DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Busca

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Emprego e Desemprego
Índice do Custo de Vida
Cesta Básica Nacional
Salário Mínimo Necessário
Publicações
Pesquisas
Indicadores
Conjuntura
Metodologias
Educação
Projetos de Cooperação
Internacional
Licitações
Oportunidades


    Área de Assinantes

Estudos e Pesquisas

Notas Técnicas

    Serviços

Calcule o expurgo de seu FGTS

Fontes rurais

Rede de Apoio à Negociação

Sistema de georreferenciamento

Anuário dos Trabalhadores - Sistema de consulta


DIEESE - Cesta Básica Nacional - Abril/97
Índice do Boletim DIEESE - Maio de 1997

.....
Expediente

Conjuntura

Estudos e Pesquisas - 1

Estudos e Pesquisas - 2

Negociação

Documentos Sindicais

Internacional

Anuário dos Trabalhadores

Mercado de Trabalho

Acordos

Greves

Custo de Vida

Cesta Básica Nacional


Custo da Cesta Básica Sobe para R$ 102,81 em São Paulo
Os preços de alguns alimentos de primeira necessidade voltaram a apresentar fortes altas em abril, comprometendo mais uma vez o poder de compra dos trabalhadores que ganham salário mínimo. A Pesquisa Nacional da Cesta Básica, realizada mensalmente pelo DIEESE em dezesseis capitais do país, apurou aumentos em quinze cidades, exceto em Belo Horizonte
(- 0,40%), onde se constatou o maior número de quedas. Ao todo, os aumentos mais expressivos foram registrados para batata, tomate, feijão preto, leite in natura tipo C e banana.

O maior custo da cesta básica, composta por treze produtos na região Centro-Sul e doze no Norte/Nordeste, conforme prevista no decreto-lei nº 399, de 30 de abril de 1938, foi registrado em São Paulo - R$ 102,81, com alta de 1,67% sobre março - o valor mais elevado desde o início do Plano Real. Também em Curitiba o preço desse conjunto de gêneros de primeira necessidade superou R$ 100,00, totalizando R$ 100,26, o que representou aumento de 2,88%. A exemplo do que ocorreu no mês anterior, a cesta mais barata foi encontrada em João Pessoa (R$ 77,90), apesar do aumento mensal de 5,94%.

Ao longo dos primeiros quatro meses do ano, a alta acumulada dos preços da cesta básica alcança 16,17%, em Fortaleza, 15,32%, em Porto Alegre, 13,75%, em Belém, 13,48%, em Curitiba, 11,44%, em Goiânia, 11,40%, no Rio de Janeiro, 11,32%, em João Pessoa, 11,31%, em Vitória, e 10,98%, em São Paulo. Os menores aumentos ocorreram em Natal (5,21%), Salvador (5,29%) e Recife (6,00%). No mesmo período, o Índice do Custo de Vida (ICV) calculado pelo DIEESE subiu de 4,22%.

Como atingiu o maior custo apurado pela pesquisa, mais uma vez a cesta básica de São Paulo foi a referência para o DIEESE calcular o salário mínimo necessário à manutenção de uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Resultado: R$ 863,71, contra R$ 849,51 em março, ou 7,7 vezes mais que o salário vigente em abril (R$ 112,00).

Mesmo concentrada em alguns produtos, a alta de preços em abril comprometeu ainda mais o orçamento do trabalhador que ganha salário mínimo. Considerada a média das dezesseis capitais pesquisadas, ele teria que desembolsar 84,98% de seu rendimento líquido (R$ 103,04) se quisesse adquirir todos os produtos da cesta básica, mais que os 82,43% verificados em março. Há um ano, a situação era ainda mais desfavorável, uma vez que a mesma aquisição consumiria 86,72% do salário recebido (neste caso, R$ 92,00, após o desconto de 8% sobre os R$ 100,00 para a Previdência Social).

A pesquisa também constatou, em abril, aumento do tempo de trabalho (comparado com o salário bruto) para que aquele mesmo trabalhador pudesse adquirir a cesta básica. Na soma das dezesseis capitais, ele precisaria cumprir uma jornada de 172 horas, mais que as 166 horas de março ou as 156 horas de janeiro últimos. Há um ano atrás, seriam necessárias 176 horas.

Novas altas

Repetindo o comportamento verificado desde fevereiro, embora com menor intensidade em abril, os preços do tomate mantiveram-se elevados em doze capitais. Os aumentos ainda foram expressivos em pelo menos quatro cidades: Fortaleza (31,53%), Porto Alegre (30,23%), João Pessoa (29,00%) e Aracaju (24,07%). As quedas ocorreram no Rio de Janeiro (- 16,18%), Brasília (- 6,60%), Belo Horizonte (- 3,54%) e Vitória (- 0,95%)

A batata, pesquisada somente no Centro-Sul, também se destacou entre os produtos com aumentos significativos dos preços em abril. A exemplo do mês anterior, as altas ocorreram nas nove capitais da região acompanhadas pelo DIEESE, que oscilaram de 2,94%, em Brasília, até 22,81%, em São Paulo.

O feijão preto foi outro produto que ficou mais caro em abril, ao contrário da variedade carioquinha ou cores, cujos preços baixaram, principalmente nas cidades do Nordeste. As capitais que concentraram os maiores aumentos foram Porto Alegre (16,71%), Curitiba (14,15%) e Vitória (12,50%), destacando-se ainda Rio de Janeiro (7,61%) e Brasília (6,31%).

Os preços do leite in natura tipo C subiram de forma acentuada em Curitiba (11,58%), Goiânia (7,01%) e Brasília (6,34%), caíram em João Pessoa (- 1,27%) e no Rio de Janeiro (- 1,23%), mantendo-se estáveis (com variação nula) em outras seis capitais. Nesta época do ano, a oferta do produto tende a diminuir devido à entressafra da pecuária leiteira.

A variação dos preços da banana também foi diferenciada em abril. O produto chegou a subir 31,91%, no Rio de Janeiro, 19,89%, em Aracaju, e 19,16%, em Fortaleza. Em compensação, ficou 12,96% mais barato, em média, em Aracaju, 4,29%, em Belo Horizonte, e 4,23%, em Brasília.

Para a carne bovina, que responde pelo maior peso na composição da cesta básica, a pesquisa registrou queda dos preços em oito capitais - a maior ocorreu em Florianópolis (- 4,47%) - e alta em outras cinco cidades, destacando-se os aumentos em Natal (9,05%), Brasília (3,47%) e Fortaleza (2,66%).

Depois dos aumentos de fevereiro e março, os preços do café em pó subiram menos em abril. As maiores altas foram anotadas em Goiânia (5,53%), Florianópolis (5,45%) e Belém (5,21%), ocorrendo quedas em quatro capitais: Vitória (- 3,89%), Recife (- 2,03%), João Pessoa (- 0,52%) e Porto Alegre (- 0,47%).

A queda dos preços predominou no caso do arroz. As baixas foram mais acentuadas em Porto Alegre (- 20,.48%), Vitória (- 7,61%) e Florianópolis (- 6,02%), registrando-se aumentos somente em Natal (2,26%) e em Fortaleza (1,50%).

Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais
Abril de 1997
Capital Valor da cesta (R$) Variação mensal (%) Porcentagem do salário mínimo líquido Tempo de Trabalho Variação acumulada no ano (%)
São Paulo 102,81 1,67 99,78 201h 57min 10,98
Curitiba 100,26 2,88 97,30 196h 56min 13,48
Porto Alegre 96,95 4,28 94,09 190h 26min 15,32
Rio de Janeiro 93,72 1,12 90,95 184h 06min 11,40
Belo Horizonte 91,54 - 0,40 88,84 179h 49min 6,65
Florianópolis 90,24 1,67 87,58 177h 15min 8,28
Brasília 90,02 1,55 87,36 176h 49min 7,37
Belém 88,74 6,19 86,12 174h 19min 13,75
Vitória 83,83 1,33 81,36 164h 40min 11,31
Natal 83,46 3,70 81,00 163h 56min 5,21
Goiânia 82,88 3,41 80,43 162h 48min 11,44
Aracaju 80,51 6,37 78,13 158h 09min 5,53
Fortaleza 80,09 7,85 77,73 157h 19min 16,17
Recife 79,65 0,52 77,30 156h 27min 6,00
Salvador 78,47 3,54 76,15 154h 08min 5,29
João Pessoa 77,90 5,94 75,60 153h 01min 11,32
Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica - DIEESE.

Tabelas da Cesta Básica Nacional

Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste


Brasília

Goiânia


Região Centro-Oeste


Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória


Região Sul


Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre


Regiões Norte e Nordeste


Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador


Ração Essencial
Preços Médios em abril de 1997
(em R$)
Produtos Centro-Oeste Sudeste Sul Norte/Nordeste
Brasília Goiânia Belo
Horizonte
Rio de
Janeiro
São
Paulo
Vitória Curitiba Floria-
nópolis
Porto
Alegre
Aracaju Belém Fortaleza João
Pessoa
Natal Recife Salvador
Carne 4,18 3,57 4,08 3,71 4,38 3,94 4,04 4,27 4,17 3,95 3,39 4,20 4,20 4,34 4,00 4,18
Leite 0,67 0,61 0,75 0,75 0,70 0,64 0,77 0,64 0,62 0,65 0,90 0,80 0,78 0,79 0,79 0,75
Feijão 1,16 0,91 1,03 1,13 1,32 1,16 1,04 1,26 1,04 0,98 1,79 1,12 1,08 1,07 1,16 0,93
Arroz 0,73 0,82 0,64 0,75 0,71 0,85 0,74 0,78 0,66 1,03 0,83 0,75 0,91 0,88 0,84 0,91
Farinha 1 0,75 0,72 0,65 0,67 0,75 0,71 0,49 0,72 0,55 0,70 0,76 0,62 0,87 0,72 0,87 0,81
Batata 2 1,05 1,23 1,16 1,20 1,40 1,17 1,35 0,69 1,14 - - - - - - -
Tomate 0,99 1,15 1,09 1,45 1,71 1,04 1,41 1,34 1,68 1,34 1,57 1,46 1,29 1,47 1,09 1,06
Pão 2,10 2,15 2,60 2,81 2,38 2,40 2,20 2,37 2,57 1,89 2,51 2,24 1,90 1,90 2,09 1,98
Café 6,15 7,32 6,50 6,21 7,31 5,35 8,36 6,76 7,00 5,97 6,74 6,34 6,41 6,44 6,44 7,96
Banana 1,60 0,87 1,34 1,24 1,37 0,70 1,70 0,70 1,10 1,51 1,69 0,87 0,86 1,28 1,44 1,32
Açúcar 0,72 0,52 0,66 0,59 0,63 0,60 0,59 0,67 0,64 0,55 0,70 0,54 0,65 0,58 0,56 0,54
Óleo 0,92 0,91 0,91 0,90 0,97 0,93 0,85 0,95 0,87 1,06 1,10 1,05 1,08 1,13 0,97 1,12
Manteiga 6,39 6,96 6,24 6,23 8,64 6,10 7,50 7,05 6,00 7,14 3,93 6,30 7,05 7,47 6,75 7,50
Gasto
Mensal
90,02 82,88 91,54 93,72 102,81 83,83 100,26 90,24 96,95 80,51 88,74 80,09 77,90 83,46 79,65 78,47
Tempo de
trabalho
176h
49min
162h
48min
179h
49min
184h
06min
201h
57min
164h
40min
196h
56min
177h
15min
190h
26min
158h
09min
174h
19min
157h
19min
153h
01min
163h
56min
156h
27min
154h
08min
Cidade
mais
cara
7ª; 11ª; 5ª; 4ª; 1ª; 9ª; 2ª; 6ª; 3ª; 12ª; 8ª; 13ª; 16ª; 10ª; 14ª; 15ª;

(1)Farinha de mandioca no Nordeste; farinha de trigo nas demais Regiões.
(2)Ração do Nordeste não prevê consumo de batata.
Os preços médios da Ração Essencial referem-se a 1 quilo, 1 litro e 1 dúzia, exceto no caso do óleo (900ml).
No mês de abril de 1997, o salário mínimo em todas as cidades pesquisadas valia R$ 112,00.



Salário mínimo nominal e necessário
Abril de 1995 a abril de 1997
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
1995
Abril R$ 70,00 R$ 812,78
Maio R$ 100,00 R$ 773,18
Junho R$ 100,00 R$ 735,49
Julho R$ 100,00 R$ 729,99
Agosto R$ 100,00 R$ 723,65
Setembro R$ 100,00 R$ 710,89
Outubro R$ 100,00 R$ 729,57
Novembro R$ 100,00 R$ 742,41
Dezembro R$ 100,00 R$ 763,09
1996
Janeiro R$ 100,00 R$ 781,35
Fevereiro R$ 100,00 R$ 781,85
Março R$ 100,00 R$ 764,17
Abril R$ 100,00 R$ 775,26
Maio R$ 112,00 R$ 801,95
Junho R$ 112,00 R$ 803,28
Julho R$ 112,00 R$823,21 (1)
Agosto R$ 112,00 R$ 817,08
Setembro R$ 112,00 R$ 814,39
Outubro R$ 112,00 R$ 809,44
Novembro R$ 112,00 R$ 794,40
Dezembro R$ 112,00 R$ 778,27
1997
Janeiro R$ 112,00 R$ 774,40
Fevereiro R$ 112,00 R$ 787,93
Março R$ 112,00 R$ 849,51
Abril R$ 112,00 R$ 863,71

Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7°;, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. Afamília considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.

(1) A partir deste mês, utiliza-se a nova ponderação para o item Alimentação, para o 1°; tercil, obtido com a realização da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 1994/95.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos