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DIEESE - Cesta Básica - Julho/97
Índice do Boletim DIEESE - Agosto de 1997

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PREÇOS DOS ALIMENTOS BÁSICOS VOLTARAM A CAIR EM JULHO

A tendência de queda dos preços dos alimentos prosseguiu, em julho, nas dezesseis capitais onde o DIEESE realiza mensalmente a Pesquisa Nacional da Cesta Básica. Pelo terceiro mês consecutivo, o número de baixas superou o de altas, na maioria das cidades acompanhadas pelo levantamento, sendo que em todas pelo menos um item se manteve estável em relação a junho. Mais uma vez, batata e tomate destacaram-se entre os produtos que ficaram mais baratos. O custo da cesta básica teve os maiores recuos em Aracaju (- 7,58%), Florianópolis (- 5,98%), Belém (- 4,53%) e Porto Alegre (- 4,46%).

O levantamento do custo da cesta básica realizado pelo DIEESE baseia-se na composição dos principais grupos alimentícios definidos pelo decreto-lei 399, de 30 de abril de 1938 - única legislação sobre o assunto em vigor no país -, que prevê os produtos e as quantidades ideais que um trabalhador deve consumir no mês para se reproduzir como força de trabalho. Na região Centro-Sul são pesquisados treze itens e no Norte e Nordeste, doze. Com essa pesquisa, o DIEESE também acompanha mensalmente o poder de compra do salário mínimo e calcula a jornada de trabalho necessária para a aquisição do conjunto de alimentos essenciais.

Apesar da queda de 2,50% sobre junho, o maior custo da cesta básica novamente foi apurado em São Paulo: R$ 91,70. Este, porém, foi o menor valor registrado pelo DIEESE desde março de 1996, quando o conjunto de treze alimentos custava, em média, R$ 91,65.

O custo da cesta básica manteve-se abaixo de R$ 90,00 em seis capitais, entre elas Porto Alegre (R$ 87,87), Curitiba (R$ 86,55) e Brasília (R$ 85,45), enquanto os menores valores foram apurados nas cidades de Fortaleza (R$ 68,81) e João Pessoa (R$ 68,53).

As consecutivas quedas do custo médio da cesta básica em maio, junho e julho - revertendo a trajetória de aumento dos preços nos primeiros quatro meses de 1997 - contribuíram para que ocorressem variações negativas em treze das dezesseis capitais pesquisadas desde janeiro. As maiores baixas acumuladas no ano foram registradas em Natal (- 11,58%), Belém (- 6,45%) e Aracaju (- 6,25%).

A maior alta acumulada, de janeiro a julho, verificou-se em Porto Alegre (4,52%). No mesmo período, o Índice do Custo de Vida (ICV) calculado pelo DIEESE para as famílias paulistanas de baixa renda (estrato 1) ficou em 5,43%.

Como apresentou o maior custo entre as dezesseis capitais, a cesta básica apurada em São Paulo novamente serviu de referência para o cálculo do salário mínimo necessário à manutenção dos gastos de uma família composta de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças). Em julho, o valor mínimo estimado pelo DIEESE para atender às necessidades básicas com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e Previdência Social alcançou R$ 770,37, contra R$ 790,11 em junho.

Com as seguidas quedas no custo da cesta básica na capital paulista, nos últimos três meses, o salário mínimo necessário também reduziu-se nesse período. Mesmo assim, o valor calculado para julho (R$ 770,37) ainda é 6,4 vezes maior que os R$ 120,00 vigentes desde 1( de maio.

Desembolso

O gasto na aquisição da cesta básica pelo trabalhador que ganha salário mínimo diminuiu em julho, embora se mantenha elevado em todas as capitais pesquisadas, comprometendo bem mais da metade de seu rendimento líquido.

Em julho, na média das dezesseis capitais, o trabalhador comprometeria 70,62% do salário mínimo líquido (R$ 110,40, após o desconto de 8% para a Previdência Social) apenas para adquirir uma cesta básica, percentual um pouco abaixo dos 73,08% apurados no mês anterior. Há um ano, quando o mínimo estava fixado em R$ 112,00, o comprometimento chegou a 82,49% da sua renda líquida (R$ 103,04).

Com a redução dos gastos, ele também precisaria trabalhar menos para comprar a cesta básica. Em julho, na média das dezesseis capitais, a jornada necessária calculada pelo DIEESE (considerado o salário bruto, de R$ 120,00) totalizou 142 horas, contra as 148 horas de junho e as 166 horas registradas em igual período de 1996.

Batata e tomate: novas quedas

Na região Centro-Sul, o número de queda de preços dos treze produtos superou o de alta em oito das nove capitais pesquisadas. Apenas no Distrito Federal, oito ficaram mais caros, quatro baixaram e um permaneceu estável (óleo de soja) em relação a junho. Mesmo assim, o custo da cesta básica na capital federal caiu 1,00%, em julho, totalizando R$ 85,45.

No Norte e Nordeste, observou-se a mesma tendência, com o número de queda dos preços superando o de alta em cinco das sete cidades pesquisadas.

A exemplo do que ocorreu no mês anterior, em julho, a pesquisa constatou nova queda dos preços de batata e, de maneira mais acentuada, de tomate. Assim como outros alimentos in natura, a produção está sendo favorecida pelas boas condições climáticas observadas nas principais regiões de plantio, destacando-se as lavouras do Paraná. Com isso, melhorou a oferta desses itens aos centros consumidores, onde se encontram mais baratos e com melhor qualidade.

Os preços do tomate caíram em quinze cidades, exceto em São Paulo, onde o produto subiu 2,74%, em média. As quedas mais acentuadas ocorreram em Aracaju (- 38,32%), Florianópolis (- 38,10%), Fortaleza (- 29,21%), João Pessoa (26,37%), Curitiba (- 24,68%) e Porto Alegre (- 23,40%)

A batata, acompanhada pela pesquisa somente no Centro-Sul, teve as maiores quedas de preço em Florianópolis (-38,96%) e Curitiba (- 32,32%), mas também apresentou baixas em outras sete cidades acompanhadas pelo levantamento na região.

Apesar do início da entressafra, o comportamento dos preços da carne bovina, que tem o maior peso na composição da cesta básica, manteve-se moderado em julho. O produto apresentou altas de intensidade variada em nove capitais, caiu em outras cinco, permanecendo sem alteração (variação zero) em duas cidades. As elevações mais significativas verificaram-se em Brasília (4,77%), Porto Alegre (2,59%), Curitiba (2,47%), Vitória (2,34%) e João Pessoa (2,22%), ao mesmo tempo em que as maiores quedas ocorreram em Natal (- 3,67%) e no Rio de Janeiro (- 2,13%).

A entressafra da pecuária de corte neste inverno está sendo mais intensa nos estados da região Sul, onde o frio e a seca em algumas regiões comprometeram a qualidade das pastagens. Em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul, que fecharam suas fronteiras para os outros estados devido à febre aftosa que atingiu parte do rebanho bovino, a alternativa para abastecer o mercado tem sido a importação de carne do Uruguai e Argentina.

A banana foi outro produto que se destacou entre as quedas apuradas pela pesquisa do DIEESE, em julho, apesar da variedade de tipos acompanhados pelo levantamento. Os preços da fruta caíram mais acentuadamente em Aracaju (- 13,16%), Brasília (- 8,43%), Natal (- 8,21%) e Porto Alegre (- 7,96%), enquanto os maiores aumentos ocorreram em Fortaleza (3,61%) e Florianópolis (3,03%).

O açúcar teve aumentos em apenas três capitais, Fortaleza (3,92%), Natal (3,57%) e João Pessoa (1,54%), caindo em outras nove. Nas cidades de Salvador, Vitória, São Paulo e Porto Alegre, o produto manteve-se estável (com variação zero) em relação ao mês anterior. Em Recife, onde os preços haviam subido 18,37% em junho, registrou-se a maior queda: 8,62%.

A pesquisa do DIEESE constatou aumentos significativos para o leite in natura tipo C nas cidades de Aracaju (29,85%) e São Paulo (6,58%), ao mesmo tempo em que houve estabilidade (variação nula) em outras oito capitais, apesar do período de entressafra da pecuária leiteira. A maior queda foi constatada no Rio de Janeiro (- 2,63%).

Nas capitais em que o DIEESE acompanha os preços do feijão em cores (ou carioquinha), as quedas foram mais significativas do que naquelas em que se pesquisa a variedade preto. No primeiro caso, destacam-se as baixas registradas em Belo Horizonte (- 14,95%), Belém (- 16,03%) e Natal (- 6,96%), sendo que em Vitória o produto ficou 11,19% mais caro, em média.

O comportamento dos preços do arroz foi bastante diferenciado, em julho, entre as dezesseis capitais pesquisadas. O levantamento apurou estabilidade (variação nula) em quatro cidades e queda em outras seis. As elevações mais expressivas foram anotadas em Curitiba (4,23%), Vitória (3,75%) e Porto Alegre (3,03%).

São Paulo

A capital paulista apresentou, em julho, o maior custo da cesta básica pelo 18( mês consecutivo (R$ 91,70), apesar da queda de 2,50% sobre junho. No ano, porém, a pesquisa registra queda acumulada de 1,01%.

Em julho, dos treze produtos que compõem a cesta básica, seis apresentaram queda, quatro mantiveram-se sem variação e apenas três subiram em relação a junho. Batata (- 23,42%), tomate (- 10,42%) feijão carioquinha (- 5,43%) foram os produtos que tiveram as maiores quedas, seguidos por arroz agulhinha tipo 2 (-1,39%), óleo de soja (- 1,03%) e manteiga (- 0,33%).

Os produtos que se mantiveram com preços inalterados foram leite in natura tipo C, farinha de trigo, pão francês e açúcar refinado. Já as altas ocorreram para café em pó (4,10%), carne bovina (0,93%) e banana-nanica (0,80%).

Jornada necessária

Os cálculos do DIEESE indicam que o trabalhador da capital paulista que ganha salário mínimo comprometeria, em julho, 83,06% de seu rendimento líquido (R$ 110,40) somente para adquirir os alimentos da cesta básica. Para isso, ele precisaria cumprir uma jornada de 168 horas e 7 minutos. No mês anterior, quando os treze produtos básicos custavam R$ 94,05 e a renda líquida equivalia a R$103,04, o desembolso seria de 85,19%, enquanto o tempo de trabalho alcançaria 172 horas e 26 minutos.

Em julho de 1996, quando o trabalhador recebeu os mesmos R$ 103,04 líquidos, ele comprometeria 95,10% do salário e precisaria cumprir uma jornada de 192 horas e 29 minutos apenas para comprar a cesta básica, que custava R$ 97,99.

Na comparação da jornada necessária para o trabalhador da capital paulista adquirir cada item da cesta básica, entre julho último e o mesmo mês de 1996, a pesquisa constatou queda para nove produtos, aumento para outros três e estabilidade para um (óleo de soja). Nesse período, o tempo de trabalho aumentou para leite in natura tipo C, café em pó e arroz agulhinha tipo 2. Isso porque os preços subiram mais que o valor do salário mínimo (elevado de R$ 112,00 para R$ 120,00, ou 7,1%), com altas de 14,3%, 16,6% e 9,2%, respectivamente.

Ainda nos últimos doze meses, entre os produtos que apresentaram as maiores quedas de preço, com conseqüente redução da jornada para o trabalhador poder adquiri-los, destacam-se tomate (que ficou 33,3% mais barato), batata (- 20,6%) e pão francês (- 11,6%). O declínio mais acentuado do tempo de trabalho ocorreu no caso do tomate, que passou de 22 horas e 48 minutos, em julho de 1996, para 14 horas e 11 minutos, em igual período deste ano.

Tabelas da Cesta Básica Nacional


Quanto se trabalha para comer em

Região Centro-Oeste


Brasília

Goiânia


Região Centro-Oeste


Belo Horizonte

Rio de Janeiro

São Paulo

Vitória


Região Sul


Curitiba

Florianópolis

Porto Alegre


Regiões Norte e Nordeste


Aracaju

Belém

Fortaleza

João Pessoa

Natal

Recife

Salvador
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