São Paulo, 06 de julho de 2000.
Em junho, os preços tiveram pequena elevação de 0,15%, no município de São Paulo, segundo cálculo do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. Este comportamento indica a reversão da tendência de baixa observada pelo Índice do Custo de Vida (ICV), em maio (-0,20%) e resultou de movimentos discretos em todos os componentes do índice pesquisados mensalmente.
Todos os grupos do ICV registraram variações inferiores a 1%, com o aumento mais expressivo verificado entre os Equipamentos Domésticos. As maiores e menores taxas e suas contribuições para o cálculo do ICV encontram-se na tabela 1 e gráfico 1.
Tabela 1
Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Grupos e subgrupos com maiores e menores taxas e contribuições
Município de São Paulo - junho de 2000
Grupos e subgrupos
Variação (%)
Contribuição
(pp).
Grupos e subgrupos
Variação
(%)
Contribuição
(pp)
Total Geral
0,15
0,15
. Equipamentos Domésticos
0,71
0,03
. Alimentação
-0,14
-0,04
. Eletrodomésticos
0,78
0,02
. In-natura e semi-elaborados
-0,48
-0,05
. Utensílios
0,58
0,00
. Indústria da Alimentação
0,09
0,01
. Móveis
0,60
0,01
. Fora do Domicílio
0,12
0,01
. Rouparia
0,82
0,00
. Saúde
0,57
0,06
. Educação e Leitura
0,01
0,00
. Assistência Médica
0,32
0,03
. Educação
0,01
0,00
. Medicamentos e Produtos Farmacêuticos
1,25
0,04
. Leitura
0,00
0,00
. Vestuário
0,53
0,03
. Habitação
0,02
0,01
. Roupas
0,92
0,03
. Locação, Impostos e Condomínio
0,64
0,05
. Calçados
-0,16
0,00
. Operação
-1,14
-0,15
. Conservação
2,95
0,10
. Transportes
0,36
0,06
. Individual
0,43
0,05
. Coletivo
0,19
0,01
Fonte: DIEESE
O maior reajuste foi verificado entre os Equipamentos Domésticos (0,71%), com alta generalizada em todos os subgrupos. Os aumentos situaram-se entre 0,58% nos utensílios domésticos e 0,82% na rouparia.
Elevações verificadas nos medicamentos e produtos farmacêuticos (1,25%) constituíram-se no principal fator de pressão nas despesas com Saúde (0,57%).
Pelo terceiro mês consecutivo foram anotadas altas no preço dos produtos de Vestuário (0,53%), o que, de certa forma, reflete certo aquecimento da demanda, em razão da mudança de estação.
No grupo Transportes (0,36%), houve aumento em seus dois subgrupos. No transporte individual (0,43%) a alta decorreu do reajuste na aquisição de veículo (1,76%) enquanto a variação registrada no coletivo (0,19%) foi acarretada pelo aumento de tarifas de trem de subúrbio.
Gráfico 1
Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Grupos com maiores e menores taxas
Município de São Paulo - junho de 2000
Fonte: DIEESE
Três grupos destacaram-se por apresentar taxas negativas ou próximas a zero: Alimentação
(- 0,14%), Educação e Leitura (0,01%) e Habitação (0,02%).
Na Alimentação, a queda foi detectada principalmente nos produtos in natura e semi-elaborados (-0,48%), pois os demais subgrupos registraram taxas ligeiramente positivas - industria da alimentação (0,09%) e alimentação fora do domicílio (0,12%). A grande maioria dos produtos in natura e semi-elaborados apresentou queda em seus preços, embora tenham sido observados alguns aumentos marcantes. As frutas apresentaram recuo de 3,71%, determinado pelo comportamento da laranja (-7,71%), do morango (-20,56%) e da manga (-12,94%). Ocorreram altas no abacate (6,14%) e na melancia (6,83%). Também houve retração nas raízes e tubérculos (-2,56%), em decorrência de comportamentos verificados na batata (-7,74%), na beterraba (- 8,02%) e na cenoura (-6,46%), enquanto houve alta na cebola (5,90%). O leite in natura, que se encontra em entressafra, registrou aumento de 6,2%.
Na Habitação, a pequena variação deveu-se à queda no subgrupo operação do domicílio
(-1,14%) que teve origem na diminuição do preço da energia elétrica (- 1,95%) e dos serviços domésticos (-3,35%).
Índices por estrato de renda
O DIEESE, além do índice geral, também calcula mais três indicadores de inflação, segundo os estratos de renda das famílias paulistanas. O primeiro estrato refere-se às famílias de menor renda (renda média = R$ 377,49), o segundo engloba aquelas com renda intermediária (renda média = R$ 934,10), enquanto as de maior poder aquisitivo são contempladas pelo estrato 3 (renda média = R$ 2.792,90).
Neste mês, os índices de todos os estratos foram superiores aos de maio (tabela 2). As maiores taxas couberam aos estratos 1 (0,19%) e 2 (0,20%), que não só foram semelhantes como também apresentaram as maiores diferenças em relação a maio, com 0,44 pp (pontos percentuais) e 0,46 pp, respectivamente. A taxa do estrato 3 foi a menor (0,11%) e, em relação a maio, foi o índice com a menor diferença (0,27 pp).
Tabela 2
Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Taxa Geral e por estrato de renda
Município de São Paulo maio e junho de 2000
Índices
mai/00
(%)
jun/00
(%)
Diferença
(pp)
Geral
-0,20
0,15
0,35
Estrato 1
-0,25
0,19
0,44
Estrato 2
-0,26
0,20
0,46
Estrato 3
-0,16
0,11
0,27
Fonte: DIEESE
A análise das taxas e contribuições dos índices geral e por estrato de renda (tabela 3 e gráfico 2) mostra pequenos impactos dos grupos no cálculo dos diferentes índices de inflação: a grande maioria das contribuições situa-se próxima a zero.
As contribuições positivas mais acentuadas ocorreram nos grupos Saúde e Transportes, enquanto a Alimentação teve impacto negativo.
O reflexo do comportamento dos preços do grupo Alimentação sobre os diferentes estratos de renda fugiu à regra neste mês de junho. De um modo geral, as variações de preços, neste grupo, afetam mais os resultados dos índices dos estrato 1 e 2 e menos os do estrato 3, tendo em vista que as famílias de menor poder aquisitivo gastam relativamente mais em alimentação que as de maior renda. No entanto, as quedas ocorridas em certos alimentos como frutas, legumes e carnes beneficiaram mais as famílias de maior renda, que consomem mais estes produtos, causando um impacto negativo de 0,05 pp em seu índice, contra um rebaixamento de 0,04pp para o estrato 1 e de 0,02pp para o segundo estrato.
Comportamento que também fugiu à regra foi observado na Saúde. De um modo geral, variações neste grupo acabam por afetar mais o estrato 3, que gasta relativamente mais em Saúde que os demais estratos. Mas, dado que em junho os principais reajustes ocorreram nos medicamentos e produtos farmacêuticos, as famílias mais prejudicadas foram as do estrato 1, com uma contribuição no cálculo de seu índice de 0,07 pp, superior aos 0,06 pp detectado nas taxas do segundo e terceiro estrato.
Tabela 3
Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Taxas e contribuições: geral e por estrato de renda
Município de São Paulo junho de 2000
Geral
Estrato 1
Estrato 2
Estrato 3
Grupos
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Taxa
(%)
Contribuição (pp)
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Taxa
(%)
Contribuição
(pp)
Total
0,15
0,15
0,19
0,19
0,20
0,20
0,11
0,11
Alimentação
-0,14
-0,04
-0,04
-0,01
-0,06
-0,02
-0,24
-0,05
Despesas Pessoais
-0,08
0,00
-0,15
-0,01
-0,15
-0,01
-0,01
0,00
Contribuições negativas
-0,04
-0,02
-0,03
-0,05
Despesas Diversas
0,19
0,00
0,20
0,00
0,20
0,00
0,18
0,00
Educação e Leitura
0,01
0,00
0,02
0,00
0,03
0,00
0,01
0,00
Recreação
0,18
0,00
0,11
0,00
0,04
0,00
0,25
0,01
Habitação
0,02
0,01
0,19
0,05
0,11
0,03
-0,06
-0,01
Vestuário
0,53
0,03
0,53
0,03
0,58
0,03
0,46
0,02
Equipamentos Domésticos
0,71
0,03
0,79
0,04
0,73
0,04
0,66
0,03
Transportes
0,36
0,06
0,27
0,03
0,42
0,06
0,35
0,06
Saúde
0,57
0,06
0,74
0,07
0,68
0,06
0,50
0,06
Contribuições Positivas
0,19
0,21
0,23
0,17
Fonte: DIEESE
No grupo Transportes, como o aumento teve como principal pressão o reajuste no subgrupo individual, a maior contribuição verificou-se nos cálculos das taxas dos estratos 2 e 3, de 0,06 pp, e um impacto bem menor para o estrato 1 (0,03 pp).
Na Habitação, apesar da pequena taxa (0,02%), seu impacto por estrato de renda foi bastante diverso. No estrato 1, a sua taxa foi positiva (0,19%) e a contribuição no cálculo de seu índice foi de 0,05 pp; já para o estrato 3 a sua taxa foi negativa (-0,06%) assim como a sua contribuição
(-0,01 pp). A observação dos itens que compõem este grupo justifica tal resultado, dado o aumento na locação de imóvel (1,15%) e a queda observada serviços domésticos (-3,35%). O primeiro afeta mais o estrato 1 e o segundo, o terceiro estrato.
Gráfico 2
Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Contribuições: geral e por estrato de renda
Município de São Paulo junho de 2000
Fonte: DIEESE
Índices Acumulados
O ICV/DIEESE acumula nos últimos doze meses - de julho de 1999 a junho de 2000 - uma inflação de 7,22%, enquanto nos seis primeiros meses deste ano atinge 2,01%. As maiores e menores variações de preços, no ano e anual, por grupo e subgrupo encontram-se na tabela 4.
Nos últimos doze meses, as maiores taxas foram detectadas nos grupos Transportes, Saúde e Educação e Leitura, enquanto as menores ocorreram no Vestuário, Equipamentos Domésticos, Habitação e Alimentação.
Nos Transportes (18,03%), a maior pressão foi dos preços do transporte individual (24,21%), bastante afetado pelo aumento dos combustíveis (43,18%), neste período.
Na Saúde (10,74%) os maiores aumentos foram do subgrupo assistência médica (12,45%) devido ao reajuste dos seguros e convênios médicos (17,22%).
A taxa anual da Educação e Leitura (7,49%) é semelhante a taxa deste ano (6,97%), pois os aumentos das escolas são resultado de contratos, que só podem ser reajustados uma vez por ano, normalmente nos meses de janeiro ou fevereiro.
A queda no Vestuário (-0,71%) e a pequena taxa dos Equipamentos Domésticos (3,61%), de certa forma, refletem a retração da demanda ocorrida em 1999. Em 2000, o Vestuário (-0,05%) cai pouco e a taxa dos Equipamentos Domésticos (3,51%) é responsável, na prática, pela taxa dos últimos doze meses.
O grupo Alimentação (4,92%) apesar da taxa anual positiva, registra deflação (-0,14%) nos seis primeiros meses deste ano. Dentre os seus subgrupos, as taxas anuais dos produtos in natura e semi-elaborados (6,15%), e os da indústria da alimentação (5,01%) foram relativamente semelhantes e não muito distintos do índice geral (7,22%), refletindo uma certa indexação do setor.
O grupo Habitação (4,90%) não apresentou taxa anual alta porque os reajustes das tarifas públicas ainda não foram praticados este ano.
Tabela 4
Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Taxas acumuladas no ano e anual - Geral e por grupo e subgrupo
Município de São Paulo (em %)
Grupos e Subgrupos
No Ano
Anual
Grupos e Subgrupos
No Ano
Anual
01/00 -
06/00
07/99 -
06/00
01/00
- 06/00
07/99 -
06/00
Total Geral
2,01
7,22
.Transportes
3,03
18,03
.Vestuário
-0,05
-0,71
.Individual
4,11
24,21
.Roupas
-0,65
-1,93
.Coletivo
0,27
4,28
.Calçados
1,35
1,21
.Saúde
3,90
10,74
.Equipamentos
3,51
3,61
.Assistência Médica
4,23
12,45
.Eletrodomésticos
2,54
3,29
.Medicamentos e Produtos Farmacêuticos
3,05
6,59
.Utensílios Domésticos
4,12
5,24
.Móveis
5,28
4,14
.Rouparia
3,86
1,47
.Educação e Leitura
6,97
7,49
.Habitação
1,36
4,97
.Educação
7,52
8,11
.Locação, Impostos e Condomínio
-0,40
1,38
.Leitura
-0,68
-1,07
.Operação do Domicílio
1,64
6,82
.Conservação do Domicílio
5,02
7,74
.Despesas Pessoais
2,26
5,14
.Alimentação
-0,14
4,92
.Higiene e Beleza
3,43
8,18
. In natura e semi-elaborados
-2,69
6,15
.Fumo e Acessórios
0,19
0,02
.Indústria da Alimentação
1,70
5,01
.Fora do Domicílio
1,59
2,38
Fonte: DIEESE
Em seis anos, alta de 90,11%
Este mês de junho, completam-se seis anos da implantação do Plano Real. A inflação calculada pelo DIEESE, neste período, para o município de São Paulo, foi de 90,11% para o índice geral.
Os índices por estrato de renda revelam semelhanças entre o primeiro e segundo estrato, com taxas de 81,05% e 82,27%, respectivamente. Para o terceiro estrato, que engloba famílias de maior poder aquisitivo, a taxa inflacionária foi bem maior e atingiu 96,12%. (tabela 5)
Tabela 5
Taxa de inflação de julho/94 a junho/00
Geral e por Estrato de Renda
Município de São Paulo
Índices Geral e por Estrato
Inflação acumulada no Real
Total Geral
90,11%
Estrato 1
81,05%
Estrato 2
82,27%
Estrato 3
96,12%
Fonte: DIEESE
Estes resultados, diferentes entre estratos, têm origem na forma como as famílias distribuem seus gastos que, assim, compõem os diversos índices e nas diferentes taxas de variações de preços dos grupos e subgrupos do ICV. (tabela 6 e gráficos 3 e 4)
O grupo Educação e Leitura (200,6%) foi o que maior aumento apresentou no Real. A principal causa foi a alta ocorrida na educação (222,3%), notadamente nas mensalidades escolares (266,3%). Estes reajustes afetaram de forma marcante o resultado do índice do estrato 3, que compreende famílias de maior poder aquisitivo, as quais destinam relativamente mais para educação que as dos estratos inferiores.
O segundo grupo, com taxas bastante elevadas foi o da Habitação (195,8%), sendo extraordinário o reajuste ocorrido no subgrupo locação, impostos e condomínio (409,7%), tendo como grande responsável o aumento dos aluguéis (429,7%), ocorrido principalmente nos dois primeiros anos da implantação do plano Real. Os subgrupos operação (157,1%) e conservação (131,4%) do domicílio também registraram taxas altas, que resultaram de reajustes de serviços públicos e de materiais de construção.
Na Saúde (163,1%), os aumentos da assistência médica (194,2%) foram os que mais pressionaram a taxa deste grupo, embora os medicamentos e produtos farmacêuticos (118,4%) também tenham apresentado reajustes situados acima da inflação geral (90,11%), ainda que menores.
Tabela 6
Taxa de Inflação de Julho/94 a Junho/00
Por Grupo e Subgrupo
Município de São Paulo
Grupos e
Subgrupos
Inflação acumulada
no Real (%)
Grupos e
Subgrupos
Inflação acumulada
no Real (%)
Total Geral
90,11
Educação e Leitura
200,6
Vestuário
-0,5
Educação
222,3
Roupas
-2,4
Leitura
57,6
Calçados
21,8
Habitação
195,8
Equipamentos
29,6
Locação, Impostos e Condomínio
409,7
Eletrodomésticos
20,7
Operação do Domicílio
157,1
Utensílios Domésticos
33,9
Conservação do Domicílio
131,4
Móveis
85,9
Rouparia
15,4
Saúde
163,1
Alimentação
54,4
Assistência Médica
194,2
In natura e semi-elaborados
68,9
Medicamentos e Produtos Farmacêuticos
118,4
Indústria da Alimentação
36,5
Alimentação Fora do Domicílio
87,6
Fonte: DIEESE
Gráfico 3
Taxas Acumuladas
Município de São Paulo
Fonte: DIEESE
Nos Transportes (98,1%), apesar de todo o aumento ocorrido nos combustíveis (111,3%), foi o subgrupo dos coletivos o que mais subiu (149,5%), devido às elevações das tarifas de ônibus (172,8%) e metrô (150,6%), que têm forte impacto entre as famílias que compõem o estrato 1.
Dentre os grupos com taxas menores que o índice geral, encontram-se: Vestuário (-0,50%), Equipamentos Domésticos (29,6%) e Alimentação (54,4%). Nos dois primeiros casos, as taxas foram pequenas em função da concorrência com os importados, no início do Plano Real e, nos dois últimos anos, devido à política recessiva vigente na economia.
Na Alimentação (54,4%), as taxas dos subgrupos foram bem diferenciadas, com maior alta na alimentação fora do domicílio (87,6%), seguida dos produtos in natura e semi-elaborados (68,9%). Com menores taxas estão os da indústria alimentícia (36,5%), que provavelmente sofreram com a concorrência externa.
Gráfico 4
Taxas Acumuladas
Município de São Paulo
Fonte: DIEESE
A análise das taxas no período do Plano Real aponta para uma profunda alteração de preços relativos, beneficiando mais os setores prestadores de serviços tais como: educação, assistência médica, transporte coletivo, serviços públicos, alimentação fora do domicílio e locação de imóvel. Os dados também apontam que os setores produtores de bens, industriais e agrícolas, devido à maior concorrência interna e externa, foram os que menos condições tiveram de reajustar seus preços e os que mais sentiram a retração da demanda, conseqüência da recessão econômica.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos