DIEESE - PED Recife - A Presença da População Feminina da Região Metropolitana do Recife
MULHERES TRABALHADORAS NA REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
As mulheres
correspondem a 44,3% da População Economicamente Ativa (PEA). Estima-se em torno de 644
mil o número de mulheres trabalhadoras na região metropolitana do Recife (RMR). Em 1999,
o aumento de 4,9% da participação da mulher entre os Chefes de Família, em relação ao
ano anterior, passando a representar 19,1% do total de chefes de domicílio na Região,
aponta que um número crescente de mulheres cada vez mais, assumem maior responsabilidade
pelo sustento da família.
A população feminina ocupada diferencia-se da masculina pela sua
menor inserção na indústria de transformação e no comércio, quase nenhuma na
construção civil e predominância nos serviços domésticos remunerados. No entanto,
apesar de ter uma participação bastante diversificada no mercado de trabalho, as
mulheres ainda atuam em atividades predominantemente próximas daquelas desenvolvidas no
âmbito doméstico. A mulher ocupada trabalha fundamentalmente em serviços domésticos
remunerados, em educação e saúde, e nas indústrias têxtil e de confecção.
O rendimento médio real anual da população feminina ocupada corresponde a 65,1% dos
rendimentos auferidos pelos homens. Fica mais evidente a discriminação que afeta a
mulher trabalhadora quando toma-se o nível de instrução como uma aproximação da
qualificação da mão de obra. Para qualquer grau de instrução, a remuneração média
da mulher é expressivamente inferior à obtida pelo homem com igual nível de
instrução, atingindo diferenciais salariais acima de 40%
A Presença da População Feminina
A população feminina abrange 1.739 mil pessoas, o que corresponde a 53,0% da
população residente na Região Metropolitana do Recife (RMR);
A população de mulheres em idade ativa (10 anos de idade e mais ) é de 1.450 mil
pessoas, correspondendo a 53,8% da População em Idade Ativa (PIA) da Região;
A força de trabalho feminina na RMR é de 644 mil trabalhadoras, eqüivalendo a 44,3%
da População Economicamente Ativa (PEA).
Estimativas da População Total, População em Idade Ativa, População Economicamente Ativa, segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1999
Em 1.000 pessoas
Estimativas Populacionais
Sexo
Feminino
Masculino
População Total
1.739
1.542
População em Idade Ativa (PIA)
1.450
1.243
População Economicamente Ativa (PEA)
644
810
Inativos (Inat/PIA)
806
433
População Menor de 10 anos
289
299
Fonte: DIEESE/PED-RMR.
Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
No ano de 1999 a participação da mulher entre os chefes de domicílio cresceu 4,9% em
relação ao ano anterior (18,2%), passando a representar 19,1% dos chefes de domicílio
na Região, apontando que a mulher vem assumindo cada vez mais a responsabilidade pela
manutenção do domicílio.
Distribuição da População Economicamente Ativa por Sexo, segundo Posição no Domicílio
Região Metropolitana do Recife
1998/1999
Em porcentagem
A taxa global de participação - indicador que mede a participação no mercado de
trabalho, das mulheres em idade de trabalhar - é significativamente menor que a dos
homens. Enquanto entre as mulheres, a taxa de participação situa-se em torno de 44,4%,
entre os homens é de 65,2%.
No entanto, quando se analisa comparativamente o comportamento da taxa de
participação, no período considerado entre 1998 e 1999, verifica-se que houve um
movimento crescente na participação da mulher (1,8%) no mercado de trabalho, e, um
decréscimo na taxa de participação do homem (-0,9%).
Taxas Globais de Participação, segundo Gênero
Região Metropolitana do Recife
1998/1999
Em porcentagem
Sexo
Taxas de Participação
Variação
Relativa
1998
1999
Total
53,8
54,0
0,4
Feminina
43,6
44,4
1,8
Masculina
65,8
65,2
-0,9
Fonte:
DIEESE/PED-RMR. Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
Por faixa etária, tanto para os homens como para as mulheres, a taxa de participação
é significativamente maior na faixa de 25 a 39 anos e entre os jovens de 18 a 24 anos. No
entanto os homens parecem entrar mais cedo no mercado de trabalho, uma vez que entre os 10
a 17 anos a taxa de participação masculina é de 18,2%, enquanto a feminina é de 14,1%
Por posição no domicílio a taxa de participação feminina, contrariamente ao
comportamento da taxa de participação masculina, aumentou para quase todas os seus
membros, exceto para o agregado outros parentes. Observe-se que, é como chefe de
domicílio que a mulher apresenta maior taxa de participação.
Taxa de Participação por Posição no Domicílio, segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1998/1999
Em porcentagem
Posição no Domicílio
Sexo
Masculino
Feminino
1998
1999
1998
1999
Chefe
80,5
79,6
46,7
47,1
Cônjuge
76,8
77,2
44,7
45,5
Filhos
50,1
50,3
41,9
43,8
Outros
52,8
51,0
40,2
38,4
Fonte: DIEESE/PED-RMR.
Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
A taxa de participação feminina é proporcionalmente maior a medida em que aumenta o
grau de instrução. Entre as pessoas do sexo feminino com segundo e terceiro grau
completos, esta taxa sobe, respectivamente para 69,0% e 79,9%. Esta associação pode
também ser remetida para a população masculina (84,3% e 85,0% respectivamente).
Taxas de Participação por Grau de Instrução, segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1999
Em porcentagem
Comparativamente à distribuição da população ocupada masculina, ressalta-se que a
situação da mulher se diferencia pela sua menor inserção relativa na indústria de
transformação e no comércio, quase nenhuma na construção civil e predominância nos
serviços domésticos remunerados. Praticamente, não existem diferenças das proporções
no setor de serviços.
Distribuição dos Ocupados, por Setor de Atividade Econômica, segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1999
Em porcentagem
Setor de Atividade
Total
Sexo
Masculino
Feminino
Indústria de Transformação
9,3
12,1
5,4
Construção Civil
4,7
7,9
0,4
Comércio
21,5
22,5
20,1
Serviços
51,5
51,6
51,4
Serviços Domésticos
9,6
1,2
20,9
Outros
1,9
2,3
1,4
Fonte: DIEESE/PED-RMR.
Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
Com relação aos homens, a diferença da inserção feminina é reforçada quando se
identificam dentro dos setores, os ramos de atividades nos quais trabalha. Assim
verifica-se, que as mulheres trabalhadoras na Indústria de Transformação concentram-se
nas indústrias têxtil e vestuário, e alimentação. Em contra partida, os homens
concentram-se na indústria metalúrgica.
No setor de Serviços, os ramos que mais congregam a população feminina são:
Educação (11,8%); Saúde (7,5%); Alimentação (7,1%).
Os dados parecem confirmar que, apesar de uma participação bastante diferenciada nas
diversas atividades econômicas, as mulheres ainda se encontram próximas daquelas
desenvolvidas no âmbito doméstico. A mulher ocupada, trabalha fundamentalmente em
serviços domésticos remunerados, em educação e saúde, e nas indústrias têxtil e de
confecção.
Por posição na ocupação a inserção da população feminina, assim como os homens,
se dá predominantemente como assalariadas. A proporção de mulheres assalariadas é de
47,5% e de 60,2% para os homens.
Considerando-se os assalariados no setor privado da economia, verifica-se que 23,6% das
mulheres têm carteira do trabalho assinada pelo atual empregador. Dentre os homens essa
porcentagem se eleva a 35,3%. Provavelmente, a menor proporção de mulheres com carteira
assinada deve-se, basicamente, ao não cumprimento desta norma legal de registro em
carteira por parte dos tomadores de serviços domésticos.
Rendimento do Trabalho
O rendimento auferido pelas mulheres trabalhadoras em comparação
aos homens, é um importante instrumento de verificação das desigualdades estabelecidas
ou praticadas, constituindo-se num medidor dos efeitos da discriminação sobre a mulher.
O rendimento real médio auferido pela população feminina ocupada (R$ 357,00),
representa 65,1% daquele recebido pela população masculina deste grupo (R$548,00). Entre
os assalariados, o salário real médio recebido pelas mulheres (R$491,00), é 88,9%
daquele recebido pelos homens (R$ 552,00).
Rendimento Real Médio dos ocupados e Assalariados, segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1999
Gênero
Rendimento Real Médio (1)
Ocupados
Assalariados
Total
441
529
Masculino
548
552
Feminino
357
491
Fonte:
DIEESE/PED-RMR. Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
(1) Inflator utilizado - IPC do DESCON/FUNDAJ. Valores em Reais de
Dezembro de 1999.
Nota: Assalariados - exclusive os assalariados que não tiveram
remuneração; Ocupados - exclusive os assalariados e os Empregados Domésticos
assalariados que não tiveram remuneração no período, os trabalhadores familiares
s/remuneração salarial e os Trabalhadores que ganharam exclusivamente em espécie ou
benefício.
Fica mais evidente a discriminação que afeta a mulher trabalhadora quando toma-se o
nível de instrução como uma aproximação da qualificação da mão de obra. Para
qualquer grau de instrução, a remuneração média da mulher é expressivamente inferior
à obtida pelo homem com igual nível de instrução, sendo este diferencial
proporcionalmente maior quando se considera o 2º e 3º Grau Completo.
Rendimento Real Médio(1) dos Assalariados, por Instrução segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1999
Grau de
Instrução
Total
Sexo
Rendimento das mulheres em relação ao dos homens
Masculino
Feminino
Rendimento Real Médio (1)
Total
529
552
491
88,9%
Analfabeto
227
237
162
68,4%
1º Grau Incompleto
285
303
214
70,6%
1º Grau Completo + 2º Grau
Incompleto
344
393
237
60,3%
2º Grau Completo + 3º Grau
Incompleto
548
690
406
58,8%
3º Grau Completo
1.506
2.053
1.160
56,5%
Fonte:
DIEESE/PED-RMR. Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
(1) Inflator utilizado - IPC do DESCON/FUNDAJ. Valores em Reais de Dezembro de 1999.
Exclusive os assalariados que não tiveram remuneração
Situação de Desemprego
As taxas de desemprego total entre as mulheres apresentam patamares bem mais elevados do
que os encontrados para a população masculina. O desemprego total feminino atingiu 25,4%
da PEA feminina, ultrapassando em muito a não menos elevada taxa de desemprego total
masculino, de 19,6%.
Considerando-se os três tipos de desemprego, verifica-se que as mulheres encontram-se
predominantemente na situação de desemprego aberto (56,7%) e de desemprego oculto pelo
desalento (69,5%). Esta situação inverte-se no caso do desemprego oculto pelo trabalho
precário, onde para uma parcela de 24,3% de mulheres desempregadas, existem 75,7% de
homens desempregados.
Distribuição dos Desempregados, segundo Sexo
Região Metropolitana do Recife
1999
Em porcentagem
Tipo de Desemprego
Total
Sexo
Masculino
Feminino
Desemprego Aberto
100,0
43,3
56,7
Desemprego Oculto pelo Desalento
100,0
30,5
69,5
Desemprego Oculto pelo Trabalho Precário
100,0
75,7
24,3
Fonte: DIEESE/PED-RMR.
Contrato SEPLANDES - DIEESE/SEADE
Assim, não só a intensidade, mas também a forma pela qual as mulheres são afetadas
pelo desemprego indicam maiores dificuldades e menores possibilidades de competição no
mercado de trabalho.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos