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ABRIL: INFLAÇÃO NO MESMO PATAMAR DE MARÇO


A inflação no município de São Paulo registrou, em abril, uma taxa de 0,19%, patamar semelhante ao apurado em março (0,20%), segundo cálculo do DIEESE. Despesas Pessoais, Saúde, Habitação e Alimentação foram os grupos que mais subiram, enquanto Equipamentos Domésticos, Transportes e Vestuário registraram variação negativa (tabela e gráfico 1).


Tabela 1 - (em %)
Grupos e subgrupos Maiores variações Grupos e subgrupos Menores variações
Despesas pessoais 0,67 Equipamentos Domésticos -0,76
Higiene e Beleza 1,08 Rouparia -1,51
Saúde 0,55 Móveis -1,47
Medicamentos 0,83 Transportes -0,20
Habitação 0,47 Individual -0,12
Locação/Condomínio 0,77 Coletivo -0,39
Alimentação 0,27 Vestuário -0,18
Produtos in natura e semi-elaborados -0,29 Roupas -0,31
Indústria da alimentação 1,05

Alimentação fora do domicílio -0,06



Apesar de as taxas de abril e março serem muito semelhantes, o comportamento dos preços apresentou diferenças: o aumento ocorrido em abril na Alimentação (0,27%) foi inferior ao de março (1,09%), enquanto os gastos com Saúde continuaram a pressionar a inflação, com sua taxa passando de 0,21%, em março, para 0,55%, em abril.

As despesas com Equipamentos Domésticos continuaram registrando tendência de queda, desta vez mais acentuada, com a taxa passando de -0,36% para -0,76%. Por outro lado, os recuos verificados em abril nos itens Vestuário (-0,18%) e Transportes (-0,20%) foram menos significativos que os de março, quando o DIEESE apurou variações, respectivamente, de -1,60% e -0,67%.

Índices por Estrato

A exemplo do que vem ocorrendo desde fevereiro, a taxa inflacionária das famílias de baixo poder aquisitivo, englobadas no estrato 1 (renda média de R$ 377,49), foi a mais elevada, registrando, em abril, uma variação de 0,28%. Já aquelas que têm maior nível de renda, pertencentes ao estrato 3 (renda média de R$ 2.792,90), foram as menos afetadas pela alta de preços, o que resultou em uma taxa de 0,15%. Para o estrato 2, que compreende as famílias com nível de renda intermediária (renda média de R$ 934,17), verificou-se um aumento também intermediário de 0,20% (tabela 2).


Tabela 2 - Índices por estrato de renda - Custo de vida no município de
São Paulo - Março e abril de 1998 - (em %)
Índices Março/98 Abril/98 Diferença
Geral 0,20 0,19 -0,01
Estrato 1 0,27 0,28 0,00
Estrato 2 0,23 0,20 -0,03
Estrato 3 0,19 0,15 -0,03


A maior elevação do custo de vida para o estrato 1 deriva das altas ocorridas na Habitação e Alimentação, grupos que têm peso maior para as camadas populacionais de menor rendimento. Somados, os dois grupos foram responsáveis por uma contribuição de 0,30 ponto percentual no cálculo de seu índice. Em outras palavras, a taxa para as famílias mais pobres só não foi mais significativa devido às variações negativas registradas em grupos como Transportes e Equipamentos Domésticos.

Os mesmos grupos (Alimentação e Habitação) contribuíram com apenas 0,15 ponto percentual no resultado do estrato 3, revelando uma estrutura de gastos bem distintos entre as famílias. Os aumentos de preços e as contribuições destes por estrato de renda podem ser visualizados na tabela 3 e gráfico 2.


Tabela 3 - Índices por estrato de renda - abril 1998

Geral Estrato 1 Estrato 2 Estrato 3
Grupos de gastos TAXAS (em %) Contribuição (em pp) TAXAS (em %) Contribuição (em pp) TAXAS (em %) Contribuição (em pp) TAXAS (em %) Contribuição (em pp)
Total 0,19 0,19 0,28 0,28 0,20 0,20 0,15 0,15
Alimentação 0,27 0,07 0,38 0,13 0,27 0,08 0,23 0,05
Habitação 0,47 0,12 0,64 0,17 0,48 0,12 0,41 0,10
Equipamentos Domésticos -0,76 -0,04 -0,63 -0,03 -0,62 -0,04 -0,91 -0,04
Transportes -0,20 -0,03 -0,68 -0,06 -0,20 -0,03 -0,12 -0,02
Vestuário -0,18 -0,01 -0,26 -0,02 -0,24 -0,02 -0,29 -0,02
Educação e Leitura -0,02 0,00 0,03 0,00 0,00 0,00 -0,03 0,00
Saúde 0,55 0,05 0,63 0,05 0,56 0,05 0,54 0,06
Recreação 0,04 0,00 -0,18 0,00 -0,05 0,00 0,07 0,00
Despesas Pessoais 0,67 0,02 0,64 0,03 0,71 0,03 0,65 0,02
Despesas Diversas 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00 0,00

Nota: pp = ponto percentual



Análise por grupo do ICV-DIEESE

Alimentação

Este grupo registrou, em abril, uma taxa de 0,27%, o que representa um recuo em relação a março (1,09%). O subgrupo produtos in natura e semi-elaborados teve taxa negativa de 0,29%. No entanto, alguns itens apresentaram altas superiores a 20%, caso da berinjela (26,20%), tomate (25,53%) e feijão (20,81%).
Outros produtos apresentaram quedas superiores a 15%, como o chuchu (-27,63%), kiwi (-26,04%), maracujá (-19,77%), alface (-18,98%) e laranja-lima (-17,42%). O bacalhau, cuja expectativa era de alta, por ser tradicionalmente consumido na Páscoa, registrou variação de -5,80%.

O subgrupo Indústria da Alimentação (1,05%) teve as maiores altas nos derivados do leite (3,82%) - especialmente nos queijos (5,55%) e leite industrializado (5,25%) - e nas massas, biscoitos e farinhas (2,05%), principalmente a de trigo (2,38%).

Para a Alime

Habitação

A variação de 0,47% registrada para a Habitação deveu-se principalmente aos aumentos detectados nos condomínios (3,18%) e no gás de botijão (6,65%), compensados pelas quedas observadas nos serviços domésticos (-0,47%) e nos aluguéis (-0,04%).

Equipamentos Domésticos

O grupo Equipamentos Domésticos foi o que registrou a maior queda em doze meses (- 9,01%), comportamento ratificado em maio, quando também foi o grupo responsável pelo recuo mais expressivo do período (- 0,76%).

Transportes

Em abril, foram verificadas quedas tanto para o transporte coletivo (-0,39%) quanto para o individual
(-0,12%). A variação anual, porém, revela um quadro diverso, com alta de 4,10% para o grupo, mas comportamentos diferentes nos subgrupos: -0,65% no individual e 18,11% no coletivo.

Vestuário

A queda dos preços ocorrida neste grupo no mês de abril (-0,18%) foi bem inferior à observada em março
(-1,60%). A entrada no mercado das novas roupas de outono-inverno justificam a redução do comportamento de queda.

Educação e Leitura

O aumento acumulado no primeiro quadrimestre de 1998 para este grupo (5,97%) foi conseqüência dos reajustes das mensalidades escolares. Em abril, seu comportamento foi praticamente estável (-0,02%);
com taxa positiva para o item papelaria (1,26%) e queda para todos os demais.

Saúde

A saúde registrou a maior alta entre maio de 1997 e abril de 1998 (8,59%). A taxa de abril (0,55%) superou a verificada em março (0,21%), pressionada principalmente pelos reajustes dos medicamentos (0,83%), item que acumula aumento de 4,20% no primeiro quadrimestre deste ano, enquanto a inflação neste período foi de 1,38%.

Despesas Pessoais

A maior variação em abril foi registrada para as Despesas Pessoais (0,67%), conseqüência principalmente dos aumentos nos produtos de higiene e beleza (1,08%), em especial do papel higiênico (3,16%), xampu (2,69%) e sabonete (2,03%).

Índices Acumulados

Em doze meses, o ICV-DIEESE acumula uma alta de 3,22%, com comportamento bastante diferenciado entre seus grupos e subgrupos. A maior taxa pode ser observada na Saúde (8,59%), especialmente nos medicamentos e produtos farmacêuticos (10,49%). A Habitação apresentou aumento de 5,95% no período, com taxas bem diferentes entre os seus subgrupos, que variam de 14,46% na operação do domicílio
a -3,86% na locação, impostos e condomínio. Os grupos Equipamentos Domésticos (-9,01%) e Vestuário
(-6,60%), com quedas generalizadas em todos os seus subgrupos, foram os grandes responsáveis pela baixa taxa anual.

Neste primeiro quadrimestre de 1998, a taxa do ICV-DIEESE é de 1,38%. Os grupos que apresentaram maiores aumentos foram Educação e Leitura (5,97%), Alimentação (3,21%) e Saúde (2,02%). Na Alimentação, as altas mais significativas ocorreram com os produtos in natura e semi-elaborados (4,53%). Nas despesas com Educação, apesar da alta taxa verificada, não são esperados maiores aumentos este ano, pois já ocorreram os reajustes das mensalidades escolares no início de 1998. Os reajustes dos medicamentos (4,20%) devem ser motivo de preocupação, por serem constantemente superiores à taxa mensal de inflação.

Apesar de as taxas acumuladas de elevação do custo de vida virem apresentando queda (o ano de 1997 fechou com um índice de 6,11% para o conjunto das famílias do município de São Paulo e uma variação menor para a camada de menor renda - 5,91%), atualmente é o estrato 1 que registra a taxa acumulada
mais alta. Para as famílias de menor renda, a inflação, em um ano, chega a 3,67%, ao passo que o
estrato 3 registra uma variação de 3,15%, e o 2 de 3,09% (tabela 4).


Tabela 4 - Índices por estrato de renda - (em %)
Estratos Anual
05/97 a 04/98
Em 1998
01/98 a 04/98
Total 3,22 1,38
Estrato 1 3,67 1,69
Estrato 2 3,09 1,52
Estrato 3 3,15 1,23


Nos primeiros quatro meses de 1998 há uma inversão nas taxas do segundo e terceiro estratos, ou seja, o estrato 2, com 1,52%, é mais semelhante ao estrato 1 (1,69%) e distancia-se do 3 (1,23%), que passa a ser o menos impactado pela alta dos preços.





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