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Nanotecnologia: conhecer para enfrentar os desafios
Nanotecnologia: conhecer para enfrentar os desafios

A nanotecnologia refere-se a uma tecnologia que manipula a matéria na escala de átomos e moléculas - muito pequena, portanto - e é medida por nanômetros, onde um deles equivale a um bilionésimo do metro. Seu objetivo é transformar as características físico-químicas dos materiais e elementos tradicionalmente conhecidos e criar novos produtos, com características diferenciadas. Produtos desenvolvidos com esta tecnologia já estão sendo desenvolvidos e obrigam a uma reflexão sobre os impactos de sua aplicação no mundo do trabalho, principalmente no que se refere à saúde dos trabalhadores, o exercício de sua função e o impacto na ocupação.

A modificação geométrica a que a nanotecnologia submete os elementos faz como que adquiram características físico-químicas diferentes das “tradicionais”, ou seja, diferentes daquelas conhecidas no tamanho em que aparecem na natureza. Já existem vários produtos no mercado que utilizam nanotecnologia, sem o conhecimento da sociedade, uma vez que os produtos não são rotulados e não há regulamentação específica.

Esta nova tecnologia pode trazer possibilidades e riscos. Muito se fala de suas vantagens, mas pouco se sabe de seus riscos. Os materiais são alterados em uma escala não visível ao olho humano (a não ser com instrumentos especiais) e exige grandes investimentos em equipamentos científicos. A introdução da nanotecnologia representa desafio inédito para a sociedade e em especial aos trabalhadores que estarão envolvidos em sua produção e/ou manipulação. Nesse sentido, um questionamento surge com mais força: o quê deve ser controlado e quais instituições devem exercer esses controles sociais? O cidadão comum não será mais capaz de observar todas as atividades relevantes ao seu redor, enquanto as autoridades serão pressionadas a prover assistência e orientação contra a invasão da privacidade por parte dos produtores ou proprietários da tecnologia.

A introdução da nanotecnologia em processos produtivos vem ocorrendo principalmente nos países centrais do capitalismo, em que estão sediadas as matrizes das corporações transnacionais. Nos países da periferia, como o Brasil, materiais com nanoparticulas estarão sendo incorporados aos processos produtivos pelas filiais das corporações aqui instaladas, a partir de decisão unilateral dentro das empresas, que escapa totalmente ao controle público, seja da sociedade, dos trabalhadores, como dos órgãos do Estado que deveriam se encarregar desta regulação.

Torna-se fundamental a avaliação permanente do papel da nova tecnologia na melhora ou piora da situação social, diminuindo ou aumentando as desigualdades, a exclusão, conseqüências para saúde das pessoas e a degradação do meio ambiente. São, também, necessários estudos sobre os impactos sociais da incorporação de nanotecnologia nos processos produtivos – como as mudanças podem afetar os trabalhadores -, além da regulamentação de padrões de exposição, prevenção e intervenção de nanopartículas. Para que estes estudos possam se efetivar, coloca-se a necessidade de criação de um espaço público sobre nanotecnologia com a função de coordenar o diálogo social sobre o tema e orientar intervenções reguladoras.



A íntegra deste texto está disponível para sócios do DIEESE e assinantes das publicações Notas Técnicas e Estudos e Pesquisas.
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