PESQUISA DE EMPREGO E DESEMPREGO NA
REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE
.....
SETEMBRO - 99
A Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Belo Horizonte (PED/RMBH) investiga a estrutura e a dinâmica do mercado de trabalho regional, a partir de um levantamento mensal e sistemático sobre o emprego, o desemprego e os rendimentos do trabalho. Para isso, a Fundação João Pinheiro (FJP), órgão vinculado à Secretaria de Estado do Planejamento e Coordenação Geral do Governo do Estado de Minas Gerais, responsável pela pesquisa, adotou a metodologia desenvolvida em conjunto pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (DIEESE) e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE), de São Paulo.
A taxa de desemprego total, em setembro de 1998, apresentou ligeira queda em relação ao mês anterior atingindo 15,8% da população economicamente ativa. Este movimento foi determinado pelo aumento da ocupação em 9 000 pessoas, frente ao pequeno crescimento da população economicamente ativa, que passou de 1 907 000 para 1 908 000 pessoas no mês de setembro. Assim, o número de desempregados passou de 309 000 para 301 000 pessoas.
O aumento da população ocupada, estimada em 1 607 000 pessoas foi decorrente da ampliação dos postos de trabalho nos serviços (10 000) e no conjunto dos "outros setores de atividade econômica" (9 000). O nível ocupacional na indústria permaneceu estável, enquanto no comércio e na construção civil houve perda de 6 000 e 4 000 postos de trabalho, respectivamente.
O rendimento real médio dos ocupados de R$ 569,61, em agosto de 1998, apresentou queda de 2,3% em relação ao mês anterior e de 4,1% em relação a agosto de 1997. O salário real médio, de R$ 588,44 apresentou queda de 1,3% em relação a julho e pequeno aumento de 0,8% em relação a agosto de 1997.
A massa de rendimentos decresceu tanto para os ocupados quanto para os assalariados sendo que foi mais intensa para os primeiros. Em relação a julho de 1998 a massa de rendimentos dos ocupados reduziu-se em 1,9% enquanto a dos assalariados teve decréscimo de 0,8%. Contudo, em relação a agosto de 1997 verificou-se redução de 4,2% na massa de rendimentos dos ocupados e aumento de 2,9% na massa de rendimento dos assalariados.
TABELA 1 - POPULAÇÃO ECONOMICAMENTE ATIVA E TAXAS DE DESEMPREGO REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE (RMBH) - 1997-1998
ESPECIFICAÇÃO
1997
1998
VARIAÇÃO ABSOLUTA
setembro
agosto
setembro
setembro-98/
agosto-98
setembro-98/
setembro-97
Em 1 000 pessoas
População Economicamente Ativa
1.851
1.907
1.908
1
57
Desempregados
Total
254
309
301
-8
47
Aberto
170
197
198
1
28
Oculto
84
112
103
-9
19
Taxas de Desemprego (% da PEA)
Total
13,7
16,2
15,8
-0,4
2,1
Aberto
9,2
10,4
10,4
0
1,2
Oculto
4,5
5,8
5,4
-0,4
0,9
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio FJP/DIEESE/ SEADE/SINE MG
Desemprego
A taxa de desemprego reduziu-se de 16,2% em agosto de 1998 para 15,8% em setembro de 1998. Assim, a população na situação de desemprego foi estimada em 301 000 pessoas, indicando decréscimo de 8 000 pessoas em relação ao mês anterior. Em seus componentes verificou-se a estabilidade do desemprego aberto em 10,4% da PEA e redução da taxa de desemprego oculto de 5,8% em agosto para 5,4% em setembro. Estimou-se que, neste período, 198 000 pessoas se encontravam em desemprego aberto e 103 000 na situação de desemprego oculto.
Entretanto, em relação a setembro de 1997 constatou-se 47 000 desempregados a mais sendo que 28 000 em desemprego aberto e 19 000 em desemprego oculto, conforme tabela 1.
O comportamento da taxa de desemprego total em setembro resultou de movimentos diferenciados conforme o local de residência. Para os residentes em Belo Horizonte verificou-se pequeno aumento do desemprego aberto de 9,5% em agosto para 9,7% em setembro e diminuição do desemprego oculto de 5,2% para 4,5% no mesmo período, enquanto nos demais municípios da região metropolitana houve decréscimo tanto do desemprego aberto (de 11,8% em agosto para 11,4% em setembro) quanto do oculto (de 6,8% em agosto para 6,6% em setembro).
Por atributos pessoais constatou-se a diminuição da taxa tanto para homens quanto para as mulheres. O desemprego aumentou relativamente somente para as pessoas de 25 a 39 anos em que passou de 12,4%, da PEA desta faixa, em agosto para 12,6% em setembro. Nas demais faixa houve redução do desemprego. O mesmo ocorreu em relação a posição no domicílio, a taxa de desemprego diminui tanto para os chefes de domicílio quanto para os demais membros.
A taxa de participação apresentou relativa estabilidade tendo passado de 58,5% para 58,4% indicando menor crescimento da população economicamente ativa em relação ao aumento do contingente populacional de 10 anos e mais de idade. Por atributos pessoais constatou-se pequena redução da taxa de participação masculina, que passou de 69,0% em agosto de 1998 para 68,5% em setembro enquanto que a taxa de participação feminina foi a maior desde o início da pesquisa situando-se em 49,4% contra 48,9% no mês anterior. Por faixa etária, vale ressaltar a pequena redução da taxa de participação das pessoas de 25 a 39 anos e a elevação da taxa de participação dos jovens de 18 a 24 anos.
A média do tempo de procura de trabalho na Região Metropolitana de Belo Horizonte vem aumentando desde de janeiro de 1998. Em agosto de 1997 os desempregados estavam há 35 semanas em média à procura de trabalho, esta cifra passou para 39 semanas em agosto de 1998 e para 40,5 semanas em setembro do mesmo ano .
Nas demais regiões metropolitanas cobertas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego, os resultados de setembro indicaram queda do desemprego na Região Metropolitana de São Paulo (de 18,9% para 18,5%) e aumento da taxa em Porto Alegre (de 15,5% para 15,9%). No Distrito Federal e na Região Metropolitana de Recife as taxas de agosto foram, respectivamente, 19,0% e 21,5%.
Ocupação
A ocupação cresceu pelo quinto mês consecutivo na RMBH, totalizando em setembro 1 607 ocupados com um acréscimo de 9.000 postos de trabalho em relação ao mês de agosto.
Na comparação desses resultados com setembro de 1997 verificou-se um incremento de 10 000 pessoas ocupadas.
O setor serviços e o grupo denominado "outros setores de atividade econômica" vêm sendo os principais responsáveis pelo aumento da ocupação, desde julho e maio deste ano, respectivamente. Em setembro de 1998, os serviços geraram 10 000 postos de trabalho enquanto o grupo "outros setores" foi responsável pela criação de 9 000 novas ocupações. Na industria o nível ocupacional permaneceu estável, já no comercio e construção civil houve decréscimo de 6 000 e 4 000 postos respectivamente.
No setor serviços houve aumento da população ocupada nos subsetores de saúde (3,0%), educação (5,0%), administração e utilidade pública (1,1%) e "outros" (2,8%) . Nos demais subsetores houve queda na ocupação nos serviços de alimentação (-2,3%), transporte e armazenagem (1,3%) e reparação e limpeza (1,6%).
O setor industrial não apresentou em termos absolutos nenhuma variação em relação ao mês de agosto de 1998 mas, analisando os dados por subsetores verificou-se queda na indústria metal-mecânica (-3,3%) e aumento no subsetor outras industrias (2,7%), o subsetor têxtil e vestuário permaneceu sem nenhuma variação.
Tomando esses dados segundo a posição na ocupação observou-se elevação do número de assalariados sem carteira assinada (9 000), autônomos (5 000) e empregados domésticos (9 000). Para os assalariados com carteira assinada, assalariados no setor público e no conjuntos das demais posições na ocupação foram destruídos respectivamente 5 000, 2 000 e 7 000postos de trabalho.
Ainda segundo posição na ocupação, comparando-se com o mesmo período do ano anterior, verificou-se decréscimo dos assalariados com carteira (-19 000), autônomos (-1 000) e demais (-11 000). Em contrapartida houve acréscimo dos assalariados sem carteira (25 000) empregos domésticos (15 000) e assalariados do setor público (1 000).O aumentos dos assalariados sem carteira e a diminuição dos assalariados com carteira são indicadores da crescente deterioração do mercado de trabalho.
Rendimentos
No mês de agosto de 1998 observou-se redução no rendimento real médio do conjunto dos ocupados (-2,3%) e no salário real médio (-1,3%). Estes valores corresponderam, respectivamente, a R$569,61 e R$588,44, em agosto de 1998.
O salário real pago em média pelo setor privado permaneceu relativamente estável (-0,2%), em R$493,78. Por setor de atividade econômica, houve crescimento do salário médio na indústria e no comércio (2,4% e 5,6%, respectivamente) e redução no setor de serviços (-2,8%). Segundo a formalização do vínculo empregatício, o salário real médio permaneceu estável para os assalariados com carteira assinada e, para os sem carteira, subiu 3,3%.
Em relação a agosto de 1997, a pesquisa registrou queda de 4,1% no rendimento médio dos ocupados e aumento de 0,8% para os assalariados. Entre os assalariados do setor privado verificou-se redução de 1,0% nos seus rendimentos, se comparados a agosto/97. No setor privado, os trabalhadores na indústria e nos serviços registraram queda nos seus rendimentos médios de, respectivamente, 2,1% e 0,3%, e os do comércio tiveram aumento de 2,8%; o salário real médio dos trabalhadores com carteira subiu 1,2% e o dos sem carteira apresentou queda de 8,6% nos doze meses considerados.
A massa de rendimentos reais da RMBH caiu tanto para os ocupados (-1,9%) como para os assalariados (-0,8%) em agosto de 1998, resultado da redução observada nos níveis de rendimento e salário médios reais. Em comparação com agosto de 1997, a massa de rendimentos dos ocupados caiu 4,2%, resultado da estabilidade do nível de ocupação conjugada com a queda do rendimento real. Já a massa de salários reais subiu 2,9% desde agosto/97, resultado do aumento do nível de emprego (2,1%) combinado com o aumento do salário real médio (0,8%).
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos