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DIEESE - PED Belo Horizonte - Dezembro/99
PED/RMBH - ANÁLISE DOS RESULTADOS

.....

Em dezembro de 1999, parcelas significativas da população em idade ativa incorporaram-se ao mercado de trabalho, assim, a população economicamente ativa (PEA) foi estimada em 1 942 mil pessoas (21 mil a mais do que a estimada em novembro). Como foram criados 25 mil postos de trabalho, a taxa de desemprego e o número de desempregados reduziram-se no período. A taxa de desemprego passou de 17,5%, em novembro, para 17,1%, em dezembro. A população na situação de desemprego foi estimada em 332 mil pessoas (4 mil a menos que no mês anterior).

O aumento do nível ocupacional apresentou comportamentos diferentes de acordo com setor de atividade: houve relativa estabilidade do número de ocupados na indústria e aumento no setor de serviços, no comércio e na construção civil.

O rendimento real médio, do mês de novembro de 1999, de R$ 592,94, representou elevação de 1,4% em relação a outubro. Já o salário real médio, de R$ 615,64, permaneceu relativamente estável no período. A massa de rendimentos apresentou acréscimo de 1,8% em decorrência do aumento do rendimento real médio e da relativa estabilidade do nível ocupacional e a massa de salários elevou-se em 1,0%, como resultado do aumento do número de assalariados e relativa estabilidade do salário real médio.

Nas demais regiões metropolitanas cobertas pela PED, verificou-se que a taxa de desemprego reduziu-se em São Paulo de 18,6% em novembro para 17,5% em dezembro de 1999. Em novembro, a taxa de desemprego foi de 21,5% no Recife, 19,7% em Porto Alegre e 27,9% em Salvador. Para o Distrito Federal os dados disponíveis são de outubro: 20,5%.

Tabela 1 - População economicamente ativa e desempregada e taxas de desemprego
Região metropolitana de Belo Horizonte - 1998-1999

Especificação

1998

1999

Variações Absolutas

Dezembro

Novembro

Dezembro

Dezembro-99/
Novembro-99

Dezembro-99/
Dezembro-98

Em 1 000 pessoas

População Economicamente Ativa .

1.858

1.921

1.942

21

84

Desempregados

Total

303

336

332

-4

29

Aberto .

193

213

212

-1

19

Oculto .

110

123

120

-3

10

Taxas de Desemprego (% da PEA)

Total

16,3

17,5

17,1

-0,4

0,8

Aberto .

10,4

11,1

10,9

-0,2

0,5

Oculto .

5,9

6,4

6,2

-0,2

0,3

Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI).
Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG



Desemprego

No mês de dezembro de 1999, a taxa de desemprego reduziu-se de 17,5% para 17,1% da PEA. O número de desempregados foi estimado em 332 mil pessoas, 4 mil a menos do que em novembro.

Por tipo, verificou-se queda tanto do desemprego aberto, de 11,1% para 10,9%, quanto do desemprego oculto, de 6,4% para 6,2%. Destarte, no mês em análise, 212 mil pessoas encontravam-se na situação de desemprego aberto e 120 mil na situação de desemprego oculto.

No município de Belo Horizonte, a taxa de desemprego total passou de 16,3% para 16,1%. Esta redução resultou da queda do desemprego oculto (de 5,8% para 5,5%) uma vez que o desemprego aberto apresentou pequeno aumento no período (passou de 10,5% em novembro para 10,6% em dezembro). Nos demais municípios da RMBH, a taxa de desemprego total passou de 19,3% para 18,5% em decorrência da redução tanto do desemprego aberto (de 12,0% para 11,4%) quanto do desemprego oculto (de 7,3% para 7,1%).

Segundo atributos pessoais observou-se que a taxa de desemprego reduziu-se para os homens (de 16,1% para 15,3%) e permaneceu estável para as mulheres em 19,3%. A taxa de desemprego aumentou somente para os indivíduos a partir de 40 anos (de 9,2% para 9,6%). Por outro lado, diminuiu para os jovens de 10 a 17 anos (de 47,5% para 46,2%) e de 18 a 24 anos (de 28,5% para 26,8%). Para aqueles com idade entre 25 a 39 anos a taxa de desemprego manteve-se praticamente estabilizada em 13,1%, no período.

Comparando-se os resultados de dezembro de 1999 com dezembro de 1998, constatou-se que a taxa de desemprego total aumentou 4,9% (de 16,3% para os atuais 17,1%). A taxa de desemprego aberto elevou-se 4,8% e de desemprego oculto, 5,1%. Vale notar que, embora a taxa de desemprego permaneça em patamares bastante elevados, o aumento verificado em dezembro de 1999 foi bastante inferior ao encontrado em dezembro de 1998 e de 1997.

Nos últimos 12 meses, a taxa de desemprego elevou-se 5,9% no município de Belo Horizonte e 3,9% nos demais municípios da RMBH. Entretanto, por tipo, apresentou movimentos diferenciados: no município de Belo Horizonte o desemprego aberto apresentou variação de 9,3% e o desemprego oculto permaneceu estável. Nos demais municípios da região o desemprego aberto permaneceu relativamente estável (-0,9%) e o desemprego oculto apresentou variação de 12,7%.

Enquanto a taxa de desemprego masculina de dezembro de 1999 representou elevação de 6,3% em relação a taxa de dezembro de 1998; o desemprego feminino aumentou 3,2% no mesmo período. O acréscimo da taxa de desemprego atingiu com mais intensidade os indivíduos de 40 anos e mais (aumento de 26,3% da taxa), e de 18 a 24 anos (aumento de 12,6% da taxa). A taxa de desemprego dos jovens de 10 a 17 anos aumentou 5,2% e das pessoas de 25 a 39 anos reduziu-se em 3,0%.

Por posição do domicílio, vale registrar que o aumento da taxa de desemprego foi mais intensa para os chefes de domicílio (18,8%) do que para os demais membros (2,4%), na comparação.

Tabela 2 - Taxas de desemprego total
Regiões metropolitanas - 1998-1999

1998

1999

Regiões metropolitanas

Novembro

Dezembro

Setembro

Outubro

Novembro

Dezembro

Recife

21,0

20,4

21,8

21,7

21,5

Salvador

25,2

21,6

28,6

28,0

27,9

Distrito Federal

19,2

19,9

21,1

20,5

São Paulo

17,7

17,4

19,7

19,0

18,6

17,5

Porto Alegre

17,7

17,3

19,6

19,7

19,4

Belo Horizonte

15,7

16,3

17,8

17,7

17,5

17,1

Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI).
Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG (Belo Horizonte)- CODEPLAN/STb GDF (Distrito Federal) - SEP. SEADE/DIEESE (São Paulo) - FEE/FGTAS/SINE RS (Porto Alegre) - SEI/SETRAS/UFBA (Salvador) - STAS/SPCT-PE (Recife)



Ocupação

O nível ocupacional teve um crescimento expressivo no mês de dezembro de 1,6%.O contigente de ocupados foi estimado em 1 610 mil pessoas, 25 000 a mais que no mês anterior.

Segundo o setor de atividade observou-se relativa estabilidade na indústria (1 000 postos eliminados) principalmente de assalariados sem carteira assinada. Houve criação de 10 000postos de trabalho no setor de serviços, (em sua maioria assalariados com carteira assinada); de 4.000 ocupações no comércio (em especial de assalariados com e sem carteira assinada); 8 000 na construção civil (principalmente de assalariados sem carteira assinada). No conjunto dos "outros setores" de atividade econômica foram criados 4 000 novos postos de trabalho em dezembro de 1999.

O comportamento observado no nível de ocupação na indústria (-0,5%) decorreu da eliminação de postos de trabalho na metal-mecânica (-1,2%) e da estabilidade nos ramos têxtil e vestuário e agregado "outras indústrias".

No setor de serviços verificou-se movimentos diferenciados conforme os subsetores analisados: foram destruídos postos de trabalho nos serviços de alimentação(-5,4%), pelo quarto mês consecutivo, nos serviços de educação (-1,2%) e relativa estabilidade no grupo denominado "outros serviços" (-0,7%). No entanto, houve aumento de postos de trabalho em todos os outros segmentos do setor de serviços: transporte e armazenagem(11,3%), especializados (2,7%), administração e utilidade públicas (6,3%) e saúde (3,0%). Os serviços de reparação e limpeza permaneceram estáveis.

Por posição na ocupação, em dezembro, observou-se aumento de 12 000 assalariados com carteira, 7 000 assalariados sem carteira, 4 000 empregados domésticos e 3 000 assalariados no setor público. Ao mesmo tempo houve redução de 1 000 postos nas "demais posições da ocupação". A estimativa do contingente de trabalhadores autônomos manteve-se estável no período em análise.

Nos últimos doze meses, verificou-se acréscimo, de 3,5% no nível ocupacional, o que representou a criação de 55 mil ocupações.

Em relação a dezembro de 1998, houve aumento do nível ocupacional na indústria (2,1%), nos serviços (6,6 %) e na construção civil (3,1%). O contingente de ocupados no comércio, em dezembro de 1999, foi 3,7% inferior ao encontrado no mesmo período do ano anterior.

Segundo posição na ocupação, verificou-se aumento de 13,2% de assalariados no setor público, 1,8% de assalariados no setor privado com carteira assinada, 4,5% de assalariados sem carteira e 1,6% de autônomos, no período.

Tabela 3 - Ocupados, por posição na ocupação e setor de atividade econômica
Região metropolitana de Belo Horizonte 1998-1999

Especificação

Estimativas (em 1 000 pessoas)

1998

1999

Variações Absolutas

Dezembro

Novembro

Dezembro

Dezembro-99/
Novembro -99

Dezembro -99/
Dezembro -98

Total

1.555

1.585

1.610

25

55

Posição na Ocupação

Assalariados c/Carteira

625

624

636

12

11

Assalariados s/Carteira

154

154

161

7

7

Assalariado no Set. Públ.

182

203

206

3

24

Autônomos

325

330

330

0

5

Empregados Domésticos

160

160

164

4

4

Demais (1)

109

114

113

-1

4

Setor de Atividade

Indústria (2)

233

239

238

-1

5

Comércio

244

231

235

4

9

Serviços

773

813

823

10

50

Construção Civil (3)

131

127

135

8

4

Outros (4)

174

175

179

4

5

Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI).
Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG
(1) Empregadores, Trabalhadores Familiares sem Remuneração Salarial, Donos de Negócios Familiares, Profissionais Universitários Autônomos, Empregados Assalariados que não informaram o setor institucional e Outras Posições.
(2) Indústria de Transformação e Indústria Extrativa Mineral.
(3)Inclui Reformas e Reparação de Edificações.
(4) Inclui Serviços Domésticos, Agricultura, Pecuária e Extração Vegetal e Outras Atividades.



Rendimentos

O rendimento real médio, do total de ocupados, de novembro de 1999, atingiu um nível 1,4% superior ao registrado em outubro do mesmo ano; e dos assalariados permaneceu relativamente estável (-0,1%). Em valores monetários, o rendimento real médio foi de R$ 592,94 e dos assalariados, R$ 615,64.

Para os assalariados no setor privado o rendimento real médio apresentou redução de 2,2% como resultado da queda dos salários médios na indústria (-1,9%), no comércio (-1,6%) e no setor de serviços (-1,1%).

Enquanto o rendimento dos assalariados do setor privado com carteira assinada apresentou redução de 2,4%, o dos assalariados sem carteira assinada permaneceu relativamente estável, variando 0,6%.

A massa de rendimentos aumentou 1,8% em decorrência da combinação do aumento do rendimento real médio e da relativa estabilidade do nível ocupacional. Por outro lado, a massa de salários apresentou aumento no mês de novembro, de 1,0% como resultado da elevação do número de assalariados e relativa estabilidade do salário real médio.

Comparando-se os resultados com novembro de 1998, verificou-se que o rendimento real médio do total de ocupados reduziu-se 6,7% e o rendimento médio dos assalariados, 5,8%. Para os assalariados no setor privado o rendimento real médio apresentou redução de 10,3%, como resultado da queda dos salários na indústria (-3,4%), no comércio (-15,2%) e nos serviços (-10,8%). Enquanto o rendimento dos assalariados do setor privado com carteira assinada apresentou declínio de 11,7%, o dos assalariados sem carteira aumentou 2,3%.

Em relação a novembro de 1998, houve redução tanto da massa de rendimentos do total de ocupados (-6,4%) quanto da massa de salários (-5,9%). Estes resultados foram determinados pela redução do rendimento real médio do total de ocupados e dos assalariados e pela relativa estabilidade do nível ocupacional no período.


Tabela 4 -Rendimento real médio dos ocupados e dos assalariados, no trabalho principal
Região metropolitana de Belo Horizonte - 1997-1998

Especificação

Índice (1)

Rendimento real médio (2)

Variação relativa (%)

Novembro-99

Novembro-98

Outubro-99

Novembro-99

Novembro-99/
Outubro–99

Novembro-99/
Novembro-98

Ocupados (3)

88,4

635,05

585,08

592,94

1,4

-6,7

Assalariados (4)

94,4

653,56

616,29

615,64

-0,1

-5,8

Do Setor Privado

93,0

568,42

521,35

509,81

-2,2

-10,3
na indústria

95,6

657,23

646,63

634,65

-1,9

-3,4
no comércio

86,1

497,79

428,64

421,66

-1,6

-15,2
nos serviços

96,0

555,03

500,63

495,01

-1,1

-10,8
com carteira

92,4

624,42

565,23

551,60

-2,4

-11,7
sem carteira

94,9

318,94

324,46

326,43

0,6

2,3

Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI).
Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG
(1) Índice: Média/1996=100.
(2) Inflator utilizado: IPCA-BH (IPEAD). Valores em R$ de novembro de 1999.
(3) Exclusive os assalariados e empregados domésticos mensalistas que não tiveram remuneração no mês, os trabalhadores familiares sem remuneração salarial e os trabalhadores que ganharam exclusivamente em espécie ou benefício.
(4) Exclusive os assalariados que não tiveram remuneração no mês.




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