AUMENTOS DE SETEMBRO APONTAM PARA UMA REAÇÃO NO MERCADO CONCORRENCIAL
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São Paulo, 04 de outubro de 1999.
O custo de vida no município de São Paulo manteve-se, em setembro, em 0,37%, patamar bastante semelhante, embora 0,01 ponto percentual inferior, ao verificado em agosto, quando ficou em 0,38%, segundo apurou o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. A alta verificada no mês reflete uma reação do mercado concorrencial, que vinha, ao longo dos últimos meses, apresentando quedas ou variações bastante discretas.
Os aumentos mais significativos distribuíram-se por grupos como Despesas Pessoais, Saúde, Transportes e Alimentação, que foram parcialmente compensadas pela queda nos Equipamentos Domésticos e as elevações pouco expressivas na Habitação, Educação e Leitura e Vestuário (tabela 1).
Tabela 1 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Grupos e subgrupos com maiores e menores taxas Município de São Paulo - setembro de 1999(em %)
Grupos e Subgrupos
Maiores Taxas
Grupos e Subgrupos
Menores Taxas
Despesas Pessoais
1,06%
Equipamentos Domésticos
-0,40%
Higiene e Beleza
1,69%
Eletrodomésticos
-0,09%
Fumo e Acessórios
0,00%
Utensílios Domésticos
-0,08%
Móveis
-1,09%
Rouparia
-0,92%
Saúde
0,70%
Habitação
0,03%
Assistência Médica
1,29%
Locação, Impostose Condomínio
-0,75%
Medicamentos e Produtos Farmacêuticos
-0,75%
Operação do Domicílio
0,43%
Conservação
0,62%
Transportes
0,69%
Educação e Leitura
0,06%
Individual
0,99%
Educação
0,06%
Coletivo
0,00%
Leitura
0,00%
Alimentação
0,57%
Vestuário
0,09%
In-natura e semi-elaborados
1,21%
Roupas
0,28%
Indústria da Alimentação
0,16%
Calçados
-0,09%
Fora do Domicílio
0,09%
Fonte: DIEESE
Um dos reflexos da reação dos preços concorrenciais é a alta verificada nas Despesas Pessoais (1,06%), que derivou de aumentos nos produtos de higiene e beleza (1,69%), em particular o papel higiênico, que subiu 12,00%.
Ao contrário do que vem ocorrendo sistematicamente, não foram os medicamentos e produtos farmacêuticos - que registraram retração de 0,75% - os responsáveis pela elevação de 0,70% ocorrida no grupo Saúde. A pressão, em setembro, partiu dos itens incluídos no subgrupo assistência médica (1,29%), em especial, o aumento dos seguros e convênios médicos (1,81%).
A alta nos Transportes (0,69%) originou-se exclusivamente do reajuste do subgrupo transporte individual (0,99%), ainda em conseqüência do aumento dos combustíveis (1,48%), uma vez que o coletivo manteve-se estabilizado.
A Alimentação (0,57%), por ser o grupo de maior importância dentro do ICV/DIEESE, com um peso de 25,76%, contribuiu com com um acréscimo de 0,15 ponto percentual (pp) no cálculo do índice de 0,37%.
O maior responsável pela taxa dos alimentos foi o subgrupo dos produtos in-natura e semi-elaborados (1,21%), com reajustes significativos nos itens: grãos (6,07%), com alta marcante no feijão (38,38%), e queda no arroz (-2,71%); frutas (2,67%), com atenção para o limão (26,58%), maracujá (39,08%) e melancia (8,36%); e aves e ovos (1,48%). As retrações foram verificadas nos itens: legumes (-2,51%); raízes e tubérculos (-2,52%) e hortaliças (-1,31%).
No subgrupo da indústria da alimentação (0,16%) destacam-se os aumentos dos itens: óleo e azeites (1,73%) e doces/açúcar e conservas (2,86%), sendo este último pressionado pelo reajuste do açúcar (12,80%).
Dentre os grupos com as menores taxas em setembro, o referente aos Equipamentos Domésticos (-0,40%) foi o único a apresentar deflação, notada em todos os seus subgrupos, porém mais acentuada nos móveis (-1.09%) e na rouparia (-0,92%) .
Na Habitação (0,03%) foi detectado recuo no subgrupo locação, impostos e condomínio (-0,75%), em decorrência da baixa apurada nos aluguéis (-1,47%). Na operação domicílio (0.43%), chama atenção o reajuste no gás de butijão (1,27%), eletricidade (0,60%), serviços domésticos (0,53%) e produtos de limpeza (0,77%). Na conservação do domicilio (0,62%), o aumento foi observado nos materiais de construção (1,26%), principalmente nas tintas (4,45%).
A pequena variação registrada no grupo Educação e Leitura (0,06%) teve como origem os aumentos ocorridos nos materiais de papelaria (1,69%) em especial papéis (2,86%) e cadernos (0,82%).
O Vestuário (0,09%), neste mês de setembro, teve seus preços estabilizados, com pequena taxa positiva nas roupas (0,28%) e ligeira queda nos calçados (-0,09%).
Gráfico 1 - Maiores e menores taxas por grupo do ICV no mês de setembro de 1999
Índices por estratos
As taxas apuradas em setembro tiveram pouca difença entre os estratos de renda que compõem o ICV -DIEESE (tabela 2). O maior aumento foi sentido pelas famílias do estrato 1 (0,40%), que corresponde àquelas de menores rendas (que ganhavam, em média, R$ 377,49). Os demais apresentaram taxas iguais, ou seja, 0,37%, equivalentes também à taxa global.
Tabela 2 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Índices por estratos de renda Município de São Paulo - ago-set/99
Índices
ago/99
set/99
Diferença
Geral
0,38%
0,37%
-0,01pp
Estrato 1
0,49%
0,40%
-0,09pp
Estrato 2
0,47%
0,37%
-0,10pp
Estrato 3
0,31%
0,37%
0,06pp
pp= ponto percentual
Fonte: DIEESE
Em relação a agosto, a maior queda nos índices foi observada no estrato 2, que engloba as famílias com nível intermediário de rendimentos e que auferiam, em média, R$ 934,17, para as quais a taxa recuou de 0,47%, para 0,37%, com diferença de -0,10 pp. O estrato 1 apresentou a maior taxa em setembro (0,40%), porém sua queda em relação a agosto (-0,09 pp) foi semelhante a do estrato 2, já que em agosto havia registrado elevação mais expressiva. O único estrato que aumentou sua diferença em relação ao mês anterior foi o 3, que inclui as famílias de maior poder aquisitivo (renda média de R$ 2.792,90), com um acréscimo de (0,06 pp).
Apesar de as taxas por estrato de renda terem apresentado semelhança, a análise dos impactos das variações de preço foi diferenciada (tabela 3 e gráfico 2), mas revela a importância da Alimentação no cálculo do ICV .
Tabela 3 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Taxas e contribuições por estrato de renda e grupos de despesa Município de São Paulo
Geral
Estrato 1
Estrato 2
Estrato 3
Grupos
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Total
0,37
0,37
0,40
0,40
0,37
0,37
0,37
0,37
Contribuição Positiva
0,39
0,40
0,40
0,39
Alimentação
0,57
0,15
0,78
0,26
0,65
0,19
0,45
0,10
Transportes
0,69
0,10
0,27
0,03
0,66
0,09
0,76
0,12
Saúde
0,70
0,08
0,41
0,04
0,56
0,05
0,79
0,09
Despesas Pessoais
1,06
0,04
1,16
0,06
1,23
0,05
0,93
0,03
Habitação
0,03
0,01
-0,02
0,00
0,01
0,00
0,06
0,01
Desoesas Diversas
2,91
0,01
3,05
0,01
3,02
0,01
2,84
0,01
Vestuário
0,09
0,00
0,17
0,01
-0,04
0,00
0,17
0,01
Educação e Leitura
0,06
0,00
0,06
0,00
0,04
0,00
0,06
0,01
Recreação
0,21
0,00
0,58
0,01
0,24
0,00
0,20
0,00
Contribuição negativa
-0,02
0,00
-0,03
-0,02
Equipamentos Domésticos
-0,40
-0,02
-0,08
0,00
-0,50
-0,03
-0,42
-0,02
Fonte: DIEESE
Como no primeiro estrato a Alimentação representa 33,49% dos gastos familiares, o reajuste deste grupo acarretou um forte impacto, contribuindo com 0,26 pp no cálculo de seu índice. Embora o segundo e terceiro estratos tenham apresentado índices iguais (0,37%), a análise das contribuições dos vários grupos mostra diferenças marcantes. No estrato 2, o impacto da Alimentação foi de 0,19 pp, enquanto para o estrato 3 ficou em apenas 0,10 pp. Os grupos Transportes e a Saúde, juntos, contribuíram com 0,21 pp no estrato 3 e apenas 0,14 pp no cálculo do índice do estrato 2.
Índices Acumulados
O ICV/DIEESE acumula, nos últimos doze meses, uma inflação de 6,30% e neste ano já atinge taxa de 6,28%. A tabela 4 aponta as maiores e menores variações de preços no ano de 1999 e nos últimos doze meses.
Como as maiores variações de preço ocorreram em 1999, a análise dos grupos e subgrupos se restringirá às oscilações verificadas neste ano.
O grupo Transportes (14,30%) foi o que apresentou maior reajuste, com taxas semelhantes entre seus subgrupos: individual (14,96%) e coletivo (12,78%). No individual destacam-se as altas na gasolina (41,38%) e no dieesel (45,35%) e no transporte coletivo os ônibus municipais (15,00%) e interestaduais (15,64%).
A Saúde (11,05%) registrou taxas altas em ambos seus subgrupos: assistência médica (9,37%) e medicamentos e produtos farmacêuticos (15,67%). No primeiro, o maior reajuste foi detectado nos seguros e convênios (13,95%) e no segundo, os repensáveis foram os medicamentos (15,99%).
O terceiro grupo com maior taxa em 1999 foi o dos Equipamentos Domésticos (7,48%), pressionado principalmente pelo aumento nos eletrodomésticos (10,04%), embora nos últimos três meses estes tenham apresentado uma pequena variação de apenas 0,13%. O que se deduz deste comportamento é que a desvalorização do real, no início do ano, permitiu a esse setor realinhar seus preços e, a partir de abril, já se observa certa estabilização.
No grupo Habitação (6,20%) o comportamento das taxas foi bastante desigual entre seus subgrupos: locação impostos e condomínios (0,31%), operação de domicilio (11,20%) e conservação (4,38%). O resultado da baixa taxa no subgrupo locação impostos e condomínios é conseqüência da queda verificada nos aluguéis (-2,52%). Por outro lado, a alta na operação do domicilio tem como grande responsável os preços dos serviços públicos (13,69%), em especial gás de butijão (45,36%), eletricidade (20,94%) e água/esgoto (11,62%). Na conservação do domicilio, foi o material de construção (7,60%), em especial as tintas (18,81%) e a massa (16,48%), o maior responsável pela alta apurada.
Tabela 4 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Maiores e menores taxas acumulada sno ano e em doze meses Município de São Paulo
Grupos e Subgrupos
Maiores Taxas
Grupos e Subgrupos
Menores Taxas
No Ano 01/99 - 09/99
Anual 10/98 - 09/99
No Ano 01/99 - 09/99
Anual 10/98 - 09/99
Transportes
14,30%
13,93%
Vestuário
-3,98%
-3,86%
Individual
14,96%
14,43%
Roupas
-5,09%
-4,86%
Coletivo
12,78%
12,78%
Calçados
-1,84%
-1,83%
Saúde
11,05%
12,19%
Despesas diversas
3,22%
5,95%
Assistência Médica
9,37%
9,64%
Animais
4,02%
7,47%
Medicamentos e Produtos Farmacêuticos
15,67%
19,35%
Comunicação
0,00%
0,00%
Equipamentos Domésticos
7,48%
4,22%
Alimentação
3,45%
3,70%
Eletrodomésticos
10,04%
6,10%
I n-natura e semi-elaborados
2,03%
3,32%
Utensílios
4,78%
2,34%
Indústria da Alimentação
6,69%
5,80%
Móveis
5,17%
2,51%
Fora do Domicílio
0,37%
0,63%
Rouparia
0,95%
-0,98%
Habitação
6,20%
6,29%
Educação e Leitura
3,98%
4,20%
Locação, Impostos e Condomínio
0,31%
-0,48%
Educação
4,10%
4,37%
Operação do Domicílio
11,20%
12,07%
Leitura
2,34%
1,92%
Conservação do Domicílio
4,38%
4,38%
Recreação
5,78%
4,66%
Despesas Pessoais
4,15%
4,48%
Produtos
6,93%
5,56%
Higiene e Beleza
6,70%
7,27%
Serviços
3,68%
3,01%
Fumo e Acessórios
0,06%
0,05%
Fonte: DIEESE
Dentre o grupos, mais representativos, que apresentaram queda em seus preços ou variações pequenas neste ano, cabe salientar o Vestuário (-3,98%) e Alimentação (3,45%).
O Vestuário é o único grupo com deflação neste ano, com queda mais acentuada nas roupas (-5,09%), embora os calçados (-1,84%) tenham também diminuído seus preços. Provavelmente, o principal motivo para este comportamento foi a queda de demanda originária dos efeitos do processo recessivo no consumidor.
A baixa variação apurada na Alimentação (3,45%) colabora para um nível inflacionário menor. As taxas de seus subgrupos foram bastante diferentes: i n-natura e semi-elaborados (2,03%), indústria da alimentação (6,69%) e alimentação fora do domicilio (0,37%). Entre os itens do primeiro subgrupo, os maiores aumentos foram registrados nos legumes (32,92%), carnes (10,88%) e peixes e frutos do mar (32,93%). As menores variações ocorreram em itens como : raízes e tubérculos (-16,75%), grãos (-18,39%) com queda tanto no arroz (-18,74%) como no feijão (-20,51%); aves e ovos (0,71%) e leite in-natura (0,35%). Na indústria da alimentação, os aumentos tiveram origem em produtos que têm uma forte relação com o comércio externo, tais como: azeite (38,04%), queijo muzarella (30,85%), farinha de trigo (30,36%), leite longa vida (24,35%), café em pó (20,17%) e vinho (19,68%). A alimentação fora do domicílio teve pouca variação em seus preços, apresentando queda nas refeições principais (-0,89%) e pequena alta nos lanches (2,22%).
A tabela 5 mostra as taxas acumuladas no ano e em doze meses dos vários estratos de renda. As diferenças entre eles têm origem na estrutura de gastos das diversas famílias. Os dois primeiros estratos representam 66% das famílias as quais detêm apenas 30% da renda familiar, tendo portanto, uma estrutura de gastos relativamente semelhante e bem diferente das famílias do estrato 3, que detêm 70% da renda.
Portanto, o impacto inflacionário nos dois primeiros estratos são semelhantes resultando em taxas anuais praticamente iguais (6,58% e 6,57%) e ligeiramente diferentes neste ano (6,43% e 6,62%). Já no terceiro estrato, composto das famílias de maior poder aquisitivo, o impacto da inflação foi bem menor, tanto neste ano como nos últimos doze meses (6,08%). Este comportamento indica que elas sentiram menos com os aumentos ocorridos nos serviços públicos e nos medicamentos.
Tabela 5 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Indices acumulados no ano e anual geral e por estrato de renda Município de São Paulo
Índices acumulados por Estrato
No Ano
Anual
01/99 - 09/99
10/98 - 09/99
Total Geral
6,28%
6,30%
Estrato 1
6,43%
6,58%
Estrato 2
6,62%
6,57%
Estrato 3
6,08%
6,08%
Fonte: DIEESE
Tendência para os próximos três meses
A análise das taxas (tabela 6 e gráfico 3) dos últimos doze meses, devido a desvalorização do real e aos inúmeros reajustes dos preços públicos, revela forte oscilação neste período.
Tabela 6 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Taxas mensais nos últimos doze meses Município de São Paulo
Mês/ano
Taxas mensais
out./98
0,21%
nov./98
-0,34%
dez/98
0,15%
jan/99
1,38%
fev./99
1,15%
mar/99
0,98%
abr./99
0,11%
mai./99
0,22%
jun./99
0,34%
jul./99
1,19%
ago./99
0,38%
set./99
0,37%
Gráfico 3 - Taxas mensais do ICV nos últimos doze meses
A observação dos dados mostra que nos meses de janeiro (1,38%), fevereiro (1,15%) e março (0,98%) as taxas foram bastante elevadas em função da desvalorização do real, contudo em abril (0,11%) e maio (0,22%) tornam-se relativamente baixas. A partir de junho, houve uma nova reversão na tendência das taxas inflacionárias passando a 0,34%, em junho, atingindo uma forte alta em julho (1,19%) e estabilizando-se num patamar menor em agosto e setembro, com variações de 0,38% e 0,37%, respectivamente.
As taxas mais elevadas registradas fpelo ICV estavam fortemente relacionadas aos aumentos dos preços administrados pelo governo e aos setores mais oligopolizados, como os seguros saúde e medicamentos. Os demais bens e serviços que têm seus preços acompanhados pelo DIEESE foram considerados como setores concorrenciais. Neste ano, com uma inflação acumulada de 6,28% as taxas destes grupos revelam um comportamento bastante diferenciado .
Como mostram os dados da tabela 7, neste ano, os preços públicos (15,69%) e dos setores oligopolizados (14,63%) subiram bem acima do ICV/DIEESE (6,28%), que só não foi mais elevado devido à taxa, relativamente baixa, praticada pelos setores concorrenciais (3,16%).
Tabela 7 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Ponderação, contribuição e taxa dos itens reagrupados em 1999 Município de São Paulo
SetoresContribuição
Taxas
Públicos/Administrados
17,80%
2,79%
15,69%
Oligopolizados
7,74%
1,13%
14,63%
Concorrenciais
74,46%
2,35%
3,16%
Total Global
100,00%
6,28%
6,28%
Fonte: DIEESE
Com o objetivo de se estudar a tendência dos preços no mercado concorrencial, foi construída uma série, (tabela 8) das taxas mensais, dos últimos quatro meses, obedecendo à mesma agregação dos itens do ICV adotada acima.
Tabela 8 - Índice do Custo de Vida (ICV/DIEESE) Taxas mensais dos setores do ICV Município de São Paulo
Setores
jun/99
jul/99
ago/99
set/99
Acumulado
Concorrenciais
-0,26%
-0,03%
-0,01%
0,28%
-0,02%
Públicos
2,10%
5,83%
1,30%
0,52%
10,03%
Oligopólios
1,90%
1,65%
1,67%
0,83%
6,18%
Total Global
0,34%
1,19%
0,38%
0,37%
2,30%
Fonte: DIEESE
Neste quadrimestre o ICV/DIEESE acumulou uma taxa de 2,30%. Para os setores concorrenciais a taxa foi próxima a zero (-0,02%), mas houve elevações expressivas para aqueles que têm seus preços administrados pelo governo (10,03%) e os oligopolizados (6,18%).
Os dois últimos grupos, porém, tiveram comportamentos bem distintos. Nos produtos e serviços dos setores oligopolizados observam-se taxas bastante elevadas nos três primeiros meses (junho, 1,90%; julho, 1,65% e agosto 1,67%) e neste último a taxa revelou-se bem menor (0,83%).
Os preços administrados pelo governo, como não dependem de uma lógica de mercado, acusam taxas mensais bastante oscilantes, com pico em julho (5,83%) e menor aumento em setembro (0,52%). Como são tarifas determinadas exoge NAMEnte, e como já foram estabelecidos aumentos extraordinários neste ano, é de se esperar que não haja novos reajustes de seus preços nos próximos três meses.
As taxas mensais do setor concorrencial revelam um comportamento interessante. Nos primeiros três meses, as taxas foram negativas, porém declinantes (junho, -0,26%; julho, -0,03% e agosto, -0,01%), contribuindo para uma menor inflação nestes meses. Porém, em setembro a taxa passou a ser positiva (0,28%) apontando uma certa reação do mercado frente aos aumentos observados nos demais grupos.
A observação do desempenho dos preços, nos últimos quatro meses, permite prever que os setores concorrenciais não mais colaborarão para a queda inflacionária e certamente irão realinhar seus preços de uma forma paulatina, em razão da precariedade da demanda. Porém, não é absurdo supor que nos próximos três meses os seus reajustes situem-se em torno de 0,30%.
Admitindo-se, por hipótese otimista, que os preços administrados pelo governo não sofram mais reajustes até o fim do ano e que os setores oligopolizados adotem taxas semelhantes aos concorrenciais (0,30%), pode-se estimar uma inflação para 1999 entre 7,0% e 7,5%.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos