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DIEESE - Índice do Custo de Vida - Maio/99
QUEDA DOS ALIMENTOS CONTRIBUI PARA A TAXA DE 0,22% DE MAIO

..... São Paulo, 7 de junho de 1999.

Em maio, o Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - para o município de São Paulo, foi de 0,22%. Esta taxa é 0,19 ponto percentual (pp) inferior à de maio de 1998 (0,41%) e 0,11 pp superior à de abril deste ano (0,11%).

Se, por um lado, em maio, houve queda nos gastos com Alimentação, que contribuiu para a taxa não fosse muito expressiva, por outro, alguns grupos - como Vestuário e Saúde - apresentaram altas que impediram o recuo do índice. Os grupos e subgrupos que maiores e menores taxas de variações de preço apresentaram, neste mês, constam da tabela 1 e gráfico 1.


Tabela 1 - Maiores e menores taxas por grupos
maio/99

Grupos e subgrupos

Maiores

Grupos e subgrupos

Menores

Vestuário

1,68%

Alimentação

-1,05%

Roupas

2,42%

Produtos in-natura e semi-elaborados

-2,61%

Calçados

0,66%

Indústria da Alimentação

-0,21%

Saúde

1,13%

Alimentação Fora do Domicílio

0,50%

Assistência Médica

0,61%





Medicamentos e Produtos Farmacêuticos

2,52%





Transportes

0,80%





Individual

1,16%





Coletivo

0,00%





Habitação

0,53%





Locação, Impostos e Condomínio

0,72%





Operação do Domicílio

0,56%





Conservação do Domicílio

-0,10%






O aumento ocorrido no Vestuário (1,68%) de certa forma já era esperado. Normalmente, com o término das liquidações de verão e o início da nova estação, os preços de roupas tendem a subir nos meses de abril e maio. O subgrupo roupas (2,42%) foi o mais afetado pelos aumentos, em especial as masculinas com alta de 3,31%.

O grande responsável pela taxa da Saúde (1,13%) foi o subgrupo medicamentos e produtos farmacêuticos (2,52%). Somente neste ano, os preços dos medicamentos subiram 8,74% e já se anuncia, para junho, aumentos médios da ordem de 3%, tendo como justificativa o reajuste de preços dos seus insumos importados.

Nos Transportes (0,80%), o maior reajuste ocorreu na gasolina (3,30%), que isoladamente contribuiu com 0,11 pp, no cálculo do ICV/DIEESE.



A pressão, no ICV-DIEESE, dos aumentos ocorridos no grupo Habitação (0,53%) tem como origem os reajustes dos aluguéis (1,11%), do gás de butijão (5,09%) e dos salários das empregadas domésticas (0,99%). Em conjunto, estes três itens contribuíram com 0,13 pp no resultado do índice de maio.

O grupo Alimentação (-1,05%) teve comportamento em sentido inverso e, sozinho, foi responsável pela queda de 0,28 pp no cálculo deste indicador. Dentre os subgrupos que mais contribuíram para esta queda está o referente aos produtos in-natura e semi-elaborados (-2,61%), que contou com os impactos do recuo dos preços do feijão (-10,74%), do arroz (-3,74%), do frango (-3,30%) e da laranja (-11,27%) e dos aumentos do tomate (13,27%) e batata (6,80%).

No subgrupo da indústria da alimentação a pequena retração apurada (-0,21%) derivou, principalmente, da diminuição de preço em produtos como café (-1,28%), leite longa vida (-2,28%), óleos (-3,17%) e açúcar (-3,83%), combinada com aumentos nas massas (1,15%), pão francês (0,93%) e queijos (1,85%).

Índices por estrato
O comportamento dos preços afeta as famílias de forma diferente, de acordo com hábitos de consumo que são determinados pelo nível de rendimentos. As famílias de menor poder aquisitivo (renda média de R$ 377,49), englobadas no estrato 1, foram as menos atingidas pela alta dos preços em maio, a exemplo do que ocorreu em abril. No entanto, foi neste estrato que se verificou a maior diferença entre as taxas registradas nos dois últimos meses (tabela 2).


Tabela 2 - Índices por estrato de renda
abril e maio de 1999

Índices

abril/99

maio/99

Diferença

Geral

0,11%

0,22%

0,11pp

Estrato 1

-0,06%

0,10%

0,16pp

Estrato 2

0,04%

0,13%

0,09pp

Estrato 3

0,18%

0,27%

0,08pp

pp= ponto percentual


Este comportamento, tanto em abril como em maio, teve como causa principal a queda nos preços da Alimentação que pesam mais para as famílias de menores rendas.

Os impactos das variações de preços por estrato de renda foram bastante diferenciados neste mês. (tabela 3 e gráfico 2)


Tabela 3 - Taxas e contribuições por grupo e estrato de renda
Maio de 1999


Geral

Estrato 1

Estrato 2

Estrato 3
Grupos de Gastos Taxa (%) Contribuição (pp) Taxa (%) Contribuição (pp) Taxa (%) Contribuição (pp) Taxa (%) Contribuição (pp)

Total

0,22

0,22

0,10

0,10

0,13

0,13

0,27

0,27

Alimentação

-1,05

-0,28

-1,27

-0,44

-1,26

-0,39

-0,83

-0,19

Habitação

0,53

0,13

0,78

0,20

0,64

0,16

0,42

0,10

Equipamentos Domésticos

0,75

0,04

0,55

0,03

0,87

0,05

0,75

0,04

Transportes

0,80

0,11

0,51

0,05

0,71

0,09

0,87

0,13

Vestuário

1,68

0,09

1,60

0,10

1,39

0,08

1,54

0,08

Educação e Leitura

-0,02

0,00

0,14

0,01

0,08

0,00

-0,05

-0,01

Saúde

1,13

0,12

1,73

0,15

1,37

0,12

0,94

0,11

Recreação

0,10

0,00

0,90

0,01

0,29

0,00

-0,02

0,00

Despesas Pessoais

0,11

0,00

0,22

0,01

0,19

0,01

0,02

0,00

Despesas Diversas

0,63

0,00

0,66

0,00

0,66

0,00

0,62

0,00

pp = ponto percentual





No estrato 1, as maiores pressões inflacionárias foram sentidas pelos reajustes nos grupos Habitação, Saúde e Vestuário, que juntos contribuíram com 0,45 pp compensados pela queda do grupo Alimentação, que rebaixou o seu índice em 0,44 pp.

No estrato 2 - que reúne famílias com rendimentos intermediários (renda média de R$ 934,17) -, os aumentos na Habitação, Saúde e Transportes foram responsáveis por um impacto de 0,37 pp na taxa de 0,13%. Para compor este índice contribuíram ainda a queda de 0,39 pp ocorrida na Alimentação, e as variações positivas registradas no Vestuário (0,08 pp) e em Equipamentos Domésticos (0,05 pp).

Já as famílias de maiores rendas, pertencentes ao estrato 3 (renda média de R$ 2.792,90), embora tenham também sofrido os impactos dos aumentos nos Transportes, Habitação e Saúde - que juntos somaram 0,34 pp-, foram pouco beneficiadas pela queda na Alimentação, que reduziu a taxa apenas em 0,19 pp.

Índices Acumulados

O ICV-DIEESE acumula, nos últimos doze meses, uma taxa de 2,56%, enquanto neste ano, o acumulado chega a 3,89%. Somente nos três primeiros meses deste ano, os aumentos haviam atingindo 2,85%, boa parte como conseqüência do reajuste do câmbio ocorrido a partir da segunda quinzena de janeiro. Nos últimos dois meses, abril e maio, quando o acumulado fica em 0,33%, observa-se que as taxas mensais foram inferiores em 0,08pp e 0,19pp das calculadas nestes meses em 1998, que foram 0,19% e 0,41%, respectivamente. (tabela 4 e gráfico 3).

Gráfico 3



Tabela 4
(em %)
Meses 1997 1998 1999
jan 2,12 0,70 1,38
fev 0,46 0,28 1,15
mar 0,50 0,20 0,98
abr 1,08 0,19 0,11
mai - 0,01 0,41 0,22
jun 0,99 0,05
jul 0,55 - 0,37
ago - 0,28 - 0,89
set 0,11 - 0,11
out 0,06 0,21
nov 0,21 - 0,34
dez 0,18 0,15


A maior pressão sobre os preços entre os principais grupos e subgrupos que compõem o ICV/DIEESE verificou-se nos primeiros meses de 1999. Dentre os sete grupos de maior peso no orçamento familiar, quatro já tiveram elevações superiores neste ano, que nos últimos doze meses (entre 1º de junho de 1998 e 31 de maio de 1999) (tabela 5).

Equipamentos Domésticos (7,70% ' 3,64%), Transportes (6,97% ' 3,30%), Alimentação (3,96% ' 1,75%) e Habitação (1,91% ' 1,53%) constituem-se grupos que registraram elevações mais expressivas em 1999, que em um ano, pois nos últimos sete meses de 1998 estes grupos tiveram queda na variação acumulada. Com comportamento inverso, isto é, com taxas no ano menores que as anuais observam-se os grupos: Saúde (6,01% ' 10,32%) e Educação e Leitura (3,94% ' 4,50%). O Vestuário (-1,58% ' -7,48%) em 1999, mantém a tendência de queda do ano de 1998.


Tabela - 5 Taxas anuais e no ano dos grupos e subgrupos do
ICV-DIEESE 1998/1999

(em %)

Grupos e subgrupos

No Ano

Anual

Grupos e subgrupos

No Ano

Anual

.Saúde

6,01

10,32

.Vestuário

-1,58

-7,48

Assistência Médica

5,02

8,91

Roupas

-1,23

-8,44

Medicamentos e Produtos Farmacêuticos

8,74

14,32

Calçados

-2,28

-5,54

.Educação e Leitura

3,94

4,50

.Habitação

1,91

1,53

Educação

4,02

4,68

Locação, Impostos e Condomínio

-0,01

-3,06

Leitura

2,91

2,12

Operação do Domicílio

3,16

4,24

.Equipamentos Domésticos

7,70

3,64

Conservação

2,70

5,05

Eletrodomésticos

10,05

4,51

.Alimentação

3,96

1,75

Utensílios

5,94

2,08

Produtos in-natura e semi-elaborados

2,20

0,46

Móveis

4,92

4,48

Indústria da Alimentação

7,71

3,47

Rouparia

2,94

-3,17

Alimentação Fora

0,62

1,11

.Transportes

6,97

3,30







Individual

5,92

0,19







Coletivo

9,37

10,95








Em 1999, os subgrupos que mais registraram alta foram: eletrodomésticos (10,05%), transporte coletivo (9,37%), medicamentos (8,74%) e produtos da indústria da alimentação (7,71%). Contribuíram para uma menor elevação no custo de vida os calçados (-2,28%), roupas (-1,23%) e locação, impostos e condomínio (-0,01%).

Os índices acumulados por estrato de renda, nos últimos doze meses revelam taxas semelhantes entre o estrato 1 e 2, (2,63% e 2,64%) e um menor aumento de preços para o estrato 3 (2,49%). Neste ano de 1999, as taxas por estrato apresentaram uma maior diferença, ficando o estrato 2 com o maior índice (4,23%), seguido do primeiro estrato (3,94%) e com menor variação encontra-se o estrato 3 (3,74%) (tabela 6)


Tabela 6 - Índices acumulados por estrato de renda
(em %)


Mensal

Trimestral

Semestral

No Ano

Anual

Índices

mai/99

03/99 - 05/99

12/98 - 05/99

01/99 - 05/99

06/98 - 05/99

Total Geral

0,22

1,31

4,05

3,89

2,56

Estrato 1

0,10

1,08

4,11

3,94

2,63

Estrato 2

0,13

1,23

4,31

4,23

2,64

Estrato 3

0,27

1,41

3,92

3,74

2,49


Pressões inflacionarias para os próximos meses
Partindo da hipótese de que, nos próximos meses, a demanda agregada não deve se alterar, dado o quadro recessivo da economia, é de se esperar uma taxa de inflação negativa ou próxima de zero, se depender apenas dos preços concorrenciais.

Porém, certos setores da economia que têm seus preços estabelecidos pelo governo ou que são oligopolizados têm condições de praticar aumentos em detrimento dos produtos do mercado concorrencial.

Para avaliar os eventuais impactos destes reajustes, os itens do ICV-DIEESE foram agrupados segundo três condições de preços:

Concorrenciais : representam 69,7% dos gastos familiares, e são constituídos pelos bens que sofrem concorrência entre si, sendo sensíveis as pressões de demanda. Neste grupo estão todos produtos de alimentação, vestuário, lazer, veículos e equipamentos domésticos e os serviços pessoais, domésticos, recreação, mecânica, médicos, dentistas, hospitalares e laboratórios, a locação de imóvel também pertence a este grupo.

Públicos e/ou administrados: representam 18,8% dos gastos familiares, e neles estão incluídas todas as tarifas públicas como água/esgoto, eletricidade, telefonia, gás de cozinha, combustível, transporte coletivo e impostos.

Oligopolizados: 11,5% das despesas familiares são destinadas a estes bens, que sofrem pouca concorrência no mercado e que tem como característica uma demanda relativamente fixa, como é o caso dos medicamentos, dos seguros de saúde e os bens de higiene pessoal e limpeza doméstica.

A hipótese mais provável é a de que os preços concorrenciais se estabilizem ou até caiam nos próximos meses. No entanto, as pressões dos aumentos de preços públicos e/ou administrados, além dos preços dos setores oligopolizados, podem vir a pressionar o índice do custo de vida nos próximos meses.

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