DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
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DIEESE - Salário Mínimo
SALÁRIO MÍNIMO TEM QUE SER VALORIZADO

..... O salário mínimo é uma proteção institucional à remuneração dos trabalhadores não qualificados. Essa proteção pode se dar tanto de forma direta, através das negociações entre trabalhadores e empresários, que fixam os pisos salariais das categorias, quanto por intermediação do Estado, que também pode fixar o seu valor.

No século XX, o estabelecimento de um piso salarial para o ingresso no mercado de trabalho significou um melhor nível de vida para a classe trabalhadora, principalmente depois da crise de 1929.

Atualmente, nos países desenvolvidos, a política de salário mínimo está inserida em um conjunto de políticas sociais de garantias de renda e cidadania. Portanto, o papel da remuneração mínima nesses países é o de referenciar o nível de remuneração apenas para os trabalhadores sem nenhuma qualificação.

Nos países do terceiro mundo, a referência de um salário mínimo ganha maior importância, na medida em que a população trabalhadora desqualificada é relativamente maior. Além disso, o piso salarial é, ou deveria ser, a maior garantia de sobrevivência para grande parte da população e, ao mesmo tempo, um sinalizador para uma grande massa de salários intermediários.

O salário mínimo tem sido freqüentemente desprezado pelos formuladores de política econômica, e de resto por diversos economistas, como elemento de importância para garantia de proteção social para trabalhadores de baixa qualificação. Entretanto, esse é um importante instrumento de política econômica com efeitos sobre o nível da demanda geral por bens de baixo custo unitário, significando um componente com considerável influência na retomada da atividade, com reflexos significativos na redução do desemprego e da exclusão social.

Infelizmente, mais uma vez, o governo frustou as expectivas por medidas dessa natureza, ao fixar em R$ 112,00 o novo salário mínimo. Tal valor sequer considera a totalidade da inflação ocorrida desde a última revisão, em maio de 1995, o que significa, portanto, um rebaixamento real, ao invés de apontar para as medidas necessárias à sua valorização.

1. Quem é o trabalhador de salário mínimo no Brasil

As tabelas a seguir permitem uma visão do perfil do trabalhador de um salário mínimo ao longo da década de 80:

no início dos anos 90, perto de 22% dos trabalhadores recebiam até um mínimo;

na região Nordeste, essa parcela atingia 38%, no mesmo período.

Embora a proporção dos que ganham a remuneração mínima tenha se reduzido ao longo da década de 80, é preciso lembrar que o valor real do salário mínimo caiu significativamente. Isso significa que o trabalhador que recebia esse salário, em 1990, era mais pobre do que aquele remunerado pelo mínimo em 1985 ou 1989 e era menos pobre do que os que hoje dependem do mínimo nacional para viver.


Tabela 1 - Distribuição dos trabalhadores com salários até um salário mínimo, por região
Brasil- 1985,1989 e 1990 ( em %)

Regiões

Ano

Norte(1)

Nordeste

Sul

Sudeste

Centro-Oeste

Brasil

1985

21,2

44,4

20,2

24,2

26,3

29,1

1989

19,0

41,1

17,0

18,5

23,8

24,6

1990

16,0

37,6

14,3

15,9

18,9

21,6

(1) Exclusive a população rural da região Norte FONTEIBGE. PNAD,1985,1989,1990
Elaboração: DIEESE


Trabalhadores por conta própria ou assalariados?

Entre 1981 e 1989, nota-se a redução do número de trabalhadores por conta própria que recebem até um salário mínimo, ao mesmo tempo em que cresce a parcela assalariada. Em 1990, o crescimento do contingente de trabalhadores por conta própria foi acompanhado da queda do total de assalariados como proporção no total de ocupados.


Tabela 2 - Distribuição dos ocupados que recebem até um salário mínimo
no trabalho principal, segundo a posição na ocupação
Brasil -1981, 1985,1989 e 1990 (em %)

Posição na ocupação

Ano

Empregados

Conta Própria

Empregador

Total

1981

69,3

30,4

0,3

100,0

1985

71,2

28,6

0,2

100,0

1989

72,7

26,9

0,4

100,0

1990

70,9

28,5

0,4

100,0
FONTEIBGE. PNAD,1981,1985,1989 e 1990
Elaboração: DIEESE


Jornada de Trabalho

Entre os que recebem o salário mínimo, a jornada semanal de trabalho mais freqüente é entre 40 e 48 horas, o que revela que grande parte desses trabalhadores exerce, no mínimo, a jornada normal, isto é, não se submete a tempo parcial.


Tabela 3 - Distribuição dos ocupados que recebem até um salário mínimo no trabalho principal , segundo as horas de trabalho semanais
Brasil -1981,1985,1989 e 1990 (em %)

Horas de Trabalho

Ano

Até 39

40 a 48

49 ou +

NI

Total

1981

29,5

47,6

22,8

0,1

100,0

1985

26,5

48,3

25,1

0,1

100,0

1989

30,7

49,5

19,8

0,0

100,0

1990

31,4

48,4

20,2

0,0

100,0
FONTEIBGE. PNAD,1981,1985,1989 e 1990
NI = Não informado
Elaboração: DIEESE


Registro em Carteira

A grande maioria dos trabalhadores que recebe até um salário mínimo trabalha em condições precárias e sequer tem carteira de trabalho assinada. Em 1989 e 1990, considerando todas as faixas de renda, encontravam-se cerca de 40% dos empregados sem carteira de trabalho assinada. Em 1989, nada menos que 68% do total recebiam remuneração até um mínimo, percentual que saltou para 72%, em 1990.

Ao se analisar a distribuição salarial, segundo a posse da carteira, percebe-se que mais da metade dos trabalhadores sem carteira de trabalho assinada recebia, em 1989, até o limite de um salário mínimo. Em 1990, com o aumento da participação da parcela que recebia mais que 5 mínimos, essa proporção caiu para 47%. Esse dado poderia indicar que a precarização do trabalho se expandiu para as faixas salariais mais elevadas e, portanto, que exigem maior qualificação.


Tabela 4 - Distribuição dos empregados por faixas de renda, segundo
a posse de carteira de trabalho assinada no trabalho principal
Brasil - 1989 e 1990 (em %)

Ano/ empregado

Faixas de renda em salário mínimo

Até 1

De 1 a 5

Mais de 5

NI(1)

Total

1989

Sem carteira

51,1

40,1

7,8

1,0

100,0

Com carteira

16,4

61,9

21,3

0,4

100,0

1990

Sem carteira

47,0

40,7

11,0

1,3

100,0

Com carteira

13,1

61,8

24,7

0,4

100,0

(1) NI = não informado; inclusive os sem rendimento FONTE IBGE. PNAD,1989 e 1990
Elaboração: DIEESE


Grau de Instrução

Ao longo da década de 80, cresceu o nível geral de instrução do trabalhador brasileiro, com o aumento dos anos de estudo da população. Entre 1981 e 1989, esse mesmo movimento pôde ser observado para o trabalhador de salário mínimo, o que revelou uma tendência alarmante: cresceu a proporção dos trabalhadores com certa formação na parcela pior remunerada da economia. Em 1990, mesmo com a redução discreta dos trabalhadores com mais de quatro anos de estudo que recebiam o piso, não se pode afirmar que essa realidade se reverteu.


Tabela 5 - Distribuição dos ocupados que recebem até um salário mínimo,
segundo anos de estudos
Brasil - 1981,1985,1989 e 1990 (em %)

Anos de estudo

Ano

Menos de 1

1 e 4

mais de 4

NI

1981

36,3

44,4

19,1

0,2

1985

31,5

43,5

24,7

0,3

1989

29,5

42,2

28,2

0,1

1990

30,1

42,6

27,2

0,1
Fonte:IBGE. PNAD,1981,1985,1989 e 1990
NI= não informado
Elaboração: DIEESE

2. Comparações internacionais do salário mínimo
A tabela 6, a seguir, mostra que mesmo entre países com nível de desenvolvimento e renda comparáveis, a remuneração mínima no Brasil deixa a desejar. Em 1995, o salário mínimo brasileiro alcançou a média de US$ 98,00, maior apenas que a do Peru e Bolívia. Há que se considerar que nesses países o Produto Nacional Bruto (PNB) per capita, indicador da riqueza disponível por habitante, é sensivelmente menor que o brasileiro.



Tabela 6 - PNB per capita, menor remuneração mensal e jornada semanal de trabalho
Países selecionados (em US$)

País

PNB per capta 1992

Salário mínimo mensal

Jornada de trabalho

EUA(1)

23.240

680

40 h

Dinamarca

26.000

1.325

37 h

França

22.260

1.000

37 h

Itália

20.460

800

36 h

Espanha

13.970

590

34 h

Argentina

6.050

200

48 h

Uruguai

3.340

160

40 h

México

3.983

127

40 h

Peru

950

70

40 h

Paraguai

1.380

145

45 h

Bolívia

680

80

40 h

Brasil

3.008 (2)

98 (3)

44 h
FONTE Banco Mundial, consulados e embaixadas
Elaboração: DIEESE
Notas:(1) O salário mínimo é fixado para o valor hora. O dado considera a carga horária mensal.
(2) Dado de 1993.
(3) Salário mínimo médio de 1995.



Poder de compra

Para efeito de comparação do poder de compra do salário mínimo, pode-se observar o nível de preços de uma cesta básica composta por 11 produtos alimentícios, no Brasil, na Argentina e nos Estados Unidos. Considerou-se o salário mínimo brasileiro de março de 1996 e uma taxa de câmbio de Us$ 1,00 para R$ 1,00. No caso norte-americano e argentino, adotou-se o salário mínimo de Us$ 680,00 e US$ 200,00, respectivamente.

O menor custo do conjunto desses produtos verificou-se no Brasil, mas, quando tal gasto é relacionado com o salário mínimo, a situação se inverte drasticamente. O trabalhador brasileiro compromete mais de 85% do ganho mensal na aquisição daquela cesta básica, enquanto os argentinos cerca de 50% e os norte-americanos, 15%.



Tabela 7 - Gasto com cesta básica e poder de compra do salário mínimo
EUA, Argentina e Brasil

Custo da cesta em US$

Custo da cesta/Salário mínimo

Produtos

Quant.

EUA

Argentina

Brasil

EUA

Argentina

Brasil

Carne bovina

6 Kg

33,79

22,38

25,38

5,0%

11,2%

25,4%

Leite in natura

7,5 l

5,63

4,43

4,72

0,8%

2,2%

4,7%

Arroz

3 kg

3,51

5,13

1,98

0,5%

2,6%

2,0%

Farinha de trigo

1,5 kg

0,77

0,80

1,20

0,1%

0,4%

1,2%

Batata

6 kg

4,50

2,58

4,92

0,7%

1,3%

4,9%

Tomate

9 kg

19,44

19,71

10,26

2,9%

9,9%

10,3%

Pão francês

6 Kg

9,96

8,88

14,58

1,5%

4,4%

14,6%

Café em pó

600 g

5,89

6,65

4,09

0,9%

3,3%

4,1%

Banana

7,5 Dz

10,69

14,74

10,05

1,6%

7,4%

10,1%

Açúcar refinado

3 kg

2,49

2,34

2,19

0,4%

1,2%

2,2%

Manteiga

750 g

5,40

13,08

5,79

0,8%

6,5%

5,8%

Total

102,06

100,71

85,16

15,0%

50,4%

85,2%
FONTE ILO: Statistics on Occupational Wages of Work and on Food prices, 1993 and 1994 e DIEESE.
Obs.: Para EUA e Argentina, preços de 1994. Para Brasil, preços no município de São Paulo, em março de 1996.

3. Salário mínimo e crescimento econômico no Brasil
Finalmente, para demonstrar o nível de deterioração do salário mínimo no país, pode-se observar as trajetórias díspares do piso salarial e a evolução do Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O gráfico revela o descaso da política de salários para a população de baixa renda. O crescimento da produtividade, indicada pela evolução do PIB, mostra que, embora no seu conjunto a economia pudesse absorver a sustentação do nível real do salário mínimo, apenas no período de 1952 a 1964, isso de fato ocorreu. Desde então, a remuneração mínima vem sofrendo um processo de compressão e de distanciamento em relação ao crescimento econômico e à produtividade.

Fonte: BACEN e DIEESE

4. O debate sobre o reajuste do salário mínimo

Os críticos da opção pelo aumento do salário mínimo argumentam que tal providência aumentaria os custos do trabalho, induzindo as empresas a reduzir o nível de emprego, entre outros efeitos econômicos desastrosos.

Na verdade, ainda não foi apresentado ao debate um estudo conclusivo sobre tais efeitos negativos de um aumento do salário mínimo. Por outro lado, pesquisas recentes realizadas nos Estados Unidos (por exemplo, os trabalhos de Card e Krueger) concluem que:

aumentos no salário mínimo não produzem modificações significativas no emprego;

as empresas tendem a rever todos os salários, ou seja, preservam a estrutura interna de salários;

as empresas não respondem com medidas extra-salariais, como aumento de preços ou redução de benefícios trabalhistas.


O salário mínimo na administração pública

Segundo os últimos dados disponíveis, de 1992, revelados pela Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o peso relativo dos que ganham salário mínimo na administração pública parece ser bem menor do que nos é levado a crer.

As tabelas 8.a, 8.b e 8.c, a seguir, apresentam a distribuição salarial nos níveis de administração federal, estadual e municipal, sempre com dados de 1992. Ao nível federal, os trabalhadores que ganham até um salário mínimo somavam 19.036 pessoas, ou 3,5% do efetivo total. O peso do total desses salários era de apenas 0,25% sobre a folha salarial. No nível estadual, 54.540 trabalhadores ganhavam até o mínimo e seus salários representavam 0,31% da massa salarial dos estados. Por fim, os municípios remuneravam 137.350 trabalhadores com salários até um mínimo, que representavam um gasto equivalente a 1,56% do total de salários pagos.

Portanto, é preciso que se demonstre a inviabilidade de um aumento do salário mínimo, no que diz respeito ao impacto nas folhas salariais da administração pública, já que, no agregado, 210.926 trabalhadores estariam nesse nível de remuneração, o que compromete, ao todo, apenas 0,6% da folha salarial da União, estados e municípios.

Com base nessas informações, é possível estimar um impacto do reajuste, por exemplo, de 30% no salário mínimo. Para efeito dos cálculos, supõe-se que trabalhadores com remuneração até doi salários mínimos seriam atingidos (o que superestima o resultado, já que, rigorosamente, somente os trabalhadores que recebem até R$ 130,00 seriam atingidos). Assim, os impactos estimados variam da seguinte forma:

0,1% sobre a folha federal;

1,5% sobre a folha estadual;

3,0% sobre a folha municipal.


Tabela 8.a - Distribuição salarial na administração pública federal direta e autárquica - Brasil - 1992

Faixa de salário mínimo

Número de trabalhadores

Total de Salários

Salário Médio

Absolutoo

% Faixa

% Acum.

Em R$

% Faixa

% Acum.

Em S.M

Em R$

0,00 0,50

228

0,04%

0,04%

8.903

0,00%

0,00%

0,39

39,05

0,51 1,00

18.808

3,44%

3,49%

1.550.439

0,25%

0,25%

0,82

82,44

1,01 2,00

4.491

0,82%

4,31%

645.912

0,10%

0,36%

1,44

143,82

2,01 3,00

49.515

9,07%

13,38%

13.059.588

2,12%

2,47%

2,64

263,75

3,01 4,00

37.632

6,89%

20,27%

13.037.288

2,11%

4,59%

3,46

346,44

4,01 5,00

57.521

10,53%

30,80%

26.247.753

4,25%

8,84%

4,56

456,32

5,01 7,00

117.293

21,48%

52,28%

70.231.388

11,38%

20,22%

5,99

598,77

7,01 10,00

83.866

15,36%

67,64%

69.608.815

11,28%

31,50%

8,30

830,00

10,01 15,00

75.060

13,75%

81,39%

91.520.063

14,83%

46,33%

12,19

1.219,29

15,01 20,00

35.491

6,50%

87,89%

61.040.614

9,89%

56,22%

17,20

1.719,89

MAIS DE 20,0

66.126

12,11%

100,00%

270.192.833

43,78%

100,00%

40,86

4.086,03

Total

546.031

100,00%

617.143.596

100,00%

11,30

1.130,24
FONTE RAIS, 1992 Elaboração: DIEESE


Tabela 8.b - Distribuição salarial na administração pública estadual direta e autárquica - Brasil - 1992

Faixa de Sal. Mínimo

Número de trabalhadores

Total de salários

Salário Médio

Absoluto

% Faixa

% Acum.

Em R$

% Faixa

% Acum.

Em S.M

Em R$

0,00 0,50

4.920

0,23%

0,23%

194.269

0,02%

0,02%

0,39

39,49

0,51 1,00

49.620

2,35%

2,59%

3.825.809

0,30%

0,31%

0,77

77,10

1,01 2,00

414.428

19,66%

22,25%

61.818.897

4,81%

5,13%

1,49

149,17

2,01 3,00

331.843

15,74%

38,00%

83.038.867

6,46%

11,59%

2,50

250,24

3,01 4,00

275.404

13,07%

51,06%

95.198.380

7,41%

19,00%

3,46

345,67

4,01 5,00

215.290

10,21%

61,28%

96.785.482

7,53%

26,54%

4,50

449,56

5,01 7,00

283.782

13,46%

74,74%

168.035.217

13,08%

39,62%

5,92

592,13

7,01 10,00

227.240

10,78%

85,52%

189.742.119

14,77%

54,39%

8,35

834,99

10,01 15,00

170.890

8,11%

93,63%

202.381.185

15,76%

70,14%

11,84

1.184,28

15,01 20,00

50.930

2,42%

96,05%

87.072.153

6,78%

76,92%

17,10

1.709,64

MAIS DE 20,0

83.293

3,95%

100,00%

296.449.943

23,08%

100,00%

35,59

3.559,12

Total

2.107.640

100,00%

1.284.542.321

100,00%

6,09

609,47
Fonte: RAIS, 1992
Elaboração: DIEESE


Tabela 8.c - Distribuição salarial na administração pública municipal direta e autárquica - Brasil - 1992

Faixa de Sal. mínimo

Número de trabalhadores

Total de salários

Salário médio

Absoluto

% Faixa

% Acum.

Em R$

% Faixa

% Acum.

Em S.M

Em R$

0,00 0,50

30.051

2,04%

2,04%

1.236.644

0,18%

0,18%

0,41

41,15

0,51 1,00

107.299

7,28%

9,32%

9.248.647

1,38%

1,56%

0,86

86,20

1,01 2,00

390.859

26,52%

35,84%

56.307.692

8,39%

9,96%

1,44

144,06

2,01 3,00

269.290

18,27%

54,11%

66.121.390

9,86%

19,81%

2,46

245,54

3,01 4,00

175.343

11,90%

66,01%

60.565.691

9,03%

28,84%

3,45

345,41

4,01 5,00

117.148

7,95%

73,96%

52.215.830

7,78%

36,63%

4,46

445,73

5,01 7,00

139.610

9,47%

83,43%

82.132.192

12,24%

48,87%

5,88

588,30

7,01 10,00

102.169

6,93%

90,36%

84.835.662

12,65%

61,52%

8,30

830,35

10,01 15,00

78.122

5,30%

95,66%

94.228.012

14,05%

75,56%

12,06

1.206,16

15,01 20,00

28.322

1,92%

97,58%

48.759.157

7,27%

82,83%

17,22

1.721,60

MAIS DE 20,0

35.615

2,42%

100,00%

115.163.242

17,17%

100,00%

32,34

3.233,56

Total

1.473.828

100,00%

670.814.159

100,00%

4,55

455,15
Fonte: RAIS, 1992
Elaboração: DIEESE


O salário mínimo na Previdência Social

O argumento de impactos insuportáveis sobre as contas da Previdência Social pode ser analisado a partir da tabela 9, que apresenta a distribuição dos benefícios por faixa de salário mínimo. Os 10.820.388 (69%) beneficiários que recebem um salário mínimo consomem 40,58% do volume de benefícios mensais. Adotando o mesmo critério anterior, pode-se concluir que o impacto do aumento do mínimo seria da ordem de 12,2%.

Evidentemente, a importância do impacto é maior no caso da Previdência Social.. Entretanto, é preciso considerar a contrapartida nas receitas: as contribuições tanto dos segurados quanto das empresas vão aumentar. Infelizmente, não há informações disponíveis da arrecadação, discriminadas entre contribuições dos segurados e empresariais. Essa separação é relevante porque as alíquotas diferem muito (as empresas contribuem com 20% sobre a folha e os segurados de baixa renda com 8% sobre o salário).

De todo modo, mesmo considerando a importância de tais impactos, isso não deve impedir a revisão do salário mínimo. A questão da Previdência Social precisa ser resolvida através de reformas no sistema previdenciário, no sentido de moralizar/racionalizar gastos e receitas, e da estrutura tributária e fiscal que possibilitem a ampliação da base de arrecadação e alivie a capacidade contributiva como forma de contrabalançar o aumento de custos decorrentes da recuperação do salário mínimo.


Tabela 9 - Benefícios totais por faixa de salário mínimo
Brasil - dezembro de 1995

Faixa de sal. mínimo

Número de benefícios

Valores dos benefícios

Benefício médio R$

Absoluto

% Simples

% Acumul.

Em R$

% Simples

% Acumul.

Menos de 1

383.562

2,44%

2,44%

18.232.892

0,68%

0,68%

47,54

De 1 Sal. Mínimo

10.820.388

68,81%

71,25%

1.082.038.800

40,58%

41,26%

100,00

De 1 a 2

1.541.542

9,80%

81,05%

224.780.764

8,43%

49,69%

145,82

De 2 a 3

852.745

5,42%

86,48%

209.791.438

7,87%

57,56%

246,02

De 3 a 4

582.982

3,71%

90,18%

202.832.381

7,61%

65,17%

347,92

De 4 a 5

478.084

3,04%

93,22%

214.169.160

8,03%

73,20%

447,97

De 5 a10

1.034.979

6,58%

99,81%

667.026.335

25,01%

98,21%

644,48

De 10 a 15

22.176

0,14%

99,95%

25.532.544

0,96%

99,17%

1.151,36

De 15 a 20

3.499

0,02%

99,97%

5.994.946

0,22%

99,39%

1.713,33

20 e mais

4.817

0,03%

100,00%

16.146.565

0,61%

100,00%

3.352,00

Total

15.724.774

100,00%

2.666.545.825

100,00%

169,58
Fonte: MPAS. Informe da Previdência Social, janeiro de 1996
Obs: Os benefícios abaixo de um salário mínimo são desdobramentos que independem do piso.
Elaboração: DIEESE

5. Conclusões

Vive-se hoje, no Brasil, um momento importante em que, apesar das incertezas da política de estabilização apoiada na âncora cambial, é possível prever um período de crescimento sustentado. Neste novo contexto de relativa estabilidade de preços, a situação dos trabalhadores das faixas mais baixas de renda encontra-se sob pressão de um mercado de trabalho excludente, que, pela via da precarização das relações de emprego, impõe limites severos à melhoria das condições de vida da população.

Acredita-se que este é o momento de o governo agir com mais ousadia e retirar o salário mínimo da posição de variável de ajuste econômico para a posição de item chave na melhoria da distribuição de renda em benefício dos trabalhadores. Para isso, no entanto, é necessário optar por uma política de valorização do salário mínimo, fixando-se metas e criando-se condições para o seu crescimento.

Embora seja uma medida fundamental, a revisão do salário mínimo, isoladamente, não terá como efeito a resolução de todas dificuldades enfrentadas pelo trabalhador brasileiro. Essa discussão deve ser considerada no conjunto de reformas estruturais, como a tributária e a fiscal, que adequem arrecadação e necessidades de gastos sociais. Além disso, deve-se pensar em uma efetiva reestruturação da política educacional de base que permita à grande massa de excluídos se inserir no mercado de trabalho e resgatar a verdadeira condição de cidadãos.


DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos