CRESCE O DESEMPREGO E CAI A OCUPAÇÃO NA RMS - SETEMBRO/98
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Em setembro, as informações captadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS) indicaram que a taxa de desemprego além de sofrer uma pequena variação positiva (0,8%), manteve-se num patamar bastante elevado. Com uma taxa de 25,6% da População Economicamente Ativa, estimou-se que 357 mil pessoas encontram-se desempregadas na RMS.
Em relação ao mês anterior, o nível de ocupação diminuiu 0,6%, o que corresponde à eliminação de 6 mil postos de trabalho. O contingente de ocupados na RMS ficou, assim, calculado em 1.037 mil pessoas, enquanto em agosto esse contingente foi de 1.043 mil. As flutuações do desemprego e da ocupação foram, no entanto, atenuadas pelo movimento da PEA, que apresentou uma redução de quatro mil pessoas.
Em setembro, a Indústria (2,3%) e o Comércio (0,6%) apresentaram crescimento da ocupação, mas não o suficiente para neutralizar a queda ocupacional dos Serviços (-1,3%) e do agregado "Outros Setores" (-1,6%), que reúne as atividades da construção civil e dos serviços domésticos.
O nível de emprego assalariado na RMS apresentou, em setembro, redução de 2,4%. O Setor Público apresentou a maior queda da ocupação (-4,1%), seguindo-se o Setor Privado (-1,7%). No interior do Setor Privado houve diminuição da ocupação tanto para os assalariados com registro em carteira (-1,5%), como para os sem carteira (-2,4%). Somente os trabalhadores autônomos experimentaram aumento ocupacional (2,5%).
Em agosto, o rendimento médio real no trabalho principal dos ocupados apresentou uma redução de 2,2%, ficando estimado em R$ 480. Para os assalariados o rendimento médio real no trabalho principal manteve-se estável em R$ 544.
TAXAS DE DESEMPREGO E DE PARTICIPAÇÃO Setembro de 1998
Indicadores
RMS
Salvador
Demais Municípios
População Economicamente Ativa (em 1.000 pessoas)
1.394
-
-
Taxa de Desemprego Total
25,6
24,1
32,2
Aberto
14,9
14,2
18,2
Oculto
10,7
9,9
14,0
Trabalho Precário
7,2
-
-
Desalento
3,5
-
-
Taxa de Participação (PEA/PIA)
60,3
60,9
57,6
Fonte: PED RMS - SEI/SETRAS/UFBA/DIEESE/SEADE.
NOTA: Os dados são calculados a partir de informações do trimestre móvel terminado no mês indicado. A análise de setembro tem, portanto, como base o trimestre móvel de julho/98 a setembro/98.
Ocupação
No mês em análise, destacaram-se, por setor de atividade, as seguintes características na evolução do nível de ocupação:
ESTIMATIVA DA OCUPAÇÃO POR SETOR DE ATIVIDADE Setembro de 1998 - (em 1.000 pessoas)
Setor
Setembro
Agosto
Variação
Indústria
89
86
3
Comércio
176
174
2
Serviços
592
599
-7
Outros *
181
184
-3
Fonte: PED RMS - SEI/SETRAS/UFBA/DIEESE/SEADE.
* Inclui Construção civil, serviços domésticos e outros.
Contrariamente ao comportamento dos dois meses anteriores, o nível de ocupação da RMS apresentou redução em setembro. Em relação a dezembro passado, configura-se uma perda ocupacional de 3,4%, equivalendo à eliminação de 36 mil postos de trabalho. Comparando-se ao mesmo mês do ano anterior, observou-se que 20 mil postos de trabalho foram suprimidos na RMS, representando uma queda de 1,9% do índice de ocupação.
Com respeito a dezembro de 1997, o comportamento setorial da ocupação apontou reduções de postos de trabalho nas atividades do Comércio (-8,4%), do agregado Construção Civil e Serviços Domésticos, sob a denominação de "Outros" (-7,2%) e da Indústria (-4,3%). Apenas as atividades dos Serviços mantiveram-se estáveis em termos ocupacionais.
Mas, em relação aos últimos doze meses, apenas a Indústria (2,3%) apresentou variação positiva do índice de ocupação, enquanto que o Comércio (-4,9%), o agregado "Outros" (-3,2%) e os Serviços (-1,5%) apontaram diminuição do nível de ocupação.
Relativamente a dezembro passado, o índice do nível de ocupação do setor público apresentou uma elevação de 3,0%, enquanto que para os trabalhadores autônomos houve diminuição de 8,7%.
Ainda em relação à variação em 1998, verifica-se expansão do índice do nível de ocupação dos assalariados do setor privado (2,0%). Para os assalariados sem carteira de trabalho assinada o aumento foi de 4,2% e para os assalariados com carteira de 1,6%.
Em comparação com setembro de 1997, houve crescimentos do nível de ocupação para os assalariados com carteira (2,8%) e para os assalariados sem carteira (1,8%). Enquanto que, o setor público (-4,8%) e o trabalho autônomo (-2,7%) apresentaram desempenhos negativos.
Desemprego
Em setembro, a taxa de desemprego para a RMS mostrou-se 18,5% mais elevada em relação a dezembro passado e 16,9% em relação aos últimos doze meses.
No município de Salvador, a taxa de desemprego total cresceu pelo quarto mês consecutivo, no mês em análise o aumento foi 0,8%. Com essa variação essa taxa alcançou 24,1% da PEA residente na capital do Estado. Nos "Demais Municípios" da RMS a taxa de desemprego, contrariando o movimento dos dois meses anteriores, voltou a crescer, tendo passado de 31,7% em agosto para os atuais 32,2%.
A taxa de desemprego aberto da RMS apresentou, nesse mês, uma pequena variação de 0,7%, sendo estimada em 14,9% da PEA. O contingente de desempregados com procura efetiva de trabalho e sem exercer algum tipo de ocupação na semana de referência da pesquisa, para o conjunto da RMS, foi estimado em 208 mil pessoas.
Em relação a dezembro de 1997, o atual patamar da taxa de desemprego aberto da RMS encontrou-se 24,2% mais elevado. Nesse mesmo período, a taxa de desemprego aberto aumentou 21,4% em Salvador e 36,8% nos "Demais Municípios" da RMS.
Em setembro, a taxa de desemprego oculto da RMS apresentou uma pequena elevação de 0,9%, ficando fixada em 10,7% da PEA. O desemprego oculto alcançou um contingente de aproximadamente 149 mil pessoas, mil pessoas a mais em relação ao mês anterior. A taxa de desemprego oculto manteve-se inalterada em Salvador (9,9%), tendo passado de 13,9% para 14,0% nos "Demais Municípios".
Em relação a dezembro de 1997, pode-se observar um crescimento de 11,5% da taxa de desemprego oculto. Isso ocorreu tanto em Salvador (11,2%) quanto nos "Demais Municípios" (9,4%). Em relação a igual mês do ano anterior, a taxa de desemprego oculto encontrava-se 17,6% mais elevada para o conjunto da RMS, 17,9% para o município de Salvador e 10,2% para os "Demais Municípios".
No mês em análise, a taxa de desemprego oculto por trabalho precário da RMS aumentou 1,4%, passando para 7,2% da PEA. A taxa de desemprego oculto por desalento, no entanto, permaneceu estável em 3,5%.
Em setembro, o desemprego do conjunto da RMS, visto por atributos pessoais, apresentou as mais elevadas variações positivas, em relação ao mês anterior, para as pessoas entre 25 e 39 anos (5,6%), para os chefes de domicílio (3,2%), para os indivíduos entre 10 e 17 anos (1,8%), para os homens (1,7%) e para os trabalhadores com experiência anterior de trabalho (1,5%). Quanto às variações negativas, tem-se as mais significativas para as pessoas com 40 anos e mais (-4,3%), para os indivíduos sem experiência anterior de trabalho (-3,5%) e para as pessoas com idade entre 18 e 24 anos (-1,0%).
Relativamente a dezembro de 1997, destacaram-se os aumentos das taxas de desemprego dos seguintes segmentos populacionais: indivíduos com experiência anterior de trabalho (23,9%), pessoas com até três anos de residência na RMS (23,7%), pessoas entre 25 e 39 anos (22,6%), mulheres (21,9%) e negros (20,0%).
Nos últimos doze meses, as variações da taxa de desemprego mais significativas ficaram para as pessoas entre 25 e 39 anos (25,3%), os chefes de domicílio (21,2%), as pessoas entre 18 e 24 anos (20,6%), os indivíduos com até três anos de residência na RMS (20,2%), os indivíduos com experiência anterior de trabalho (19,6%), os negros (19,5%) e as mulheres (18,8%).
Rendimento
Em agosto, houve redução do rendimento médio real no trabalho principal dos ocupados (-2,2%), enquanto o rendimento médio dos assalariados manteve-se inalterado. Por sua vez, o rendimento mediano diminuiu tanto para os ocupados (-2,4%) como para os assalariados (-1,3%).
Os valores médios do rendimento médio real no trabalho principal foram estimados em R$ 544 para os assalariados e R$ 480 para os ocupados, enquanto que os valores medianos foram respectivamente R$ 307 e R$ 242.
Nesse mês, o rendimento real médio dos assalariados no setor privado manteve-se estável em R$ 456. No entanto, por setor de atividade, o salário médio decresceu 5,2% na Indústria e 4,5% no Comércio, enquanto que para os Serviços ele apresentou uma variação positiva (2,9%).
No mês em análise, os valores estimados do rendimento médio real foram R$ 641 para a Indústria, R$ 433 para os Serviços e R$ 364 para o Comércio.
Em relação a dezembro de 1997, os assalariados da Indústria apresentaram a maior perda de rendimento real (-7,1%), seguindo-se os assalariados do Comércio (-5,6%) e dos Serviços (-1,0%). Comparando-se com agosto de 1997, os assalariados dos Serviços mostraram a mais elevada perda de rendimento real (-7,6%), acompanhados dos assalariados da Indústria (-1,7%) e do Comércio (-1,4%).
Os assalariados sem carteira assinada do setor privado, contrariando o movimento dos dois meses anteriores, experimentaram perdas de seus ganhos reais (-2,4%), enquanto que os assalariados com carteira foram beneficiados com um aumento de 1,1% em seus ganhos reais. O valor desses rendimentos foram R$ 524 para os assalariados com carteira e R$ 256 para os assalariados sem carteira.
Em relação a dezembro de 1997, os assalariados sem carteira acumularam um aumento de 11,9% em seus rendimentos reais, enquanto que os assalariados com carteira mostraram uma redução de 3,0%. Relativamente a agosto do ano passado, os assalariados sem carteira apresentaram ganhos de 2,4%, enquanto os assalariados com carteira sofreram perdas de 6,1%.
As informações referentes a agosto indicaram que, os ocupados localizados entre os 10% de menor ganho real diminuíram seus rendimentos máximos em 6,5%. Para os assalariados, localizados nesta mesma faixa de renda, a perda de rendimentos foi de 0,7%. Os respectivos valores desses rendimentos foram R$ 69 e R$ 128. Observou-se ainda que o rendimento mínimo dos 10% mais ricos sofreu variação negativa para os ocupados (-3,7%) e variação positiva para os assalariados (0,7%). O valor mínimo recebido por esses trabalhadores foi R$ 1.200 para os assalariados e R$ 1.146 para os ocupados.
Ainda no mês em análise, o rendimento máximo recebido pelos trabalhadores agrupados entre os 50% mais pobres apresentou redução, tanto entre os ocupados (-2,4%) como entre assalariados (-1,3%). Os valores desse rendimento foram estimados em R$ 242 para os ocupados e em R$ 307 para os assalariados. Os ocupados presentes entre os 25% mais pobres tiveram reduções de seus ganhos (-0,7%), enquanto os assalariados da mesma faixa de renda os mantiveram praticamente estáveis (-0,1%). Quanto ao valor mínimo recebido pelos 25% mais ricos, registrou-se perda de 1,0% para os ocupados e variação nula para os assalariados.
Em relação a dezembro do ano passado, os ganhos mais expressivos entre os ocupados foram para aqueles localizados entre os 10% de menor renda (13,4%) e entre os 25% também de menor renda (5,2%). Para os assalariados presentes nessas mesmas faixas os ganhos foram respectivamente de 5,2% e 3,4%. Nesse mesmo período, os trabalhadores localizados entre os 25% de maior ganho experimentaram perdas em seus ganhos, para os assalariados a perda foi de 2,5%) e para os ocupados de 2,0%. Relativamente a igual mês do ano anterior, tem-se os maiores ganhos foram para os ocupados (12,6%) e assalariados (4,4%) localizados entre os 10% de menor rendimento, enquanto as maiores perdas foram para 10% de assalariados (-9,7%) e ocupados (-6,5%) melhor remunerados e para os ocupados presentes entre os 25% de maiores ganhos (-5,9%).
Em agosto, a massa de rendimentos reais diminuiu para os ocupados (-0,9%) e aumentou para os assalariados (1,4%). Em relação a dezembro passado, tem-se uma perda dessa massa para os ocupados (-5,1%) e um ganho para os assalariados (2,4%). Na comparação com agosto de 1997, verificaram-se perdas tanto para os ocupados (-7,0%) como para os assalariados (-3,0%).
Horas Semanais Trabalhadas
Em setembro, os ocupados passaram a trabalhar 42 h semanais, quando no mês anterior a média foi de 43 h semanais. Para os assalariados a média semanal de trabalho foi estimada em 41 h, também uma hora a menos em relação a agosto. Em relação a dezembro passado, houve redução de 5,0% da jornada semanal média tanto para os ocupados quanto para os assalariados. Em relação a setembro de 1997, observou-se que os ocupados reduziram o número médio de horas semanais de trabalho em 5,0% e os assalariados em 2,0%.
No mês em análise, a maior redução de jornada semanal de trabalho foi para os ocupados da Construção Civil (-7,0%), mas também houve diminuição de 2,0% na jornada dos ocupados da Indústria, do Comércio e dos Serviços. Para os assalariados houve redução da jornada de trabalho apenas no setor industrial (-2,0%)
Contrariando o movimento do mês anterior, houve diminuição do percentual de trabalhadores com jornada semanal superior a 44 h. Para os ocupados, esse percentual passou de 44,5% para 43,2%, e para os assalariados ele passou de 38,9% para 37,6%.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos