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Indicadores Mostram Aumento do Desemprego em Março

Os indicadores apurados em março pela Pesquisa de Emprego e Desemprego (PED) revelam um quadro do mercado de trabalho bastante desfavorável: as taxas de desemprego cresceram significativamente em quatro regiões metropolitanas - São Paulo, Brasília, Belo Horizonte e Porto Alegre -, enquanto o comportamento do nível de ocupação revelou-se, mais uma vez, aquém das necessidades de colocação de centenas de desempregados. Embora essa tendência seja característica do primeiro semestre do ano, o fato agravante é que se acentua mês após mês a precarização da qualidade das vagas geradas. Na Grande São Paulo, a exemplo de outras cidades, destacam-se as contratações de trabalhadores sem carteira assinada e de autônomos, categorias que acabam não conseguindo obter o mesmo nível de remuneração daqueles que contam com vínculos empregatícios menos precários.

O ritmo de aumento do desemprego acentuou-se, em março, nas regiões metropolitanas de Brasília, Belo Horizonte, São Paulo e Porto Alegre, conforme demonstram os indicadores apurados PED. Mas, embora essa tendência seja característica do primeiro semestre do ano, naquele mês, exceto na regiões mineira e paulista, o número de desempregados cresceu mais que o total de ocupados, quando considerada a variação dos últimos doze meses.

O mesmo levantamento é realizado pelo convênio DIEESE/Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), em parceria com órgãos de governo e instituições de pesquisa locais, nas áreas metropolitanas de Curitiba e Salvador, onde, até o fechamento desta edição, os dados disponíveis eram relativos ao mês de fevereiro, período em que as taxas de desemprego mantiveram-se em patamares muito elevados.

Em março, o crescimento da taxa total de desemprego foi maior em Brasília (10,4%) e na Grande Belo Horizonte (9,0%), entre outros fatores, devido à entrada de mais pessoas no mercado de trabalho. Nessas duas regiões, a população economicamente ativa (PEA) aumentou 2,1% e 1,2%, respectivamente, sobre fevereiro - sem haver, em contrapartida, a criação de novas ocupações em número suficiente para absorver a mão-de-obra que procurava emprego. A PEA reduziu-se 0,5% na Grande Porto Alegre, mas cresceu 3,4% na comparação com igual período de 1996, enquanto na região metropolitana de São Paulo a expansão no mês foi de apenas 0,3% (quadros 1 e 2).


Quadro 1 - População economicamente ativa em cinco regiões metropolitanas
1996/97 - (em 1.000 pessoas)
Regiões metropolitanas População economicamente ativa (PEA)
Mar/96 Out/96 Nov/96 Dez/96 Jan/97 Fev/97 Mar/97
Distrito Federal 812,0 792,5 790,4 795,0 799,3 803,0 819,9
Belo Horizonte 1.661 1.661 1.663 1.680 1.668 1.688 1.078
Curitiba 1.012 1.026 1.023 1.017 1.017 1.026 nd
Porto Alegre 1.481 1.527 1.509 1.514 1.515 1.539 1.532
São Paulo 8.254 8.555 8.553 8.510 8.439 8.396 8.421
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS- Sine/RS; Ipardes-Sempre-Sine/PR-Copel; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG.



Quadro 2 - Taxa de desemprego total em cinco regiões metropolitanas
1996/97 - (em %)
Regiões metropolitanas Taxas de desemprego total
Mar/96 Out/96 Nov/96 Dez/96 Jan/97 Fev/97 Mar/97
Distrito Federal 17,2 16,2 15,7 15,4 15,7 16,3 18,0
Belo Horizonte 13,5 11,5 11,0 10,7 11,8 12,2 13,3
Curitiba 13,5 12,9 12,0 11,7 12,1 13,5 nd
Porto Alegre 13,1 13,1 12,7 12,1 12,2 12,8 13,5
São Paulo 15,0 14,8 14,5 14,2 13,9 14,2 15,0
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS- Sine/RS; Ipardes-Sempre-Sine/PR-Copel; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG.


Em Brasília, a taxa de desemprego registrou um salto de 10,4%, ao avançar de 16,3%, em fevereiro, para 18,0% da PEA (819.900 pessoas), em março, alcançando o maior percentual entre as quatro regiões metropolitanas pesquisadas. Com isso, o número de desempregados cresceu 12,7%, de 130.900 para 147.500, de acordo com dados divulgados pela Companhia de Desenvolvimento do Planalto Central (Codeplan) e Secretaria de Trabalho do Governo do Distrito Federal, que realizam a PED em conjunto com o DIEESE e a Fundação Seade (quadro 3).

A taxa global de participação - indicativo da proporção de pessoas com 10 anos e mais incorporadas ao mercado de trabalho como ocupadas ou desempregadas - aumentou de 59,3%, em fevereiro, para 60,3%, em março, correspondendo à incorporação de 16.900 pessoas à PEA. Isso resultou no crescimento do desemprego, uma vez que o nível de ocupação manteve-se inalterado (variação nula) nesse período. No primeiro trimestre do ano, a PED indica que o mercado de trabalho do Distrito Federal foi pressionado com a entrada de mais 24.900 indivíduos.

O aumento do desemprego chegou a 9,0%, em março, na Grande Belo Horizonte, onde a taxa total saltou de 12,2% para 13,3% da PEA, devido, principalmente, ao ingresso de inativos no mercado de trabalho da região (sobretudo mulheres, cônjuges e pessoas de 18 a 24 anos de idade). A PEA incorporou 20 mil pessoas, passando a abranger 1.708.000 indivíduos, enquanto o nível de ocupação recuou 0,1%. Em conseqüência, o número de desempregados elevou-se de 206 mil para 227 mil, ou mais 10,2%.

Apesar do aumento, a taxa de desemprego na Grande Belo Horizonte, em março, ainda ficou ligeiramente abaixo (- 1,5%) da verificada em igual período do ano passado (13,5%). Nesse intervalo, a expansão da PEA (em proporção superior ao aumento da população com 10 anos e mais de idade) foi praticamente equivalente à criação de novas ocupações, aponta o levantamento da Fundação João Pinheiro, realizado com o apoio da Secretaria do Trabalho, da Ação Social, da Criança e do Adolescente (Setascad) e do Sine-MG, que utilizam a metodologia da PED desenvolvida pelo DIEESE e a Fundação Seade.

A taxa de desemprego aumentou (5,5%) pelo terceiro mês consecutivo, em março, na Grande Porto Alegre, atingindo 13,5% da PEA, ou 207 mil de um total de 1.532.000 pessoas.Trata-se do maior percentual apurado para o mesmo mês desde o início da PED na região, em junho de 1992, quando passou a ser desenvolvida pela Fundação de Economia e Estatística Siegfried Emanuel Heuser e Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social (FGTAS/Sine-RS) em parceria com o DIEESE e a Fundação Seade.

Pelo segundo mês seguido, em março, a taxa de desemprego elevou-se na Grande São Paulo, atingindo 15,0% da PEA, patamar 5,6% superior ao de fevereiro, mas idêntico ao verificado em igual período de 1996. Nesses últimos doze meses, porém, o total de desempregados cresceu de 1.238.000 para 1.263.000 pessoas, ou mais 2,0%, mesmo percentual observado na evolução da PEA, que passou de 8.254.000 para 8.421.000 indivíduos.

O maior número de desempregados resultou, principalmente, da eliminação de 46 mil postos de trabalho. No entanto, como a taxa de participação oscilou de 60,7% para 60,8%, entre fevereiro e março, foram incorporadas àquele contingente mais 25 mil pessoas que se integraram à PEA, o que resultou num total de 71 mil indivíduos sem emprego.


Quadro 3 - Total de desempregados em cinco regiões metropolitanas
1996/97 - (em 1.000 pessoas)
Regiões metropolitanas Total de desempregados
Mar/96 Out/96 Nov/96 Dez/96 Jan/97 Fev/97 Mar/97
Distrito Federal 139,5 128,3 124,2 122,8 125,2 130,9 147,5
Belo Horizonte 224 191 183 180 197 206,0 227
Curitiba 137 132 123 119 123 139 nd
Porto Alegre 194 200 192 183 185 197 207
São Paulo 1.238 1.266 1.240 1.208 1.173 1.192 1.263
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS- Sine/RS; Ipardes-Sempre-Sine/PR-Copel; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG.


Nas quatro regiões metropolitanas pesquisadas, o aumento do desemprego em março resultou da expansão das taxas de desemprego aberto (que expressa a condição das pessoas que procuraram trabalho de maneira efetiva nos 30 dias anteriores ao da entrevista e não exerceram nenhuma atividade remunerada na última semana). Na variação mensal, o indicador teve avanços mais significativos nas regiões metropolitanas de Brasília (16,3%) e Belo Horizonte (15,6%). Somente na Grande Porto Alegre (- 2,1%) e na Grande São Paulo (- 2,0%) houve quedas em relação ao mesmo período do ano passado (quadro 4).

No Distrito Federal, o desemprego aberto atingiu, em março, 11,4% da PEA, o equivalente a 93.700 pessoas, contra 9,8% em fevereiro, correspondendo a um aumento de 16,3%. Nos últimos doze meses, porém, a taxa subiu bem menos: 1,8%.


Quadro 4 - Taxas de desemprego aberto em cinco regiões metropolitanas
1996/97 - (em %)
Regiões metropolitanas Taxas de desemprego aberto
Mar/96 Out/96 Nov/96 Dez/96 Jan/97 Fev/97 Mar/97
Distrito Federal 11,2 10,7 10,3 9,8 9,5 9,8 11,4
Belo Horizonte 8,7 6,7 6,5 6,4 7,1 7,7 8,9
Curitiba 8,8 8,8 8,1 8,0 8,4 9,6 nd
Porto Alegre 9,6 9,1 8,7 8,2 8,3 8,9 9,4
São Paulo 10,1 9,7 9,6 9,2 8,9 9,1 9,9
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS- Sine/RS; Ipardes-Sempre-Sine/PR-Copel; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG.


O inverso ocorreu no caso do desemprego oculto. A taxa apurada em março, equivalente a 6,6% da PEA (53.800 pessoas), subiu 1,5% em relação a fevereiro, avançando 10,0% no intervalo dos últimos doze meses. O indicador expressa a condição dos desempregados que procuraram e realizaram algum trabalho (remunerado ou não) de forma irregular nos últimos 30 dias anteriores à data em que foram entrevistados pela pesquisa (oculto pelo trabalho precário), ou, se não tiveram e nem buscaram alguma ocupação por desistímulos do mercado de trabalho, o fizeram nos últimos doze meses (oculto pelo desalento) (quadro 5).

Na Grande Belo Horizonte, em março, a taxa de desemprego aberto subiu pelo segundo mês consecutivo. Praticamente toda a ampliação da população economicamente ativa (1,2%) traduziu-se no crescimento da população na situação de desemprego aberto, que passou de 130 mil (7,7% da PEA), em fevereiro, para 152 mil pessoas (8,9% da PEA). Com esse resultado, o indicador ficou 2,3% acima dos 8,7% registrados há um ano.

Por outro lado, a população em desemprego oculto permaneceu praticamente estável, variando de 76 mil (4,5% da PEA), em fevereiro, para 75 mil pessoas (4,4% da PEA), no mês em análise. A taxa de desemprego oculto pelo trabalho precário manteve-se em 2,9%, enquanto a relativa ao oculto pelo desalento oscilou de 1,6% para 1,5%, no mesmo período. Nos dois casos, o resultado de março foi mais favorável que o registrado na mesma época de 1996 (3,2% e 1,6%, respectivamente), o que confirma, segundo o relatório da PED, que o aumento do desemprego nos três primeiros meses deste ano tem apresentado características distintas na comparação com igual período de 1996.

O comportamento da taxa de desemprego total na Grande Porto Alegre, em março, deveu-se sobretudo ao aumento da taxa de desemprego aberto, que subiu de 8,9%, no mês anterior, para 9,4% da PEA, afetando 144 mil pessoas. Por sua vez, o indicador de desemprego oculto teve uma contribuição menor para o resultado mensal, elevando-se de 3,9% para 4,1% da PEA (63 mil pessoas), após um período de três meses de estabilidade. Mesmo assim, destaca-se o aumento de 17,1% em relação aos 3,5% apurados há um ano.

Confirmando o comportamento considerado típico (sazonal) para a época do ano, em março, a taxa de desemprego aberto subiu para 9,9% da PEA (8,8% sobre fevereiro), o equivalente a 834 mil pessoas, na Grande São Paulo. Em um ano, aquele percentual teve queda de 2,0%.

A taxa de desemprego oculto foi estável, em março, quando a PED apurou os mesmos 5,1% da PEA verificados em fevereiro, estimando-se um total de 429 mil pessoas nessa condição. Há um ano, contudo, o indicador correspondia a 4,9% da PEA.

Todos os segmentos da população foram afetados pelo aumento do desemprego, em março, nas quatro áreas metropolitanas pesquisadas. Em Brasília, os maiores avanços da taxa foram observados entre mulheres (10,9%), chefes de família ( 10,7%), pessoas de 25 a 39 anos (15,1%) e de 10 a 17 anos (13,6%). No saldo de doze meses, o indicador chegou a subir 20,8% para os chefes de domicílio e 44,8% no caso das pessoas com 40 anos e mais de idade.

Na Grande Belo Horizonte, o desemprego aumentou acentuadamente em relação a fevereiro tanto entre os homens (10,8%) quanto as mulheres (8,1%), embora para estas a taxa tenha permanecido abaixo da registrada há um ano (14,7%, contra 15,4%). No caso dos chefes de domicílio, a taxa ampliou-se de 6,3%, em fevereiro, para 7,1%, em março, ou mais 12,7%.

Considerada a faixa etária, a população de 40 anos e mais de idade apresentou a maior elevação (21,1%) mensal da taxa de desemprego, que passou de 5,7% para 6,9%. Esta foi a única parcela para quem também houve aumento (13,0%) do indicador em relação aos 6,0% apurados em março de 1996.

Os aumentos mais expressivos da taxa de desemprego na Grande Porto Alegre ocorreram para algumas parcelas da chamada força de trabalho secundária: crianças e adolescentes entre 10 e 17 anos (13,2%), pessoas sem experiência anterior de trabalho (11,8%) e mulheres (11,3%). Destacam-se também as elevações observadas para os chefes de domicílio (8,9%), os indivíduos com 40 anos e mais (8,9%) e os com idade entre 25 e 39 anos (7,5%).

Quando comparada com a de março de 1996, a maior variação da taxa se deu entre os jovens de 18 e 24 anos: 12,5%.

A expansão da taxa de desemprego para os homens (6,3%) e os chefes de domicílio (7,5%) destacou-se na Grande São Paulo, onde também houve aumentos significativos para as pessoas de 18 a 24 (8,2%) e de 25 a 39 anos (5,2%). Em doze meses, o indicador relativo aos chefes de domicílio passou de 8,0% para 8,6% da PEA, crescendo 7,5%.


Quadro 5 - Taxa de desemprego oculto em cinco regiões metropolitanas
1996/97 - (em %)
Regiões metropolitanas Taxas de desemprego oculto
Mar/96 Out/96 Nov/96 Dez/96 Jan/97 Fev/97 Mar/97
Distrito Federal 6,0 5,5 5,4 5,6 6,2 6,5 6,6
Belo Horizonte 4,8 4,8 4,5 4,3 4,7 4,5 4,4
Curitiba 4,7 4,1 3,9 3,7 3,7 3,9 nd
Porto Alegre 3,5 4,0 4,0 3,9 3,9 3,9 4,1
São Paulo 4,9 5,1 4,9 5,0 5,0 5,1 5,1
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS- Sine/RS; Ipardes-Sempre-Sine/PR-Copel; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG.

Ocupação estável


A geração de novos empregos continuou insuficiente, em março, para atender às necessidades de colocação dos desempregados no mercado de trabalho. O comportamento do nível de ocupação foi medíocre nas quatro áreas metropolitanas pesquisadas no período, quando a PED registrou variações negativas sobre fevereiro em Porto Alegre (- 1,3%), São Paulo (- 0,6%) e Belo Horizonte (- 0,1%). No Distrito Federal, o número de ocupados permaneceu praticamente o mesmo do mês anterior, passando de 672.100 para 672.400 pessoas, com um saldo positivo de apenas 300 ocupações. O resultado também é inexpressivo, se comparado com os 672.500 empregados de um ano atrás (quadro 6).

Na comparação com março de 1996, a evolução do nível ocupacional também foi pouco significativa, correspondendo praticamente ao crescimento da PEA. O melhor resultado foi observado na Grande Belo Horizonte (aumento de 3,1%), seguindo-se as regiões metropolitanas de Porto Alegre (3,0%)e São Paulo (2,0%).

O total de ocupados no conjunto das quatro regiões alcançou 10.636.400 pessoas, em março, ou 0,6% abaixo das 10.700.100 computadas em fevereiro. Há um ano, a pesquisa registrara um contingente 2,1% menor (10.412.500).


Quadro 6 - Evolução do total de ocupados em cinco regiões metropolitanas
1996/97 - (em 1.000 pessoas)
Regiões metropolitanas Total de ocupados
Mar/96 Out/96 Nov/96 Dez/96 Jan/97 Fev/97 Mar/97
Distrito Federal 672,5 664,2 666,2 672,2 674,1 672,1 672,4
Belo Horizonte 1.437 1.470 1.480 1.500 1.471 1.482 1.481
Curitiba 875 894 900 898 894 887 nd
Porto Alegre 1.287 1.327 1.317 1.331 1.330 1.342 1.325
São Paulo 7.016 7.289 7.313 7.302 7.266 7.204 7.158
Fonte: SEP. Convênio Seade-DIEESE; FEE-FGTAS- Sine/RS; Ipardes-Sempre-Sine/PR-Copel; Codeplan/GDF-STb/GDF; CEI/FJP-Setascad-Sine/MG.


Na Grande São Paulo, o nível de ocupação manteve, em março, a tendência de declínio iniciada em dezembro último, com o corte de 46 mil postos de trabalho (- 0,6% sobre fevereiro). A exceção do setor de Serviços, em que o número de ocupados permaneceu praticamente estável em relação ao mês anterior, os demais setores de atividade econômica realizaram demissões. O total de empregados na região foi estimado em 7.158.000 pessoas (quadro 7).

Um dado que se destacou entre os indicadores apurados pela PED na Grande São Paulo foi o fato de 48,5% do total de ocupados no trabalho principal terem realizado horas extras em março - um percentual recorde para este mês desde 1985. No início dos anos 90, entre 20% e 22% dos ocupados trabalhavam além da jornada legal (44 horas semanais ou 220 mensais), patamar que dobrou desde 1995.

No caso dos assalariados (com e sem carteira de trabalho assinada), também em março, 46,6% (cerca de 2.068.000 pessoas) realizaram hora extra.

Com a eliminação de mais 17 mil postos de trabalho, predominantemente ocupados por assalariados sem carteira assinada (13 mil), em março, a Indústria de Transformação reduziu 1,1% o nível de emprego, passando a empregar 1.589.000 pessoas. Esse resultado decorreu do desempenho desfavorável apresentado em praticamente todos os ramos industriais, destacando-se o de gráfica e papel, em que a queda da ocupação chegou a 10,5%. As exceções ficaram por conta dos segmentos vestuário e têxtil (com ligeiro aumento de 0,7% de vagas) e outras indústrias (2,9%).

Os indicadores de emprego industrial captados pela PED revelam outro desempenho negativo, em março: a indústria metal-mecânica apresentou o menor número de ocupados desde o início da década - 592 mil pessoas (37,3% do total da mão-de-obra empregada no setor industrial).

Comparado com março de 1996, o nível de ocupação na Indústria de Transformação diminuiu 3,6%, o que significa a extinção de 60 mil vagas. As maiores retrações ocorreram nas indústrias metal-mecânica (- 9,3%), química e borracha (- 17,8%) e vestuário e têxtil (- 2,3%), observando-se aumentos para os demais segmentos industriais. Ainda no saldo dos últimos doze meses, registrou-se expressivo decréscimo - 8,5% - no número de assalariados com carteira de trabalho asssinada.

Após três meses de declínio, em março, o nível de emprego nos Serviços manteve-se praticamente estável, com a dispensa de mil trabalhadores. Houve demissões nos serviços de educação, reformas, oficina e limpeza e saúde, enquanto as contratações foram registradas nos serviços auxiliares, de administração pública e creditícios.


Quadro 7 - Total de ocupados por setor de atividade econômica
na Grande São Paulo - 1996/97
Setores Estimativas (em 1.000 pessoas) Variações
Absoluta (em 1.000) Relativa (%)
Mar/96 Fev/97 Mar/97 Mar-97/fev-97 Mar-97/fev-97 Mar-97/mar-96
Indústria 1.649 1.606 1.589 - 17 - 1,1 - 3,6
Comércio 1.200 1.239 1.224 - 15 - 1,2 2,0
Serviços 3.382 3.501 3.500 - 1 0,0 3,5
Outros (1) 785 858 845 - 13 - 1,5 7,6
Total 7.016 7.204 7.158 - 46 - 0,6 2,0
Fonte: SEP. Convênio DIEESE-Seade.

1. Incluem Construção Civil, Serviços Domésticos etc.


Nos últimos doze meses, o número de ocupados nos Serviços cresceu 3,5%, com a incorporação de 118 mil pessoas. O comportamento observado entre os ramos de atividade é bastante distinto, destacando-se os aumentos registrados nos serviços de reforma (31,5%), especializados (17,6%) e auxiliares (13,7%) e a acentuada queda do emprego nos serviços de educação (-16,6%). O contingente de empregados no setor público reduziu-se 10,8%, ao mesmo tempo em que houve aumentos no caso de autônomos (4,5%) e de assalariados sem carteira de trabalho assinada (13,9%).

O mercado de trabalho na Grande São Paulo gerou 142 mil novas ocupações entre março de 1996 e de 1997. No entanto, esse comportamento do nível de emprego resultou do crescimento de inserções mais precárias, com a contratação de assalariamento sem carteira de trabalho assinada no setor privado (que se elevou 11,3% no período) ede autônomos (2,0%). No mesmo período, a ocupação no setor público e o emprego de assalariados com carteira assinada caíram 10,1% e 2,4%, respectivamente.

De acordo com a série histórica de dados da PED no Distrito Federal, a estabilidade da ocupação verificada em março repetiu o comportamento semelhante observado, em igual período, nos anos de 1992,1993 e 1994.

A exemplo do observado desde dezembro, o Comércio manteve as contratações, gerando mais 3.300 vagas, um aumento de 3,4% sobre fevereiro. No balanço anual, porém, o nível de emprego no setor recuou 4,3% (quadro 8).

A Construção Civil também voltou a contratar em março, quando o nível de emprego cresceu 2,3%, após três meses em declínio, embora o resultado mantenha-se negativo (- 2,8%) na comparação anual. Ao mesmo tempo, na Indústria de Transformação, Serviços (especialmente os ramos de alimentação, creditícios, transportes e saúde) e Administração Pública foram cortados, ao todo, 3.800 postos de trabalho.

O índice de ocupação de assalariados do setor privado cresceu 0,8% em março, em função do incremento de 1,6% do trabalho com registro em carteira, embora o assalariamento sem carteira tenha recuado 1,7%. No setor público, a queda foi de 1,1%, sempre em relação a fevereiro.


Quadro 8 - Total de ocupados por setor de atividade econômica
no Distrito Federal - 1996/97
Setores Estimativas
(em 1.000 pessoas)
Variações
Absoluta
(em 1.000)
Relativa (%)
Mar/96 Fev/97 Mar/97 Mar-97/fev-97 Mar-97/fev-97 Mar-97/mar-96
Indústria 30,6 36,2 35,5 - 0,7 - 1,9 16,0
Comércio 105,2 97,4 100,7 3,3 3,4 - 4,3
Serviços 357,1 359,8 357,8 - 2,0 - 0,6 0,2
Construção Civil 31,7 30,1 30,8 0,7 2,3 - 2,8
Administração Pública 142,8 142,4 141,3 - 1,1 - 0,8 - 1,1
Outros 5,1 6,2 6,3 0,1 1,6 23,5
Total 672,5 672,1 672,4 0,3 0,0 0,0
Fonte: Codeplan/GDF, STb/GDF, DIEESE/Seade-SP.


Ao contrário do que ocorreu no primeiro bimestre do ano, o nível de ocupação caiu 1,3%, em março, na Grande Porto Alegre. Com menos 17 mil postos de trabalho - o segundo maior corte já registrado em um único mês desde do início da PED na região, em junho de 1992 -, o total de ocupados ficou em 1.325.000 pessoas (quadro 9)

O setor que mais demitiu foi a Indústria de Transformação, ao dispensar 17 mil trabalhadores. Os cortes ocorreram em quase todos os ramos, sendo mais intensos no calçadista e metal-mecânico. No saldo de um ano, o emprego industrial caiu 6,0% na área metropolitana de Porto Alegre.

A Construção Civil foi outro setor em que o emprego apresentou comportamento negativo, tanto na evolução mensal (- 3,7%), quanto nos últimos doze meses (- 3,7%).

Nos Serviços, setor que há quatro anos é o maior responsável pela criação de novos empregos na região, as demissões também continuaram em março, conforme a PED registra desde janeiro último. Os ramos mais atingidos pelos cortes foram administração pública, alimentação e oficinas de reparação mecânica.

No Comércio, o quadro mostrou-se mais favorável. A exemplo do que vem ocorrendo desde novembro passado, em março houve novas contratações, que resultaram no aumento de 2,6% do nível mensal de emprego. Na variação em doze meses, esse percentual sobe para 10,4%.

Apesar das consecutivas quedas registradas no primeiro trimestre do ano, o número de trabalhadores autônomos foi o que mais se expandiu nos últimos doze meses encerrados em março (11,3%). Nesse período, houve queda (- 3,1%) apenas na contratação de assalariados no setor privado sem carteira de trabalho assinada.


Quadro 9 - Total de ocupados por setor de atividade econômica
na Grande Porto Alegre - 1996/97
Setores Estimativas
(em 1.000 pessoas)
Variações
Absoluta
(em 1.000)
Relativa (%)
Mar/96 Fev/97 Mar/97 Mar-97/fev-97 Mar-97/fev-97 Mar-97/mar-96
Indústria 286 286 269 - 17 - 6,0 - 6,0
Comércio 212 228 234 6 2,6 10,4
Serviços 612 646 642 -4 - 0,6 4,9
Construção Civil 81 81 78 -3 - 3,7 - 3,7
Serviços Domésticos 91 93 94 1 1,1 3,3
Outros 15 8 8 0 0 - 47,0
Total 1.287 1.342 1.325 -17 - 1,3 3,0
Fonte: PED-RMPA - Convênio FEE, FGTAS/Sine-RS e DIEESE/Seade-SP.


A variação de 3,1% no nível emprego na Grande Belo Horizonte, entre março de 1996 e 1997 (com a criação de 44 mil vagas), foi superior ao crescimento de 1,6% da população economicamente ativa (PEA), composta por pessoas com 10 anos ou mais de idade, no mesmo período. Mas essa diferença foi absorvida pelo aumento de 56,6% para 57,3% da taxa de participação, sem que se observassem efeitos positivos para a redução da taxa de desemprego.

Do total de 1.481.000 ocupados na região, em março, 726 mil (49,0%) estavam empregados no setor de Serviços, número 0,8% acima do mês anterior, resultado da abertura de seis mil vagas, sobretudo para assalariados com carteira assinada (quadro 10).

Trabalhadores autônomos e empregados sem carteira assinada ocupavam a maior parte das 7 mil vagas eliminadas, em março, pela Indústria de Transformação local. O total de ocupados no setor reduziu-se para 237 mil pessoas, mas ainda se manteve 9,2% acima dos 217 mil registrados há um ano. As 20 mil contratações ocorridas nestes doze meses foram especialmente de empregados com carteira assinada e trabalhadores autônomos, em sua maioria alocados no ramo metal-mecânico.

Outras 3 mil vagas foram fechadas na Construção Civil, afetando especialmente trabalhadores autônomos. Com isso, o nível de emprego no setor registrou a primeira variação negativa (- 2,3%) desde novembro passado. Contudo, o saldo em doze meses permaneceu positivo, indicando a contratação de onze mil pessoas, o equivalente a um crescimento de 9,6%.

O Comércio, que manteve em março os mesmos 224 mil empregados no mês anterior, foi o único setor que apresentou desempenho negativo no nível de emprego (- 1,3%), nos últimos doze meses, com a demissão de 3 mil trabalhadores

A pesquisa apurou crescimento de 2,5% (equivalentes a 14 mil pessoas) do emprego de assalariados com carteira assinada e de 2,7% de empregados domésticos (4 mil). Já a contratação de autônomos caiu 5,6%, com o corte de 16 mil trabalhadores em relação a fevereiro, embora tenha crescido 2,3% em doze meses.

Na comparação com março de 1996, os dados indicam que a geração de empregos assalariados com carteira assinada (1,0%) foi bem menos significativa que o aumento de 8,5% observado para os trabalhadores que não a possuíam.


Quadro 10 - Total de ocupados por setor de atividade
na Grande Belo Horizonte - 1996/97
Setores Estimativas
(em 1.000 pessoas)
Variações
Absoluta
(em 1.000)
Relativa (%)
Mar/96 Fev/97 Mar/97 Mar-97/fev-97 Mar-97/fev-97 Mar-97/mar-96
Indústria (1) 217 245 237 - 8 -3,3 9,2
Comércio 227 224 224 0 0,0 - 1,3
Serviços 721 720 726 6 0,8 0,7
Construção Civil (2) 115 129 126 - 3 - 2,3 9,6
Outros (3) 157 164 168 4 2,4 7,0
Total 1.437 1.482 1.481 - 1 - 0,1 3,1
Fonte: Fundação João Pinheiro (FJP)/Centro de Estatística e Informações (CEI).
Convênio FJP/DIEESE/Seade e Sine-MG.

1. Indústria de transformação e indústria extrativa mineral.

2. Inclui reformas e reparação de edificações.

3. Inclui serviços domésticos, agricultura, pecuária e extração vegetal e outras atividades.

Rendimentos


De acordo com os valores apurados pela PED, em fevereiro, a evolução dos rendimentos de ocupados e assalariados foi bastante distinta. Para os primeiros houve queda do rendimento real médio em Brasília e na Grande São Paulo e aumento nas áreas metropolitanas de Porto Alegre e Belo Horizonte. Já o salário real médio cresceu em todas as regiões, exceto no Distrito Federal (quadro 11).

Em fevereiro, o rendimento real médio dos ocupados na Grande São Paulo teve pequena variação negativa (- 0,3%), correspondendo a R$ 861,00, enquanto a dos assalariados cresceu 1,6% e se fixou em R$ 829,00.

No setor privado, o salário real médio cresceu 0,8%, interrompendo a tendência de queda verificada desde novembro, em razão do desempenho positivo observado na Indústria (1,1%) e no Comércio (1,6%), uma vez que nos Serviços houve declínio de 0,6%.

O rendimento real médio dos assalariados com carteira assinada também teve ligeiro aumento de 0,8%, ao passo em que o daqueles que não a possuíam diminuiu 1,8%; neste caso, um movimento observado pelo terceiro mês. Os respectivos valores para cada grupo equivaleram a R$ 873,00 e R$ 475,00.

A massa de rendimentos dos ocupados caiu 1,4%, em fevereiro, e a dos assalariados elevou-se apenas 0,7%, o que não ocorria desde novembro do ano passado. No caso dos salários, esse desempenho é explicado pelo aumento do salário médio, pois o nível de emprego foi menor no período. Comparadas com as de igual período de 1996, as massas de rendimentos apresentam aumento de 3,5% e queda de 1,4%, respectivamente.

O rendimento máximo dos 10% dos ocupados (1º decil) registrou acentuada queda de 5,6%, em fevereiro. No caso dos assalariados, observou-se melhor desempenho somente para as faixas extremas de renda. Para a parcela que ganha menos, a variação foi de apenas 0,4%, sendo que entre os 10% mais ricos (9º decil) houve aumento de 2,1%.

A evolução dos rendimentos médios reais de ocupados (R$ 819,00) e assalariados (R$ 1.035,00) foi negativa, em fevereiro, no Distrito Federal, ocorrendo quedas de 0,9% e 1,3% sobre janeiro, quando chegaram a subir 7,2% e 6,0%, na mesma ordem. Na variação em doze meses, os salários obtiveram ganho real de 4,5%, mas os demais rendimentos perderam 5,6%.

O melhor desempenho anual dos rendimentos verificou-se no setor de Serviços, com incremento de 10,8%, o que não se repetiu no Comércio (- 3,5%) e na Indústria de Transformação (- 2,3%).

Na Grande Porto Alegre, os rendimentos de ocupados e assalariados tiveram aumentos, em fevereiro, depois de dois meses em queda. Os valores apurados, de R$ 560,00 e R$ 539,00, subiram 1,1% e 1,0% no mês, elevando-se 6,5% e 4,5% em um ano.

O salário médio real no setor privado também voltou a crescer (2,8%), em fevereiro, fixando-se em R$ 472,00, após cair por dois meses. Observou-se crescimento dos salários nos principais setores de atividade econômica, sobretudo na Indústria de Transformação (4,2%) e no Comércio (3,8%), seguidos pelos Serviços (1,0%). No setor público, ao contrário, os salários continuaram em queda pelo terceiro mês, retraindo-se 2,1%.

Refletindo o crescimento conjunto do nível de emprego e do rendimento médio real no período, as massas de rendimentos reais dos ocupados (2,1%) e assalariados (1,7%) também se elevaram.

A população ocupada na Grande Belo Horizonte obteve ligeiro ganho de 0,3% do rendimento médio real, estimado em R$ 604,22, valor 2,4% superior ao anotado em fevereiro de 1996. Por sua vez, os assalariados receberam, em média, R$ 592,45, ou 2,6% menos, em termos reais, que no mês de janeiro e 1,5% abaixo de igual período do ano passado.

Mesmo com a relativa estabilidade do rendimento médio real, a massa de rendimentos reais dos ocupados ampliou-se 1,1% em fevereiro, devido ao aumento da ocupação no período. No caso dos assalariados, o incremento do emprego foi suficiente para compensar a queda dos rendimentos, resultando no decréscimo de 1,0% da massa salarial.

No setor privado, o salário médio real, de R$ 490,15 ficou 1,7% abaixo do registrado em janeiro, mas cresceu 3,1% em um ano. Na Indústria de Transformação observou-se pequena variação positiva (0,4%), mas ocorreram quedas no Comércio (- 6,7%) e Serviços (- 2,2%).

A queda do rendimento real médio em fevereiro foi mais acentuada para os assalariados do setor privado sem carteira de trabalho assinada (- 2,9%) do que para aqueles que contavam com essa garantia (- 1,3%). Os valores apurados no período corresponderam a R$ 292,61 (5,8% inferior ao de ano atrás) e a R$ 537,56 (4,9% maior).


Quadro 11 - Rendimento médio de ocupados e assalariados
em quatro regiões metropolitanas - Janeiro de 1997
Regiões metropolitanas Ocupados
(valor absoluto)
Assalariados
(valor absoluto)
Variações (%)
Fev-97/jan-97 Fev-97/fev-96
(A) (B) (A) (B) (A) (B)
Distrito Federal (1) 819,00 1.035,00 - 0,9 - 1,3 - 5,6 4,5
Belo Horizonte (2) 604,22 592,45 0,3 -2,6 2,4 1,5
Porto Alegre (3) 560,00 539,00 1,1 1,0 6,5 4,5
São Paulo (4) 861,00 829,00 - 0,3 1,6 1,7 0,8
Fonte: PED. Convênio DIEESE/Seade; FEE,FGTAS, Sine-RS;Codeplan/GDF-STb/GDF;
FJP/CEI, Setascad e Sine-MG.

1. Inflator utilizado: ICV-Codeplan. Valores em reais de janeiro de 1997. Base: média de 1992 = 100.

2. Inflator utilizado: IPCA-BH (Ipead). Valores em reais de janeiro de 1997. Base: novembro de 1995 = 100.

3. Inflator utilizado: IPC-IEPE. Valores em reais de janeiro de 1997. Base: média de 1993 = 100.

4. Inflator utilizado: ICV-DIEESE. Valores em reais de janeiro de 1997. Base: média de 1985 = 100.

Taxa cresce na Grande Curitiba

A taxa de desemprego na Grande Curitiba atingiu, em fevereiro, 13,5% da população economicamente ativa (PEA), ou 139 mil de um total de 1.026.000 pessoas. Esse percentual é 12,0% superior ao de janeiro e 7,1% maior que os 12,6% registrados em igual período de 1996, situando-se em um dos patamares mais elevados da série da pesquisa na região, iniciada em novembro de 1994. Desde então, o levantamento é realizado pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), em parceria com a Secretaria de Estado do Emprego e Relações do Trabalho (Sempre/Sine-PR), o DIEESE e a Fundação Seade.

A acentuada alta da taxa de desemprego ocorreu devido à combinação da entrada de 9 mil pessoas no mercado de trabalho e do corte de 7 mil postos. Apenas nos dois primeiros meses do ano, o número de desempregados na região saltou de 119 mil para 139 mil, ou mais 16,8%, enquanto a PEA cresceu 0,9% (o que não ocorria desde outubro passado) e o total de ocupados caiu 1,2%.

O resultado de fevereiro foi determinado, especialmente, pelo aumento de 14,3% da taxa desemprego aberto, que passou de 8,4% para 9,6% da PEA (respectivamente 85 mil e 99 mil pessoas), uma vez que a relativa ao desemprego oculto cresceu menos (5,4%), de 3,7% para 3,9%, representando 40 mil pessoas.

A pesquisa constatou aumento das taxas de desemprego em todos os segmentos da população. As elevações mais acentuadas ocorreram para mulheres (13,9%) e pessoas com idade entre 18 e 24 anos (14,2%) e de 25 a 39 anos (10,2%). O desemprego também cresceu acentuadamente entre os indivíduos sem experiência anterior de trabalho (23,5%).

O nível de ocupação reduziu-se pelo terceiro mês, em fevereiro, quando a população ocupada somou 887 pessoas (- 0,8% sobre janeiro). Em um ano, esse contingente aumentou apenas 0,3% (quadro 12).

A redução do número de vagas foi generalizada entre os setores de atividade econômica, exceto nos serviços domésticos, em que se mantiveram os mesmos 71 ocupados do mês anterior. Indústria de Transformação, Serviços e Construção Civil foram os setores que mais demitiram.

As demissões na Indústria de Transformação atingiram três mil trabalhadores (- 1,9%), em função dos cortes promovidos nos ramos da agroindústria (- 2,0%) e outras indústrias (- 2,7%).

Nos Serviços, setor em que o nível de emprego recuou 0,5%, as demissões concentraram-se nos ramos de transportes (- 9,8%) e saúde (- 5,7%), superando as admissões registradas nos segmentos de limpeza e vigilância (7,1%), serviços especalizados (5,3%), educação (2,3%) e administração pública (1,7%).

O número de assalariados manteve-se praticamente estável entre janeiro e fevereiro, resultado de um duplo movimento: expansão de 2,5% no setor público e pequena queda de 0,7% no privado. Neste caso, o declínio se deu em função do decréscimo de 1,2% do total de trabalhadores com carteira assinada, parcialmente atenuado pelo aumento de 1,6% para aqueles sem vínculo formal.

Do total de 887 mil ocupados na Grande Curitiba, em fevereiro, 187 mil (21,1%) trabalham na condição de autônomos. Esse número caiu 2,0% no período, equivalendo à demissão de 9 mil pessoas.

Em janeiro, o rendimento médio real dos ocupados foi estimado em R$ 693,00, valor 2,0% inferior ao de dezembro de 1996. Para os assalariados, a remuneração média equivaleu a R$ 659,00, apresentando variação negativa de 0,9% no mesmo período.

No setor privado, o rendimento médio dos trabalhadores da Indústria de Transformação (R$ 640,00) caiu 3,5%. No Comércio, com o acréscimo de 1,3%, o valor apurado foi de R$ 538,00, enquanto nos Serviços a remuneração média chegou a R$ 560,00, apenas 0,5% do mês anterior. No balanço dos últimos doze meses, os valores relativos aos dois primeiros setores de atividade registram queda de 2,0% e 5,3%, e aumento de 3,3% no último.

Quanto ao vínculo empregatício dos assalariados, o rendimento médio entre aqueles com carteira de trabalho assinada apresentou pequena queda de 0,7%, equivalendo a R$ 611,00. Para os trabalhadores sem registro em carteira, o valor estimado foi de R$ 370,00, o que representou perda de 1,9%, em termos reais, frente a dezembro.

A massa de rendimentos dos ocupados registrou queda de 3,5%, em decorrência tanto do declínio do rendimento médio quanto da retração do nível de emprego. Entre os assalariados, notou-se estabilidade no montante da massa salarial real, em conseqüência da ocorrência simultânea do aumento do emprego e redução da massa de salários.


Quadro 12 - Nível de ocupação por setor de atividade econômica
na Grande Curitiba - 1996/97
Setores Estimativas
(em 1.000 pessoas)
Variações
Absoluta
(em 1.000)
Relativa (%)
Fev/96 Jan/97 Fev/97 Fev-97/jan-97 Fev-97/jan-97 Fev-97/fev-96
Indústria 151 156 153 3 -1,9 1,3
Comércio 158 143 142 -1 -0,7 -10,1
Serviços 418 431 429 -2 -0,5 2,6
Construção Civil 73 79 77 - 2 -2,5 5,5
Serviços Domésticos 69 71 71 0 0,0 2,9
Total 884 894 887 - 7 -0,8 0,3

Fonte: Ipardes, Sempre/Sine-PR, DIEESE, Seade-SP.

Nota: A soma dos valores absolutos e os percentuais relativos aos ocupados não se igualam ao total devido à não inclusão de "Outros Setores".

Grande Salvadora


No mês de fevereiro, as mais elevadas taxas de desemprego entre as regiões metropolitanas em que se realiza a PED foram apuradas na Grande Salvador.

A taxa total alcançou 19,9% da PEA, de acordo com a pesquisa desenvolvida pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), órgão da Secretaria do Planejamento, Ciência e Tecnologia (Seplantec). O levantamento, divulgado no último dia 12 de maio, tem o apoio da Secretaria do Trabalho e do Bem-Estar Social (Setras), sendo realizado em parceria com o DIEESE e a Fundação Seade, que elaboraram a metodologia aplicada, e com a Fundação Universidade Federal da Bahia (UFBa), através da Faculdade de Ciências Econômicas. A pesquisa é financiada com recursos do Governo do Estado da Bahia e do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), do Ministério do Trabalho, por intermédio do Sistema Nacional do Emprego (Sine-BA).

A taxa de desemprego na Grande Salvador, em fevereiro, foi a menor das três apuradas recentemente (20,3%, em dezembro, e 20,4%, em janeiro), refletindo a principal característica do mercado de trabalho regional: a forte precarização dos vínculos empregatícios. Isso fica claro quando se observa o patamar que as taxas de desemprego aberto e oculto alcançaram na região frente aos percentuais registrados pela PED nas outras cinco regiões metropolitanas.

A taxa de desemprego aberto - indicador da condição das pessoas que estavam desempregadas nos trinta dias anteriores à pesquisa e não realizaram qualquer atividade eventual remunerada nos sete dias imediatamente anteriores ao levantamento - ainda que elevada (representou 10,7% da PEA da Grande Salvador, em fevereiro), não ficou muito acima das apuradas, em igual período, nas demais regiões metropolitanas. Atingiu, por exemplo, 9,8%, no Distrito Federal, e 9,1%, na Grande São Paulo (quadro 13).


Quadro 13 - Taxas de participação e de desemprego por tipo
Dezembro de 1996 a fevereiro de 1997 - Região metropolitana de Salvador - (em%)
Tipo de desemprego Dez/96 Jan/97 Fev/97
Taxa de participação (PEA/PIA) 58,9 59,0 59,2
Desemprego total 20,3 20,4 19,9
Desemprego aberto 11,1 11,0 10,7
Desemprego oculto 9,2 9,4 9,2

Fonte: PED RMS-SEI/Setras/UFBA/DIEESE/Seade.


No entanto, a taxa de desemprego oculto - quer pelo trabalho precário (os "bicos" realizados pelo desempregado na semana imediatamente anterior à pesquisa), quer pelo desalento (com a interrupção momentânea da procura de emprego devido às dificuldades impostas pelo mercado de trabalho) na Grande Salvador atingiu, em fevereiro, 9,2% da PEA, percentual bem superior aos 6,5% verificados no Distrito Federal, onde se manteve acima do apurado entre as demais regiões metropolitanas naquele mês.

Embora atestem a precarização do mercado de trabalho regional, os dados da PED revelam também que, na última década, o crescimento do desemprego na Grande Salvador foi menos intenso que na Grande São Paulo. Nesta última região, onde houve crescimento populacional negativo, a taxa de desemprego saltou de 7,5% da PEA, em fevereiro de 1987, para 14,2%, no mesmo mês deste ano. Já na primeira área metropolitana, no mesmo período, o indicador avançou de 16,0% para 19,9% da PEA, sendo que a população cresceu a uma taxa de 3% ao ano.

Os resultados da pesquisa revelam ainda que, em fevereiro, o desemprego atingiu mais intesamente mulheres (para as quais a taxa alcançou 22,5%) e negros (20,7%) do que homens (17,8%) e brancos (16,8%). O percentual de desemprego também foi menor entre chefes de domicílio (11,1%) em comparação com os demais membros da família (25,5%).

Do ponto de vista da ocupação, o principal destaque ficou para o setor de Serviços, responsável por quase dois terços da mão-de-obra ocupada na Grande Salvador, em fevereiro: 64,6%. Em seguida estão o Comércio (19,1%), a Indústria de Transformação (8,4%) e a Construção Civil (5,6%) (quadro 14).


Quadro 14 - Distribuição percentual dos ocupados por setor de atividade econômica no trimestre - Região metropolitana de Salvador - Dezembro de 1996 a fevereiro de 1997
Períodos Setores de atividade econômica
Indústria de Transformação Construção Civil Comércio Serviços de Produção (1) Serviços pessoais (2) Serviços Domésticos Outros
Dez/96 8,7 5,2 17,6 30,2 25,8 10,7 1,8
Jan/97 8,6 5,5 18,2 29,7 25,5 10,2 2,3
Fev 8,4 5,7 19,1 29,3 25,0 10,3 2,2
Variação mensal Jan-97/fev-97 - 2,3 3,6 4,9 - 1,3 - 2,0 1,0 - 4,3

Fonte: PED RMS-SEI/Setras/UFBA/DIEESE/Seade

(1) Incluem transporte e armazenagem, utilidade pública, especializados, administração pública, forças armadas e polícia, creditícios e financeiros, comunicação, diversão, radiodifusão e teledifusão, comércio, administração de valores imobiliários e de imóveis, serviços auxiliares, outros serviços de reparação e limpeza.

(2) Incluem serviços pessoais diversos, alimentação, educação, saúde, serviços comunitários, oficinas de reparação mecânica e outros serviços.


De acordo com a PED, em fevereiro, o emprego de assalariados com carteira de trabalho assinada representou apenas 27,9% do total de ocupados na Grande Salvador, enquanto 11,1% corresponderam àqueles que não a possuíam, e outros 16,5% aos empregados no setor público. Por sua vez, os trabalhadores autônomos responderam por 25,5% da mão-de-obra ocupada na região; os empregados domésticos, 10,3%, e os empregadores, 4,1%.

Os dados levantados pela PED relativos a janeiro último indicam que rendimento real médio dos ocupados equivaleu a R$ 486,51. No setor privado, a maior média salarial foi apurada na Indústria de Transformação (R$ 613,49), seguida pelas registradas nos Serviços (R$ 417,30) e no Comércio (R$ 389,49). Naquele mês, o salário real médio dos trabalhadores com carteira assinada atingiu R$ 519,02, ou mais que o dobro do obtido, em média, por aqueles que não a possuíam (R$ 233,80).


Aqui você pode acessar os releases completos das PEDs do Distrito Federal, São Paulo e Paraná.
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos