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São Paulo, 05 de julho de 2001.
Após sete anos da implantação do Real, a inflação - segundo o Índice do Custo de Vida calculado pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos -, acumulou uma taxa de 108,2%. Porém, a variação dos preços não apresentou um comportamento uniforme, não só entre os itens do ICV-DIEESE, como também ao longo do tempo.
Para melhor compreender este comportamento, os itens do ICV foram reunidos em dois grandes grupos: Produtos e Serviços. Estes, por sua vez, foram desagregados segundo a origem da formação do preço, nos subgrupos: mercado consumidor e administrado pelo governo.
O estudo dos preços ao longo do tempo foi realizado por semestre. A tabela 1 fornece os índices acumulados semestralmente e a tabela 2, as taxas semestrais. Para melhor visualizar os preços ao longo destes catorze semestres foram construídos três gráficos. No primeiro, encontram-se os índices acumulados por tipo de bens (produtos e serviços) e nos gráficos 2 e 3, as séries referem-se aos bens relacionados a sua formação de preço (mercado e administrado).
Tabela 1 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Taxas acumuladas por semestre segundo tipo de bem e formação de preço
Município de São Paulo - julho/94 a junho/01
| Mês/ano
|
Produto
|
Total Produto
|
Serviço
|
Total Serviço
|
Total Global
|
|
Administrado
|
Mercado
|
Administrado
|
Mercado
|
|
dez/1994
|
-1,9%
|
11,5%
|
10,3%
|
7,8%
|
28,9%
|
22,9%
|
14,4%
|
|
jun/1995
|
-2,5%
|
18,7%
|
16,8%
|
35,1%
|
71,8%
|
61,3%
|
31,2%
|
|
dez/1995
|
9,6%
|
24,1%
|
22,8%
|
64,9%
|
105,5%
|
93,9%
|
45,7%
|
|
jun/1996
|
22,2%
|
25,7%
|
25,3%
|
87,9%
|
129,8%
|
117,9%
|
55,2%
|
|
dez/1996
|
38,8%
|
25,0%
|
26,2%
|
98,7%
|
144,7%
|
131,6%
|
60,2%
|
|
jun/1997
|
46,3%
|
27,0%
|
28,7%
|
137,3%
|
158,4%
|
152,4%
|
68,6%
|
|
dez/1997
|
53,2%
|
26,3%
|
28,7%
|
147,2%
|
160,5%
|
156,7%
|
70,0%
|
|
jun/1998
|
49,8%
|
29,2%
|
31,0%
|
151,7%
|
165,4%
|
161,5%
|
73,2%
|
|
dez/1998
|
40,9%
|
26,3%
|
27,6%
|
153,5%
|
164,8%
|
161,6%
|
70,9%
|
|
jun/1999
|
57,3%
|
31,8%
|
34,1%
|
167,7%
|
171,6%
|
170,5%
|
78,1%
|
|
dez/1999
|
111,8%
|
36,9%
|
43,5%
|
179,5%
|
178,6%
|
178,9%
|
87,2%
|
|
jun/2000
|
117,7%
|
38,8%
|
45,7%
|
187,4%
|
185,2%
|
185,8%
|
91,0%
|
|
dez/2000
|
182,4%
|
43,8%
|
56,0%
|
201,9%
|
191,4%
|
194,4%
|
100,7%
|
|
jun/2001
|
172,6%
|
47,6%
|
58,7%
|
230,0%
|
204,8%
|
212,0%
|
108,2%
|
|
Peso
|
6%
|
62%
|
68%
|
9%
|
23%
|
32%
|
100%
|
Fonte: DIEESE
Pela tabela 1 e gráfico 1, visualiza-se taxa bem mais acentuada para os serviços (212,0%) frente aos produtos (58,7%). A sua desagregação por tipo de formação de preço permite verificar que os serviços públicos (230,0%) subiram mais que os de mercado (204,8%), embora estes também tenham apresentado taxa bastante elevada.
A observação das taxas semestrais (tabela 2) da série de serviços revela que até junho/96 foram os serviços de mercado que mais aumentaram seus preços. A partir desta data, as tarifas públicas sofreram maiores aumentos. Pelo gráfico 3, visualiza-se um índice acumulado maior para os serviços de mercado até junho/99, quando passa a predominar o índice dos serviços públicos.
Tabela 2 - Índice do Custo de Vida - (ICV-DIEESE)
Taxas semestrais segundo tipo de bem e formação de preço
Município de São Paulo - julho/94 a junho/01
| Mês/ano
|
Produto
|
Total Produto
|
Serviço
|
Total Serviço
|
Total Global
|
|
Administrado
|
Mercado
|
Administrado
|
Mercado
|
|
dez/1994
|
-1,9%
|
11,5%
|
10,3%
|
7,8%
|
28,9%
|
22,9%
|
14,4%
|
|
jun/1995
|
-0,6%
|
6,4%
|
5,9%
|
25,3%
|
33,3%
|
31,3%
|
14,7%
|
|
dez/1995
|
12,5%
|
4,5%
|
5,1%
|
22,1%
|
19,6%
|
20,2%
|
11,1%
|
|
jun/1996
|
11,5%
|
1,3%
|
2,1%
|
14,0%
|
11,8%
|
12,4%
|
6,5%
|
|
dez/1996
|
13,6%
|
-0,5%
|
0,7%
|
5,7%
|
6,5%
|
6,3%
|
3,2%
|
|
jun/1997
|
5,4%
|
1,6%
|
2,0%
|
19,5%
|
5,6%
|
9,0%
|
5,2%
|
|
dez/1997
|
4,7%
|
-0,5%
|
0,0%
|
4,2%
|
0,8%
|
1,7%
|
0,8%
|
|
jun/1998
|
-2,2%
|
2,3%
|
1,8%
|
1,8%
|
1,9%
|
1,9%
|
1,8%
|
|
dez/1998
|
-6,0%
|
-2,2%
|
-2,6%
|
0,7%
|
-0,3%
|
0,0%
|
-1,3%
|
|
jun/1999
|
11,6%
|
4,3%
|
5,1%
|
5,6%
|
2,6%
|
3,4%
|
4,2%
|
|
dez/1999
|
34,7%
|
3,8%
|
7,0%
|
4,4%
|
2,6%
|
3,1%
|
5,1%
|
|
jun/2000
|
2,8%
|
1,4%
|
1,6%
|
2,8%
|
2,4%
|
2,5%
|
2,0%
|
|
dez/2000
|
29,7%
|
3,6%
|
7,1%
|
5,0%
|
2,2%
|
3,0%
|
5,1%
|
|
jun/2001
|
-3,5%
|
2,7%
|
1,7%
|
9,3%
|
4,6%
|
6,0%
|
3,7%
|
Fonte: DIEESE
Gráfico 1 - Índice acumulado de julho/94 a junho/01
Segundo tipo de bem
Fonte: DIEESE
Gráfico 2 - Índice acumulado de produtos de julho/94 a junho/01
Segundo o mercado
Fonte: DIEESE
Gráfico 3 - Índice acumulado de serviço de julho/94 a junho/01
Segundo o mercado
Fonte: DIEESE
Quanto à variação de preços dos produtos (58,7%), há uma grande diferença nas taxas dos subgrupos: mercado consumidor (47,6%) e administrado pelo governo (172,6%). Este último, dada a característica dos produtos - combustível e gás de cozinha - cujos preços têm forte componente externo e tiveram significativo aumento a partir da desvalorização do Real em janeiro/99.
Essa análise dos preços nos sete anos do Real indicou que os maiores aumentos foram verificados nos serviços, sendo que nos dois primeiros anos predominou o aumento dos serviços ligados ao mercado consumidor, tais como: aluguéis, escolas, alimentação fora do domicílio, assistência médica etc. e a partir daí foram os serviços públicos como: telefonia, água e esgoto, eletricidade, transporte coletivo etc. que apresentaram os maiores reajustes.
Quanto aos produtos, foram os que têm seus preços administrados pelo governo, basicamente os derivados do petróleo, que mais subiram. Aqueles que têm seus preços determinados no mercado consumidor registraram as menores taxas.
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