Os dados do mercado de trabalho, em julho, mostraram melhora em comparação com o mês anterior, nas quatro regiões metropolitanas que tiveram os dados da Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) divulgados (as informações da região metropolitana de Salvador 1 e do Distrito Federal 2 não foram reveladas). Apesar de a população economicamente ativa (PEA) haver aumentado em 20 mil pessoas no conjunto de áreas pesquisadas, o número de desempregados reduziu-se em 15 mil, uma vez que ocorreu a criação de 35 mil novos empregos. Em todas as regiões, a PED é realizada com a metodologia desenvolvida pelo DIEESE e a Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, em parceria com instituições e governos locais.
O crescimento da PEA - que atingiu, em julho, 13.690.000 pessoas - foi determinado pelo comportamento verificado na Grande Belo Horizonte 3 , onde a força de trabalho passou de 1.882.000 pessoas, em junho, para 1.896.000, em julho, e na Região Metropolitana de Porto Alegre (RMPA) 4 , cuja PEA atingiu, no mês em análise, 1.647.000 pessoas, contra as 1.620.000 apuradas no mês anterior. Nas duas outras regiões houve redução no número de pessoas que estavam no mercado de trabalho, quer na condição de empregados, quer de desempregados. Na Grande São Paulo, onde a PED é desenvolvida pelo convênio DIEESE/Seade, a PEA totalizou, em julho, 8.731.000 pessoas, com uma diminuição de 0,2% em relação ao mês anterior. Na Região Metropolitana de Recife (RMR) 5 , seis mil pessoas deixaram de participar da força de trabalho e seu total somou 1.416.000 6 (quadro 1).
Em doze meses, apenas na RMPA a PEA teve crescimento, de 6,6%. Na Grande Belo Horizonte, a força de trabalho reduziu-se em 10 mil pessoas (-0,6%), e na região metropolitana de São Paulo, a retração chegou a 3,3%, correspondentes a existência de 138 mil pessoas a menos no mercado de trabalho. Como a PED ainda não era realizada, em julho do ano passado, na Região Metropolitana de Recife, não há possibilidade de fazer esta comparação.
Quadro 1 - População economicamente ativa em seis regiões metropolitanas 1997/98 (em 1.000 pessoas)
Regiões metropolitanas
jul/97
dez/97
fev/98
mar/98
abr/98
mai/98
jun/98
jul/98
Distrito Federal
852,1
855,3
848,1
854,1
855,6
855,3
n/d
n/d
Belo Horizonte
1.853
1.864
1.856
1.860
1.868
1.872
1.882
1.896
Porto Alegre
1.522
1.544
1.554
1.557
1.583
1.596
1.620
1.647
Recife
d/i
1.378
1.380
1.383
1.414
1.427
1.422
1.416
Salvador
1.349
1.368
1.367
1.369
1.359
n/d
n/d
n/d
São Paulo
8.682
8.619
8.544
8.598
8.722
8.749
8.746
8.731
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS-Sine/RS; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG; SEI/Setras/UFBa; STAS/PE.
d/i = dado inexistente.
O total de desempregados no conjunto das regiões pesquisadas ficou, em julho, em 2.520.000, frente aos 2.535.000 apurados em junho. Ao contrário do que ocorreu com a PEA, foram os desempenhos verificados na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) e na Grande Recife que determinaram a redução no total de desempregados. No primeiro caso, o total de desempregados caiu 0,7%, se fixando em 1.650.000 pessoas (tabela 1), enquanto, no segundo, a redução chegou a 2,8%, o que significa que 310 mil pessoas estavam desempregadas na região, contra 319 mil que se encontravam nesta condição em junho.
Na região metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), o número de desempregados manteve-se estabilizado em 305 mil pessoas, enquanto na Grande Porto Alegre o contingente de desempregados subiu 2,4%. Ou seja, 255 mil pessoas estavam desempregadas nesta região (quadro 2).
Em doze meses, o total de desempregados cresceu significativamente nas três regiões em que os dados estão disponíveis. Na Grande São Paulo, em julho último, havia 187 mil pessoas desempregadas a mais que em igual mês de 1997, o que representa um crescimento de 21,1%. Um aumento semelhante (21,0%) ocorreu na RMBH, onde o total de desempregados no último mês pesquisado conta com 52 mil pessoas a mais que um ano antes. Na Grande Porto Alegre, em julho, o total de desempregados era de 39 mil a mais que em julho de 1997.
A taxa de desemprego, em julho, teve redução em três das quatro regiões pesquisadas. A única exceção foi a RMPA, onde a taxa de desemprego voltou a crescer (0,7%), após a queda verificada na comparação entre junho e maio, e atingiu 15,5%. O maior decréscimo na taxa (-2,2%) ocorreu na região metropolitana de Recife, que mesmo assim mantém a maior taxa entre a regiões: 21,9%. Na Grande Belo Horizonte, o desemprego atingiu 16,1% da PEA, o que significa uma queda de 0,6%. Na RMSP, o declínio da taxa de desemprego foi de 0,5%, mantendo-se no elevado nível de 18,9% da PEA.
Em comparação com julho de 1997, porém, o menor aumento da taxa de desemprego verificou-se na Grande Porto Alegre (9,2%), enquanto nas duas outras regiões o aumento é bem mais expressivo: 18,4% na RMBH e 20,4% na região metropolitana de São Paulo (quadro 3).
Quadro 2 - Total de desempregados em seis regiões metropolitanas 1997/98 (em 1.000 pessoas)
A exemplo do que havia se verificado em junho, também em julho o desemprego aberto 7 reduziu-se em todas as regiões metropolitanas, a mais expressiva delas ocorrida na Grande Recife (-4,8%). Por outro lado, o desemprego oculto 8 cresceu também em todas as regiões pesquisadas, e o crescimento mais significativo verificou-se na RMPA (9,8%).
Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego aberto reduziu-se em 1,6%, passando de 12,3%, em junho, para 12,1%, em julho. O total de pessoas nesta condição fixou-se em 1.056.000, 20 mil a menos que no mês anterior. Em comparação com julho de 1997, porém, o desemprego aberto - que naquela ocasião totalizava 886 mil indivíduos - cresceu 18,6%. O desemprego oculto cresceu 1,5% e totalizou 594 mil pessoas, 8 mil a mais que em junho. O incremento em relação a julho do ano passado chega a 23,6%, uma vez que naquele mês 477 mil pessoas ou fizeram "bicos" eventuais, ou haviam suspendido temporariamente a busca por nova ocupação devido ao desestímulo frente as dificuldades no mercado de trabalho (tabela 2).
Na Grande Belo Horizonte, a retração na taxa de desemprego aberto foi de 1,9%, o que fez com que esta se fixasse em 10,2%. A PED apurou a existência de 193 mil pessoas nesta condição, contra as 196 mil que nela se encontravam em junho. Na comparação com julho de 1997, houve aumento de 30 mil pessoas nesta condição e a taxa cresceu 15,9%. No entanto, o desemprego oculto aumentou também em 3 mil pessoas em relação ao mês anterior, somando assim 112 mil pessoas nesta situação em julho. O aumento em um ano atinge 23 mil pessoas, enquanto a taxa de desemprego oculto cresceu 20,4%.
A queda no desemprego aberto na RMPA atingiu 2,7%, com a taxa fixando-se em 10,2%, em julho. O total de pessoas que procuraram emprego nos trinta dias que antecederam a entrevista, e não realizaram qualquer atividade remunerada na semana imediatamente anterior à sua realização, foi estimado em 181 mil, 2 mil a mais que em junho, e 23 mil acima do que foi apurado pela PED em julho de 1997. Em relação a este período, o crescimento da taxa é o menor entre as regiões pesquisadas: 5,8%. Por outro lado, o desemprego oculto aumentou 9,8% no mês, ficando em 4,5%, representando 74 mil pessoas nesta situação, 8 mil a mais que em junho e 16 mil acima do total registrado um ano antes.
Na Grande Recife, a taxa de desemprego aberto fixou-se em 12,0%, com uma queda de 4,8% em comparação com junho. O total de pessoas nesta condição - após as novas estimativas populacionais definidas para a região - é de 170 mil, 9 mil a menos que no mês anterior. O total de pessoas em desemprego oculto manteve-se em 140 mil pessoas (mesmo número de junho), mas a taxa teve variação positiva de 1,0% e ficou em 9,9%. A redução do total de pessoas na PEA determina este comportamento (quadros 4 e 5).
Quadro 4 - Taxas de desemprego aberto em seis regiões metropolitanas 1997/98 (em%)
Quadro 5 - Taxas de desemprego oculto em seis regiões metropolitanas 1997/98 (em%)
Regiões metropolitanas
jul/97
dez/97
fev/98
mar/98
abr/98
mai/98
jun/98
jul/98
Distrito Federal
7,2
7,5
7,5
7,3
6,8
6,8
n/d
n/d
Belo Horizonte
4,9
4,9
5,6
5,4
5,4
5,5
5,8
5,9
Porto Alegre
3,8
4,1
3,9
3,9
4,0
4,1
4,1
4,5
Recife
d/i
8,9
9,9
9,9
9,6
10,0
9,8
9,9
Salvador
8,9
9,6
10,6
10,5
10,2
n/d
n/d
n/d
São Paulo
5,5
6,4
6,1
6,1
6,4
6,5
6,7
6,8
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS-Sine/RS; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG;SEI/Setras/UFBa; STAS-PE.
di = dado inexistente.
O desemprego caiu entre os homens na Grande Belo Horizonte (-1,4%) e na RMR (-4,0%), mas cresceu nas outras duas regiões metropolitanas pesquisadas: 1,2%, em São Paulo, e 5,4%, em Porto Alegre. Entre as mulheres houve estabilidade na RMBH e na Grande Recife e queda de 1,4% na Grande São Paulo e 2,2% na Grande Porto Alegre.
A taxa de desemprego reduziu-se em todas as regiões para crianças e adolescentes, os movimentos mais significativos verificados para aquelas com idade entre 10 e 14 anos, na RMSP (-6,0%), e para a faixa de 10 a 17 anos, na Grande Recife (-5,3%). Nesta última região também foi verificada a maior queda - todas as regiões pesquisadas registraram redução nas taxas - para jovens com idade entre 18 e 24 anos (-1,6%). Para a faixa entre 25 e 39 anos, houve estabilidade na Grande São Paulo e região metropolitana de Belo Horizonte. As reduções ocorreram na RMPA (-0,8%) e na RMR (-2,5%). Para pessoas com 40 anos e mais, a PED registrou aumento nas regiões metropolitanas de São Paulo (4,6%) e Porto Alegre (3,3%) e queda nas de Belo Horizonte (-2,4%) e Recife (-6,1%).
Entre os chefes de domicílio, somente houve queda da taxa na Grande Belo Horizonte (-1,2%), e entre os demais membros o maior crescimento verificou-se na região Metropolitana de Recife (3,4%), constituindo a única taxa positiva da região. No caso dos demais membros do domicílio, a região metropolitana de Porto Alegre foi a única a ter estabilidade, e a maior redução ocorreu na RMR (-3,4%). Para os desempregados com experiência anterior de trabalho, houve crescimento de 1,2% na taxa da Grande São Paulo, estabilidade na RMPA e reduções nas regiões metropolitanas de Belo Horizonte (-3,0%) e de Recife (-0,6%). Entre os sem experiência, o único crescimento na taxa foi verificado na Grande Porto Alegre (4,3%), ocorrendo estabilidade na RMBH e retrações nas regiões metropolitanas de São Paulo (-12,0%) e Recife (-4,3%).
Ocupação
O total de ocupados no conjunto das regiões pesquisadas cresceu em 35 mil pessoas e totalizou 11.170.000 postos de trabalho. É o segundo mês consecutivo em que estas regiões metropolitanas registram crescimento, desta vez mais intenso que o verificado em junho, quando foram gerados 20 mil empregos. O comportamento apurado pela PED na Grande Belo Horizonte e na região metropolitana de Porto Alegre foi determinante para este resultado, uma vez que os dados referentes à RMSP e à RMR praticamente se anulam (quadro 6).
Quadro 6 - Evolução do total de ocupados em seis regiões metropolitanas 1997/98 (em 1.000 pessoas)
Regiões metropolitanas
jul/97
dez/97
fev/98
mar/98
abr/98
mai/98
jun/98
jul/98
Distrito Federal
699,6
697,0
683,1
686,1
690,2
690,8
n/d
n/d
Belo Horizonte
1.601
1.625
1.587
1.575
1.571
1.572
1.577
1.591
Porto Alegre
1.306
1.333
1.341
1.331
1.339
1.345
1.371
1.392
Recife
d/i
1.116
1.092
1.091
1.100
1.103
1.103
1.106
Salvador
1.054
1.073
1.051
1.039
1.026
n/d
n/d
n/d
São Paulo
7.319
7.188
7.074
7.042
7.074
7.095
7.084
7.081
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS-Sine/RS; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG; SEI/Setras/UFBa; STAS/PE.
di = dado inexistente.
Na região metropolitana de São Paulo, o nível de ocupação manteve-se estabilizado, uma vez que houve a extinção de apenas 3 mil vagas. O total de ocupados fixou-se em 7.081 mil pessoas. Em relação a julho de 1997, o nível de ocupação na região caiu 3,3%, com a eliminação de 238 mil postos de trabalho.
A Indústria e os Outros Setores foram os responsáveis pela desativação de postos na Grande São Paulo, em julho. A Indústria eliminou 15 mil empregos (-1,1%) e o total de postos no setor é estimado em 1.409.000, enquanto os Outros Setores fecharam 43 mil vagas (-5,2%), igualmente distribuídas entre a construção civil e os serviços domésticos. O número de ocupados, neste setor, ficou em 786.000. Este movimento foi praticamente contrabalançado pela abertura de 55 mil vagas nos Serviços (1,5%), que totaliza assim, 3.689.000 empregados. O Comércio manteve, em julho, o mesmo número de ocupações já verificadas em junho (1.197.000).
O saldo negativo apurado em doze meses, na RMSP, também teve forte peso no desempenho da Indústria - com variação negativa de 7,0% -, que fechou 106 mil postos, e dos Outros Setores (-10,5%), em que houve eliminação de 92 mil empregos. Em ritmo menos intenso - mas ainda assim importante -, o Comércio registrou uma retração de 3,2%, com a extinção de 40 mil vagas. Apenas os Serviços mantiveram, em julho último, o mesmo nível de ocupação de igual mês no ano passado (quadro 7 e tabela 4).
Quadro 7 - Total de ocupados por setor de atividade econômica na Grande São Paulo 1997/98
Setores
Estimativas (em mil pessoas)
Variações
Absoluta
Relativa (%)
jul/97
jun/98
jul/98
jul-98/jun-98
jul-98/jul-97
jul-98/jun-98
jul-98/jul-97
Indústria
1.515
1.424
1.409
-15
-106
-1,1
-7,0
Comércio
1.237
1.197
1.197
0
-40
0,0
-3,2
Serviços
3.689
3.634
3.689
55
0
1,5
0,0
Outros (1)
878
829
786
-43
-92
-5,2
-10,5
Total
7.319
7.084
7.081
-3
-238
0,0
-3,3
Fonte: SEP. Convênio DIEESE-Seade.
(1) Inclui Construção Civil, Serviços Domésticos etc.
O decréscimo de 1,1%, verificado pela PED-SP na Indústria, resultou do desempenho de quase todos os ramos, com exceção do químico (crescimento de 6,0%). As retrações mais significativas ocorreram entre indústrias de alimentação (-7,4%), gráfica e papel (-4,5%), e no agregado outras indústrias - que engloba indústrias de mobiliário e produtos de madeira, de vidros, cristais, espelhos e cerâmica, de material de construção, de artesanato, artefatos de couro e plásticos, joalheria e lapidação de pedras preciosas, instrumentos musicais e brinquedos e outras indústrias de transformação e extrativas -, com queda de 6,2% (tabela 5a).
A expansão de 1,5% ocorrida no setor de Serviços derivou do comportamento dos ramos de transportes (9,8%), creditícios e financeiros (7,0%) e especializados (assessorias e consultorias técnicas, jurídicas, econômicas, contábeis, de pesquisa, de processamento e análise e programação de dados), com 5,2% (tabela 5b).
Segundo o vínculo, houve expansão no trabalho autônomo (3,5%), que contrabalançou a variação negativa (-0,2%) no assalariamento da região, decorrente, basicamente, da redução do emprego no setor público (-1,1), mais que no privado (-0,2%). O assalariamento com carteira assinada cresceu 0,2%, percentual insuficiente para se contrapor à queda de 1,6% verificada entre os trabalhadores sem vínculo formal.
O comportamento do mercado de trabalho na região metropolitana de Porto Alegre foi o mais positivo do ponto de vista da ocupação entre as regiões pesquisadas com o crescimento de 1,5% no mês. O total de postos fixou-se em 1.392.000, resultante da geração de 21 mil novas vagas. Em doze meses, esta é a única região, entre as três para as quais os dados no período estão disponíveis, a registrar crescimento (6,6%), com a criação de 86 mil empregos.
Apenas os Outros Setores desativaram empregos em julho, na RMPA, devido ao comportamento da Construção Civil (queda de 4,5%), uma vez que houve estabilidade no emprego doméstico. No total, foram fechadas 3 mil vagas, o que representa uma queda de 1,5%, e o total de postos ficou em 194 mil empregos. O Comércio manteve-se relativamente estabilizado, com a abertura de mil empregos (0,4%), e seu contingente é estimado em 235 mil pessoas. A Indústria teve comportamento positivo (3,1% - proporcionalmente, o melhor desempenho), com a abertura de 8 mil postos, que elevou o total de ocupados no setor para 267 mil, o mesmo ocorrendo com os Serviços, setor que registrou a geração de 15 mil empregos, o que representa um aumento de 2,2%.
Em comparação com julho de 1997, todos os setores apontaram crescimento significativo. Neste período, a Indústria e os Outros Setores cresceram, cada um, 6,0%. No primeiro caso, isto significa a criação de 15 mil postos, e, no segundo, de 11 mil. O Comércio gerou 13 mil empregos, com variação de 5,8%, e os Serviços abriram 47 mil vagas, com crescimento de 7,3% (quadro 8).
O crescimento do setor industrial, em julho, deu-se de forma pulverizada, abrangendo diversos ramos. Os principais absorvedores de mão-de-obra industrial na região - os ramos metal-mecânico e de calçados - mantiveram seus níveis de ocupação praticamente estabilizados.
O emprego assalariado registrou crescimento pelo segundo mês consecutivo (1,7%), em decorrência, exclusivamente, do desempenho do setor privado da economia (2,6%), que mais que compensou a retração do setor público (-1,7%). No assalariamento privado, o incremento ocupacional mais acentuado ficou por conta dos sem carteira de trabalho assinada (4,0%).
Em doze meses, somente o setor público registrou pequena variação negativa (-0,5%). Destaca-se o acentuado incremento dentre os segmentos associados à precarização nas relações de trabalho, no caso os trabalhadores autônomos (15,1%), os assalariados sem carteira assinada (15,6%) e os empregados domésticos (5,1%), que, em conjunto, geraram, no período, 55 mil postos de trabalho.
Quadro 8 - Total de ocupados por setor de atividade econômica na Grande Porto Alegre 1997/98
Setores
Estimativas (em mil pessoas)
Variações
Absoluta
Relativa (%)
jul/97
jun/98
jul/98
jul-98/jun-98
jul-98/jul-97
jul-98/jun-98
jul-98/jul-97
Indústria
252
259
267
8
15
3,1
6,0
Comércio
222
234
235
1
13
0,4
5,8
Serviços
649
681
696
15
47
2,2
7,3
Outros (1)
183
197
194
-3
11
-1,5
6,0
Total
1.306
1.317
1.392
21
86
1,5
6,6
Fonte: PED-RMPA - Convênio FEE, FGTAS/Sine-RS e DIEESE/Seade-SP.
(1) Inclui construção civil, serviços domésticos, agricultura, pecuária, extração vegetal e outras atividades não classificadas.
Catorze mil postos de trabalho foram criados, em julho, na região metropolitana de Belo Horizonte, onde o total de ocupados atingiu 1.591.000 pessoas, com crescimento de 0,9% em relação a junho. Em doze meses, porém, o desempenho do mercado de trabalho regional é negativo (-0,6%), com a eliminação de 10 mil ocupações.
Apenas a Indústria (-0,4%) - onde o total de postos ficou em 250 mil - e o Comércio (-0,8%) - que somou 239 mil empregos - registraram redução nos postos de trabalho, em julho, com o fechamento, respectivamente, de 1 mil e 2 mil empregos. O comportamento apurado nos demais setores foi mais que suficiente para compensar estas retrações. Os Serviços geraram 7 mil empregos (0,9%), contabilizando 781 mil ocupados, a Construção Civil criou 1 mil empregos (0,7%), somando 176 mil empregados no setor, e os Outros Setores geraram 9 mil novas vagas (5,4%), ocupando 176 mil pessoas (quadro 9).
Em doze meses, porém, apenas a Construção Civil, com saldo de 9 mil empregos a mais e os Outros Setores, com crescimento de 2,9%, registraram desempenho positivo. A Indústria teve queda de 1,2%, eliminando 3 mil vagas, o Comércio de 2,4%, com o fechamento de 6 mil ocupações, e os Serviços desativaram 15 mil postos (-1,9%).
A pequena retração verificada em julho na Indústria foi decorrente, principalmente, da redução de ocupações no ramo metal-mecânico (-4,1%). Em compensação, o ramo têxtil e vestuário apresentou elevação de 5,2%. Nos Serviços, houve decréscimo da população ocupada em transportes e armazenagem (-2,4%), educação (-2,4%) e saúde (-6,9%), compensado pelo aumento na ocupação de subsetores como serviços especializados (3,0%), administração e utilidade pública (3,4%), alimentação (3,7%), reparação e limpeza (9,6%) e outros serviços (1,2%).
Segundo a posição na ocupação, em julho de 1998, constatou-se aumento de 14 mil pessoas no contingente dos assalariados do setor privado sem carteira de trabalho assinada, 7 mil empregados domésticos e 3 mil nas demais posições na ocupação. Houve diminuição dos assalariados privados com carteira de trabalho assinada (-6 mil), dos assalariados do setor público (-2 mil) e dos autônomos (-2 mil).
Em comparação com o mesmo período de 1997, houve redução em todas as posições na ocupação, exceto dos assalariados privados sem carteira assinada, que teve aumento de 7 mil postos. Houve diminuição de 4 mil assalariados com carteira, 2 mil assalariados no setor público, 14 mil autônomos, 2 mil empregados domésticos e 8 mil nas demais posições.
Quadro 9 - Total de ocupados por setor de atividade econômica na Grande Belo Horizonte 1997/98
Setores
Estimativas (em mil pessoas)
Variações
Absoluta
Relativa (%)
jul/97
jun/98
jul/98
jul-98/jun-98
jul-98/jul-97
jul-98/jun-98
jul-98/jul-97
Indústria (1)
253
251
250
-1
-3
-0,4
-1,2
Comércio
245
241
239
-2
-6
-0,8
-2,4
Serviços (2)
796
774
781
7
-15
0,9
-1,9
Construção Civil
136
144
145
1
9
0,7
6,6
Outros (3)
171
167
176
9
5
5,4
2,9
Total
1.601
1.577
1.591
14
-10
0,9
-0,6
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP)/Centro de Estatística e Informações (CEI). Convênio FJP/DIEESE/Seade e Sine-MG.
(1) Indústrias de transformação e extrativa mineral.
(2) Inclui reformas e reparação de edificações.
(3) Inclui serviços domésticos, agricultura, pecuária e extração vegetal e outras atividades.
Na Grande Recife, o total de ocupados, em julho, ficou em 1.106.000 pessoas, com um crescimento de 0,3% em relação ao mês anterior. Este total só é inferior aos 1.116.000 ocupados apurados pela PED-PE em dezembro de 1997.
Quadro 10 - Total de ocupados por setor de atividade econômica na Grande Recife 1997/98
Setores
Estimativas (em mil pessoas)
Variações
Absoluta
Relativa (%)
dez/97
jun/98
jul/98
jul-98/jun-98
jul-98/dez-97
jul-98/jun-98
jul-98/dez-97
Indústria
110
106
103
-3
-7
-2,8
-6,4
Comércio
228
226
227
1
-1
0,4
-0,4
Serviços
576
577
585
8
9
1,4
1,0
Construção Civil
58
53
52
-1
-6
-1,9
-10,3
Outros (1)
144
141
139
-2
-5
-1,4
-3,5
Total
1.116
1.103
1.106
3
-10
0,3
-0,9
Fonte: DIEESE/PED-RMR. Convênio STAS-DIEESE/Seade.
(1) Engloba: Serviços Domésticos etc.
A geração de 3 mil empregos ocorridas no mês deveu-se ao comportamento dos setores de Serviços - com mais 8 mil postos - e Comércio, que abriu 1 mil vagas. Estes dois setores, juntos, somam 812.000 empregados. Por outro lado, a Indústria desativou 3 mil ocupações em julho, o que representa uma queda de 2,4% em relação ao mês anterior, a Construção Civil fechou mais mil (retração de 1,9%) e os Outros setores eliminaram mais 2 mil vagas (recuo de 1,4%) (quadro 10).
A relativa estabilidade verificada na RMR derivou da combinação de pequena queda (-0,3%) no emprego assalariado com um aumento de 1,9% no contingente de autônomos. O comportamento ocorrido entre os assalariados, por sua vez, foi pressionado pela queda no emprego do setor público (-0,6%), uma vez que o setor privado manteve-se estabilizado, como resultado do crescimento de 2,8% do assalariamento com carteira e da redução de 7,2% do total daqueles que não possuem o vínculo formal.
Rendimentos
Mais uma vez, o nível de rendimentos apresentou, em junho, comportamento diversificado nas quatro regiões em que a PED disponibilizou os dados do período. Entre os ocupados, na comparação entre junho e maio deste ano, só houve redução na Grande Recife, ao passo que entre os assalariados apenas ocorreram ganhos na RMBH. Em relação a junho de 1997, todas as três regiões que dispõem de dados para esta comparação registraram perdas, e somente na Grande São Paulo este desempenho se repetiu para os assalariados (quadro 11).
Quadro 11 - Rendimento médio real de ocupados e assalariados em seis regiões metropolitanaS - Maio 1998
RM
Ocupados (A)
Assalariados (B)
Variação (%)
jun-98 / mai-98
jun-98 / jun-97
jun/97
mai/98
jun/98
jun/97
mai/98
jun/98
(A)
(B)
(A)
(B)
RMDF (1)
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
RMBH (2)
603,98
582,91
590,48
591,58
587,53
592,27
1,3
0,8
-2,3
0,1
RMPA (3)
620
605
605
593
608
603
0,0
-0,8
-2,3
1,7
RMS (4)
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
n/d
RMSP (5)
876
867
868
883
868
874
0,2
0,7
-0,9
-1,0
RMR (6)
d/i
466
454
d/i
522
511
-2,5
-2,1
---
---
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS-Sine/RS; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG; SEI/Setras/UFBa; STAS/PE.
1. Inflator utilizado: ICV-Codeplan. Valores em reais de dezembro de 1997. Base: média de 1992 = 100.
2. Inflator utilizado: IPCA-BH/IPEAD. Valores em reais de janeiro de 1998. Base: média de 1995 = 100.
3. Inflator utilizado: IPC-IEPE. Valores em reais de janeiro de 1998. Base: média de 1993 = 100.
4. Inflator utilizado: Índice de Preços ao Consumidor/SEI. Valores em reais de dezembro de 1997. Base: dezembro de 1996 = 100.
5. Inflator utilizado: ICV-DIEESE. Valores em reais de janeiro de 1998. Base: média de 1985 = 100.
6. Inflator utilizado: IPC-Descon-Fundaj. Valores em reais de janeiro de 1998. Base: outubro de 1997 = 100.
di = dado inexistente.
n/d = dado não disponível.
Na região metropolitana de São Paulo, o nível médio de rendimentos dos ocupados se manteve relativamente estabilizado em junho (0,2%), passando a corresponder a R$ 868,00. O salário médio voltou a registrar pequena variação positiva de 0,7%, tornando-se equivalente a R$ 874,00, em junho (tabela 6). Em doze meses, ambos indicadores apontam queda em patamar semelhante: de 0,9%, entre os ocupados, e de 1,0% para os assalariados.
O crescimento do nível de rendimentos dos assalariados com carteira assinada chegou a 2,1% e foi ainda mais expressivo para os sem carteira: 5,4%. Entre os autônomos, o patamar permaneceu o mesmo apurado no mês anterior.
A massa de rendimentos manteve-se estável para ocupados e assalariados, devido, em ambos os casos, às variações negativas do nível de ocupação, compensadas por pequenos crescimentos dos rendimentos. Nos últimos doze meses, em função de reduções nos rendimentos e, principalmente, no nível ocupacional, a massa de rendimentos diminuiu 3,9% e a de salários 1,7% (tabela 7).
Pelo segundo mês consecutivo, o rendimento máximo obtido pelos 10% mais pobres entre os ocupados apresentou redução (-5,9%, em junho), tornando-se equivalente a R$ 160,00. O rendimento mínimo obtido pelos 10% de ocupados mais ricos permaneceu estável em R$ 2.000,00 (tabelas 8 e 9).
O rendimento médio dos ocupados na RMPA manteve-se estabilizado, em junho, em R$ 605,00, enquanto o salário médio recuou 0,8%, fixando-se em R$ 603,00. Em doze meses, houve queda de 2,3% para os ocupados e crescimento de 1,7% para os assalariados.
As massas de rendimentos cresceram, em junho, tanto para os ocupados (2,0%) quanto para os assalariados (1,8%). O primeiro caso foi influenciado pelo crescimento do emprego, enquanto o segundo, face ao declínio do salário médio, decorreu exclusivamente do aumento da ocupação. Na comparação anual, o crescimento da massa também foi de 2,0% para os ocupados, enquanto a dos assalariados aumentou 1,6%.
O salário médio do setor privado apresentou, em junho, pequena oscilação negativa (-0,4%), enquanto no setor público a redução chegou a 1,3%.
Na região metropolitana de Belo Horizonte, a média do rendimento real médio dos ocupados, em junho, foi de R$ 590,48, com um crescimento de 1,3% em relação a maio, mas uma retração de 2,3% em comparação com igual mês em 1997. O salário médio ficou em R$ 597,27, em junho, correspondendo a um acréscimo de 0,8% em relação a maio e estabilidade (0,1%) em comparação com junho de 1997.
Quanto ao vínculo empregatício, o rendimento real médio apresentou variação negativa de 2,3% para assalariados com carteira assinada e um crescimento de 2,1% para aqueles que não a possuem. Na comparação com junho de 1997, verificou-se queda no valor real do rendimento médio, tanto para os assalariados com carteira quanto para os sem.
A massa de rendimentos reais da população ocupada e assalariada, em junho último, apresentou crescimento de 1,8% e de 1,2%, respectivamente, em relação ao mês anterior. Esses aumentos deveram-se principalmente ao incremento do rendimento real médio no período. No entanto, a comparação destes resultados com junho de 1997 mostra uma queda na massa de rendimentos reais dos ocupados de 2,7% e pequena variação positiva de 0,8% para os assalariados.
Na Grande Recife, o rendimento real médio de ocupados e assalariados passou a equivaler a R$ 454,00 e R$ 511,00, respectivamente. Comparando-se ao mês anterior, este resultado revela uma queda de 2,5% para os primeiros e 2,1% para os assalariados.
Houve um crescimento de 10% para o rendimento máximo dos ocupados incluídos entre os 10% mais pobres, com seu valor situando-se em R$ 80,00, e um declínio de 1,0% para o rendimento mínimo dos 10% mais ricos. Entre os assalariados, o limite máximo do primeiro decil cresceu 4,7%, enquanto o valor mínimo recebido pelos 10% mais ricos caiu 0,4%.
1 Na região metropolitana de Salvador, a metodologia desenvolvida pelo DIEESE e a Fundação Seade é empregada, para realização da PED, em parceria com a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão vinculado à Secretaria de Planejamento, Ciência e Tecnologia (Seplantec), a Secretaria do Trabalho e da Ação Social (Setras), ambas pertencentes ao Governo do Estado da Bahia, e a Universidade Federal da Bahia (UFBa), através da Faculdade de Ciências Econômicas.
2 No Distrito Federal, a PED foi implantada pela Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan), órgão vinculado à Secretaria da Fazenda e Planejamento do Distrito Federal, que mantém convênio com a Secretaria do Trabalho (STb/DF), a Fundação Seade e o DIEESE.
3 Na Grande Belo Horizonte, a realização da PED, também segundo a metodologia do DIEESE e Fundação Seade, é de responsabilidade da Fundação João Pinheiro (FJP), com apoio da Secretaria de Estado do Trabalho, da Assistência Social, da Criança e do Adolescente (Setascad/Sine MG).
4 A realização da PED na Grande Porto Alegre é de responsabilidade da Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser (FEE), órgão vinculado à Secretaria da Coordenação e Planejamento do Estado do Rio Grande do Sul, que adotou a metodologia desenvolvida pelo DIEESE e Fundação Seade, mediante convênio com a Fundação Gaúcha do Trabalho e da Ação Social (FGTAS/Sine-RS).
5 A PED é realizada, na região metropolitana do Recife, por iniciativa do DIEESE e da Fundação Seade, e conta com o apoio do Governo do Estado de Pernambuco através da Secretaria do Trabalho e Ação Social (STAS) e da Secretaria do Planejamento.
6 Todos os números absolutos da PED da região metropolitana de Recife, inclusive os referentes aos meses anteriores, foram alterados devido à mudança nas estimativas populacionais da região fornecidas pela Condepe, uma das parceiras da PED regional, que toma por base os dados da contagem populacional realizada pela Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 1996.
7 O desemprego aberto refere-se às pessoas que estavam procurando emprego nos trinta dias que antecederam a entrevista, e não exerceram qualquer "bico" nos sete dias imediatamente anteriores.
8 O desemprego oculto subdivide-se em oculto pelo trabalho precário - aqueles que, apesar de procurarem ocupação, realizaram uma atividade eventual remunerada ou não nos sete dias anteriores à entrevista - e pelo desalento - aqueles que suspenderam a busca por uma colocação devido às dificuldades no último mês, mas vinham procurando emprego no último ano e pretendem voltar a procurá-lo em momento mais propício.
Aqui você pode acessar os releases completos das PEDs do Distrito Federal, São Paulo e Rio Grande do Sul.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos