DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Busca

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Emprego e Desemprego
Índice do Custo de Vida
Cesta Básica Nacional
Salário Mínimo Necessário
Publicações
Pesquisas
Indicadores
Conjuntura
Metodologias
Educação
Projetos de Cooperação
Internacional
Licitações
Oportunidades


    Área de Assinantes

Estudos e Pesquisas

Notas Técnicas

    Serviços

Calcule o expurgo de seu FGTS

Fontes rurais

Rede de Apoio à Negociação


DIEESE - Conjuntura - Maio/97
A ACELERAÇÃO DO DESEMPREGO NA GRANDE SÃO PAULO

..... Após sete meses em queda contínua, como resultado da reversão das medidas de contenção da política econômica adotadas em abril de 1995, o desemprego na região metropolitana de São Paulo volta a subir nos primeiros meses de 1997. Este fato, em si, não deveria causar surpresas, pois o comportamento já era esperado para essa época do ano. No entanto, se por um lado o crescimento do desemprego é esperado, por outro o ritmo desse mesmo crescimento deve ser objeto de atenção especial.

A taxa de desemprego era de 13,9% da PEA em janeiro de 1997, salta rapidamente para 14,2% no mês seguinte, e para 15% em março. Comparando-se com o ano anterior, a taxa de março é exatamente a mesma verificada para o mesmo mês há um ano atrás e a expectativa é de que o mesmo se repita em abril.

Cabem aqui duas questões: por que o desemprego está crescendo tão rapidamente? E o que se pode esperar nos próximos meses, em termos de desemprego?

A resposta mais comum para a primeira questão é a de que o país pode estar presenciando os efeitos do desemprego tecnológico. Ele seria o resultado da ampla reestruturação da economia brasileira provocada pela abertura econômica registrada nesta década. Essas mudanças têm implicado na difusão da automação microeletrônica e da informática e nas inovações organizacionais com base nos sistemas japoneses de produção. Portanto, haveria uma queda estrutural na capacidade do sistema econômico em absorver novos empregos.

Esse fator estrutural sem dúvida está presente, mas isso ainda não é predominante no processo. É mais provável que as flutuações do desemprego (não seu patamar) estejam determinadas por fatores conjunturais, como aqueles devidos ao regime de política econômica adotado nos últimos anos. Devido às limitações impostas pela opção de estabilização econômica com base num âncora cambial, a política econômica tem perseguido uma taxa de crescimento da atividade que não pressione excessivamente a balança comercial. Dessa forma, o padrão de crescimento reproduz o modelo do "para e segue" ( stop and go): após o rápido crescimento da economia, de julho de 1994 a março de 1995, o governo adotou medidas restritivas, principalmente devido ao alerta da crise mexicana e seus efeitos sobre a economia brasileira. Isto jogou o desemprego em trajetória ascendente, do final de 1995, até meados de 1996.

Devido às críticas freqüentes de vários atores sociais - dos sindicatos às entidades empresariais - aos excessos da contenção econômica e também em função do calendário político, o governo reverteu sua política, permitindo uma nova fase de expansão, que logo teve seus efeitos sobre o mercado de trabalho, reduzindo as taxas de desemprego.

Esse perfil instável de crescimento econômico tem afetado a gestão empresarial da mão-de-obra. Com a expectativa de que a demanda é volátil, por causa do regime "para e segue", as empresas ajustam suas necessidades de horas para a produção com a contratação de horas-extras e não de mão-de-obra adicional quando a produção cresce, e de corte de horas-extras, quando a produção cai. Isso pode ser uma explicação para o tempo que a taxa de desemprego leva para crescer quando a atividade econômica se desacelera, e para cair quando há expansão da atividade.

Neste início de 1997, a taxa de desemprego pode estar em rápida aceleração devido ao crescimento das horas-extras seguido de demissões, já como ajuste à esperada queda da atividade econômica no primeiro semestre. De fato, a porcentagem de trabalhadores fazendo horas-extras na Grande São Paulo saltou para 46,6%, enquanto a média verificada para 1996 foi de 42,5%. Não é demais lembrar que esse fenômeno também tem contribuído para elevar o patamar do desemprego, pois em 1985 a porcentagem de trabalhadores fazendo horas-extras nesta região era de 22,4% e essa porcentagem dobrou desde então.

A resposta à primeira questão está dada. Agora cabe analisar a tendência do desemprego nos próximos meses. O ritmo do crescimento do desemprego está acelerado, registrando taxas superiores, ou no mínimo iguais às verificadas em 1996. Não deveriam ser, não fosse o impulso do uso excessivo de horas-extras.

Mas o fato de as taxas estarem no mesmo nível das do ano passado é preocupante, pois os últimos dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre o produto interno bruto (PIB) revelam que, no primeiro trimestre de 1997, o PIB é 4,21% maior que o do mesmo período de 1996. Portanto, as taxas de desemprego do primeiro trimestre deveriam ser menores. Cabe ainda sublinhar que o PIB do primeiro trimestre de 1996 foi 2,26% menor que o medido para o mesmo período de 1995! Logo, em 1996, as taxas de desemprego eram ascendentes para um PIB em queda e, neste início de ano, tanto as taxas de desemprego quanto o PIB crescem. Assim, é provável que a taxa de desemprego, nos próximos meses, venha a superar os recordes da pesquisa, principalmente se o governo aprofundar as medidas de contenção do crescimento econômico já adotadas nesse início de segundo trimestre de 1997.

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos