aumentos de preço, que contribuíram com 0,47 pp no calculo do seu índice. A principal diferença em relação ao primeiro estrato está na Alimentação, que teve impacto de 0,21 pp no primeiro estrato, enquanto no estrato 3 esta influência foi de apenas 0,09 pp. A queda nos preços dos demais grupos rebaixou o seu índice em -0,16 pp, resultando em uma menor taxa para este estrato (0,31%).

As famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 937,17), pertencentes ao estrato 2, foram bastante prejudicadas pelos aumentos de preços dos principais grupos, que resultaram em uma contribuição positiva de 0,62 pp no cálculo de seu índice total de 0,47%, o que revela semelhança com o estrato 1.


Tabela 3 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Taxas e contribuições por estrato e grupos do ICV
Município de São Paulo - agosto de 1999

Grupos

Geral

Estrato 1

Estrato 2

Estrato 3

Taxa

(em %)

Contr

(em pp).

Taxa

(em %)

Contr.

(em pp)

Taxa

(em %)

Contr.

(em pp)

Taxa

(em %)

Contr.

(em pp)

Total

0,38

0,38

0,49

0,49

0,47

0,47

0,31

0,31

Contribuições positivas (inflação)

0,54

0,67

0,62

0,47

Saúde

1,24

0,13

1,48

0,13

1,48

0,13

1,12

0,13

Transportes

1,11

0,16

1,87

0,18

1,34

0,18

0,91

0,15

Alimentação

0,50

0,13

0,62

0,21

0,60

0,18

0,40

0,09

Habitação

0,42

0,11

0,56

0,15

0,47

0,12

0,36

0,09

Recreação

0,36

0,01

0,09

0,00

0,35

0,01

0,37

0,01

Equipamento doméstico

0,09

0,00

0,02

0,00

0,07

0,00

0,10

0,00

Contribuições negativas (deflação)

-0,16

-0,18

-0,15

-0,16

Vestuário

-2,56

-0,14

-2,88

-0,17

-2,34

-0,14

-2,68

-0,14

Despesas diversas

-2,31

-0,01

-2,42

-0,01

-2,39

-0,01

-2,25

-0,01

Despesas pessoais

-0,23

-0,01

-0,12

-0,01

-0,19

-0,01

-0,30

-0,01

Educação e leitura

-0,03

0,00

0,09

0,00

0,04

0,00

-0,05

-0,01

Fonte: DIEESE.


Fonte: DIEESE.

Índices Acumulados
Nos últimos doze meses - entre setembro de 1998 e agosto último - o ICV acumula uma taxa de 5,80%, ligeiramente inferior à observada nos oito primeiros meses deste ano, quando atingiu 5,89%.

Os grupos e subgrupos com as maiores e menores taxas neste ano e nos últimos doze meses podem ser vistos na tabela 4.

Em 1999 o aumento ocorrido nos Transportes (13,51%) incidiu nos dois subgrupos que o compõem: no individual a alta foi de 13,83%, enquanto no coletivo a elevação chegou a 12,77%. No primeiro, a principal contribuição partiu do preço dos combustíveis (26,34%), derivada de taxas bastante altas para o diesel (43,26% ) e a gasolina (39,13%), porém com queda no álcool (-9,89%); no caso dos serviços mecânicos houve queda de 3,18%, mas esta redução foi acompanhada por altas marcantes nas peças e acessórios de veículos (9,93%). O transporte coletivo, neste ano, já reajustou suas tarifas em 12,77%, com taxas semelhantes para os ônibus interestaduais (15,89%) e municipais (15,00%), bem como para o metrô (13,60%) e trens de subúrbio (10,26%). Nos últimos doze meses as taxas são ligeiramente inferiores, com 11,97% para o grupo, sendo 11,62% no individual e 12,79% no coletivo.


Tabela 4 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Taxas no ano e anual dos grupos e subgrupos do ICV
Município de São Paulo - 1998/1999(em %)

Grupos e subgrupos

Maiores taxas

Grupos e subgrupos

Menores taxas

No Ano 1/99-8/99

Anual 9/99-8/99

No Ano 1/99-8/99

Anual 9/99-8/99

Transportes

13,51

11,97

Vestuário

-4,07

-5,72

.Individual

13,83

11,62

.Roupas

-5,35

-7,27

.Coletivo

12,77

12,79

.Calçados

-1,75

-2,77

Saúde

10,28

12,86

Despesas diversas

0,31

2,55

.Assistência médica

2,99

3,19

.Animais

0,39

3,20

.Medicamentos e produtos farmacêuticos

16,55

20,47

.Comunicação

0,00

0,00

Equipamento doméstico

7,91

4,05

Alimentação

2,86

3,26

.Eletrodomésticos

10,14

4,81

.In natura e semi-elaborados

0,81

3,08

.Utensílios

4,86

0,55

.Indústria da alimentação

6,52

5,04

.Móveis

6,33

6,21

.Fora do domicílio

0,28

0,35

.Rouparia

1,88

-3,29




Habitação

6,16

6,33

Despesas pessoais

3,06

3,34

.Locação, impostos e condomínio

1,07

0,27

.Higiene e beleza

4,93

5,40

.Operação

10,73

11,79

.Fumo e acessórios

0,06

0,05

.Conservação

3,73

3,63




Recreação

5,56

3,52

Educação e leitura

3,93

4,27

.Produtos

6,46

4,76

Educação

4,04

4,41

.Serviços

3,91

1,27

.Leitura

2,34

2,43

Fonte: DIEESE.

A segunda maior elevação foi apurada pelo DIEESE na Saúde (10,28%), que teve como fator de pressão os aumentos ocorridos nos medicamentos e produtos farmacêuticos, que já atingiram, neste ano, 16,55%. Em doze meses este subgrupo acumula alta de 20,47%.

O grupo Equipamento Doméstico, embora tenha apresentado uma alta taxa neste ano (7,91%), nos últimos doze meses (4,05%) sua variação foi menor que a detectada no índice geral (5,80%), conseqüência das quedas dos preços ocorridas no último trimestre de 1998. Dentre seus subgrupos as maiores elevações foram observadas nos eletrodomésticos (10,14%) e móveis (6,33%).

A Habitação (6,16%) foi pressionada neste ano pelos reajustes ocorridos nos ítens da operação do domicilio (10,73%), que engloba as tarifas públicas, com especial atenção para o gás de botijão (43,55%), eletricidade (20,21%) e água/esgoto (11,62%), produtos de primeira necessidade que resultam em impactos bastante positivos no cálculo inflacionário.

Dentre os principais grupos do ICV com queda em seus preços ou variações relativamente pequenas neste ano encontram-se: Vestuário (-4,07%), Alimentação (2,85%) e Educação e Leitura (3,93%).

O grupo Vestuário revelou redução mais acentuada nas roupas (-4,07%), ainda que os calçados (-1,75%) também tenham apresentado variação negativa. Estes recuos refletem a forte retração do mercado consumidor, principalmente por serem setores bastante concorrenciais e cuja demanda não é prioritária, podendo ter sua compra adiada no caso de queda da renda familiar. Nos últimos doze meses este grupo apresenta taxa negativa de 5,72%.

A Alimentação (2,86%), em 1999, registrou taxas bastante diferentes entre os seus subgrupos, com alta maior para os produtos da indústria da alimentação (6,52%) e menor na alimentação fora do domicílio (0,28%) e nos bens in natura e semi-elaborados (0,81%).

Como os produtos in natura e semi-elaborados têm sua oferta determinada por fatores sazonais, a análise anual elimina possíveis impactos nos preços derivados de momentos de safra e entressafra. Em doze meses estes produtos tiveram aumento de 3,08%. As principais quedas foram verificadas nos itens: grãos (-24,41%), sendo mais significativa a do feijão (-48,30%), aves e ovos (-2,84%) e raízes e tubérculos (-8,19%), em que se destacou a batata (-17,22%). As altas anuais foram detectadas principalmente nos legumes (21,72%), carnes (14,88%) e peixes e frutos do mar (30,90%).

Os índices acumulados por estrato de renda (tabela 5) indicam, tanto neste ano como nos últimos doze meses, maior incidência inflacionária para o estrato 2, com 6,23% e 6,08%, respectivamente. As famílias de menor poder aquisitivo (estrato 1) também sofreram com os aumentos dos preços e tiveram taxa anual de 6,03% e no ano de 6,00%. Os menores impactos dos reajustes de preços couberam às famílias de maiores rendas (estrato 3), com taxa anual de 5,57% e neste ano de 5,69%.


Tabela 5 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Índices acumulados por estrato
Município de São Paulo - 1998/1999(em %)

Índices total e por estrato

Mensal

Trimestral

Semestral

No Ano

Anual

ago/99

06/99 - 08/99

03/99 - 08/99

01/99 - 08/99

09/98 - 08/99

Total

0,38

1,92

3,26

5,89

5,80

Estrato 1

0,49

1,98

3,08

6,00

6,03

Estrato 2

0,47

1,92

3,17

6,23

6,08

Estrato 3

0,31

1,88

3,31

5,69

5,57

Fonte: DIEESE.

O aumento do custo de vida dos últimos doze meses (tabela 6 e gráfico 3) revela flutuações marcantes em suas taxas. Nos quatro meses finais de 1998 as taxas mensais foram baixas, apresentando uma variação ligeiramente negativa (-0,09%).

A partir de 1999, é evidente o papel das políticas gover NAMEntais no comportamento inflacionário. Nos três primeiros meses, com reajustes nos transportes coletivos e nos produtos que sofreram o impacto da desvalorização do real, o ICV/DIEESE acumulou uma alta de 3,56%. Porém, dado o quadro recessivo, nos dois meses que se seguiram houve uma trégua nos reajustes e as taxas de abril e maio foram relativamente pequenas, 0,11% e 0,22%, respectivamente. Com taxas baixas, o governo se permitiu reajustar inúmeras tarifas públicas ou administradas - eletricidade, água, gasolina, óleo diesel, gás de cozinha e transporte coletivo -, resultando em impactos inflacionários que atingiram nestes últimos três meses um acumulado de 1,92%.


Tabela 6 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Taxas mensais dos últimos doze meses
Município de São Paulo - 1998/1999 (em %)

Mês/ano

Taxas mensais

set/98

-0,11

out/98

0,21

nov/98

-0,34

dez/98

0,15

jan/99

1,38

fev/99

1,15

mar/99

0,98

abr/99

0,11

mai/99

0,22

jun/99

0,34

jul/99

1,19

ago/99

0,38

Fonte: DIEESE.

A observação destes dados mensais e as razões dos aumentos estarem sempre ligados a medidas gover NAMEntais, exógenas à lógica de mercado, faz com que não seja possível uma previsão das taxas futuras de inflação.

Gráfico 3 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Taxas mensais de inflação nos últimos 12 meses
Município de São Paulo setembro/98 a agosto/98


Fonte: DIEESE.

Análise dos preços
Para detectar com mais acuidade os causadores da inflação, neste ano de 1999, os itens do ICV-DIEESE foram agregados segundo os seguintes critérios:

Públicos e/ou administrados: impostos, eletricidade, água/esgoto, gás de cozinha, telefone, combustível e transporte coletivo.

Oligopolizados: seguros e convênios, e medicamentos e produtos farmacêuticos.

Concorrenciais: todos os demais bens e serviços do ICV-DIEESE.


Tabela 7 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE)
Variações de preços acumuladas no ano
Município de São Paulo - 1999

Grupos

Peso

Contribuição

Taxas

Públicos/administrados

17,80

2,69pp

15,09

Oligopolizados

7,74

1,06pp

13,67

Concorrenciais

74,46

2,14pp

2,88

Total Global

100,00

5,89pp

5,89

Fonte: DIEESE.

No resultado da tabela 7 surpreende o papel desempenhado pelo governo, quer seja nos aumentos de suas tarifas quer nos preços por ele administrados, que já subiram este ano 15,09%.

Inúmeros bens e serviços apresentaram aumentos injustificáveis, como os detectados no gás de botijão (43,55%), óleo diesel (43,20%), gasolina (39,13%), eletricidade (20,21%), ônibus interestadual (15,89%), ônibus municipal (15,00%), metrô (13,60%) e água/esgoto (11,62%). Cabe salientar que estes itens são de primeira necessidade de consumo para as famílias, cuja demanda dificilmente pode ser reduzida.

O segundo grupo, os oligopolizados, apresentou uma alta de 13,67%, sendo 11,92% o aumento médio dos seguros e convênios e 16,86% o referente aos medicamentos e produtos farmacêuticos. Embora note-se uma certa indexação dos remédios em torno de 16%, muitos apresentaram taxas médias bem superiores, como os dermatológicos (24,48%), vitaminas (22,62%), cardiovasculares (21,27%) e para diabéticos (20,72%), que, de um modo geral, são de uso contínuo e dificilmente podem ter sua dosagem reduzida.

Os bens e serviços que disputam o mercado concorrencial enfrentando a retração da demanda oriunda do quadro recessivo não tiveram condições de repassar os seus aumentos de custo para o consumidor final, resultando neste ano em um aumento médio em seus preços de apenas 2,88%.

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos