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DIEESE - Índice do Custo de Vida - Junho/99
COMPORTAMENTO DOS PREÇOS NO REAL

..... São Paulo 02 de julho de 1999.

Nestes cinco anos de Plano Real, o Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - acumula uma elevação, na cidade de São Paulo, de 77,3%. As taxas semestrais apresentam diferenças significativas no período considerado, como pode ser visto no gráfico 1.

Gráfico 1 - Taxas de variações semestrais do ICV/DIEESE



De acordo com o Gráfico 1, nos dois primeiros anos do Real (94/95) as taxas foram bastante elevadas: 13,86% no segundo semestre de 1994, 14,71% e 11,09% nos dois semestres subseqüentes. A partir de 1996 estas taxas declinam significativamente, culminando com uma retração de 1,33% no segundo semestre de 1998.

No primeiro semestre deste ano, a taxa foi de 4,25%, refletindo a desvalorização cambial de janeiro e o aumento dos preços públicos ou administrados pelo governo.

Há também diferenças marcantes na inflação dos grupos e subgrupos que compõem o ICV/DIEESE, apontando fortes distorções de preços relativos neste período. As maiores taxas acumuladas no Real foram observadas em grupos como a Habitação, Educação e Leitura e Saúde (todas superiores a 100%), e as menores foram apuradas nos gastos com Recreação e Vestuário (tabela 1).


Tabela 1- Inflação acumulada no Real
maiores e menores variações (em%)

Grupos e subgrupos

Taxas

Grupos e subgrupos

Taxas

Habitação

181,8

Recreação

-1,9
Locação, Impostos e Condomínios

402,7
Produtos

-15,4
Operação do domicílio

140,7
Serviços

63,5
Conservação do domicílio

114,8

Vestuário

0,2

Educação e Leitura

179,6
Roupas

-0,5
Educação

198,2
Calçados

20,4
Leitura

59,3

Equipamentos Domésticos

25,1

Saúde

137,6
Eletrodomésticos

16,9
Assistência à saúde

161,6
Utensílios domésticos

27,2
Medicamentos e Produtos Farmacêuticos

104,9
Móveis

78,5

Transportes

67,8
Rouparia

13,8
Individual

49,9

Despesas Pessoais

46,1
Coletivo

139,3
Higiene e Beleza

45,9

Despesas diversas

49,7
Fumo e Acessórios

59,5
Animais

44,5

Alimentação

47,1
Comunicação

119,8
in natura e semi-elaborados

59,2

Indústria da Alimentação.

30,0


Fora do Domicílio

83,2


Frente a uma taxa acumulada no ICV/DIEESE de 77,3%, certos grupos como Educação e Leitura (179,6%), Habitação (181,8%) e Saúde (137,1%) apresentaram taxas bem acima da média, enquanto outros registraram queda ou variações pequenas, como é o caso Recreação (-1,9%), Vestuário (0,2%) e Equipamentos Domésticos (25,1%).

As fontes das pressões inflacionárias e as mudanças nos preços relativos devem ser analisadas ao longo do tempo nos itens que compõe o ICV.

O Gráfico 2, acumulando semestralmente as variações a partir do Real, revela o comportamento dos grupos que compõem o ICV/DIEESE.

Gráfico 2 - Comportamento do ICV/DIEESE por grupos de despesa
(2º semestre de 1994 ao 1º semestre de 1999)


Dentro de cada grupo de despesa, o comportamento dos subgrupos não foi homogêneo:

Educação e Leitura
Habitação (181,8%) - As maiores altas do ICV/DIEESE encontram-se nos subgrupos e itens que compõem a Habitação. As maiores taxas ocorreram nos três primeiros anos do Real, quando já acumulava uma inflação de 168,0%. O subgrupo locação, impostos e condomínio (402,7%) foi um dos grandes responsáveis pela alta taxa da Habitação. Os reajustes ocorridos nos dois primeiros anos tiveram como origem as indexações dos aluguéis pela inflação passada e o receio dos proprietários de imóveis quanto à inflação futura, reajustando significantemente o preço de oferta de seus imóveis. O outro subgrupo com alta marcante foi o da operação do domicílio (140,7%). Nele estão incluídos os serviços públicos (123,58%), que abrangem também os setores que têm seus preços administrados pelo governo. Salientam-se aumentos marcantes na telefonia (417,28%), gás de butijão (156,44%), água/esgoto (84,10%) e eletricidade (65,10%). Com exceção da eletricidade, todos eles foram reajustados acima da inflação geral do período, porém ainda restam 9% de aumento a ser computados nos próximos meses, atingindo a meta de um índice superior à inflação no Real.

Saúde (137,6%) - Com 60,3 pontos percentuais acima do índice geral, as maiores altas se deram a partir de janeiro de 1996. O subgrupo dos medicamentos e produtos farmacêuticos, a partir daquele mês, aumentou seus preços sistematicamente acima da inflação geral, resultando em um acumulado no Real de 104,9%. Reajustes expressivos foram observados na assistência médica (161,6%), tendo como pressão os aumentos dos seguros e convênios médicos.

Transportes (67,8%) - Apesar de a taxa do grupo ser inferior ao índice geral, há enormes diferenças em seus subgrupos. O transporte individual (49,9%) subiu bem menos que o coletivo (139,3%), revelando de certa forma uma incoerência das tarifas públicas.

Dentre os grupos com queda ou taxas bem menores que o índice geral, destacam-se a Recreação (-1,9%), conseqüência das baixas nos preços dos brinquedos e bens de lazer, que estão incluídos no subgrupo produtos (-15,4%), e a taxa menor que a inflação dos serviços de lazer (63,5%). Porém, este grupo pesa relativamente pouco no orçamento doméstico (1,75%) tendo pequeno impacto na taxa de inflação. Outro grupo de peso restrito no orçamento doméstico, com taxa relativamente pequena (46,1%) foi o de Despesas Pessoais, com aumentos equivalentes em seus subgrupos higiene e beleza (45,9%) e fumo e acessórios (59,5%).

Vestuário (0,2%) - A queda de preços ocorreu nas roupas (-0,5%), uma vez que os calçados (20,4%) apresentaram taxa positiva, porém bem inferior à inflação geral. A observação do gráfico 2 revela que no primeiro ano do Real as taxas mensais do Vestuário assemelhavam-se à do índice geral, acumulando neste ano um aumento de 32,6%, contra 30,6% de inflação. A partir de agosto de 1995, os preços apresentaram quedas acentuadas, com aumentos apenas sazonais.

Equipamentos Domésticos (25,1%) - Este grupo apresentou comportamento análogo ao Vestuário, com taxas semelhantes ao índice geral no primeiro ano do Real quando acumulou um aumento de 28,9% contra 30,61% da inflação no período. A partir de julho de 1995, as taxas mensais ficaram bem aquém da inflação. Dentre seus subgrupos, o que reúne os móveis apresentou o maior reajuste em seus preços (78,5%) e a rouparia (13,8%), a menor taxa. Cabe salientar que a taxa dos eletrodomésticos (16,9%) seria menor, caso não tivesse havido a desvalorização do Real no início de 1999, pois até dezembro de 1998 só registrava 2,8%, contra uma taxa total no período de 70,1%.

Alimentação (46,1%) - Tendo em vista a importância deste gasto no orçamento doméstico (26,53%), sua taxa foi a grande responsável por índices menores nestes cinco anos de Real. Ao longo destes anos, observa-se, até abril de 1995, um aumento de preço ligeiramente superior ao índice geral. A partir desta época as taxas mensais passam a ser menores que as do ICV/DIEESE geral, acumulando uma inflação 31 pontos percentuais abaixo do índice geral. O comportamento dos preços foi bem distinto entre os subgrupos, com maior taxa para a alimentação fora do domicílio (83,2%), seguida dos produtos in natura e semi-elaborados (59,2%) e, com um reajuste bem menor, dos da indústria da alimentação (30,0%) que foi a grande responsável pela baixa taxa deste grupo.

Assim como foram constatadas diferenças nos índices dos grupos do ICV-DIEESE, o mesmo ocorreu por estrato de renda. As principais diferenças são devidas aos grupos Alimentação, Saúde e Educação.

Como as famílias de menores rendas (estrato 1 e 2) gastam proporcionalmente mais em Alimentação, estas se beneficiaram mais com o menor aumento deste grupo de gastos. Já aquelas de maiores rendas (estrato 3), que dispendem mais em Educação e Saúde, foram mais prejudicadas pelos reajustes ocorridos nestes setores, resultando em um impacto inflacionário maior para estas famílias (tabela 2 ).


Tabela 2 - Variação no Real por Estrato de renda

Indices Acumulados no Real

Taxas

Geral

77%

Estrato 1

71%

Estrato 2

70%

Estrato 3

82%


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