| |
..... |
São Paulo, 03 de dezembro de 1999.
O aumento no preço do álcool (35,2%) foi o grande responsável para que o Índice do Custo de Vida (ICV) no município de São Paulo atingisse, em novembro, uma taxa de 1,34%, segundo o cálculo do DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos. A taxa de novembro é a segunda mais elevada do ano - superada apenas pela de janeiro (1,38%) - e representa uma elevação de 0,41 ponto percentual (pp) em relação à apurada em outubro (0,93%).
Além da pressão exercida pelos gastos com Transportes, a taxa também contou com o impacto dos aumentos praticados em produtos e serviços da Alimentação e da Saúde. A tabela 1 revela as maiores e menores variações de preços dos grupos e subgrupos que compõem o ICV-DIEESE.
Tabela 1 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Grupos e subgrupos com maiores e menores taxas Município de São Paulo - novembro de 1999 (em %)
Grupos e subgrupos
|
Maiores taxas
|
Grupos e subgrupos
|
Menores taxas
|
Transportes
|
4,17
|
Educação e Leitura
|
0,07
|
Individual
|
5,93
|
Educação
|
0,04
|
Coletivo
|
0,00
|
Leitura
|
0,51
|
Alimentação
|
1,81
|
Habitação
|
0,15
|
In natura e semi-elaborados
|
2,97
|
Locação, impostos e condomínio
|
-0,01
|
Indústria da alimentação
|
1,07
|
Operação do domicílio
|
0,13
|
Alimentação fora do domicílio
|
0,86
|
Conservação do domicílio
|
0,64
|
Saúde
|
1,16
|
Vestuário
|
0,36
|
Assistência médica
|
1,59
|
Roupas
|
0,35
|
Medicamentos e produtos farmacêuticos
|
0,11
|
Calçados
|
0,54
|
Recreação
|
0,67
|
Equipamentos domésticos
|
0,58
|
Produtos
|
1,03
|
Eletrodomésticos
|
0,79
|
Serviços
|
0,00
|
Utensílios domésticos
|
-0,07
|
|
|
Móveis
|
0,65
|
|
|
Rouparia
|
-0,25
|
Fonte: DIEESE.
A maior taxa foi detectada no grupo Transportes (4,17%), com alta somente no subgrupo individual (5,93%), cabendo salientar os reajustes ocorridos no álcool (35,21%) e na gasolina (4,77%).
Na Alimentação (1,81%), os aumentos se deram principalmente nos produtos in natura e semi-elaborados (2,97%), sendo que neste subgrupo as pressões nos preços tiveram como principais responsáveis as carnes: frango (10,64%), bovina (5,97%) e suína (5,94%). Os legumes (-6,95%) e raízes e tubérculos (-2,28%) foram os itens com queda em quase todos os seus produtos, sendo as mais marcantes: chuchu (-14,21%), vagem (-13,30%), abobrinha (-11,38%), tomate (-4,67%), cenoura (-14,51%), beterraba (-13,39%) e batata (-4,81%). Por outro lado, ocorreu elevação na cebola (12,32%). Entre as frutas (2,73%) foram registrados aumentos no abacate (45,65%), morango (18,00%) e limão (14,67%), e baixas na manga (-24,87%), pêssego (-15,78%) e banana (-4,24%).
Nos produtos da indústria alimentícia (1,07%), as maiores variações foram detectadas nos itens pães industrializados (6,12%), carnes industrializadas (3,43%) e doces/açúcar e conservas (2,39%), sendo este item pressionado pela alta observada no açúcar (8,95%).
As despesas com Saúde subiram 1,16%, em decorrência do comportamento verificado na assistência médica (1,59%), com destaque para os aumentos dos seguros e convênios médicos (2,36%).
Nenhum grupo do ICV, neste mês, registrou taxa negativa. Os menores aumentos ocorreram na Educação e Leitura (0,07%) e Habitação (0,15%). Com taxas ainda pouco significativas também podem ser destacados o Vestuário (0,36%) e os Equipamentos Domésticos (0,58%).
Gráfico 1 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Maiores e menores taxas por grupo
Município de São Paulo - novembro de 1999
Fonte: DIEESE.
Índices por estrato
Além do índice geral, o DIEESE calcula também mais três taxas que representam o custo de vida das diferentes famílias paulistanas, conforme o estrato de renda (tabela 2).
Em novembro, o estrato 3, que compreende as famílias com maiores rendimentos (em média, R$ 2.792,90), foi o que revelou a maior taxa inflacionária (1,40%) e apresentou a maior diferença (0,50 pp) em relação a outubro (0,90%).
O segundo estrato, englobando as famílias com rendas intermediárias (que recebem, em média, R$ 934,17), também registrou aumento significativo (1,32%), com diferença acentuada - de 0,31 pp - em relação a outubro (1,01%). A menor elevação coube ao estrato 1 (1,08%) - que inclui famílias de menor poder aquisitivo (renda média de R$ 377,49) -, caso em que se verificou, também, a menor diferença em relação a outubro (0,19 pp).
Tabela 2 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Taxas por estrato de renda Município de São Paulo - outubro/novembro de 1999
Índices
|
outubro/99 (%)
|
novembro/99 (%)
|
Diferença
(pp)
|
Geral
|
0,93
|
1,34
|
0,41
|
Estrato 1
|
0,90
|
1,08
|
0,19
|
Estrato 2
|
1,01
|
1,32
|
0,31
|
Estrato 3
|
0,90
|
1,40
|
0,50
|
Fonte: DIEESE.
Devido às diferenças na estrutura de despesas entre as famílias que compõem os estratos de renda, as variações nos preços dos bens e serviços causam impactos diferenciados nos vários segmentos da sociedade. Deste modo, a tabela 3 e o gráfico 2 revelam as contribuições das variações de preços de cada grupo no cálculo dos índices para os três estratos de renda.
As altas verificadas na Alimentação e nos Transportes foram os principais responsáveis pela variação das taxas nos três estratos, mas com impactos diferentes. No caso do estrato 1, a Alimentação contribuiu com 0,69 pp e os Transportes, com 0,20 pp. Desta forma, estes dois grupos de despesa contribuíram com 0,89 pp no cálculo de seu índice, de 1,08%. No segundo estrato, os impactos na inflação foram semelhantes entre os grupos: Alimentação (0,55 pp) e Transporte (0,52 pp), resultando em uma taxa de 1,32% para estas famílias. No estrato 3, o grande responsável pela taxa de 1,40% foi o grupo Transportes (0,75 pp), com a Alimentação vindo a seguir, mas com uma contribuição menor (0,38 pp).
Tabela 3 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Taxas e contribuições por grupo e estratos de renda Município de São Paulo - novembro de 1999
|
Grupos
|
Geral
|
Estrato 1
|
Estrato 2
|
Estrato 3
|
|
|
Taxa
(%)
|
Contribuição (pp)
|
Taxa
(%)
|
Contribuição (pp)
|
Taxa
(%)
|
Contribuição (pp)
|
Taxa
(%)
|
Contribuição
(pp)
|
Total
|
1,34
|
1,34
|
1,08
|
1,08
|
1,32
|
1,32
|
1,40
|
1,40
|
Transportes
|
4,17
|
0,62
|
2,02
|
0,20
|
3,76
|
0,52
|
4,57
|
0,75
|
Alimentação
|
1,81
|
0,47
|
2,03
|
0,69
|
1,85
|
0,55
|
1,69
|
0,38
|
Saúde
|
1,16
|
0,13
|
0,95
|
0,08
|
1,18
|
0,11
|
1,20
|
0,14
|
Habitação
|
0,15
|
0,04
|
0,08
|
0,02
|
0,15
|
0,04
|
0,16
|
0,04
|
Equipamentos domésticos
|
0,58
|
0,03
|
0,44
|
0,02
|
0,57
|
0,03
|
0,67
|
0,03
|
Despesas pessoais
|
0,60
|
0,02
|
0,71
|
0,04
|
0,76
|
0,03
|
0,48
|
0,02
|
Vestuário
|
0,36
|
0,02
|
0,33
|
0,02
|
0,41
|
0,02
|
0,33
|
0,02
|
Recreação
|
0,67
|
0,01
|
0,89
|
0,01
|
0,54
|
0,01
|
0,70
|
0,01
|
Educação e leitura
|
0,07
|
0,01
|
0,11
|
0,00
|
0,09
|
0,00
|
0,06
|
0,01
|
Despesas diversas
|
1,46
|
0,00
|
1,53
|
0,00
|
1,52
|
0,00
|
1,43
|
0,00
|
Fonte: DIEESE.
Gráfico 2 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Contribuições por grupo e estratos de renda
Município de São Paulo - novembro de 1999
Fonte: DIEESE.
Índices Acumulados
A inversão da tendência de estabilidade nos preços que havia marcado agosto e setembro (com taxas respectivamente de 0,38% e 0,37%), iniciada em outubro (0,98%), confirmou-se no último mês com o índice chegando a 1,34%. Em 1998, estes dois meses haviam registrado taxas bem mais contidas, de 0,21% e -0,34%, respectivamente.
Tabela 4 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Município de São Paulo Novembro/98 a novembro/99 (em %)
|
Mês/ano
|
Taxas mensais
|
|
Nov/98
|
-0,34%
|
|
Dez/98
|
0,15%
|
|
Jan/99
|
1,38%
|
|
Fev/99
|
1,15%
|
|
Mar/99
|
0,98%
|
|
Abr/99
|
0,11%
|
|
Mai/99
|
0,22%
|
|
Jun/99
|
0,34%
|
|
Jul/99
|
1,19%
|
|
Ago/99
|
0,38%
|
|
Set/99
|
0,37%
|
|
Out/99
|
0,93%
|
|
Nov/99
|
1,34%
|
Fonte: DIEESE.
Gráfico 3 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE)
Taxas mensais - Município de São Paulo
Novembro/98 a novembro/99
Fonte: DIEESE.
No gráfico 3 ficam visíveis as maiores taxas, que ocorreram nos meses de janeiro (1,38%), julho (1,19%) e novembro (1,34%). Em janeiro, os maiores reajustes foram observados nas passagens de ônibus e nas mensalidades escolares; em julho, nas tarifas públicas, e, em novembro, além do combustível, a alimentação também colaborou para a alta na taxa.
Estas taxas fizeram com que o ICV-DIEESE acumule, neste ano, uma variação de 8,70%, e nos últimos doze meses, de 8,87%. As maiores variações de preços detectadas nos grupos e subgrupos nos últimos doze meses foram nos gastos com Transportes, Saúde, Habitação, Alimentação e Equipamentos Domésticos; as menores foram observadas no Vestuário, Educação e Leitura, Recreação, Despesas Pessoais e Diversas. (tabela 5)
Tabela 5 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Índices acumulados no ano e anual Município de São Paulo 1998/99(em %)
|
Grupos
|
No ano
|
Anual
|
Grupos
|
No ano
|
Anual
|
|
Subgrupos
|
01/99 - 11/99
|
12/98 - 11/99
|
subgrupos
|
01/99 - 11/99
|
12/98 - 11/99
|
Total geral
|
8,70
|
8,87
|
|
|
|
.Transportes
|
21,40
|
22,28
|
.Vestuário
|
-2,29
|
-2,45
|
.Individual
|
24,74
|
26,02
|
.Roupas
|
-2,94
|
-3,43
|
.Coletivo
|
13,77
|
13,77
|
.Calçados
|
-1,24
|
-0,97
|
.Saúde
|
13,31
|
13,59
|
.Educação e leitura
|
4,14
|
4,14
|
.Assistência médica
|
12,43
|
12,32
|
.Educação
|
4,30
|
4,30
|
.Medicamentos e produtos farmacêuticos
|
15,87
|
17,23
|
.Leitura
|
1,94
|
1,94
|
.Habitação
|
6,82
|
7,57
|
.Recreação
|
5,57
|
4,56
|
.Locação, impostos e condomínio
|
1,00
|
2,14
|
.Produtos
|
7,46
|
6,19
|
.Operação do domicílio
|
11,62
|
12,19
|
.Serviços
|
2,11
|
1,55
|
.Conservação do domicílio
|
5,55
|
5,78
|
|
|
|
.Alimentação
|
6,70
|
6,50
|
.Despesas pessoais
|
5,58
|
5,89
|
. In natura e semi-elaborados
|
7,87
|
7,27
|
.Higiene e beleza
|
9,02
|
9,55
|
.Indústria da alimentação
|
8,60
|
8,62
|
.Fumo e acessórios
|
0,08
|
0,08
|
.Fora do domicílio
|
1,05
|
1,19
|
|
|
|
.Equipamentos domésticos
|
8,17
|
6,32
|
.Despesas diversas
|
4,90
|
6,22
|
.Eletrodomésticos
|
10,80
|
8,30
|
.Animais
|
6,11
|
7,78
|
.Utensílios domésticos
|
5,68
|
4,15
|
.Comunicação
|
0,00
|
0,00
|
.Móveis
|
5,88
|
5,01
|
|
|
|
.Rouparia
|
0,56
|
-0,48
|
|
|
|
Fonte: DIEESE.
Nos Transportes (22,28%), os aumentos ocorreram tanto no individual (26,02%) como no coletivo (13,77%). No primeiro, observaram-se taxas bastante elevadas no diesel (46,49%), na gasolina (57,76%) e no álcool (33,78%); no coletivo, os reajustes das tarifas foram semelhantes tanto para os ônibus municipais (15,00%) como para o metrô (13,60%).
O segundo grupo com maiores reajustes foi a Saúde (13,59%), com diferenças acentuadas nos itens de seus subgrupos. Na assistência médica (12,32%), os seguros/convênios (18,62%) contrastam com as taxas das consultas médicas (1,10%) e dos exames de laboratório (-7,22%).
Os medicamentos e produtos farmacêuticos (17,23%) reajustaram seus preços de forma relativamente homogênea; porém, cabe salientar os aumentos dos produtos dermatológicos (26,93%), diabéticos (27,09%), antigripal (23,47%) e cardiovasculares (22,47%).
Outro grupo com taxa elevada foi o da Habitação (7,57%), destacando-se grandes diferenças nas variações de seus subgrupos. A locação, impostos e condomínio (2,14%) registrou queda na locação (-0,47%) e aumento no condomínio (9,89%). No subgrupo operação do domicílio (12,19%), os responsáveis pela taxa elevada foram os serviços públicos (14,28%) e os produtos de limpeza doméstica (12,54%). A conservação do domicílio (5,78%), que compreende produtos e serviços de reparo, foi pressionada pelos aumentos ocorridos nos materiais de construção (10,53%), com destaque para tintas (20,28%), massas (17,49%) e cimento (17,16%).
O comportamento dos preços da Alimentação (6,50%) teve fortes reajustes no último trimestre (3,73%). Nos produtos in natura e semi-elaborados (7,27%) destacam-se as altas das carnes bovina (29,85%) e de frango (13,99%) e as quedas nos grãos (-16,13%) e nas hortifrutas (-3,47%). O subgrupo da indústria alimentícia (8,62%) foi o que mais subiu, pressionado por produtos relacionados ao comércio externo, como: azeite (46,65%), farinha de trigo (39,69%), vinho (24,46%), açúcar (19,80%), café em pó (18,62%), leite industrializado (14,92%) e queijos (11,89%). A alimentação fora do domicílio (1,19%) teve pouca variação de preço, com uma pequena taxa nas refeições principais (0,26%) e nos lanches matinais (2,57%).
Nos Equipamentos Domésticos (6,32%), a maior alta se deu nos eletrodomésticos (8,30%), seguida dos móveis ( 5,01%), utensílios (4,15%), e, com pequena deflação, a rouparia (-0,48%).
Dentre os grupos com menores variações, cabe salientar a queda no Vestuário (-2,45%), ocorrida tanto nas roupas (-3,43%) como nos calçados (-0,97%), o que reflete a forte retração da demanda sofrida por este setor.
No grupo Educação e Leitura (4,14%), os maiores reajustes foram na educação (4,30%) e nos itens da papelaria (11,90%). Na leitura (1,94%), o aumento dos jornais (11,55%) foi bastante significativo.
Os índices anuais, por estrato de renda (tabela 6), revelam que nos últimos doze meses todos estão superiores a 8%, com uma maior taxa para o estrato 2 (9,21%) e semelhante entre o estrato 3 (8,71%) e estrato 1 (8,72%).
No ano as taxas acumuladas refletem o mesmo comportamento, ou seja, maior para o segundo estrato (9,12%) e semelhante para o primeiro (8,54%) e o terceiro (8,53%).
Tabela 6 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Índices acumulados no ano e anual por estrato de renda Município de São Paulo novembro/98 a novembro/99 (em %)
|
Índices
|
No ano
|
Anual
|
|
Total e Estrato
|
01/99 - 11/99
|
12/98 - 11/99
|
Total Geral
|
8,70
|
8,87
|
Estrato 1
|
8,54
|
8,72
|
Estrato 2
|
9,12
|
9,21
|
Estrato 3
|
8,53
|
8,71
|
Fonte: DIEESE.
Expectativa inflacionária
Para a análise dos preços no mercado consumidor paulista, os itens do ICV foram agrupados segundo o grau de concorrência. Assim, os bens cujos preços são administrados pelo governo foram agregados no grupo públicos; os relacionados a setores com pouca concorrência foram denominados de oligopolizados; e os demais itens que sofrem mais a disputa no mercado consumidor foram denominados de concorrenciais.
Nos últimos cinco meses, houve uma reação nos preços do mercado concorrencial, que passaram da taxa de -0,13% em julho para 0,89% em novembro. Os preços administrados pelo governo em julho acusaram o maior aumento (5,83%), vindo a cair nos meses subseqüentes e elevando-se novamente em outubro (1,28%) e novembro (2,94%), em função dos preços dos combustíveis. Nos setores oligopolizados, as taxas de julho e agosto foram semelhantes (1,65% e 1,67%), diminuíram em setembro (0,83%) e nestes últimos dois meses voltaram a subir 1,18% e 1,52%, respectivamente (tabela 7).
Tabela 7 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Taxas mensais agrupadas segundo condições de mercado Município de São Paulo - Julho a novembro de 1999 (em%)
Setores
|
Jul/99
|
Ago/99
|
Set/99
|
Out/99
|
Nov/99
|
Concorrenciais
|
-0,13
|
-0,01
|
0,28
|
0,81
|
0,89
|
Públicos
|
5,83
|
1,30
|
0,52
|
1,28
|
2,94
|
Oligopolizados
|
1,65
|
1,67
|
0,83
|
1,18
|
1,52
|
Total geral
|
1,19
|
0,38
|
0,37
|
0,93
|
1,34
|
Fonte: DIEESE.
Ao longo do ano de 1999, o mesmo agrupamento feito acima resultou nos impactos mostrados na tabela 8. Apesar do maior peso dos produtos concorrenciais no ICV-DIEESE, sua contribuição para a taxa acumulada no ano é menor que a dos preços públicos.
Tabela 8 - Índice do Custo de Vida (ICV-DIEESE) Taxas acumuladas segundo condições de mercado Município de São Paulo - 1999
|
Setores
|
Peso
(em %)
|
Contribuição
(em pp)
|
Taxas
(em %)
|
Concorrenciais
|
74,46
|
3,65
|
4,90
|
Públicos
|
17,80
|
3,69
|
20,72
|
Oligopolizados
|
7,74
|
1,37
|
17,71
|
Total Global
|
100,00
|
8,70
|
8,70
|
Fonte: DIEESE.
A análise destes resultados revela que nos onze meses deste ano, a contribuição no cálculo do índice dos setores oligopolizados e públicos foi de 5,06 pp. Por outro lado, os concorrenciais contribuíram com 3,65 pp, no índice geral acumulado (8,70%).
A comparação dos dados de novembro, com as séries de taxas mensais e acumuladas nos permite afirmar que o setor público (20,72%) é o grande responsável pela inflação neste ano.
A reação do grupo dos concorrenciais, ocorrida nos últimos três meses em razão das pressões de custo e ligeiro aquecimento da demanda, é modesta frente aos demais mercados, apesar de um maior nível de emprego e da entrada em circulação do 13° salário, que poderia estimular o consumo destes produtos.
Para dezembro, não se detectam grandes pressões inflacionárias: as tarifas públicas não deverão ser reajustadas; o preço da carne não deverá subir, devido à entrada da safra; e é provável que a cotação do dólar se estabilize em torno de R$ 1,93. Portanto, apenas os setores que ainda não realinharam seus preços e que sofreram aumentos em seus custos buscarão algum reajuste. A taxa de dezembro deverá situar-se entre 0,5% e 1,0%, resultando em um índice anual da ordem de 9,5%.
|