Em dezembro, foram criados 10 000 postos de trabalho entre autônomos na RMBH. Entretanto, no mesmo período houve diminuição do número de ocupados em outras posições, particularmente entre empregados com carteira assinada (perda de 6 000 empregos); como resultado, o total de pessoas ocupadas pouco se alterou, variando de 1 528 000 em novembro para 1 530 000 em dezembro (Tabela 3).
Mesmo esta reduzida variação no número de ocupados foi suficiente para gerar uma pequena diminuição no total de desempregados na RMBH, pois foi acompanhada pela subtração de 1 000 pessoas da PEA. Assim, a população desempregada alterou-se de 228 000 em novembro para 225 000 em dezembro, com uma variação da taxa de desemprego total de 13,0% para 12,8% neste período (Tabela 1).
Em comparação a dezembro de 1996, a situação no mercado de trabalho na RMBH em dezembro de 1997, conforme expressa pela taxa de desemprego, foi claramente deteriorada (a taxa de desemprego total em dezembro de 1996 havia atingido 10,7% da PEA). Esta piora, no entanto, não resultou tanto de um mau desempenho da ocupação, que cresceu 2,0% no período, mas do intenso ingresso no mercado de trabalho de pessoas que se encontravam na inatividade: 75 000 indivíduos foram incorporados à PEA nestes doze meses, com um incremento de 4,5%, bem acima do crescimento populacional (Tabela 1).
O rendimento real médio da população ocupada na RMBH em novembro de 1997, de R$ 593,08, foi 1,5% menor que o registrado em outubro deste mesmo ano. Entre os assalariados atingiu R$ 597,80, 1,0% abaixo do verificado no mês anterior. Em comparação a novembro de 1996, foi 3,9% e 0,5% inferior, no conjunto da população ocupada e entre os assalariados, respectivamente (Tabela 4).
Nas regiões metropolitanas onde a PED é realizada, observou-se nos meses de outubro e novembro que somente em Porto Alegre a taxa de desemprego total em 1997 reduziu-se em relação a 1996; em São Paulo, Belo Horizonte e no Distrito Federal, este indicador encontrou-se significativamente acima do registrado nos mesmos meses em 1996 (Tabela 2).
Tabela 1 - População Economicamente Ativa e Taxas de Desemprego - Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) - 1996-1997
ESPECIFICAÇÃO
1996
1997
VARIAÇÕES ABSOLUTAS
dez
nov
dez
dez-97/ nov-97
dez-97/ dez-96
Em 1.000 pessoas
População Economicamente Ativa
1.680
1.756
1.755
-1
75
Desempregados
Total
180
228
225
-3
45
Aberto
108
146
139
-7
31
Oculto
72
82
86
4
14
Taxas de Desemprego (% da PEA)
Total
10,7
13,0
12,8
-0,2
2,1
Aberto
6,4
8,3
7,9
-0,4
1,5
Oculto
4,3
4,7
4,9
0,2
0,6
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio FJP/DIEESE/ SEADE/SINE MG
Nota: Sinal convencional utilizado:
.. Não se aplica dado numérico (variações absolutas de proporções).
Desemprego
Na RMBH, a taxa de desemprego aberto reduziu-se de 8,3% em novembro para 7,9% em dezembro. No mesmo período, a taxa de desemprego oculto pelo trabalho precário ampliou-se de 3,2% para 3,4% da PEA, enquanto a taxa de desemprego oculto pelo desalento permaneceu estabilizada em 1,5%. No último mês, estimou-se que 139 000 pessoas se encontravam na situação de desemprego aberto e 86 000 na situação de desemprego oculto (Tabela 1).
A taxa de desemprego entre os homens diminuiu de 11,0% em novembro para 10,7% em dezembro, e entre as mulheres de 15,6% para 15,5%. Em dezembro de 1996, respectivamente 9,6% e 12,1% da população economicamente ativa masculina e feminina encontravam-se desempregados.
A redução da taxa de desemprego entre novembro e dezembro de 1997 foi mais acentuada entre os jovens: nas faixas etárias de 10 a 17 e de 18 a 24 anos de idade, diminuiu respectivamente de 39,1% para 35,9% e de 20,1% para 18,5%. Por outro lado, elevou-se na população com 25 a 39 anos, de 9,3% para 10,3% e, entre aqueles com 40 anos ou mais de idade, variou de 6,2% para 6,1%.
Tabela 2 - Taxas de Desemprego Total nas Regiões Metropolitanas Selecionadas - BRASIL - 1996-1997
REGIÃO METROPOLITANA
1996
1997
nov
ago
set
out
nov
Salvador
...
22,0
21,9
21,9
...
Distrito Federal
15,7
18,0
18,2
18,5
...
São Paulo
14,5
15,9
16,3
16,5
16,6
Curitiba
12,0
14,7
...
...
...
Porto Alegre
12,7
14,2
13,1
12,6
12,3
Belo Horizonte
11,0
13,8
13,7
13,5
13,0
Fontes: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG (Belo Horizonte) - CODEPLAN/STb GDF (Distrito Federal) - SEP. SEADE/DIEESE (São Paulo) - IPARDES/COPEL/SETA/SINE PR (Curitiba) - FEE/FGTAS/SINE RS (Porto Alegre) - SEI/SETRAS/UFBA (Salvador)
Nota: Sinal convencional utilizado:
... Dado numérico não disponível.
Ocupação
O número de ocupados em dezembro de 1997 pouco se alterou na RMBH, ao contrário do ocorrido em mesmo período de 1996. De novembro para dezembro de 1997, verificaram-se reduções no contingente ocupado na indústria (-3 000) e no comércio (-1 000), e ampliações nos serviços (1 000), na construção civil (2 000), e no agregado "outras atividades" (3 000) (Tabela 3).
Em comparação a dezembro de 1996, haviam respectivamente 9 000 e 1 000 pessoas ocupadas a menos na indústria e na construção civil; enquanto no comércio (11 000), nas "outras atividades" (12 000) e nos serviços (17 000), o número de ocupados em dezembro de 1997 foi maior (Tabela 3).
A relativa estabilidade do nível ocupacional em dezembro de 1997 resultou de certa recomposição das formas de ocupação. Em relação a novembro, o número de trabalhadores autônomos (por conta-própria) ampliou-se (10 000), o que também verificou-se entre empregados domésticos (2 000); por outro lado, o total de empregados assalariados no setor privado com carteira assinada decresceu (-6 000), o mesmo ocorrendo com empregados no setor público (-3 000). Vale destacar que, mesmo com este resultado negativo, o saldo em relação a dezembro de 1996 foi fortemente positivo para o emprego assalariado com carteira assinada (criação de 31 000 novos empregos) (Tabela 3).
Tabela 3 - Ocupados por Posição na Ocupação e Setor de Atividade Econômica - Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) - 1996-1997
ESPECIFICAÇÃO
ESTIMATIVAS (EM 1 000 PESSOAS)
VARIAÇÕES
(EM 1 000 PESSOAS)
RELATIVA (%)
dez-96
nov-97
dez-97
dez-97/ nov-97
dez-97/ nov-97
dez-97/ dez-96
Total
1.500
1.528
1.530
2
0,1
2,0
Posição na ocupação
Assalariados c/ cateira
573
610
604
-6
-1,0
5,4
Assalariados s/ carteira
153
144
144
0
0,0
-5,9
Assalariados no Setor Público
203
196
193
-3
-1,5
-4,9
Autônomos
300
304
314
10
3,3
4,7
Empregados domésticos
146
153
155
2
1,3
6,2
Demais (1)
125
121
120
-1
-0,8
-4,0
Setor de atividade
Indústria (2)
257
251
248
-3
-1,2
-3,5
Comércio
219
231
230
-1
-0,4
5,0
Serviços
737
753
754
1
0,1
2,3
Construção civil (3)
128
125
127
2
1,6
-0,8
Outros (4)
159
168
171
3
1,8
7,5
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG
(1) Empregadores, Trabalhadores Familiares sem Remuneração Salarial, Donos de Negócio Familiar, Profissionais Universitários Autônomos, Empregados Assalariados que não informaram o setor institucional em que trabalham e Outras Posições. (2) Indústria de Transformação e Indústria Extrativa Mineral. (3) Inclui Reformas e Reparação de Edificações. (4) Inclui Serviços Domésticos, Agricultura, Pecuária e Extração Vegetal e Outras Atividades.
Rendimentos
O rendimento real médio da população ocupada reduziu-se 1,5% em novembro de 1997 na RMBH, quando atingiu R$ 593,08; entre os assalariados, o rendimento real médio em novembro, de R$ 597,80, foi 1,0% inferior ao de outubro. Em relação a novembro de 1996, estes valores foram 3,9% e 0,5% inferiores, respectivamente (Tabela 4).
No setor privado, o rendimento real médio, de R$ 515,86 em novembro de 1997, foi 0,2% superior ao de outubro, permanecendo praticamente estável, embora tenham se verificado alterações significativas entre os setores de atividade, com decréscimos de 2,3% e 5,5%, respectivamente, na indústria e no comércio; e ampliação de 1,9% nos serviços (Tabela 4).
Também segundo a formalização do vínculo empregatício, a evolução do rendimento real médio em novembro foi diferenciada, tendo permanecido relativamente estável entre aqueles com carteira assinada (pequena variação negativa de -0,2%) e ampliado-se 2,2% entre os sem carteira (Tabela 4).
Tabela 4 - Rendimento Real Médio dos Ocupados e dos Assalariados no Trabalho Principal - Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH) - 1996-1997
ESPECIFICAÇÃO
ÍNDICE (1)
RENDIMENTO REAL MÉDIO (2)
VARIAÇÃO RELATIVA (%)
nov-97
nov-96
out-97
nov-97
nov-97/ out-97
nov-97/ nov-96
Ocupados (3)
100,2
617,49
602,07
593,08
-1,5
-3,9
Assalariados (4)
103,7
600,84
604,22
597,80
-1,0
-0,5
Do Setor Privado
106,7
509,13
515,28
515,86
0,2
1,3
na indústria
106,0
625,58
609,48
595,48
-2,3
-4,8
no comércio
92,2
458,33
450,81
425,59
-5,5
-7,2
nos serviços
111,7
469,28
487,14
496,37
1,9
5,8
com carteira
103,8
552,11
553,74
552,52
-0,2
0,1
sem carteira
127,4
333,53
340,61
348,37
2,2
4,4
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP), Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio FJP/DIEESE/SEADE/SINE MG
(1) Índice: Nov-95=100. (2) Inflator utilizado: IPCA-BH (IPEAD). Valores em R$ de Novembro de 1997. (3) Exclusive os assalariados e empregados domésticos mensalistas que não tiveram remuneração no mês, os trabalhadores familiares sem remuneração salarial e os trabalhadores que ganharam exclusivamente em espécie ou benefício. (4) Exclusive os assalariados que não tiveram remuneração no mês.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos