DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Busca

DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos
Emprego e Desemprego
Índice do Custo de Vida
Cesta Básica Nacional
Salário Mínimo Necessário
Publicações
Pesquisas
Indicadores
Conjuntura
Metodologias
Educação
Projetos de Cooperação
Internacional
Licitações
Oportunidades


    Área de Assinantes

Estudos e Pesquisas

Notas Técnicas

    Serviços

Calcule o expurgo de seu FGTS

Fontes rurais

Rede de Apoio à Negociação

Sistema de georreferenciamento

Anuário dos Trabalhadores - Sistema de consulta


DIEESE - Cesta Básica Nacional - Julho/98
Índice do Boletim DIEESE - Agosto de 1998

.....
Expediente

Conjuntura

Estudos e Pesquisas

Negociação

Linha de Produção

Mercado de Trabalho

Acordos

Greves

Custo de Vida

Cesta Básica Nacional


CUSTO DA CESTA BÁSICA TEM FORTES QUEDAS EM TODAS AS CAPITAIS

A Pesquisa Nacional da Cesta Básica apurou, em julho, queda de preço no conjunto dos gêneros de primeira necessidade em todas as dezesseis capitais em que o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos - realiza o levantamento. Os menores recuos foram apurados em Porto Alegre
(-1,70%) e Aracaju (-2,83%), e os maiores em Recife (-9,55%), Fortaleza (-8,27%) e Vitória (-7,41%). A última vez em que o custo da cesta caiu em todas as localidades foi há um ano, em julho de 1997.

Com esse comportamento, apenas duas capitais mantiveram o valor da cesta - conforme determinada pelo decreto-lei 399, de 30 de abril de 1938 - acima de R$ 100,00: São Paulo (R$ 105,08), a cidade com a cesta mais cara pelo terceiro mês consecutivo, e Porto Alegre (R$ 102,59). Em maio, o mesmo patamar foi verificado em seis cidades, e em junho, em quatro. Os menores custos foram apurados em Recife (R$ 83,88) e Goiânia (R$ 84,39).

Tomando por base o preceito constitucional relativo ao salário mínimo - atender às necessidades básicas com alimentação, moradia, vestuário, saúde etc. do trabalhador e de sua família -, e considerando uma família composta por casal e dois filhos menores, o DIEESE estima o valor do salário mínimo necessário. Como o salário mínimo é nacionalmente unificado, considera-se, para efeito de cálculo, o custo mais elevado da cesta, ou seja, R$ 105,08, verificado em São Paulo. Assim, o valor do salário mínimo necessário, isto é, a renda que permitiria uma vida digna a uma família, deveria ser de R$ 882,78, 6,8 vezes o mínimo vigente de R$ 130,00.

Comportamento dos preços

Tomate, feijão e batata (cujo preço só é levantado na região Centro-Sul) registraram queda em seus preços em todas as capitais pesquisadas. O tomate, que freqüentemente apresenta oscilações, apresentou as mais expressivas retrações em Vitória (-37,01%), Recife (-30,15%), Fortaleza (-29,70%), Curitiba (-29,58%) e Goiânia (-28,45%), e as menores reduções ocorreram em Belo Horizonte (-7,77%) e Salvador (-8,20%).

O recuo de preços do feijão verificou-se tanto nas regiões em que o DIEESE acompanha o feijão de cores (Norte e Nordeste, São Paulo, Belo Horizonte e Goiânia) quanto naquelas em que é apurado o preço do feijão preto (região Sul, Rio de Janeiro, Vitória e Brasília). No primeiro caso, as quedas mais significativas foram registradas em Belo Horizonte (-30,28%), Recife (-27,58%) e São Paulo (-21,48%), e as menos expressivas ocorreram em Fortaleza (-3,26%) e Natal (-4,41%). Já a maior retração entre as capitais em que é levantado o preço do feijão preto deu-se em Vitória (-24,90%), e a menor no Rio de Janeiro (-4,44%).

As reduções no preço da batata variaram entre -1,14%, registrada em Florianópolis, e -11,43%, verificada em Curitiba.

O preço do óleo de soja apresentou queda em treze capitais, com destaque para os comportamentos apurados em Aracaju (-6,76%), Brasília (-5,93%) e Porto Alegre (-5,00%). Em duas cidades, os preços do óleo permaneceram estáveis - Curitiba e Recife -, e a única alta ocorreu em Belém (0,70%).

Também ocorreram quedas generalizadas nos preços do café (comportamento apurado em onze capitais) e açúcar (com retração em dez localidades). Para a banana e o pão francês foram apurados recuos em oito cidades, enquanto este último produto ainda apresentou estabilidade em quatro.

A manteiga foi o produto cujo preço caiu em menor número de capitais (seis). Mesmo assim, teve aumento expressivo em três: Natal (25,18%), João Pessoa (19,48%) e Brasília (9,76%).

Situação pior

Apesar da queda generalizada no preço do conjunto de produtos alimentícios básicos, em julho, a situação do trabalhador que ganha salário mínimo ainda é pior que em comparação com igual mês no ano passado. Em julho último, o trabalhador que ganhava salário mínimo necessitou gastar - na média das dezesseis capitais - 77,18% de seu rendimento líquido (R$ 119,60, após o desconto da parcela referente à Previdência Social) para adquirir os gêneros básicos. No mesmo mês de 1997, essa relação era menor: 70,62%.

Comparação semelhante pode ser feita considerando-se, para o mesmo trabalhador, a jornada de trabalho necessária para a aquisição da cesta básica, caso em que o DIEESE considera o rendimento bruto. Em julho de 1998, foi necessário trabalhar 156 horas e 16 minutos, enquanto no mesmo mês de 1997 a jornada era menor: 142 horas e 55 minutos.

Essa situação ocorre porque enquanto o salário mínimo foi reajustado, em maio último, em 8,33% (passando de R$ 120,00 para R$ 130,00), a cesta básica teve aumentos anuais superiores a este patamar em praticamente todas as capitais pesquisadas. As maiores variações anuais ocorreram nas capitais do Norte/Nordeste: Natal, com alta de 39,76%; João Pessoa, 31,16%; Aracaju, 27,43%; Fortaleza, 26,55%; Salvador, 24,09%; Belém, 21,06%. Apenas em Recife a alta foi menor, com 11,40%. A única capital em que a elevação do preço da ração essencial mínima foi inferior ao reajuste do salário mínimo foi Brasília (8,23%).

Em Curitiba, a variação em doze meses também ficou abaixo de 10% (9,54%). Tal situação foi determinada pelo comportamento dos preços neste ano, uma vez que é a única capital a registrar uma variação acumulada negativa entre janeiro e julho (-4,86%). O maior aumento, neste ano, deu-se em João Pessoa (28,34%).

Tabelas da Cesta Básica Nacional


Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste


Brasília

Goiânia


Região Centro-Oeste


Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória


Região Sul


Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre


Regiões Norte e Nordeste


Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador



Custo e variação da cesta básica em dezesseis capitais - Julho de 1998
Capital Valor da cesta básica (R$) Variação mensal (%) Porcentagem do salário mínimo líquido Tempo de Trabalho Variação acumulada no ano
São Paulo 105,08 -5,73 87,86 177h 50min 6,88
Porto Alegre 102,59 -1,70 85,78 173h 37min 6,27
Natal 98,03 -3,39 81,96 165h 54min 26,12
Rio de Janeiro 96,92 -3,91 81,04 164h 01min 1,92
Curitiba 94,81 -6,59 79,27 160h 27min -4,86
Florianópolis 94,28 -4,26 78,83 159h 33min 3,52
Belo Horizonte 93,16 -6,64 77,89 157h 39min 2,00
Brasília 92,48 -5,57 77,32 156h 30min 4,95
Aracaju 91,14 -2,83 76,20 154h 14min 21,41
João Pessoa 89,89 -3,81 75,16 152h 07min 28,34
Belém 88,35 -3,94 73,87 149h 31min 9,26
Fortaleza 87,08 -8,27 72,81 147h 22min 18,54
Vitória 86,93 -7,41 72,68 147h 07min 2,86
Salvador 86,86 -3,11 72,63 147h 00min 21,23
Goiânia 84,39 -5,87 70,56 142h 49min 8,78
Recife 83,88 -9,55 70,13 141h 57min 11,65

Fonte: Pesquisa Nacional da Cesta Básica - DIEESE.


Ração Essencial
Preços Médios em julho de 1998
(em R$)
Produtos Centro-Oeste Sudeste Sul Norte/Nordeste
Brasília Goiânia Belo
Horizonte
Rio de
Janeiro
São
Paulo
Vitória Curitiba Floria-
nópolis
Porto
Alegre
Aracaju Belém Fortaleza João
Pessoa
Natal Recife Salvador
Carne 4,07 3,86 4,07 3,94 4,43 3,98 4,46 4,64 4,76 4,58 3,45 4,00 4,29 4,52 4,13 3,93
Leite 0,67 0,58 0,77 0,83 0,80 0,75 0,73 0,69 0,71 0,77 0,78 0,80 0,85 0,79 0,85 0,76
Feijáo 2,24 2,20 1,98 1,91 2,59 2,11 2,05 2,28 1,77 2,23 2,39 2,70 2,54 2,60 1,92 2,30
Arroz 1,01 1,00 0,91 1,08 1,02 1,17 1,07 1,09 0,91 1,20 1,10 1,07 1,13 1,19 1,15 1,15
Farinha de trigo 1 0,62 0,68 0,61 0,64 0,72 0,67 0,54 0,68 0,61 0,80 0,87 0,79 1,05 0,85 0,95 0,77
Batata 2 0,90 0,94 0,94 0,94 1,14 0,57 0,93 0,87 1,08 - - - - - - -
Tomate 0,97 0,83 0,95 1,33 1,38 0,80 1,00 0,78 1,38 1,18 1,30 1,16 0,99 1,47 0,95 1,12
Pão 2,09 1,92 2,58 2,79 2,43 2,60 2,00 2,26 2,46 1,92 2,50 2,20 1,80 1,78 2,09 2,00
Café 6,59 6,85 5,56 5,44 6,58 5,37 7,46 6,34 6,11 6,65 6,58 6,01 6,88 6,68 7,00 8,00
Banana 1,34 0,74 1,23 1,15 1,14 0,80 0,92 0,66 1,10 1,69 1,55 1,16 1,80 2,04 1,33 1,44
Açúcar 0,72 0,44 0,61 0,59 0,60 0,58 0,50 0,60 0,60 0,61 0,64 0,61 0,71 0,71 0,63 0,61
Óleo 1,11 1,14 1,16 1,15 1,22 1,16 1,17 1,28 1,11 1,38 1,44 1,43 1,43 1,40 1,25 1,24
Manteiga 6,73 8,28 6,89 6,79 9,79 6,75 7,70 8,05 7,35 7,44 4,33 6,70 6,70 7,03 7,20 8,13
Gasto Mensal 92,48 84,39 93,16 96,92 105,08 86,93 94,81 94,28 102,59 91,14 88,35 87,08 89,89 98,03 83,88 86,86
Tempo de trabalho 156h
30min
142h
49min
157h
39min
164h
1min
177h
50min
147h
7min
160h
27min
159h
33min
173h
37min
154h
14min
149h
31min
147h
22min
152h
7min
165h
54min
141h
57min
146h
60min
Cidade
mais cara
15º 13º 11º 12º 10º 16º 14º

(1)Farinha de mandioca no Nordeste; farinha de trigonas demais Regiões.
(2)Ração do Nordeste não prevê consumo de batata.
Os preços médios da Ração Essencial referem-se a 1 quilo, 1 litro e 1 dúzia, exceto no caso do óleo (900ml).
No mês de julho de 1998, o salário mínimo em todas as cidades pesquisadas valia R$ 130,00.




Salário mínimo nominal e necessário
Julho de 1996 a julho de 1998
Período Salário mínimo nominal Salário mínimo necessário
1996
Julho R$ 112,00 R$823,21 (1)
Agosto R$ 112,00 R$ 817,08
Setembro R$ 112,00 R$ 814,39
Outubro R$ 112,00 R$ 809,44
Novembro R$ 112,00 R$ 794,40
Dezembro R$ 112,00 R$ 778,27
1997
Janeiro R$ 112,00 R$ 774,40
Fevereiro R$ 112,00 R$ 787,93
Março R$ 112,00 R$ 849,51
Abril R$ 112,00 R$ 863,71
Maio R$ 120,00 R$ 820,86
Junho R$ 120,00 R$ 790,11
Julho R$ 120,00 R$ 770,37
Agosto R$ 120,00 R$ 768,36
Setembro R$ 120,00 R$ 776,42
Outubro R$ 120,00 R$ 789,69
Novembro R$ 120,00 R$ 802,13
Dezembro R$ 120,00 R$ 837,16
1998
Janeiro R$ 120,00 R$ 864,88
Fevereiro R$ 120,00 R$ 854,55
Março R$ 120,00 R$ 869,76
Abril R$ 120,00 R$ 916,30
Maio R$ 130,00 R$ 942,09
Junho R$ 130,00 R$ 936,46
Julho R$ 130,00 R$ 882,78

Salário mínimo nominal: salário mínimo vigente.

Salário mínimo necessário: Salário mínimo de acordo com o preceito constitucional "salário mínimo fixado em lei, nacionalmente unificado, capaz de atender às suas necessidades vitais básicas e às de sua família, como moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, reajustado periodicamente, de modo a preservar o poder aquisitivo, vedada sua vinculação para qualquer fim" (Constituição da República Federativa do Brasil, capítulo II, Dos Direitos Sociais, artigo 7°;, inciso IV). Foi considerado em cada Mês o maior valor da ração essencial das localidades pesquisadas. A família considerada é de dois adultos e duas crianças, sendo que estas consomem o equivalente a um adulto. Ponderando-se o gasto familiar, chegamos ao salário mínimo necessário.

(1) Utilizando a nova ponderação para o item Alimentação, para o 1°; tercil, obtido com a realização da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 1994/95.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos