PED - O Mercado de Trabalho na Região Metropolitana do Recife
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O mercado de trabalho na Região, no ano de 1999, caracterizou-se pela
insuficiência do ritmo de geração de ocupações frente ao crescimento da oferta de
mão de obra. No ano em análise, o nível ocupacional variou 1,9%, com a criação de 21
mil postos de trabalho. A população Economicamente Ativa cresceu 2,5%, decorrente da
entrada de 36 mil pessoas no mercado de trabalho. Resultante desta diferença, a taxa de
desemprego média anual aumentou 2,3% em relação ao ano anterior, passando de 21,6% em
1998, para o atual patamar de 22,1%, tendo sido incorporados mais 15 mil indivíduos ao
contingente de desempregados.
O crescimento do nível médio de
ocupação no ano de 1999 foi sustentado, principalmente, pela expressiva expansão do
trabalho dos autônomos (8,5%), uma vez que, o total de assalariados apresentou um tímido
crescimento de 0,8%.
O rendimento real médio anual dos ocupados, sofreu
redução de 1,3%, declinando de R$ 447,00 em 1998, para R$ 441,00 em 1999. Este
resultado, decorreu de uma conjugação de quedas verificadas nos setores do Comércio
(-3,1%) e com menor intensidade nos Serviços (-1,6%), atenuadas pelo crescimento
registrado no setor da Indústria de Transformação (3,3%).
Evolução da População Economicamente Ativa
Em 1999, a População Economicamente Ativa (PEA) cresceu 2,5%, sendo
estimada em 1.454 mil pessoas. A ampliação deste segmento ocorreu em ritmo muito
semelhante ao da População em Idade Ativa (PIA), o que explica o comportamento de
relativa estabilidade da taxa de participação que passou de 53,8% para 54,0%, entre 1998
e 1999.
As taxas de participação por atributos
pessoais apresentaram comportamentos diferenciados:
Cresceu para as mulheres (1,8%) atingindo o patamar de
44,4%, em relação a 1998 (43,6%). Enquanto para os homens, esta taxa decresceu (-0,9%)
passando para o patamar de 65,2%;
Taxas de Participação Anuais Médias, por Sexo
Região Metropolitana do Recife - RMR
1998/1999
Em porcentagem
Por faixa etária, verificou-se uma
expressiva redução na taxa de
participação para o segmento das Crianças e dos Adolescentes de 10 a 17 anos
(-3,0%). Para os demais segmentos observou-se que; na faixa etária de 25 a 39 anos a participação variou apenas 0,7%, e,
para os jovens de 18 a 24 anos e os que têm 40 anos e mais, um
comportamento de relativa estabilidade (0,1% e
0,4%, respectivamente);
Taxas de Participação Anuais Médias, por Sexo
Região Metropolitana do Recife - RMR
1998/1999
Em porcentagem
Por posição no domicílio, a taxa de participação do
Chefe de família sofreu declínio (-1,3%), enquanto que entre os demais membros da
família houve movimento de crescimento (1,3%).
Taxas de Participação Anuais Médias, por Sexo
Região Metropolitana do Recife - RMR
1998/1999
Em porcentagem
O perfil de escolaridade da População
Economicamente Ativa no ano de 1999, apresentou melhorias em relação ao ano de 1998.
Cresceu de forma expressiva (7,0%) o contingente de indivíduos com 2º Grau Completo, que
passaram a apresentar 22,8% da PEA; igualmente expressivo, foi o aumento (2,4%) da parcela
de pessoas com o 2º Grau Incompleto que passou para o patamar de 8,5%; e, a parcela de
pessoas com o 1º Grau Completo também cresceu (1,0%). Entretanto o número de pessoas na
PEA com nível universitário decresceu (-2,0%), recuando o patamar para 10,9%.
Observe-se, a expressiva redução da parcela de indivíduos com o 1º Grau Incompleto
(-4,0%), embora o peso da participação destes indivíduos no mercado de trabalho
regional seja muito elevada, representando 40,3% da PEA.
Distribuição da População Economicamente Ativa, Segundo Nível de Instrução
Região Metropolitana do Recife - RMR
1998/1999
Em porcentagem
O nível ocupacional no ano de 1999
ampliou-se 1,9% em relação ao ano de 1998. Foram gerados 21 mil postos de trabalho,
atingindo um patamar médio de 1.133 mil pessoas ocupadas na Região. /
ESTIMATIVA DA POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA, OCUPADA E DESEMPREGADA
REGIÃO METROPOLITANA DO RECIFE
1998/1999
Em 1.000 pessoas
O desempenho do nível ocupacional no
transcorrer do ano de 1999, conforme setor de atividade, apresentou a seguinte evolução:
Indústria de Transformação - movimento de retração
(-5,4%) eliminando 6 mil postos de trabalho, recuando o número de ocupados para 105 mil
pessoas, 9,3% dos ocupados da RMR;
Comércio - ocupou mais 14 mil pessoas, elevando o
seu contingente de ocupados para 244 mil indivíduos, representando 21,5% dos ocupados na
Região;
Serviços - incrementou 10 mil ocupações,
ampliando o número de ocupados para 583 mil pessoas, 51,5% da ocupação regional;
Construção Civil - manteve o mesmo contingente de
ocupados verificado no ano anterior, 53 mil pessoas, representando 4,7% dos ocupados; e o
agregado,
Outros setores - gerou 3 mil ocupações,
aumentando o número de ocupados para 148 mil indivíduos, 13,0% dos ocupados da Região
Metropolitana do Recife.
Analisando-se por posição na ocupação,
verificou-se que o nível da ocupação na Região no ano de 1999, foi sustentado,
principalmente, pela expressiva expansão do trabalho dos autônomos (8,5%), uma vez que o
total de assalariados apresentou um tímido crescimento de 0,8%. Esta pequena ampliação
do assalariamento na RMR, foi influenciado pelo crescimento do trabalho assalariado no
setor privado (2,6%), motivado pelo aumento do contingente de trabalhadores com carteira
do trabalho assinada (2,7%), e dos sem carteira do trabalho assinada (2,5%),
contrabalançando os efeitos da expressiva retração apresentada pelo setor público
(-5,0), em relação ao ano anterior (1998).
O mercado de trabalho regional no ano de
1999, em relação ao perfil da escolaridade dos ocupados apresentou as seguintes
características:
Ampliação do contingente de ocupados com 1º Grau
(1,7%) e 2º Grau Completo (5,9%), para o patamar de 17,5% e 23,3% respectivamente;
Redução do contingente de ocupados analfabetos
(-2,6%), dos com 1º Grau Incompleto (-3,0%), passando a eqüivaler 7,4% e 39,1%
respectivamente; e ainda, a diminuição da pequena parcela de ocupados no 3º Grau
(-0,8%), retraindo o patamar para 12,7% do universo dos ocupados na Região Metropolitana
do Recife em relação ao ano anterior.
Distribuição dos Ocupados, segundo Nível
de Instrução
Região Metropolitana do Recife - RMTR
1998/1999
A jornada média semanal trabalhada pelo
conjunto dos ocupados no ano de 1999, manteve-se estável em 45 horas. Igual movimento,
foi observado para a jornada média específica dos assalariados, 44 horas respectivamente
para 1998 e 1999.
A proporção de indivíduos ocupados que
trabalharam além da jornada legal (44 horas semanais) em 1999 não apresentou variação
em relação ao ano anterior, manteve-se no mesmo patamar de 50,4%. No caso dos
assalariados, a proporção de indivíduos que extrapolaram a jornada legal de 44 hora
apresentou pequeno crescimento passando de 47,0% para 47,7%, entre 1998 e 1999.
Rendimentos no Trabalho Principal
No comparativo da média anual (1999-1998), o salário real
médio pago pelo setor privado, apresentou uma pequena retração (-0,8%), declinando de
R$ 386,00 em 1998, para os atuais R$ 383,00. Entre os assalariados do setor privado,
verificou-se relativa estabilidade (-0,2%) no salário médio daqueles que possuíam
carteira de trabalho assinada (de R$ 433,00 para R$ 432,00) e queda de 2,4% entre os que
não a possuíam (de R$ 245,00 para R$ 239,00).
Rendimento
Real Médio Anual dos Assalariados no Trabalho Principal no Setor Privado
Região Metropolitana do Recife
1998-99
Períodos
Assalariados dos setor privado
Total
Com
carteira
Sem
carteira
1998
386
433
245
1999
383
432
239
%
(média anual)
1999-98
-0,8
-0,2
-2,4
Fonte:
Convênio DIEESE/SEADE, TEM/FAT e convênios regionais. PED - Pesquisa de emprego e
desemprego
Nota:
(1) Médias Anuais
(2) Valores inflacionados para novembro de 1999
Obs.:
a) Inflator utilizado IPC - DESCON/FUNDAJ
B) Exclui os assalariados que não tiveram remuneração no mês
Analisando por setor de atividade
econômica, observou-se entre 1998 e 1999, que o rendimento real médio dos ocupados,
reduziu-se em 1,3%, declinando de R$ 447,00 para os atuais R$ 441,00. Este resultado,
derivou de uma conjugação de quedas verificadas nos setores do Comércio (-3,1%) e com
menor intensidade nos Serviços (-1,6%), atenuadas pelo crescimento registrado no setor da
Indústria de Transformação (3,3%) .
Região Metropolitana do Recife
1998-99
Rendimento médio real dos ocupados no trabalho principal por setor da Economia
Períodos
Total
Setor de Atividade
Indústria
Comércio
Serviços
1998
447
455
385
553
1999
441
470
373
544
Variação
1999-1998
-1,3
3,3
-3,1
-1,6
Fonte:
Convênio DIEESE/SEADE e convênios regionais. PED - Pesquisa de Emprego e Desemprego
Nota:
(1) Média Anuais
(2) Valores Inflacionados para novembro de 1999
(3) Excluídos os serviços domésticos
(4) Incluídos os serviços doméstico, construção civil e outros
Obs.;
a) Inflator utilizado IPC - DESCON/FUNDAJ
b) Não incluídos os assalariados que não tiveram remuneração no mês.
Comportamento do Desemprego
A taxa anual média de desemprego total na
Região Metropolitana do Recife (RMR) no decorrer de 1999 apresentou crescimento, passando
para 22,1% da População Economicamente Ativa (PEA), face aos 21,6% registrado em 1998. O
contingente populacional médio de desempregados para o ano em análise foi estimado em
321 mil pessoas.
A taxa de participação global -
indicador que reflete a proporção de pessoas com 10 anos ou mais de idade, incorporada
ao mercado de trabalho como ocupada ou desempregada - registrou variação
positiva (0,4%). Em 1999 foram incorporadas 36 mil pessoas ao contingente da População
Economicamente Ativa (PEA).
Distribuição dos Ocupados, segundo Nível de Instrução
Região Metropolitana do Recife - RMTR
1998/1999
Em 1.000 pessoas
O aumento do desemprego em 1999 esteve
associado ao movimento ascendente da População Economicamente Ativa e principalmente ao
desempenho pouco vigoroso da ocupação, ainda que positivo, não foi suficiente para
absorver o total de indivíduos que ingressaram no mercado de trabalho, resultando no
acréscimo de mais 15 mil pessoas ao contingente de desempregados.
O incremento da taxa média de desemprego
na Região decorreu da expressiva ampliação do desemprego oculto (5,1%) , atingindo o
patamar de 10,3%, enquanto que, o desemprego aberto manteve-se no mesmo patamar registrado
em 1998 (11,8%). O número de pessoas em situação de desemprego oculto na Região neste
ano de 1999 foi estimado em 149 mil indivíduos e o desemprego aberto em 172 mil.
O desemprego na RMR no ano de 1999,
apresentou movimentos diferenciados entre os diversos segmentos sociais, destacando-se o
expressivo aumento registrado para o chefe de domicílio (11,2%), as pessoas com idade
igual ou superior a 40 anos (10,3%) e os homens ( 3,2%), segmentos populacionais
importantes por estarem, geralmente, encarregados da manutenção da família. Foram
expressivos, igualmente, os aumentos entre os indivíduos que detêm experiência anterior
de trabalho (6,4%), os de cor Branca (3,1%) e para os jovens com idade entre 18 a 24 anos
(2,3%). Registrou-se ainda neste mesmo período analisado, em menor proporção, um
aumento do desemprego para as pessoas Não Brancas, e as com idade entre 25 a 39 anos,
1,3% e 1,0% respectivamente. Destacam-se também, os movimentos de expressiva retração
registrada no desemprego: das mulheres (-9,4%); e, entre aqueles que não têm
experiência anterior de trabalho (-13,3%); e com menor expressão, para os demais membros
da família (-1,1%); e ainda, o movimento de relativa estabilidade registrado na taxa de
desemprego das crianças e adolescentes na faixa etária de 10 a 17 anos (-0,3).
Distribuição dos Desempregados, segundo Atributos Pessoais
Região Metropolitana do Recife - RMR
1998/1999
Em porcentagem
Note-se que, o desemprego retraiu
relativamente mais entre os grupos cuja taxa de participação também acusou um aumento
relativo maior: para as mulheres (1,8%) e os demais membros da família (1,3%); e, por
faixa etária entre os mais jovens, de 10 a 17 anos (15,6%). Isso sugere que,
aparentemente, estes segmentos populacionais obtiveram maior sucesso relativo na
obtenção de um posto de trabalho.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos