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São Paulo, 2 de julho de 1999.
O Índice do Custo de Vida (ICV) medido pelo DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - registrou, em junho, uma elevação de 0,34% para o conjunto das famílias do Município de São Paulo. Os grandes responsáveis por esta taxa foram os preços dos serviços públicos (4,7%), que contribuíram com 0,38 ponto percentual (pp) no cálculo deste indicador.
Habitação, Saúde e Vestuário foram os grupos que apresentaram os maiores aumentos, enquanto a Alimentação teve variação negativa e a Educação e Leitura e a Recreação registraram aumentos inferiores à taxa média do mês (tabela 1 e gráfico 1).
Tabela 1 - Maiores e menores variações de preços Junho de 1999(em %)
|
Grupos e subgrupos
|
Maiores
|
Grupos e subgrupos
|
Menores
|
. Habitação
|
1,67
|
. Alimentação
|
-1,08
|
. . Locação, impostos e condomínio
|
0,13
|
. . In natura e semi-elaborados
|
-1,97
|
. . Operação do domicílio
|
3,13
|
. . Indústria da alimentação
|
-0,72
|
. . Conservação do domicílio
|
0,51
|
. . Alimentação fora do domicílio
|
-0,03
|
. Saúde
|
1,53
|
. Educação e leitura
|
0,03
|
. . Assistência médica
|
0,95
|
. . Educação
|
0,07
|
. . Medicamentos e produtos farmacêuticos
|
3,01
|
. . Leitura
|
-0,55
|
. Vestuário
|
0,37
|
. Recreação
|
0,21
|
. . Roupas
|
-0,04
|
. . Produtos
|
0,84
|
. . Calçados
|
1,37
|
. . Serviços
|
-0,99
|
Os maiores aumentos foram detectados na Habitação (1,67%), principalmente no subgrupo operação do domicílio (3,13%), em que estão incluídos os serviços públicos (4,71%). Os destaques ficaram por conta dos reajustes nas tarifas de energia (11,02%), gás de butijão (2,91%) e telefonia (2,38%). Apesar destes aumentos serem expressivos neste mês, ainda restam reajustes a ser praticados em julho e agosto, com taxas da ordem de 9% para a eletricidade, 7% para o gás de butijão e 6,5% para a telefonia.
A alta ocorrida na Saúde (1,53%) foi conseqüência do comportamento dos preços de medicamentos e produtos farmacêuticos (3,01%) e dos seguros e convênios médicos (1,27%).
No Vestuário (0,37%), observou-se queda nos preços das roupas (-0,04%) e aumento nos calçados (0,45%). Em relação ao mês de maio, as taxas foram bem menores (2,42% para roupas e 0,66% para calçados).
O destaque, entre os grupos com queda em seus preços, foi a Alimentação (-1,08%), em especial os produtos in natura e semi-elaborados (-1,97%), conseqüência da baixa nos grãos (-5,79%), a maior verificada no feijão (-10,41%), e das hortifrutas (-2,81%), com quedas marcantes nas hortaliças (-7,28%) e frutas (-5,69%). O recuo apurado nos produtos industrializados (-0,72%) deveu-se à diminuição dos preços dos seguintes itens: óleos e gorduras (-1,86%), massas, biscoitos e farinhas (-1,65%), bebidas (-1,44%), panificados (-1,30%) e doces, açúcar e conservas (-1,14%).
A Educação e Leitura (0,03%) manteve neste mês seus preços estáveis, e o grupo Recreação (0,21%), apesar da variação positiva, apresentou queda em serviços, devido a algumas ofertas nos bilhetes de cinema e teatro.
Índices por estrato
A exemplo do que ocorreu em maio, o aumento do custo de vida foi mais elevado para as famílias de maior poder aquisitivo (estrato 3 - rendimento médio de R$ 2.792,90) - de 0,27%, em maio e 0,39%, em junho - enquanto as menores taxas ocorreram para o estrato 1 (renda média de R$ 377,49), respectivamente de 0,10% e 0,25%. No entanto, os índices por estrato de renda, em relação a maio, apresentaram diferenças inversamente proporcionais à renda (tabela 2).
Tabela 2 - Índices por Estrato Maio e junho de 1999
Índices
|
mai/99
(em %)
|
jun/99
(em %)
|
Diferença
(em pp)
|
Geral
|
0,22
|
0,34
|
0,12
|
Estrato 1
|
0,10
|
0,25
|
0,15
|
Estrato 2
|
0,13
|
0,27
|
0,14
|
Estrato 3
|
0,27
|
0,39
|
0,12
|
pp=ponto percentual.
Como a distribuição dos gastos difere segundo o poder aquisitivo das famílias, o aumento nos preços não causou o mesmo impacto para todas elas (tabela 3 e gráfico 2).
Tabela 3 - Taxas e contribuições por grupo e estrato de renda Junho de 1999
Grupos de Gastos
|
Geral
|
Estrato 1
|
Estrato 2
|
Estrato 3
|
Taxa (%)
|
Contribuição (pp)
|
Taxa (%)
|
Contribuição (pp)
|
Taxa
(%)
|
Contribuição (pp)
|
Taxa
(%)
|
Contribuição (pp)
|
Total
|
0,34
|
0,34
|
0,25
|
0,25
|
0,27
|
0,27
|
0,39
|
0,39
|
Alimentação
|
-1,08
|
-0,29
|
-1,43
|
-0,49
|
-1,27
|
-0,39
|
-0,85
|
-0,19
|
Habitação
|
1,67
|
0,41
|
1,97
|
0,52
|
1,70
|
0,42
|
1,58
|
0,38
|
Equipamentos Domésticos
|
0,15
|
0,01
|
0,05
|
0,00
|
0,20
|
0,01
|
0,16
|
0,01
|
Transportes
|
0,13
|
0,02
|
0,06
|
0,01
|
0,17
|
0,02
|
0,13
|
0,02
|
Vestuário
|
0,37
|
0,02
|
0,57
|
0,03
|
0,48
|
0,03
|
0,22
|
0,01
|
Educação e Leitura
|
0,03
|
0,00
|
0,05
|
0,00
|
0,05
|
0,00
|
0,02
|
0,00
|
Saúde
|
1,53
|
0,16
|
1,97
|
0,17
|
1,88
|
0,17
|
1,34
|
0,16
|
Recreação
|
0,21
|
0,00
|
0,48
|
0,00
|
0,28
|
0,00
|
0,16
|
0,00
|
Despesas Pessoais
|
0,00
|
0,00
|
0,01
|
0,00
|
-0,02
|
0,00
|
0,01
|
0,00
|
Despesas Diversas
|
-0,96
|
0,00
|
-1,01
|
0,00
|
-1,00
|
0,00
|
-0,94
|
0,00
|
pp = ponto percentual.
A queda no preço dos alimentos (-1,08%) resultou em benefício maior para as famílias de menores rendas (estrato 1 e 2), que gastam proporcionalmente mais com Alimentação que as de maiores rendas (estrato 3), contribuindo com -0,49 pp no cálculo do índice do estrato 1 e -0,39 pp no referente ao estrato 2, que reúne famílias com nível intermediário de rendimento (renda média de R$ 934,17).
No entanto, os estratos que incluem as famílias de menor poder aquisitivo foram bastante prejudicados pelos reajustes ocorridos na Habitação (1,67%), conseqüência dos aumentos dos serviços públicos, resultando em uma contribuição positiva de 0,52 pp para o estrato 1 e 0,42 pp para o segundo estrato, no cálculo de seus índices.
Para o estrato 3, dado o menor peso que a Alimentação representa em seus gastos (22,86%), a queda de preços resultou em uma diminuição em seu índice de apenas 0,19 pp, ficando estas famílias com a maior taxa (0,39%).
Índices Acumulados
O ICV-DIEESE acumula em 1999 uma inflação de 4,25% e nos últimos doze meses de 2,86%. Tomando por base as taxas deste ano (tabela 4), as maiores variações ocorreram em grupos como Equipamentos Domésticos, Saúde e Transportes, enquanto a única taxa negativa foi verificada no Vestuário (tabela 4).
Tabela 4 - Maiores e menores variações no ano e anual(em %)
|
Grupos e subgrupos
|
No Ano
|
Anual
|
Grupos e subgrupos
|
No Ano
|
Anual
|
.Equipamentos domésticos
|
7,87
|
2,51
|
.Vestuário
|
-1,22
|
-6,37
|
.Eletrodomésticos
|
9,89
|
2,47
|
. Roupas
|
-1,27
|
-7,82
|
.Utensílios
|
4,89
|
0,43
|
. Calçados
|
-0,93
|
-3,51
|
.Móveis
|
6,09
|
5,15
|
.Despesas diversas
|
1,20
|
3,25
|
.Rouparia
|
3,91
|
-2,81
|
. Animais
|
1,50
|
4,07
|
.Saúde
|
7,63
|
10,61
|
. Comunicação
|
0,00
|
0,00
|
. Assistência médica
|
6,02
|
8,31
|
.Alimentação
|
2,83
|
0,97
|
.Medicamentos e produtos farmacêuticos
|
12,01
|
17,02
|
.In natura e semi-elaborados
|
0,19
|
-0,82
|
.Habitação
|
3,61
|
3,18
|
.Indústria da alimentação
|
6,94
|
2,88
|
.Locação, impostos e condomínios
|
0,11
|
-2,39
|
.Alimentação fora do domcílio
|
0,59
|
0,92
|
.Operação do domicílio
|
6,39
|
7,30
|
.Despesas pessoais
|
3,15
|
3,11
|
.Conservação do domicílio
|
3,22
|
4,20
|
.Higiene e beleza
|
5,06
|
4,98
|
.Transportes
|
7,11
|
3,51
|
.Fumo e acessórios
|
0,10
|
0,11
|
.Individual
|
6,13
|
0,48
|
|
|
|
.Coletivo
|
9,37
|
10,95
|
|
|
|
A análise desta tabela revela que, sendo a taxa anual menor que a do ano, houve deflação no segundo semestre de 1998.
O grupo Equipamentos Domésticos (7,87%) teve seus preços reajustados, este ano, em função da desvalorização do real, em meados de janeiro, pois no segundo semestre de 1998 este grupo apresentava variação negativa. Os maiores reajustes neste ano foram observados nos eletrodomésticos (9,89%), enquanto nos últimos seis meses de 1998 este subgrupo registrou uma retração de 4,99%.
A Saúde é um setor que vem apresentando altas marcantes nos últimos doze meses (10,61%), tendo como grandes responsáveis os medicamentos e produtos farmacêuticos (17,02%) e os seguros e convênios médicos (11,70%) que pertencem ao subgrupo assistência médica (8,31%).
Na Habitação, os preços neste ano já foram reajustados em 3,61%. Os principais fatores de pressão partiram das tarifas públicas, como gás de butijão (27,29%) e eletricidade (11,02%), serviços estes que pertencem ao subgrupo operação do domicílio (6,39%).
O aumento ocorrido no grupo Transportes (7,11%) foi bastante diferenciado entre seus subgrupos. O transporte coletivo já registrou, neste ano, aumentos de 9,37% em suas tarifas, e pode-se esperar novas elevações devido à alta no preço do óleo diesel observada no ano (19,67%). O transporte individual, com taxa positiva neste ano de 6,13%, apresenta taxa anual bem menor (0,48%), indicando queda de preço no segundo semestre de 1998 (-5,32%).
Dentre os grupos com taxas inferiores à média deste ano encontram-se o Vestuário (-1,22%), as Despesas Diversas (1,20%), a Alimentação (2,83%) e as Despesas Pessoais (3,15%).
A queda no Vestuário (-1,22%) acentua a baixa de preço que este setor já vinha sentindo no segundo semestre de 1998, acumulando nos últimos doze meses uma baixa de 6,37%.
As Despesas Diversas e as Pessoais, apesar de ter apresentado taxas menores que a média, são gastos que pesam pouco no orçamento doméstico, não colaborando muito para a queda do índice de inflação.
A Alimentação acumulou neste ano um aumento de 2,83%, superior à taxa anual de 0,97%. Como o grupo tem grande importância relativa nas despesas familiares (26,53%), foi o grande responsável por menores taxas em 1999 e no período entre julho de 1998 e junho de 1999.
Os índices acumulados por estrato de renda, neste ano, apresentaram taxas semelhantes, com 4,20% para as famílias de menores rendas (estrato 1), 4,51% para aquelas com renda intermediária (estrato 2) e 4,15% para as de maior poder aquisitivo (estrato 3). As taxas anuais também são semelhantes, sendo maior para o segundo estrato (2,92%), seguido do primeiro estrato (2,84%) e com uma taxa menor, o terceiro estrato (2,80%).
Tabela 5 - Índices por Estrato
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Índices
|
No Ano
|
Anual
|
Estrato 1
|
4,20%
|
2,84%
|
Estrato 2
|
4,51%
|
2,92%
|
Estrato 3
|
4,15%
|
2,80%
|
Considerações Finais
Este mês de junho caracterizou-se por notícias de aumentos de tarifas, tais como energia elétrica (20,96%), telefonia (9%), gás de cozinha (10%), gasolina (10%), diesel (14%) e reajustes de até 10% nos seguros e convênios médicos. Alguns reajustes já entraram no cálculo do índice de junho, porém a maioria deverá incidir em julho, representando um impacto de 1,18 pp no índice do próximo mês.
Com estes aumentos, a taxa anual deverá também ser acrescida de 1,18 pp, sem contar os eventuais reajustes que podem ocorrer em conseqüência destas altas de tarifas, como é o caso do transporte coletivo e o de carga. Caso este último se efetive, pode resultar em uma alta generalizada, visto que todo o transporte de mercadoria é realizado com caminhão a diesel. Se houver aumentos nos transportes coletivos da ordem de 10%, o índice anual deverá ser acrescido em 0,44 pp, ou seja, a estimativa de inflação de 1999 passa a ser de 5% a 6%, caso não haja novos reajustes de tarifas até o fim do ano.
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