As mulheres trabalhadoras canadenses recebem apenas 73% do que os homens ganham. Dentre elas, as que têm menos de 25 anos e são solteiras vivem abaixo da linha de pobreza. Estes números demonstram que a desigualdade de oportunidade e remuneração entre homens e mulheres resiste, ao final dos anos 90, não apenas no Brasil, mas em diversas partes do mundo. Este é um problema que vem ganhando destaque na sociedade em geral e, especialmente, nas mesas de negociação, onde os trabalhadores buscam adicionar cláusulas que garantam às mulheres seus direitos como cidadãs trabalhadoras.
O DIEESE publicou, em novembro de 1998, a Pesquisa DIEESE nº 13, intitulada "Eqüidade de Gênero nas Negociações Coletivas: Cláusulas Relativas ao Trabalho da Mulher no Brasil", financiado pelo Fundo para a Eqüidade de Gênero da Agência Canadense para o Desenvolvimento Internacional. A inserção de cláusulas relativas ao trabalho da mulher é também uma das reivindicações da declaração da Canadian Labour Congress, uma central sindical canadense, divulgada no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher. Este documento, publicado na íntegra nesta seção do Boletim DIEESE, busca o avanço na luta por igualdade econômica, social e política para as mulheres do Canadá e de todo o mundo.
Declaração da Canadian Labour Congress no dia 8 de Março, Dia Internacional da Mulher
Junte-se à Campanha por Justiça Econômica!
Não têm ocorrido melhorias na vida das mulheres trabalhadoras do Canadá. Mais da metade de nós ainda trabalha por baixos salários, em eventuais empregos em tempo parcial. Mesmo nós que trabalhamos em jornada integral, em um ano inteiro só ganhamos 73% do que os homens ganham. Muitas de nós somos "autônomas", "auto-empregadas", e isso não é nem um pouco charmoso! Em média, ganhamos somente $ 14.800 por ano - e isso significa que pelo menos metade de nós ganha menos do que isso. Se temos menos de 25 anos e somos solteiras, sete em cada dez de nós vive abaixo da linha de pobreza - no Canadá, ao final dos anos 90!
Há um ano, no Dia Internacional da Mulher, a Canadian Labour Congress (CLC) divulgou nosso estudo: "Trabalho das Mulheres: um Relatório".
O relatório documentou o impacto devastador sobre as mulheres das políticas econômicas globais, da agenda das corporações empresariais canadenses e das ações gover NAMEntais. O relatório deu voz para que as mulheres falassem por si mesmas das crescentes dificuldades que enfrentam para tentar viver suas vidas com dignidade. Nada mudou.
O relatório também ouviu as mulheres de todo o país sobre as alternativas que vêem à realidade política e social hoje dominante. As mulheres trazem um desafio ao movimento sindical, aos movimentos sociais e grupos comunitários, líderes empresariais e gover NAMEntais.
Neste Dia das Mulheres, a CLC apela a todos para que aceitem estes desafios:
Colocar as demandas por igualdade das mulheres nas mesas de negociação:
-salário igual para trabalho de igual valor;
-medidas de eqüidade na contratação;
-proteção contra o assédio;
-licença educação remunerada;
-licenças para o cuidado dos filhos e da família;
-pagamento, benefícios e jornada garantida para os trabalhadores em tempo parcial.
Lutar por justiça econômica e igualdade de remuneração para as mulheres - melhores condições de trabalho para proteger os trabalhadores em tempo parcial, temporários e autônomos e uma legislação de igualdade de remuneração obrigatória e proativa são cruciais.
Participar da luta por um programa nacional de proteção à infância; associar-se à Associação Jurídica Canadense de Proteção à Infância.
Construir entidades sindicais fortes e diversas com trabalhadores negros, mulheres, trabalhadores aborígines, trabalhadores homossexuais de ambos os sexos e trabalhadores deficientes.
Trabalhar junto com nossas comunidades para construir e manter coalizões e alianças comunitárias entre os grupos que buscam igualdade.
Redirecionar nossas energias e recursos para a solidariedade internacional entre os trabalhadores.
No Dia Internacional da Mulher de 1998, a CLC associa-se às mulheres sindicalistas do país para avançar na luta por igualdade econômica, social e política para as mulheres do Canadá e de todo o mundo.
Boletim nº 204
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos