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DIEESE - Supermercados eliminam vagas e ganham produtividade - Dezembro/97

SUPERMERCADOS ELIMINAM VAGAS E GANHAM PRODUTIVIDADE
.....
Os trezentos maiores supermercados do país eliminaram cerca de 70 mil postos de trabalho em dez anos, período em que o faturamento e a produtividade por funcionário aumentaram, no entanto, 15% e 46%, respectivamente. O aumento dos investimentos em automação comercial, modernização da tecnologia de informação, mudanças no modelo de gestão, ampliação das formas de crédito ao consumidor, otimização da área de venda e melhorias na qualidade do atendimento são algumas tendências verificadas no setor, decorrentes de um intenso processo de reestruturação que se acentuou nos anos 90. Essas são algumas das constatações apresentadas no estudo "Perfil do setor supermercadista no Brasil - desempenho 1987/1996", elaborado pelo DIEESE.

A atividade de comércio divide-se, tradicionalmente, em dois grandes blocos ou segmentos: alimentício e não alimentício, ou, ainda, entre bens de consumo duráveis, semi-duráveis e não duráveis. Obviamente que, dada a diversidade de formas que o setor engloba atualmente, essas classificações são insatisfatórias. A exemplo de outros setores, o comércio passa por um período de profundas transformações, apresentando todo o tipo de diversificação tanto nas formas como nos locais de venda. Assim, torna-se difícil definir de forma precisa as atividades de cada segmento.

Integrado ao comércio, o setor supermercadista não foge à regra e também apresenta uma estrutura bastante diversificada: os supermercados de pequeno porte, os supermercados propriamente ditos e os grandes hipermercados, além de outros tipos de estabelecimentos, como os clubes de compras, que surgiram mais recentemente.

Reconhecendo essa diversidade de formas de organização da atividade comercial, este estudo tem como objetivo básico traçar um perfil analítico do desempenho do segmento supermercadista no Brasil, um dos mais importantes do comércio varejista. As fontes de dados utilizadas foram as revistas "SuperHiper", que traz o ranking nacional dos supermercados, publicada pela Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), o 26º relatório anual da revista "Supermercado Moderno" e um trabalho intitulado "Informe Setorial", com informações sobre o comércio varejista, elaborado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), além dos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged, lei 4.923/65) do Ministério do Trabalho.


Perfil da rede supermercadista
A análise apresentada a seguir refere-se às trezentas maiores empresas do setor instaladas no Brasil, com informações relativas ao período de 1987 a 1996.

Como mostram os dados da tabela 1, as maiores redes de supermercados com atuação no país contavam, em 1996, com um total de 3.100 lojas, ou 37,4% menos que as 4.949 existentes em 1987.


Tabela 1 - Perfil físico das trezentas maiores
empresas de supermercado - Brasil
Ano 1987 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1996/87
Nº de lojas 4.949 4.949 4.042 3.548 3.440 3.430 3.140 3.059 3.100
Variação (%)
- 18,3 - 12,2 - 3,0 - 0,3 - 8,5 - 2,6 1,3 37,4
Área m 2 4120.950 4223.668 3952.970 3923.843 3935.540 3871.884 3905.340 3752.780
Variação (%)
2,5 - 6,4 - 0,7 0,3 - 1,6 0,9 - 3,9 8,9
Nº de check-outs (caixas) 40.943 42.463 39.597 39.517 39.939 39.295 39.369 36.648
Variação (%)
3,7 - 6,7 - 0,2 1,1 - 1,6 0,2 - 6,9 10,5
Check-outs/loja 8,3 10,5 11,2 11,5 11,6 12,5 12,9 11,8
Variação (%)
27,0 6,2 2,9 1,4 7,5 2,8 - 8,1 42,9
Área de venda(m 2)/loja 833 1.045 1.114 1.141 1.147 1.233 1.277 1.211
Variação (%)
25,5 6,6 2,4 0,0 7,5 3,5 - 5,2 45,4
Fonte: revista SuperHiper - abril/97.
Elaboração:DIEESE.

Em termos de espaço físico, esse conjunto de estabelecimentos ocupava, em 1996, cerca de 3,75 milhões de m 2, ou seja, uma área equivalente a 487 campos de futebol. A exemplo do que ocorreu com o número de lojas, embora em menor proporção, a área de venda diminuiu 8,9% em relação a 1987.

O cruzamento dessas informações indica uma clara tendência de aumento da área de venda por loja. Em outras palavras, dois fenômenos podem ter ocorrido no setor supermecadista, nos últimos dez anos: as lojas dos supermercados tiveram seu espaço ampliado e/ou, após terem sido fechadas, permaneceram abertas, com maior freqüência, os estabelecimentos maiores.

O segmento de supermercado tem como principal característica o auto-serviço, ou seja, a ausência de vendedores ou atendentes junto aos produtos colocados à venda. Outro aspecto característico desse ramo de atividade é a existência, em grande número, de baterias de caixas registradoras, ou check-outs, onde se realiza o pagamento e o empacotamento de mercadorias.

Em 1996, o número de check-outs totalizava 36.648 unidades, o que significou queda de 10,5% em comparação com as 40.943 existentes em 1987, acompanhado a tendência de redução verificada no número de lojas (-37,4%) e área de venda (- 8,9%).

É interessante notar que, entre 1987 e 1995, tanto o número de check-outs por loja quanto a relação área de venda (m 2) por loja são crescentes, exceto em 1996, quando comparado com o ano anterior.

Quando se compara o número de check-outs com o de lojas, constata-se que, em 1996, a média era de 11,8 check-outs por loja. Embora esse total tenha caído 8,5% de 1995 para 1996, nos últimos dez anos registrou crescimento de 42,9%. No mesmo período, ocorreu um movimento semelhante na relação área de venda (m 2 ) por loja, com o incremento de 45,4%.
Apesar do expressivo aumento da área de venda das lojas, aliado à queda do número de estabelecimentos e de check-outs, a relação entre check-outs e área das lojas não se alterou significativamente ao longo do período analisado, mantendo-se em torno de um check-out para cada 100 m 2.
O emprego no setor
Em 1996, os trezentos maiores supermercados empregavam cerca de 254.193 trabalhadores, número 21,5% menor que os 323.936 registrados em 1987. Nos últimos dez anos, portanto, o setor eliminou 69.743 postos de trabalho.

Na década de 90, a redução de postos de trabalho nos trezentos maiores supermercados só não ocorreu em 1993, período em que o nível de emprego cresceu 5,4% em relação a 1992. A queda mais drástica da ocupação no setor se deu em 1991, quando foram dispensados 34.091 (-11,%) (tabela 2).


Tabela 2 - Evolução do emprego nas trezentas maiores
empresas de supermercado - Brasil
Ano 1987 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1996/87
Nº de empregados 323.936 308.012 273.921 267.667 282.129 278.550 273.929 254.193
Variação (%)
- 4,9 - 11,1 - 2,3 5,4 - 1,3 - 1,7 -7,2 - 21,5
Nº de empregados/loja 65,5 76,2 77,2 77,8 82,3 88,7 89,5 82,0
Variação (%)
16,4 1,3 0,8 5,7 7,8 0,9 - 8,4 25,3
Empregados/ 100 m 2 7,9 7,3 6,9 6,8 7,2 7,2 7,0 6,8
Variação (%)
-7,2 - 5,0 - 1,6 5,1 0,4 - 2,5 - 3,4 - 13,8
Empregados/ check-out 7,9 7,3 6,9 6,8 7,1 7,1 7,0 6,9
Variação (%)
- 8,3 -4,6 - 2,1 4,3 0,3 - 1,8 - 0,3 - 12,3
Fonte: revista SuperHiper - abril/97.
Elaboração:DIEESE.


Quando se compara o total de empregados com o número de lojas, nota-se que, em 1996, cada estabelecimento contava, em média, com 82 funcionários. Assim, as lojas de supermercados podem ser consideradas locais de grande concentração de trabalhadores. Apenas para efeito de comparação, na indústria de transformação do Estado de São Paulo, em 31 de dezembro de 1994, o número médio de trabalhadores era de 31,4. Outro exemplo é o dos bancos privados, consideradas as nove maiores instituições financeiras pelo critério de importância do patrimônio líquido, que dispunham, também em 1996, de 26,3 funcionários por agência.

Apesar do crescimento do número médio de funcionários por loja, também aumentou a responsabilidade e o ritmo de trabalho dos empregados nos supermercados, no que se refere à área a ser cuidada.

Os dados agregados mostram que a combinação da área de vendas e do número de empregados resultou na diminuição do número de funcionários para cada 100 m2 de venda. Enquanto em 1987 existiam 7,9 empregados por 100m 2, em 1996, esse número caiu para 6,8, ou menos 13,9%.

Em outra relação, constata-se que o número de empregados por caixa recuou 12,3% entre 1987 e 1996, de tal forma que, neste último ano, existiam 6,9 empregados por caixa. Isso indica que, na distribuição funcional interna dos supermercados, a participação dos caixas aumentou em relação às demais funções, nos últimos dez anos.

Se a função de caixa ganhou maior participação, o contrário pode estar acontecendo com outra antiga função dentro da estrutura de funcio NAMEnto dos supermercados: a de repositor de estoque, que, inclusive, tende a desaparecer, cedendo lugar à de promotor de vendas. Com essa substituição, por exemplo, os produtos da empresa A fornecedora do supermercado B, ao invés de serem organizados/repostos nas gôndolas pelo funcionário do supermercado B, passariam a ser ofertados pelo promotor da empresa A.

Faturamento
Embora este trabalho tenha como principal foco de análise os trezentos maiores supermercados, é importante destacar a participação de todo o segmento no produto interno bruto (o valor total de bens e serviços finais produzidos em um país durante um determinado período). Em 1996, o faturamento bruto do setor supermercadista alcançou R$ 46,4 bilhões, correspondendo a cerca de 6,2% do PIB.

A evolução do faturamento agregado das trezentas maiores empresas de supermercado revela que, entre 1987 e 1996, o setor enfrentou dificuldades, uma vez que, no período de 1990 a 1993, o faturamento ficou abaixo do patamar obtido em 1987. Os anos de 1994 e 1995 caracterizaram-se pelo aumento das vendas, mas, em 1996, registrou-se nova queda de 3,4%. No balanço de dez anos, contudo, houve crescimento de 15%, em termos reais, conforme mostram os dados da tabela 3.


Tabela 3 - Indicadores de faturamento das trezentas maiores
empresas de supermercado - Brasil
Ano 1987 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1996/87
Faturamento (1) (em bilhões R$ de 1996) 27,62 26,24 23,48 24,58 25,69 28,72 32,87 31,76
Variação (%)
- 5,0 - 10,5 4,7 4,5 11,8 14,4 -3,4 15,0
Faturamento/loja 5580.750 6491.384 6616.759 7145.647 7488.569 9147.737 10744.284 10245.806
Variação (%)
16,3 1,9 8,0 4,8 22,2 17,5 -4,6 83,6
Faturamento/m 2 6.702 6.212 5.939 6.265 6.527 7.419 8.416 8.464
Variação (%)
-7,3 - 4,4 5,5 4,2 13,7 13,4 0,6 26,3
Faturamento/ Check-outs 674.575 617.907 592.880 622.037 643.126 730.981 834.839 866.678
Variação (%)
-8,4 -4,1 4,9 3,4 13,7 14,2 3,8 28,5
Produtividade (Faturamento/empregado em R$) 85.261 85.186 85.704 91.834 91.043 103.119 119.983 124.952
Variação (%)
-0,1 0,6 7,2 -0,9 13,3 16,4 4,1 46,6
Fonte: revista SuperHiper - abril/97.
Elaboração:DIEESE.(1): deflacionado pelo IGP-FGV médio.

Nesse período, note-se, o desempenho favorável do faturamento dos supermercados também foi alavancado pela redução do número de lojas, da área de venda e do número de empregados. A comparação entre a área ocupada e o faturamento por m 2 obtido por essas empresas revela que, enquanto a primeira cresceu 15%, o segundo avançou 26,9%.

Outro indicador que caracteriza esse crescimento é o faturamento por caixa, que se elevou 28,4%. Somente esse dado já indica aumento na relação produto do supermercado(venda)/funcionário em pelo menos uma função, a de caixa.

A queda de 4,6% do faturamento médio por loja, que ocorreu entre 1995 e 1996, não foi suficiente para impedir que o setor registrasse, no saldo dos últimos dez anos, significativo ganho de 83,4%. Mais do que a expansão do faturamento no período, esse resultado se deveu à redução do número de estabelecimentos.

O segundo melhor resultado no balanço de 1987 a 1996 foi encontrado na relação de faturamento por empregado (produtividade), indicando expansão de 46,6% no período. Neste último ano, por exemplo, cada funcionário empregado nos trezentos maiores supermercados do país equivalia, em média, a um faturamento real de R$ 124.952,00.

Todos esses indicadores atestam, portanto, que, tanto do ponto de vista da estrutura (faturamento/área, loja ou check-out), quanto do quadro de pessoal (faturamento/trabalhador), os maiores supermercados do país aumentaram muito os índices de produtividade. Com a redução do número de funcionários, intensificou-se a carga média de trabalho de cada empregado, que passou a ser responsável por uma área de venda maior.

Entre outros fatores, esse fenômeno pode ser explicado pelo avanço tecnológico, resultado de um intenso processo de reestruturação empresarial no setor, pela vertiginosa queda do patamar de inflação, contribuindo, em parte, para a estabilidade econômica. Combinado com um quadro econômico mais estável, o aumento do uso do código de barras também tem abolido algumas funções dentro dos supermercados.

Além disso, o setor conta com uma eficiente logística de distribuição e aquisição de produtos, sustentada por uma moderna tecnologia de informação. Esse conjunto de fatores acarretou fortes impactos no nível de emprego do comércio e, particularmente, no caso dos supermercados.
Produtividade
Embora existam diversos conceitos de produtividade e vários critérios para mensurá-la, neste estudo a fórmula adotada foi a do resultado da relação volume de faturamento (venda) por efetivo de empregados, que pode ser considerada como produtividade financeira.

O acirrado processo de competitividade no setor e a busca da eficiência por parte das empresas têm resultado em taxas crescentes de produtividade. Contudo, a evolução do nível de emprego é inversa: no intervalo de 1987 e 1996, enquanto a produtividade no setor cresceu 46%, a ocupação caiu 21,5%.

Entretanto, qualquer indicador (faturamento/caixa, faturamento/empregado, entre outros) que se adote para medir a produtividade, sempre se constata que ela é crescente no período analisado. Tal comportamento pode ser visualizado no gráfico 1.

Em outras palavras, o esforço e o desempenho individual de cada trabalhador contribuíram para elevar as receitas e o faturamento dos supermercados, sem que os ganhos de produtividade tenham se convertido, necessariamente, em aumentos dos salários do conjunto de trabalhadores do setor.



Remuneração
Os dados da tabela 4 mostram a participação do salário médio no faturamento dos supermercados em termos do estado de São Paulo, grandes regiões e Brasil. Trata-se de uma simulação, para a qual utilizaram-se fontes de dados diferentes, o que pode implicar em alguma inconsistência, uma vez que as informações sobre faturamento estão restritas às trezentas maiores lojas de supermercados e as de salário médio a todos os supermercados que constam no universo do cadastro geral de empregados e desempregados (Caged). Mesmo assim, não deixa de ser uma referência.

Os dados demonstram que, na média, o peso dos salários no faturamento do ramo supermercadista é irrisório. Tradicionalmente, grande parte das despesas gerais do setor está relacionada à aquisição de mercadorias. Da mesma forma, historicamente as margens de lucro obtidas com a atividade fim não são das mais elevadas, pois parte considerável dos ganhos provém do giro rápido de estoques, prazo elástico para pagamento aos fornecedores, venda à vista, juros elevados nas vendas à prazo e receitas financeiras decorrentes de aplicações no mercado financeiro, particularmente no período de inflação alta.


Tabela 4 - Participação do salário médio no faturamento
dos supermercados 1996
Estado/região Salário médio (R$)* Nº de empregados Faturamento (R$) Salário 1 X Faturamento
São Paulo 347,00 82.729 12816.332.694 2,91
Sul 293,00 57.995 6027.835.531 3,66
Sudeste (2) 263,00 58.124 6503.296.681 3,06
Centro-Oeste 242,00 8.197 1184.685.599 2,18
Nordeste 224,00 43.086 4806.628.830 2,61
Norte 233,00 4.062 423.579.262 2,90
Brasil 280,00 254.193 31762.358.597 2,91
Fonte: Caged - lei 4.923/65 Mtb/revista SuperHiper. Elaboração: DIEESE.
(*) Valores médio correntes.
(1) inclui o 13º salário.
(2) Exceto São Paulo. Apenas para o cálculo do salário médio São Paulo está incluído no Sudeste.

Comparações regionais
Do ponto de vista regional, há diferentes características no segmento de varejo alimentício, comumente conhecido como ramo supermercadista. Os estados de São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, concentram a maior parte das grandes lojas e hipermercados. Mas há também uma parcela considerável dos estabelecimentos de pequeno porte que se distribuem entre Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso e Distrito Federal.

A região Sudeste concentra o maior número de supermercados, respondendo por mais da metade das vendas, como demonstram os dados do gráfico 2.




Dentro da Região Sudeste, São Paulo respondeu, no ano passado, por 66,3% do faturamento total dos supermercados, empregando 59% da mão-de-obra do setor. Se considerado o quadro nacional, no mesmo período, o estado foi responsável pelo emprego de 32,5% do total de trabalhadores e por 40,3% da receita total obtida pelo segmento, da ordem de R$ 31,8 bilhões.

A tabela 5 traz um ranking nacional com alguns indicadores de desempenho do setor em cada estado. Os trezentos maiores supermercados do país, que responderam por mais de 65% das vendas nesse ramo do comércio varejista em 1996, empregavam 254.193 trabalhadores e possuíam um total de 3.100 lojas.

Apenas cinco estados - São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná e Rio Grande do Sul - responderam por cerca de 75% do total de trabalhadores em supermercados. Em termos de produtividade (faturamento médio por empregado) destaca-se o Pará, onde cada funcionário representou, em média, vendas equivalentes a R$ 206.781,00.

Tabela 5 - Participação dos trezentos maiores supermercados Brasil - 1996
UF Faturamento bruto 1996 (R$) (%) Número de lojas (%) Número de Empregados (%) Faturamento (R$) por empregado
SP 12.816.332.694 40,35 775 25,00 82.729 32,55 154.919
RJ 4.670.456.011 14,70 314 10,13 42.518 16,73 109.847
RS 2.904.124.007 9,14 324 10,45 28.811 11,33 100.799
PR 1.954.327.240 6,15 175 5,65 17.348 6,82 112.654
BA 1.692.805.706 5,33 606 19,55 18.151 7,14 93.262
MG 1.515.432.405 4,77 139 4,48 12.263 4,82 123.578
SC 1.169.384.284 3,68 302 9,74 11.836 4,66 98.799
PE 1.040.139.712 3,27 86 2,77 7.739 3,04 134.402
DF 543.812.189 1,71 32 1,03 3.431 1,35 158.500
RN 490.530.777 1,54 30 0,97 3.513 1,38 139.633
SE 395.499.173 1,25 43 1,39 3.687 1,45 107.269
CE 351.411.521 1,11 40 1,29 2.841 1,12 123.693
ES 317.408.265 1,00 33 1,06 3.343 1,32 94.947
GO 303.776.724 0,96 28 0,90 2.681 1,05 113.307
PB 281.784.993 0,89 24 0,77 2.105 0,83 133.865
AL 230.585.926 0,73 13 0,42 1.808 0,71 127.536
MA 192.015.745 0,60 29 0,94 1.849 0,73 103.848
MT 189.111.699 0,60 18 0,58 1.193 0,47 158.518
AM 171.642.657 0,54 27 0,87 1.701 0,67 100.907
MS 147.984.987 0,47 8 0,26 892 0,35 165.902
PI 131.855.277 0,42 28 0,90 1.393 0,55 94.656
RO 117.431.157 0,37 18 0,58 1.395 0,55 84.180
PA 105.044.503 0,33 3 0,10 508 0,20 206.781
TO 16.151.507 0,05 4 0,13 264 0,10 61.180
AC 13.299.438 0,04 1 0,03 194 0,08 68.554
TOTAL 31.762.348.597 100,00 3.100 100,00 254.193 100,00 124.954
Fonte: Revista SuperHiper.
Elaboração DIEESE.


O grupo francês Carrefour lidera o ranking nacional de supermercados. Em 1996, o faturamento bruto da empresa alcançou R$ 4,9 bilhões. O número de empregados chegou a 23.976, distribuídos por uma área total de venda de 450.348 m 2, mantendo-se na segunda posição em termos de faturamento por empregado (R$ 204.246,00), atrás apenas do supermercado Cândia, no qual cada empregado respondeu por uma receita média de R$ 304.559,00.

O segundo lugar no ranking é ocupado pela rede Companhia Brasileira de Distribuição (Pão de Açúcar), exceto em número de lojas, que é cinco vezes superior ao de seu maior concorrente, o Carrefour que conta com 44 unidades de venda.

Consideradas as 30 maiores redes de supermercados com sede no Estado de São Paulo, Carrefour e Pão de Açúcar respondem por cerca de 55% das vendas globais na região.


Perspectivas
Na avaliação de alguns analistas, o setor supermercadista brasileiro é um dos que mais crescem em vendas no mundo, devendo acompanhar, ou mesmo superar, a expansão do PIB nos próximos cinco anos, cujas estimativas variam desde 2,5% até 4,5%. Nos Estados Unidos e Europa, o aumento anual oscila entre 1% e 2%.

Essa perspectiva de crescimento deve-se, entre outras razões, à estabilidade da moeda, à manutenção do poder aquisitivo dos salários, particularmente entre a população de baixa renda, e às mudanças nos hábitos de consumo.

Embora representem apenas 15,5% do total das unidades de venda no varejo do país, os supermercados respondem por aproximadamente 85% do abastecimento interno de gêneros alimentícios e de produtos de higiene pessoal e limpeza doméstica.

Os mesmos analistas consideram que há ainda grandes possibilidades de crescimento do setor e as empresas contam com muitas oportunidades para ampliação do faturamento através do aumento das vendas médias por m 2 de área de exposição de mercadorias, por check-out e por funcionário.

Além disso, uma estratégia que deverá se intensificar no setor supermercadista é a utilização de marcas próprias, que hoje representam cerca de 2% do mix de produtos nas gôndolas. A estimativa para os próximos cinco anos é que esse percentual atinga 10% dos itens colocados à venda.

Ao longo dos anos 90, vários segmentos do comércio varejista - e não apenas o de supermercados - têm passado por um intenso processo de reestruturação. A abertura da economia brasileira, no início da década, e o aumento da concorrência interna e externa (com a entrada no país de novas redes, como o Wal-Mart) exigiram transformações organizacionais e de estratégias em parte considerável das empresas do setor supermercadista.

Ademais, a implantação do Plano Real, em julho de 1994, impulsionou o setor na busca pelo aumento de eficiência e disputa pelo mercado, notadamente de consumidores das chamadas classes de renda C, D e E, nas quais, como se sabe, há uma demanda reprimida pela aquisição de gêneros de primeira necessidade e de bens de consumo duráveis.

No caso dos hipermercados, observa-se um aumento da áraea de venda das unidades, que passaram a ter um formato semelhante ao das lojas de departamentos, pulverização, redução de custos etc.

Com o aumento da concorrência dos hipermercados, os supermercados (a diferença entre os dois tipos de estabelecimento reside, basicamente, no número de caixas e no mix de produtos), lojas de conveniência, clubes de compras etc., têm aumentado os investimentos em automação comercial e gerencial, promovendo mudanças de lay-out, expansão de marcas próprias e de financiamento ao consumidor, aumento do mix de produtos disponíveis nas gôndolas, entre outras iniciativas.

Algumas tendências verificadas no setor decorrentes desse processo de reestruturação em curso podem ser assim resumidas:

maiores investimentos em automação comercial;

avanço da tecnologia da informação;

mudanças nos modelos gerenciais, através da modernização dos métodos de gestão, profissionalização e gerência por categoria de produtos;

ampliação das formas de crédito (aceitação de cartões de crédito próprio ou de administradoras e cheques pré-datados);

otimização da área de vendas;

estreitamento das margens de lucro;

melhoria na qualidade do atendimento ao consumidor (mais exigente);

ênfase e uma melhor gestão em trei NAMEnto de recursos humanos;

vendas por meio da rede mundial de comunicação Internet (ainda pouco representativas).

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos