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MAIS CATEGORIAS TÊM REAJUSTES IGUAIS OU SUPERIORES À INFLAÇÃO
Ainda que persistam as dificuldades nas negociações salariais, o primeiro semestre de 1998 registrou um crescimento no percentual de categorias que conquistaram reajustes iguais ou superiores aos índices de inflação, em relação ao primeiro semestre dos dois últimos anos. Das 220 negociações registradas pelo Banco de Dados Sindicais do DIEESE, 150 tiveram seus salários corrigidos, por ocasião da data-base, em percentual igual ou superior à variação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Quando a comparação é feita com o Índice do Custo de Vida (ICV), calculado pelo DIEESE, 153 acordos o superaram.
Ao longo do primeiro semestre de 1998, o Banco de Dados Sindicais registrou em seu sistema de acompanhamento 220 negociações salariais, das quais onze se referem ao setor estatal e 209 ao setor privado. Os dados observados foram coletados através de notícias veiculadas pela imprensa e dos acordos e convenções coletivas enviados por entidades sindicais filiadas ao DIEESE.
O painel observado é composto por categorias profissionais de todos os setores da economia e regiões geográficas, assim distribuídas:
| Setor
| Distribuição (%)
|
| Serviços | 42,3
|
| Indústria | 30,0
|
| Comércio | 15,0
|
| Rural | 12,7
|
| Região geográfica | Distribuição (%)
|
| Sul | 51,0
|
| Sudeste | 26,0
|
| Centro-Oeste | 5,0
|
| Nordeste | 16,5
|
| Norte | 0,5
|
| Nacional | 1,0
|
No período analisado, constata-se que a maior concentração de negociações por reajustes salariais ocorreu no mês de maio, com 107 instrumentos, e, em seguida, em janeiro e março, que, juntos, totalizam 65 instrumentos. Nos demais meses, essa distribuição é homogênea.
As informações demonstram que, em 68% das negociações realizadas, os trabalhadores conquistaram a recomposição integral dos salários vigentes na data-base anterior, quando comparados os reajustes salariais acordados e o INPC-IBGE acumulado no mesmo período. Desse total, 26% obtiveram reajustes equivalentes ao INPC-IBGE e 42% o superaram.
Em relação ao primeiro semestre dos dois anos anteriores, em 1998 houve uma elevação do número de categorias profissionais que asseguraram a reposição das perdas salariais acumuladas desde a última data-base, dado que, no ano de 1996, esse percentual correspondia a 60%, e, em 1997, a 55%. Em relação ao ICV-DIEESE, o percentual de categorias que o superaram cresceu ainda mais, na comparação com o registrado em 1997: passou de 23%, no ano passado, para aproximadamente 70%, no primeiro semestre deste ano.
Esse melhor desempenho das campanhas salariais nos primeiros seis meses de 1998 pode ser explicado pela queda nos índices inflacionários. No caso do INPC, por exemplo, em 1997, a taxa anual girava em torno de 8%, enquanto no primeiro semestre deste ano caiu para cerca de 4% ao ano. No caso do ICV, a redução foi ainda mais significativa. A diminuição das taxas inflacionárias pode ter facilitado a negociação do reajuste salarial.
Por outro lado, os aumentos reais mantiveram a mesma tendência que vinha sendo observada, já que a maioria dos reajustes salariais superiores ao INPC-IBGE (67%) não o ultrapassaram em mais de 1,0%. Também grande parte dos percentuais de reajuste inferiores ao INPC-IBGE (77%) situam-se abaixo de 1,0% (tabela 1).
Com relação aos setores econômicos, há indicação de que os trabalhadores do setor industrial continuam enfrentando maiores dificuldades para assegurar a recomposição integral dos salários que os dos demais setores da economia: 50% não obtiveram reposição salarial pelo índice inflacionário do período. No setor de serviços, esse percentual cai para cerca de 25%, e no comércio, para 15%. Isso significa que, enquanto 75% dos trabalhadores do setor de serviços e 85% dos comerciários garantiram, ao menos, reajustes salariais equivalentes ao INPC-IBGE, apenas 50% dos trabalhadores da indústria conseguiram manter o mesmo poder aquisitivo dos salários vigentes na data-base anterior (tabela 2).
Ainda é possível observar que o Sudeste continua sendo a região geográfica com a maior incidência de negociações que não asseguram a reposição integral de acordo com o INPC-IBGE: 42% do total. Já na região Sul, esse percentual é de 28%, e na região Nordeste, de 30% 1
(tabela 3).
As dificuldades para conquistar a reposição da inflação pelos trabalhadores na Indústria e na região Sudeste podem estar associadas ao fechamento de postos de trabalho no setor industrial. Na Grande São Paulo, por exemplo, dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED), realizada pelo DIEESE e Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), indicam que, entre junho de 1997 e junho de 1998, foram eliminados 134 mil empregos na Indústria da região.
Se utilizado o ICV-DIEESE como parâmetro para a análise dos salários reais, observa-se que aproximadamente 70% das categorias profissionais registradas alcançaram reajustes a ele superiores. Desses, mais da metade o ultrapassaram em até 1,0%, e cerca de 30% o superaram em mais de 1,0% e até 2,0%. Já das categorias que não atingem o ICV-DIEESE integral, 85% registraram percentuais a ele inferiores em até 2,0% (tabela 5).
Também quando comparados ao ICV-DIEESE, 45% dos reajustes salariais negociados pelos trabalhadores da indústria no primeiro semestre de 1998 situam-se em um patamar inferior ao acumulado no ano. Já nos serviços, esse percentual é de 28%, e no comércio, de 12% (tabela 6).
No que se refere às regiões geográficas, a região Sul apresenta o melhor resultado, onde aproximadamente 72% das categorias profissionais conquistaram aumentos superiores à variação do ICV-DIEESE do período, seguida de perto pela região Sudeste, com 70%. Na região Nordeste, esse percentual é de 55% (tabela 7).
É importante salientar que, a exemplo dos anos anteriores, as negociações coletivas utilizam como parâmetro para o reajuste salarial o INPC-IBGE, fato que explica a diferença dos resultados, quando comparados ao ICV-DIEESE.
Essas informações permitem afirmar que, ao longo do primeiro semestre de 1998, apesar das dificuldades nas negociações coletivas e do endurecimento da postura patronal, os resultados referentes aos reajustes salariais demonstram uma melhoria em relação aos anos anteriores. Entretanto, é ainda bastante significativo o número de categorias profissionais que não conseguem repor o poder aquisitivo dos salários convencionado na data-base anterior.
Tabela 1 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais, em comparação com o
INPC-IBGE / 1º semestre de 1998
| Nº de acordos
| % sobre o total de acordos
|
| Acima do INPC | 93 | 42,27%
|
| 0 a 1% | 62 | 28,18%
|
| 1 a 2% | 15 | 6,82%
|
| 2 a 3% | 6 | 2,73%
|
| 3 a 4% | 1 | 0,45%
|
| 4 a 5% | 3 | 1,36%
|
| maior de 5% | 6 | 2,73%
|
| Igual ao INPC | 57 | 25,91%
|
| Abaixo do INPC | 70 | 31,82%
|
| 0 a -1% | 54 | 24,55%
|
| -1 a -2% | 10 | 4,55%
|
| -2 a -3% | 2 | 0,91%
|
| -3 a -4% | 2 | 0,91%
|
| -4 a -5% | 2 | 0,91%
|
| menor de -5% | 0 | 0,00%
|
| Total | 220 | 100,00%
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 2 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais por setor de atividade, em relação ao
INPC-IBGE / 1º semestre de 1998
| Indústria
| Comércio | Serviços
| Rurais | Total
|
| nº abs. | %
| nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | %
|
| Maior que o INPC
| 16 | 24,24 | 18 | 54,55 | 51 | 54,84 | 8 | 28,57 | 93
| 42,27
|
| Igual ao INPC
| 17 | 25,76 | 10 | 30,30 | 19 | 20,43 | 11 | 39,29 | 57
| 25,91
|
| Menor que o INPC
| 33 | 50,00 | 5 | 15,15 | 23 | 24,73 | 9 | 32,14 | 70
| 31,82
|
| Total
| 66 | 100,00 | 33 | 100,00
| 93 | 100,00 | 28 | 100,00 | 220 | 100,00
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 3 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais por região geográfica, em relação ao
INPC-IBGE / 1º semestre de 1998
| Norte
| Nordeste | Centro-Oeste
| Sudeste | Sul
| Nacional | Total
|
| nº abs. | % | nº abs.
| % | nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | %
| nº abs. | % | nº abs. | %
|
| Maior que o INPC
| 0 | 0,00 | 19 | 52,78 | 11 | 100,00 | 25 | 43,86
| 38 | 33,63 | 0 | 0,00 | 93 | 42,27
|
| Igual ao INPC
| 0 | 0,00 | 6 | 16,67 | 0 | 0,00 | 8 | 14,04 | 43
| 38,05 | 0 | 0,00 | 57 | 25,91
|
| Menor que o INPC
| 1 | 100,00 | 11 | 30,56 | 0 | 0,00 | 24 | 42,11 | 32
| 28,32 | 2 | 100,00 | 70 | 31,82
|
| Total
| 1 | 100,00 | 36 | 100,00 | 11 | 100,00
| 57 | 100,00 | 113 | 100,00 | 2 | 100,00
| 220 | 100,00
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 4 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais por data-base, em relação ao
INPC-IBGE / 1º semestre de 1998
| Janeiro | Fevereiro
| Março | Abril
| Maio | Junho
| Total
|
| nº abs. | %
| nº abs. | %
| nº abs. | % | nº abs. | %
| nº abs. | % | nº abs. | %
| nº abs. | %
|
| Acima do INPC
| 11 | 32,35 | 6 | 54,55 | 18 | 58,06 | 7 | 58,33 | 44
| 41,12 | 7 | 28,00 | 93 | 42,27
|
| Igual ao INPC
| 7 | 20,59 | 3 | 27,27 | 3 | 9,68 | 2 | 16,67 | 35
| 32,71 | 7 | 28,00 | 57 | 25,91
|
| Abaixo do INPC
| 16 | 47,06 | 2 | 18,18 | 10 | 32,26 | 3 | 25,00 | 28
| 26,17 | 11 | 44,00 | 70 | 31,82
|
| Total | 34 | 100,00
| 11 | 100,00 | 31 | 100,00 | 12 | 100,00
| 107 | 100,00 | 25 | 100,00 | 220 | 100,00
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 5 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais, em comparação com o
ICV-DIEESE / 1º semestre de 1998
| Nº de acordos
| % sobre o total de acordos
|
| Acima do ICV | 153 | 69,55%
|
| 0 a 1% | 85 | 38,64%
|
| 1 a 2% | 45 | 20,45%
|
| 2 a 3% | 8 | 3,64%
|
| 3 a 4% | 7 | 3,18%
|
| 4 a 5% | 2 | 0,91%
|
| maior que 5% | 6 | 2,73%
|
| Igual ao ICV | 0 | 0,00%
|
| Abaixo do ICV | 67 | 30,45%
|
| 0 a -1% | 33 | 15,00%
|
| -1 a -2% | 24 | 10,91%
|
| -2 a -3% | 5 | 2,27%
|
| -3 a -4% | 3 | 1,36%
|
| -4 a -5% | 2 | 0,91%
|
| menor que -5% | 0 | 0,00%
|
| Total | 220 | 100,00%
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 6 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais por setor de atividade, em relação ao ICV-DIEESE / 1º semestre de 1998
| Indústria
| Comércio
| Serviços
| Rurais
| Total
|
| nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs.
| % | nº abs. | %
|
| Maior que o ICV | 36 | 54,55 | 29
| 87,88 | 67 | 72,04 | 21 | 75,00 | 153 | 69,55
|
| Igual ao ICV | 0 | 0,00 | 0 | 0,00
| 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00
|
| Menor que o ICV | 30 | 45,45 | 4
| 12,12 | 26 | 27,96 | 7 | 25,00 | 67 | 30,45
|
| Total | 66 | 100,00 | 33
| 100,00 | 93 | 100,00 | 28 | 100,00 | 220 | 100,00
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 7 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais por região geográfica, em relação ao ICV-DIEESE / 1º semestre de 1998
| Norte
| Nordeste | Centro-Oeste
| Sudeste | Sul
| Nacional | Total
|
| nº abs. | % | nº abs.
| % | nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | % | nº abs. | %
|
| Maior que o ICV
| 0 | 0,00 | 20 | 55,56 | 11 | 100,00 | 40 | 70,18 | 82
| 72,57 | 0 | 0,00 | 153 | 69,55
|
| Igual ao ICV
| 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00
| 0 | 0,00 | 0 | 0,00
|
| Menor que o ICV
| 1 | 100,00 | 16 | 44,44 | 0 | 0,00 | 17 | 29,82 | 31
| 27,43 | 2 | 100,00 | 67 | 30,45
|
| Total | 1 | 100,00 | 36
| 100,00 | 11 | 100,00 | 57 | 100,00 | 113
| 100,00 | 2 | 100,00 | 220 | 100,00
|
Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
Tabela 8 - Distribuição dos acordos com reajustes salariais por data-base, em relação ao
ICV-DIEESE / 1º semestre de 1998
| Janeiro
| Fevereiro
| Março
| Abril
| Maio
| Junho
| Total
|
| nº abs. | % | nº abs.
| % | nº abs. | % | nº abs.
| %
| nº abs. | % | nº abs. | %
| nº abs. | %
|
| Acima do ICV
| 1 | 2,94 | 4 | 36,36 | 24 | 77,42 | 9 | 75,00 | 93
| 86,92 | 22
| 88,00 | 153 | 69,55
|
| Igual ao ICV
| 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00 | 0 | 0,00
| 0 | 0,00 | 0 | 0,00
|
| Abaixo do ICV
| 33 | 97,06 | 7 | 63,64 | 7 | 22,58 | 3 | 25,00 | 14
| 13,08 | 3 | 12,00 | 67 | 30,45
|
| Total
| 34 | 100,00 | 11 | 100,00 | 31 | 100,00
| 12
| 100,00 | 107 | 100,00 | 25 | 100,00 | 220
| 100,00
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Fonte: Banco de Dados Sindicais - DIEESE.
1 Foram registradas poucas informações sobre as negociações salariais das regiões Norte (1) e Centro-Oeste (11), o que dificulta uma análise consistente.
Boletim nº 207
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