DEZEMBRO/99
A PED/RMS é uma iniciativa do Governo do Estado da Bahia, através da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia - SEI -, órgão da Secretaria de Planejamento Ciência e Tecnologia - SEPLANTEC - e da Secretaria do Trabalho e Ação Social - SETRAS, em parceria com o DIEESE, a Fundação SEADE e a Universidade Federal da Bahia (UFBA), através da Faculdade de Ciências Econômicas.
Os resultados captados mensalmente pela Pesquisa de Emprego e Desemprego na RMS revelaram que, em dezembro, a taxa de desemprego total diminuiu em 3,0% alcançando 27,0% da População Economicamente Ativa. O contingente de desempregados foi estimado em 390 mil pessoas, 13 mil a menos que no mês anterior.
No mês em análise, o nível de ocupação aumentou (1,5%) ficando estimado em 1.056 mil pessoas. Esse resultado decorreu do desempenho positivo dos seguintes setores: nos Serviços (2,8%) e no agregado "Outros Setores" (0,5%). A Indústria apresentou resultado negativo (2,4%), neste período e o Comércio permaneceu estável.
Em novembro, o rendimento médio real auferido pelo trabalhador da RMS apresentou acréscimo pelo segundo mês consecutivo para os ocupados (1,0%) e ficou praticamente estável para os assalariados (-0,2%), que passaram a ganhar o equivalente a R$ 487 e a R$ 556, respectivamente.
Tabela 1 -Taxas de desemprego e de participação
Dezembro de 1999
Indicadores
RMS
Salvador
Demais Municípios
População Economicamente Ativa (em 1.000 pessoas)
1.446
Taxa de Desemprego Total
27,0
25,3
34,0
Aberto
15,0
14,2
18,1
Oculto
12,0
11,1
15,9
Trabalho Precário
8,5
Desalento
3,5
Taxa de Participação (PEA/PIA)
60,5
61,3
57,2
Fonte: PED RMS - SEI/SETRAS/UFBA/DIEESE/SEADE.
NOTA:Os dados são calculados a partir de informações do trimestre móvel terminado no mês indicado. A análise de dezembro tem, portanto, como base o trimestre móvel de outubro/99 a dezembro/99.
Ocupação
No mês em análise, destacaram-se, por setor de atividade, as seguintes características na evolução do nível de ocupação:
Tabela 2 - Estimativas* da ocupação por setor de atividade
Dezembro de 1999
Setores
Novembro/99
Dezembro/99
Variação Absoluta (1.000 pessoas)
Variação relativa (%)
Total
1.040
1.056
16
1,5
Indústria
85
83
-2
-2,4
Comércio
158
158
0
0,0
Serviços
609
626
17
2,8
Outros **
187
188
1
0,5
Fonte: PED RMS - SEI/SETRAS/UFBA/DIEESE/SEADE.
* Dados aproximados.
** Incluem Construção civil, serviços domésticos e outros
Em dezembro, o nível de ocupação global da RMS registrou um aumento de 1,5% em relação ao mês anterior. Foram gerados 16 mil postos de trabalho, ampliando a população ocupada em 1.056 mil pessoas. Este crescimento foi decorrente do desempenho positivo dos setores dos Serviços (2,8%) e do agregado "Outros Setores" (0,5%) (construção civil, serviços domésticos, etc) - este último teve aumento menos elevado. A Indústria (-2,4%) eliminou aproximadamente dois mil postos de trabalho enquanto que o Comércio ficou estável neste período.
Segundo a posição na ocupação, em dezembro, o número de assalariados aumentou 1,9% refletindo o crescimento do assalariamento do setor privado (2,5%), bem como o do setor público (0,9%). Observou-se que a elevação da ocupação foi incrementada, principalmente pelo expressivo aumento no contingente de assalariados com carteira de trabalho assinada (3,5%) e no dos trabalhadores autônomos (2,0%).
Comparando com o mesmo período do ano passado, o nível ocupacional retraiu-se em 1,0%, eqüivalendo à eliminação de 11 mil postos de trabalho. A Indústria e os Serviços tiveram desempenho positivo de 2,5% e 4,0%, respectivamente, enquanto o Comércio (-15,1%) e o agregado "Outros Setores" (-5,1%) apresentaram saldo ocupacional negativo.
Nesse mesmo período, a ocupação para os assalariados de um modo geral registrou um saldo positivo de 1,2%, devido, principalmente, ao expressivo aumento do contingente de assalariados sem carteira assinada (7,1%) e do incremento, embora menos intenso, de assalariados do setor público (1,6%). Tiveram desempenho negativo no período: os autônomos (1,4%) e os assalariados com carteira assinada (1,0%).
Desemprego
Pelo quinto mês consecutivo, a taxa de desemprego total na Região Metropolitana de Salvador declinou, passando de 27,9%, em novembro, para os atuais 27,0% da População Economicamente Ativa. Este declínio representou uma redução de 13 mil pessoas no contingente de desempregados. A população desempregada foi estimada em 390 mil pessoas, em dezembro.
A Taxa de participação global - indicador que reflete a proporção da População em Idade Ativa (PIA) engajada no mercado de trabalho na condição de ocupada ou desempregada - permaneceu estabilizada no mesmo patamar do mês anterior (60,5%). Este movimento associado ao incremento do nível ocupacional, representou uma redução do desemprego na Região Metropolitana de Salvador (13 mil pessoas).
O comportamento da taxa de desemprego total deveu-se ao declínio verificado na taxa de desemprego aberto (5,1%), que passou de 15,8% para 15,0% da PEA; e, da taxa de desemprego oculto (apesar deste último ter registrado uma queda menos intensa (0,8%) que o primeiro, passando de 12,1% para 12,0% da PEA. Os contingentes em desemprego aberto e oculto foram estimados em 217 e 173 mil pessoas, respectivamente.
A taxa de desemprego oculto pelo trabalho precário e pelo desalento apresentou movimentos diferenciados: os primeiros, decresceram 2,3%, passando de 8,7% da População Economicamente Ativa (PEA), em novembro para os atuais 8,5%, e os últimos aumentaram 2,9%, passando de 3,4% para 3,5% da PEA.
No mês em análise, a taxa de desemprego total decresceu nos "Demais Municípios" da RMS (4,2%) e em Salvador (3,4%). Nos "Demais Municípios" da RMS, essa taxa passou de 35,5% para 34,0% e na capital de 26,2% para 25,3% da População Economicamente Ativa (PEA).
Em dezembro, a taxa de desemprego total decresceu para quase todos os segmentos populacionais analisados, com exceção para as pessoas de 10 a 17 anos de idade que sofreram aumento de 3,8%. Destacaram-se as expressivas reduções observadas entre as pessoas de 25 até 39 anos (5,8%), as mulheres (5,6%), chefes de domicílio (5,0%) e entre as pessoas de cor negra (3,7%).
Neste ano de 1999 a taxa de desemprego total registrou um incremento de 11,6% na Região Metropolitana de Salvador incorporando mais 49 mil pessoas ao contingente de desempregados da Região. Esse crescimento foi mais acentuado nos municípios fora de Salvador (13,3%) do que na capital, cujo incremento foi da ordem de 11,0%.
Nesse mesmo período, a taxa de desemprego aberto aumentou 9,6% na RMS, 9,2% em Salvador e 11,0% nos municípios fora de Salvador. Por sua vez, o desemprego oculto cresceu com mais intensidade do que o aberto, 13,2% na RMS, 13,3% na capital e 16,1% nos "Demais Municípios" da RMS.
Nestes últimos 12 meses o desemprego atingiu mais intensamente os jovens de 10 até 17 anos (31,2%), as pessoas com 40 anos e mais (18,7%), os sem experiência (16,2%), os residentes há mais de 3 anos na RMS (12,0%), os demais membros do domicílio (11,9%) e os homens (11,8%).
Rendimento
Em novembro de 1999, o rendimento médio real da população ocupada sofreu elevação (1,0%) pelo segundo mês consecutivo, tornando-se equivalente a R$ 487. O salário médio real ficou praticamente estável (-0,2%) e passou a corresponder a R$ 556. Por sua vez, o rendimento mediano diminuiu tanto para os ocupados (1,0%) quanto para os assalariados (0,7%). Os valores medianos foram calculados em R$ 250 para os ocupados e em R$ 306 para os assalariados.
Em comparação ao mês anterior, o salário médio real pago pelo setor privado permaneceu relativamente estável (0,3%), passando de R$ 452 em outubro, para os atuais R$ 453. Este resultado refletiu os diferentes desempenhos observados no salário médio real pago pelos principais setores da atividade econômica: queda de 3,5% no Comércio, pequeno aumento de 0,5% nos Serviços e, relativa estabilidade (-0,2%) na Indústria. O salário médio real da Indústria foi estimado em R$ 548, o do setor Serviços em R$ 463 e o do Comércio em R$ 326.
Neste mesmo mês, o salário médio real dos assalariados com e sem carteira assinada tiveram desempenhos diferenciados: pequeno decréscimo (0,5%) para o primeiro e elevação de 2,4% para os sem carteira. Os valores monetários desses rendimentos foram respectivamente de R$ 525 e R$ 258.
O rendimento máximo dos 10% de ocupados com menor rendimento, teve um expressivo aumento (13,1%), passando a equivaler R$ 80, em novembro. Por sua vez, o rendimento mínimo dos 10% de maior rendimento teve ganho de 2,3%, passando a corresponder a R$ 1.125.
O rendimento máximo dos 10% dos assalariados mais pobres teve perda de 1,0%, passando a corresponder a R$ 137, assim como o rendimento mínimo dos 10% de assalariados mais ricos (-1,2%) (R$ 1.212).
No comparativo anual (nov-99/nov-98), verificou-se um declínio acentuado tanto no rendimento médio real de ocupados (6,7%) como no dos assalariados (4,5%). Para os assalariados do setor privado, registrou-se decréscimo no salário médio da ordem de 7,8%, resultante das quedas observadas no setor Comércio (19,8%), Indústria (11,7%) e Serviços (4,8%). Quanto a forma de inserção no mercado de trabalho, tanto os trabalhadores com carteira assinada (7,0%) quanto os sem carteira (3,6%), tiveram perdas de rendimentos.
Em novembro de 1999, a massa de rendimentos reais variou positivamente para os ocupados (1,1%), em decorrência unicamente do incremento do rendimento, uma vez que o emprego não variou neste período. Para os assalariados o aumento de 0,8% decorreu exclusivamente da elevação do emprego, já que o salário permaneceu estável, em novembro. Verificou-se que, a massa de rendimentos dos ocupados aumentou pelo terceiro mês consecutivo e a dos assalariados pelo segundo. Em relação a novembro de 1998, esse indicador diminuiu 7,0% para os ocupados e 2,6% para os assalariados.
Horas Semanais Trabalhadas
Há seis meses consecutivos, ocupados e assalariados vêm mantendo, em média, a mesma jornada de trabalho alcançada no mês de junho de 1998. Em dezembro, a média dos ocupados foi de 42h semanais e a dos assalariados de 41h semanais.
Verificou-se que, em relação a dezembro de 1998, movimento de queda na média da jornada semanal de trabalho, tanto para os ocupados (43 horas para 42 horas), quanto para os assalariados (42 horas para 41 horas semanais trabalhadas).
Em dezembro, apenas os ocupados do setor da Construção Civil tiveram alteração na jornada de trabalho que aumentou de 47 para 48 horas semanais. Por outro lado, para os assalariados registrou-se aumento para os da Construção Civil (de 46 para 48h) e para os do Comércio (de 47 para 48h) enquanto os da Indústria tiveram redução (de 44 para 43h). O setor de Serviços apresentou variação nula, no período.
Ainda neste mês, houve aumento nos percentuais de ocupados e de assalariados que trabalharam mais de 44 horas semanais. Para os ocupados, esse percentual passou de 42,4% para 43,4% e para os assalariados, passou de 36,0% para 37,7%.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos