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DIEESE - ICV - Julho/97
Índice do Boletim DIEESE - Agosto de 1997

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EM JULHO, ALTA DOS PREÇOS AFETOU MAIS AS FAMÍLIAS DE BAIXA RENDA

O Índice do Custo de Vida (ICV) subiu 0,55%, em julho, no município de São Paulo, de acordo com a pesquisa do DIEESE. Apesar do recuo de 0,44 ponto percentual sobre junho (0,99%), pelo segundo mês consecutivo, a variação da taxa foi maior para as famílias de menor poder aquisitivo. Os grupos do orçamento doméstico que mais exerceram pressão para elevar a taxa foram Habitação, Transporte e Saúde, ao contrário de Vestuário e Educação e Leitura, que contribuíram para conter um aumento ainda maior.

A variação dos preços de bens e serviços pesquisados pelo DIEESE mais uma vez teve impactos diferenciados por estrato de renda, embora as elevações tenham sido menores no mês passado. As famílias mais pobres (com rendimento médio mensal de R$ 377,49), reunidas no estrato 1, foram as mais prejudicadas pelo aumento do custo de vida. Neste caso, o ICV acusou alta de 0,70%, contra 1,17% em junho. Para aquelas englobadas no estrato 2 (R$ 934,17), o indicador subiu 0,56%, ante 1,02%, enquanto para as agrupadas no estrato 3 (R$ 2.792,90) foi constatado o menor aumento da taxa: 0,51%, ou 0,41 ponto percentual abaixo da apurada no mês anterior (0,92%).

Apenas dois dos dez grupos do orçamento doméstico que compõem o ICV-DIEESE apresentaram, em julho, aumentos acima dos observados no mês anterior: Despesas Diversas (4,71%) e Saúde (0,87%). A elevação dos preços foi mais moderada no caso de Habitação (1,51%) e Transporte (0,81%), depois das altas de 2,40% e 1,38%, respectivamente, em junho. Ao mesmo tempo, as menores elevações ocorreram para Vestuário (- 0,63%), que havia subido 1,26%, Educação e Leitura (- 0,25%, frente - 0,22% de antes) e Recreação (- 0,10%) (quadro 1).

O impacto das variações de preços no ICV-DIEESE foi distinto, oscilando de acordo com a estrutura de despesa doméstica. Os grupos responsáveis pelas maiores contribuições positivas no cálculo do custo de vida de julho foram Habitação (0,38%), Transporte (0,11%) e Saúde (0,08%), ocorrendo o contrário no caso de Vestuário (- 0,04%) e Educação e Leitura (- 0,02%) (quadro 2).

Quadro 1 - Variação de preços dos grupos de despesa doméstica - ICV-DIEESE
Julho de 1997 - (em %)
Grupo de despesa Maiores Grupo de despesa Menores
Despesas diversas 4,71 Vestuário - 0,63
Habitação 1,51 Educação e Leitura - 0,25
Saúde 0,87 Recreação - 0,10
Transporte 0,81

Fonte e elaboração: DIEESE.



Quadro 2 - Contribuição dos grupos de despesa doméstica - ICV-DIEESE
Julho de 1997 - (em %)
Grupo de depesa Contribuição positiva Grupo de despesa Contribuição negativa
Habitação 0,38 Vestuário -0,04
Transporte 0,11 Educação e leitura -0,02
Saúde 0,08

Fonte e elaboração: DIEESE.

Comportamento dos Preços

Para a análise da distribuição das variações de preços dos itens que compõem o ICV-DIEESE pode-se utilizar algumas ferramentas estatísticas, com o propósito de ajudar a compreender melhor o comportamento estável dos preços da economia. A tabela 1 traz algumas estatísticas básicas. Assim, considerando como parâmetro de estabilidade de preço uma variação de 1%, observa-se que a série dos últimos doze meses aponta para uma tendência de maior estabilidade do custo de vida na cidade de São Paulo.



Tabela 1 - Distribuição de itens - ICV-DIEESE
Agosto de 1996 a julho de 1997 - (em %)
1,00% ago/96 set/96 out/96 nov/96 dez/96 jan/97 fev/97 mar/97 abr/97 mai/97 jun/97 jul/97
Número de itens 587 589 586 587 582 580 580 581 584 585 572 576
Deflação 40,4 34,3 31,9 27,4 29,7 23,4 32,1 25,1 24,5 33,5 28,8 21,7
Estáveis 23,9 32,3 37,2 36,3 37,6 25,7 34,3 33,9 38,9 39,8 39,3 44,3
Inflação 35,8 33,4 30,9 36,3 32,6 50,9 33,6 41,0 36,6 26,7 31,8 34,0

Fonte e elaboração: DIEESE.



Os dados revelam que, em agosto de 1996, apenas 23,9% dos 587 itens do orçamento doméstico considerados no cálculo do ICV-DIEESE apresentavam variação de 1%. Nos meses seguintes, essa participação aumenta, até atingir, em julho deste ano, 44,3% dos bens e serviços pesquisados.

Outras informações estatísticas, também úteis para a análise da tendência de estabilidade da variação de preços, podem ser visualizadas pelos dados apresentados no gráfico 1 e na tabela 2, que traz a distribuição dos percentuais.



Tabela 2 - Estatística de distribuição - ICV-DIEESE
Agosto de 1996 a julho de 1997 - (em%)

ago/96 set/96 out/96 nov/96 dez/96 jan/97 fev/97 mar/97 abr/97 mai/97 jun/97 jul/97
Mínimo -29,3 -29,1 -41,6 -28,8 -33,5 -49,2 -23,6 -29,7 -28,1 -31,0 -35,0 -24,8
1º Decil -8,6 -6,4 -4,3 -3,8 -4,4 -3,8 -4,1 -3,9 -3,7 -5,0 -4,9 -2,4
1º Quartil -3,4 -2,5 -1,6 -1,2 -1,5 -0,8 -1,4 -1,0 -1,0 -1,8 -1,4 -0,7
Mediana -0,1 0,0 0,0 0,0 0,0 1,0 0,0 0,3 0,1 0,0 0,0 0,3
3º Quartil 2,4 1,8 1,6 1,9 1,7 3,3 1,9 2,0 2,0 1,1 1,6 1,6
9º Decil 5,8 5,0 4,6 5,5 4,1 8,0 5,1 4,3 4,5 3,4 4,6 4,0
Máximo 69,7 33,7 28,8 41,4 17,9 58,2 37,6 55,5 51,0 36,1 28,0 30,0
Interquartil 50% 5,8 4,3 3,2 3,1 3,2 4,1 3,3 3,0 3,0 2,9 3,0 2,3
Interquartil 80% 14,4 11,4 9,0 9,3 8,5 11,8 9,2 8,2 8,2 8,5 9,5 6,4



Gráfico 1

Fonte e elaboração: DIEESE.



Como se observa pelos dados apresentados, a diferença denominada "interquartil 80%" significa que 80% dos itens que compõem o ICV variaram, em julho deste ano, no intervalo de - 2,4% a + 4,0%, acusando, portanto, diferença de 6,4%. Em agosto do ano passado, esse mesmo conjunto de 80% do total de itens apresentou variações em um intervalo de 14,4%, ou seja, mais que o dobro do observado no último mês.

Ao longo dos últimos doze meses, esses intervalos vêm diminuindo, tendo ocorrido uma alta maior em janeiro passado, quando voltou a crescer (11,8%). Tal elevação refletiu um comportamento típico de início de ano, época em que uma série de setores de atividade reajustam os preços de bens e serviços que oferecem ao consumidor.

A diferença "interquartil 50%" indica que metade dos itens pesquisados para o cálculo do ICV variaram, em agosto de 1996, por exemplo, com uma diferença de 5,8%. Em julho último, a diferença daquele mesmo percentual de bens e serviços caiu para 2,3%, ao oscilar entre - 0,7% e + 1,6%.

No gráfico 1, que ilustra a distribuição dos percentuais, pode-se visualizar essa tendência de estabilidade. Na medida em que as linhas do gráfico convergem para taxas mais próximas de zero, maior é a estabilidade nas variações de preços da economia.

Índices por Estrato

As taxas mensais do ICV-DIEESE variam de forma distinta, conforme o estrato de renda familiar. As maiores discrepâncias ocorrem entre o estrato 1, composto pelas famílias de menor renda, e o estrato 3, que representa as de maior poder aquisitivo.

Para visualizar tais diferenças, as taxas mensais do ICV- DIEESE desde agosto de 1996 relativas aos estratos 1 e 3 estão indicadas no gráfico 2. Como demonstram os dados, o impacto dos reajustes de preço afeta de forma bem diferenciada cada grupo familiar.



Gráfico 2

Fonte e elaboração: DIEESE.



No intervalo dos últimos doze meses, embora a taxa acumulada do ICV-DIEESE para o estrato 3 (7,15%) seja superior à apurada para o estrato 1 (6,04%), as maiores diferenças encontram-se nas taxas mensais. Em cada período, um grupo distinto de famílias é penalizado com os reajustes de preços.

Confrontando os dois estratos, pode-se notar que, nos meses de setembro, outubro e novembro de 1996, foram as famílias do estrato 1 que amargaram os maiores impactos do aumento da inflação.

Em 1997, os meses em que o orçamento das famílias mais pobres ficou em desvantagem em relação às do estrato 3 foram fevereiro, março, junho e julho. Ou seja, durante sete dos últimos doze meses, a população agrupada no estrato 1 foi a mais prejudicada pelo aumento do custo de vida em São Paulo.

No entanto, foram as famílias do estrato 3 que mais sofreram com o comportamento da inflação, uma vez que, nos cinco meses em que as taxas do ICV-DIEESE relativas a esse grupo foram maiores (agosto e dezembro de 1996 e janeiro, abril e maio de 1997), estas mais que compensaram as menores apuradas nos outros meses.

Grupos de despesas

Ao observar o comportamento das taxas inflação desde agosto do ano passado (0,55%, em julho, 1,54% no último trimestre, 5,82% no acumulado do ano, e 6,73%, nos últimos doze meses), pode-se concluir que os reajustes dos preços na economia estão se dando de forma mais homogênea.

No entanto, a variação das taxas anuais por grupos de despesa do orçamento doméstico revela um comportamento dos preços ainda muito discrepante. Nos últimos doze meses, de acordo com o ICV-DIEESE, os que registraram as maiores altas foram Saúde (17,40%), Habitação (15,48%), Educação (11,49%), Transporte (9,10%) e Despesas Diversas (8,76%), enquanto Alimentação subiu apenas 1,16%. As baixas mais acentuadas ficaram por conta de Equipamentos Domésticos (- 6,27%), Vestuário (- 4,78%) e Recreação (- 3,39%).



Gráfico 3

Fonte e elaboração: DIEESE.

Saúde

Em julho, o grupo Saúde apresentou aumento médio de 0,85% dos preços, um pouco acima do ICV-DIEESE (0,55%). No entanto, os serviços e produtos de saúde têm aumentado sistematicamente acima do índice geral. No último trimestre, por exemplo, o aumento totalizou 2,66%, ou 72,7% a mais que a taxa mensal apurada no mesmo período (1,54%). Nos últimos doze meses essa diferença se ampliou: as despesas com saúde aumentaram 17,40%, superando em 158,5% a inflação média anual, calculada em 6,73% (tabela 3).

Os principais aumentos em doze meses verificados entre os itens que integram o grupo Saúde ocorreram para seguros e convênios (24,64%), exames laboratoriais (19,84%) e medicamentos (16,10%).

Habitação

Os preços dos produtos e serviços de Habitação apresentaram um comportamento bem diferenciado nos últimos doze meses, acumulando alta de 15,48%, em média. Os menores aumentos foram registrados no subgrupo locação, impostos e condomínio, com alta de 7,66%. Já as despesas com operação do domicílio subiram 24,94%, devido aos reajustes das tarifas de serviços públicos (33,72%), em especial a de telefone (118,49%).

Ao menos no curto e médio prazos, a expectativa é de que as despesas com Habitação não apresentem aumentos significativos, uma vez que o governo já promoveu reajustes substanciais das tarifas públicas, justamente os itens que mais contribuíram para elevar os gastos nesse grupo nos últimos meses.

Educação e Leitura

Apesar de ter apresentado variações negativas tanto em julho (- 0,25%) quanto no último trimestre (- 0,20%), em doze meses as despesas com Educação e Leitura tiveram reajuste da ordem de 11,49%, em função, principalmente, do reajuste das mensalidades escolares (16,99%).

Nos últimos doze meses, contudo, o comportamento dos preços do material didático foi distinto. Enquanto os livros subiram 12,69%, no mesmo período, o material de papelaria registrou queda de 10,33%, em média.

Transporte

As taxas anuais de aumento das despesas com transporte individual (8,31%) e coletivo (11,27%), embora semelhantes, apresentaram reajustes distintos, se considerados outros períodos.

Em julho, enquanto o transporte coletivo subiu 3,30%, em média, o individual apresentou pequena queda de 0,10%. Desde o início do ano, registram alta acumulada de 10,38% e 3,83%, respectivamente.

A pressão altista sobre os gastos com transporte individual se deu em função do reajuste dos combustíveis (17,52%). No caso do transporte coletivo, a razão foi o aumento das tarifas de ônibus (12,15%) e de metrô (10,83%).

Equipamentos Domésticos

A queda dos preços dos itens que compõem o grupo Equipamentos Domésticos foi generalizada nos últimos doze meses. No caso dos eletrodomésticos, o declínio chegou a 9,04%, destacando-se ainda as baixas de utensílios domésticos (- 5,01%), rouparia (- 2,27%) e móveis (- 1,47%).

As quedas verificadas para eletrodomésticos e utensílios explica-se, em parte, pela abertura do comércio externo aos produtos importados, além de serem setores relativamente competitivos na economia.

Vestuário

A exemplo do que ocorreu para os equipamentos domésticos, o grupo Vestuário também apresentou queda generalizada dos preços em seus subgrupos, nos últimos doze meses (- 4,78%). As roupas de adultos ficaram 7,38% mais baratas, em média, enquanto as de bebê e crianças subiram 7,13%.

Como ocorre no caso de eletrodomésticos e utensílios, a abertura das importações de produtos têxteis, aliada à competição no mercado interno, tem propiciado a queda dos preços do Vestuário.

Alimentação

Em julho, a ponderação do grupo Alimentação indicou um peso da ordem de 26,26%, revelando-se, novamente, o mais expressivo na estrutura de composição do ICV-DIEESE.

O aumento anual de 1,16% dos gastos com Alimentação foi pequeno frente à inflação média apurada no período (6,73%). Todos os subgrupos apresentaram altas moderadas, desde os produtos in natura e semi-elaborados (2,21%) até os da indústria da alimentação (0,95%). Nos últimos doze meses, inclusive, a variação de preços da alimentação fora do domicílio é negativa (- 0,27%).

Entre os produtos in natura e semi-elaborados, as maiores altas registradas nos últimos doze meses ocorreram para leite in natura e carnes, enquanto as quedas mais acentuadas foram registradas para peixes/frutos do mar (- 9,54%) e grãos (- 3,02%).

No subgrupo indústria da alimentação, os produtos que tiveram os maiores aumentos anuais de preço foram café e chá (15,11%) e carnes e peixes industrializados (11,83%). Os panificados (- 7,0%) e as bebidas (- 4,28%) destacaram-se com as maiores quedas.




Tabela 3 - Variação acumulada dos itens do ICV-DIEESE
Julho de 1997 - (em %)

Denominação

Mensal

Trimestral

Semestral

No ano

Anual

jul/97

mai/97 - jul/97

fev/97 - jul/97

jan/97 - jul/97

jul/96-jul/97

Total geral

0,55

1,54

3,62

5,82

6,73

01.Alimentação

0,06

-0,84

1,29

3,68

1,16

0101.Produtos in natura e semi-elaborados

-0,71

-2,77

0,66

2,46

2,21

0102.Indústria da alimentação

0,65

0,48

2,85

5,51

0,95

0103.Alimentação fora do domicílio

0,38

0,29

-0,34

2,63

-0,27

02.Habitação

1,51

5,70

10,30

12,37

15,48

0201.Locação, impostos e condomínio

0,78

0,07

2,39

4,72

7,66

0202.Operação do domicílio

0,44

10,64

19,34

21,00

24,94

0203.Conservação do domicílio

8,11

7,12

6,65

8,95

10,11

03.Equipamentos domésticos

0,13

-4,97

-5,30

-4,96

-6,27

0301.Eletrodomésticos e equipamentos

-0,30

-5,39

-7,65

-7,77

-9,0

0302.Utensílios domésticos

0,76

-5,19

-6,26

-4,03

-5,01

0303.Móveis

1,21

-4,46

0,95

0,64

-1,47

0304.Rouparia

-1,23

-3,05

-5,36

-2,47

-2,27

04.Transporte

0,81

1,81

2,94

5,55

9,10

0401.Individual

-0,10

-1,00

0,39

3,83

8,31

0402.Coletivo

3,30

10,11

10,38

10,38

11,27

05.Vestuário

-0,63

1,76

-0,90

-2,45

-4,78

0501.Roupas

-0,74

2,97

1,24

0,37

-4,45

0502.Calçados

-0,75

0,70

-4,36

-7,38

-3,39

0503.Acessórios

1,23

-6,64

-7,73

-9,17

-14,46

06.Educação e leitura

-0,25

-0,20

2,79

11,49

11,49

0601.Educação

-0,15

0,08

3,04

12,65

12,81

0602.Leitura

-1,57

-3,64

-0,30

-1,49

-3,01

07.Saúde

0,87

2,66

5,09

7,34

17,40

0701.Assistência médica

0,85

2,26

4,63

6,44

18,11

0702.Aparelhos

0,00

0,29

0,29

0,17

3,07

0703.Medicamentos e produtos farmacêuticos

0,96

3,82

6,51

10,09

15,89

08.Recreação

-0,10

-0,16

2,47

-0,04

-3,39

0801.Produtos

-0,46

-1,34

0,31

-2,41

-6,39

0802.Serviços

0,62

2,25

7,00

4,97

3,10

09.Despesas pessoais

0,09

1,04

1,16

2,47

0,85

0901.Higiene e beleza

0,12

1,65

1,80

3,89

1,29

0902.Fumo e acessórios

0,04

0,02

0,10

0,13

0,12

10.Despesas diversas

4,71

3,11

3,17

4,27

8,76

1001.Animais

2,27

0,28

0,34

1,57

6,93

1002.Comunicação

16,69

17,40

17,40

17,69

17,39


Índices Acumulados

Desde que o DIEESE implantou a nova ponderação de preços obtida com a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), em junho de 1996, o ICV geral acumulado nos últimos treze meses alcança 9,23%. No estrato 1, a taxa é de 8,52%, correspondendo a 8,79%, no estrato 2, e a 9,58%, no estrato 3.

No ano, o ICV-DIEESE acumula alta de 6,73%, percentual que se situa em 6,04%, 6,21% e 7,15% nos estratos 1, 2 e 3, respectivamente.



Gráfico 4

Fonte e elaboração: DIEESE.



De janeiro a julho deste ano, o ICV-DIEESE indica alta de 5,82%, computando-se 5,43% para o primeiro estrato, 5,40% para o segundo e 6,11% para o terceiro.

Ao contrário do que vinha ocorrendo desde o ínício da nova ponderação de cálculo do custo de vida, quando a pesquisa do DIEESE registrava no estrato 1 índices acumulados menores que nos demais grupos de renda familiar, em julho, pela primeira vez, foi o segundo estrato que apresentou uma taxa acumulada menor que os outros dois.

Nos cinco meses que restam de 1997, se as taxas do custo de vida no município de São Paulo apresentarem comportamento semelhante ao verificado em igual período de 1996, é provável que a inflação acumulada neste ano fique em torno de 6,5%.



Custo de vida no município de São Paulo - ICV-DIEESE
Índice base: junho de 1996 = 100

Meses

Estrato 1

Estrato 2

Estrato 3

Geral

Junho/96

100,00

100,00

100,00

100,00

Julho

102,34

102,43

102,27

102,34

Agosto

102,04

102,05

102,05

102,07

Setembro

102,36

102,27

102,07

102,18

Outubro

102,72

102,60

102,36

102,50

Novembro

103,04

103,03

102,66

102,83

Dezembro

102,93

103,21

103,27

103,22

Janeiro/97

104,64

105,07

105,71

105,41

Fevereiro

105,12

105,70

106,16

105,90

Março

106,06

106,29

106,58

106,43

Abril

106,93

107,33

107,84

107,58

Maio

106,52

107,09

108,02

107,57

Junho

107,76

108,18

109,02

108,63

Julho

108,52

108,79

109,58

109,23



Variações (em %)

Estrato 1

Estrato 2

Estrato 3

Total

No mês

0,70

0,56

0,51

0,55

No ano

5,43

5,40

6,11

5,82

Nos últimos 6 meses

3,71

3,54

3,66

3,62

Nos últimos 12 meses

6,04

6,21

7,15

6,73

Fonte elaboração: DIEESE.



Custo de Vida no Município de São Paulo
Julho de 1997


Índice Geral - (em %)
Denominação Variação Contribuição Ponderação

Total Geral

0,5510

0,5510

100,0000
Alimentação 0,0619 0,0162 26,1604
Produtos in-natura e semi-elaborados - 0,7063 - 0,0721 10,2048
Indústria da Alimentação 0,6485 0,0666 10,2775
Alimentação Fora do Domicílio 0,3808 0,0216 5,6782
Habitação 1,5053 0,3796 25,2148
Locação, Impostos e Condomínio 0,7763 0,0793 10,2196
Operação do Domicílio 0,4435 0,0530 11,9463
Conservação do Domicílio 8,1095 0,2472 3,0488
Equipamentos Domésticos 0,1334 0,0072 5,3703
Eletrodomésticos e Equipamentos - 0,2964 - 0,0089 2,9865
Utensílios Domésticos 0,7584 0,0050 0,6593
Móveis 1,2144 0,0160 1,3175
Rouparia - 1,2251 - 0,0050 0,4069
Transporte 0,8117 0,1134 13,9667
Individual - 0,0960 - 0,0098 10,2297
Coletivo 3,2965 0,1232 3,7370
Vestuário - 0,6331 - 0,0435 6,8637
Roupas - 0,7375 - 0,0339 4,5936
Calçados - 0,7498 - 0,0142 1,8941
Acessórios 1,2308 0,0046 0,3760
Educação e Leitura - 0,2527 - 0,0183 7,2365
Educação - 0,1481 - 0,0099 6,7027
Leitura - 1,5662 - 0,0084 0,5338
Saúde 0,8707 0,0818 9,4000
Assistência Médica 0,8450 0,0578 6,8433
Aparelhos 0,0000 0,0000 0,0637
Medicamentos e Prod.Farmacêuticos 0,9633 0,0240 2,4931
Recreação - 0,0953 - 0,0017 1,8234
Produtos - 0,4572 - 0,0055 1,2128
Serviços 0,6235 0,0038 0,6106
Despesas Pessoais 0,0935 0,0035 3,6918
Higiene e Beleza 0,1243 0,0029 2,3308
Fumo e Acessórios 0,0408 0,0006 1,3610
Despesas diversas 4,7095 0,0128 0,2725
Animais 2,2661 0,0051 0,2263
Comunicação 16,6929 0,0077 0,0461



Estrato 1 - Famílias com renda inferior
(renda média = R$ 377,48)
(em %)
Denominação Variação Contribuição Ponderação

Total Geral

0,7014

0,7014

100,0000
Alimentação 0,0069 0,0024 34,2777
Produtos in-natura e semi-elaborados - 0,7096 - 0,1117 15,7463
Indústria da Alimentação 0,7011 0,0997 14,2175
Alimentação Fora do Domicílio 0,3343 0,0144 4,3139
Habitação 1,5041 0,4111 27,3303
Locação, Impostos e Condomínio 0,3347 0,0391 11,6960
Operação do Domicílio 0,9934 0,1302 13,1030
Conservação do Domicílio 9,5507 0,2418 2,5313
Equipamentos Domésticos 0,8318 0,0414 4,9725
Eletrodomésticos e Equipamentos - 0,0878 - 0,0025 2,8682
Utensílios Domésticos 1,5061 0,0104 0,6875
Móveis 3,2711 0,0353 1,0786
Rouparia - 0,5189 - 0,0018 0,3382
Transporte 2,5424 0,2164 8,5135
Individual 0,0349 0,0009 2,5161
Coletivo 3,5944 0,2156 5,9974
Vestuário - 0,8698 - 0,0661 7,6041
Roupas - 0,8917 - 0,0430 4,8174
Calçados - 1,1471 - 0,0280 2,4366
Acessórios 1,3624 0,0048 0,3501
Educação e Leitura 0,4505 0,0153 3,3930
Educação 0,5567 0,0178 3,1986
Leitura - 1,2967 - 0,0025 0,1944
Saúde 0,9410 0,0714 7,5915
Assistência Médica 1,0580 0,0429 4,0522
Medicamentos e Prod.Farmacêuticos 0,8071 0,0286 3,5393
Recreação - 0,0172 - 0,0002 1,0087
Produtos - 0,0343 - 0,0003 0,7300
Serviços 0,0278 0,0001 0,2787
Despesas Pessoais 0,0131 0,0007 5,0157
Higiene e Beleza - 0,0207 - 0,0006 2,7937
Fumo e Acessórios 0,0557 0,0012 2,2220
Despesas diversas 3,1144 0,0091 0,2930
Animais 2,2661 0,0056 0,2489
Comunicação 7,9018 0,0035 0,0441



Estrato 2 - Famílias com renda intermediária
(renda média = R$ 934,17)
(em %)
Denominação Variação Contribuição Ponderação

Total Geral

0,5616

0,5616

100,0000
Alimentação 0,0291 0,0087 29,9315
Produtos in-natura e semi-elaborados - 0,7451 - 0,0965 12,9514
Indústria da Alimentação 0,6629 0,0824 12,4274
Alimentação Fora do Domicílio 0,5019 0,0229 4,5528
Habitação 1,4621 0,3748 25,6349
Locação, Impostos e Condomínio 0,4685 0,0486 10,3663
Operação do Domicílio 0,6619 0,0808 12,2127
Conservação do Domicílio 8,0302 0,2454 3,0559
Equipamentos Domésticos - 0,4606 - 0,0297 6,4485
Eletrodomésticos e Equipamentos - 0,7853 - 0,0301 3,8382
Utensílios Domésticos 0,0311 0,0002 0,5902
Móveis 0,4555 0,0070 1,5353
Rouparia - 1,3896 - 0,0067 0,4848
Transporte 1,3348 0,1703 12,7555
Individual - 0,0349 - 0,0027 7,7608
Coletivo 3,4629 0,1730 4,9948
Vestuário - 0,5666 - 0,0418 7,3730
Roupas - 0,5093 - 0,0235 4,6132
Calçados - 0,9698 - 0,0229 2,3565
Acessórios 1,1346 0,0046 0,4033
Educação e Leitura - 0,1186 - 0,0050 4,2242
Educação - 0,0034 - 0,0001 3,8760
Leitura - 1,4003 - 0,0049 0,3483
Saúde 0,9783 0,0760 7,7711
Assistência Médica 0,9386 0,0449 4,7877
Aparelhos 0,0000 0,0000 0,0822
Medicamentos e Prod.Farmacêuticos 1,0715 0,0311 2,9012
Recreação - 0,0966 - 0,0015 1,5384
Produtos - 0,4284 - 0,0044 1,0264
Serviços 0,5683 0,0029 0,5120
Despesas Pessoais 0,0589 0,0024 4,0926
Higiene e Beleza 0,0724 0,0018 2,4465
Fumo e Acessórios 0,0388 0,0006 1,6461
Despesas diversas 3,2051 0,0074 0,2302
Animais 2,2661 0,0044 0,1941
Comunicação 8,2476 0,0030 0,0361



Estrato 3 - Famílias com renda superior
(renda média = R$ 2.792,90)
(em %)
Denominação Variação Contribuição Ponderação

Total Geral

0,5142

0,5142

100,0000
Alimentação 0,0996 0,0225 22,6128
Produtos in-natura e semi-elaborados - 0,6610 - 0,0506 7,6622
Indústria da Alimentação 0,6071 0,0510 8,3950
Alimentação Fora do Domicílio 0,3387 0,0222 6,5557
Habitação 1,5263 0,3747 24,5498
Locação, Impostos e Condomínio 1,0525 0,1034 9,8257
Operação do Domicílio 0,1927 0,0223 11,5621
Conservação do Domicílio 7,8747 0,2490 3,1621
Equipamentos Domésticos 0,3321 0,0167 5,0339
Eletrodomésticos e Equipamentos - 0,0298 - 0,0008 2,6527
Utensílios Domésticos 0,8021 0,0055 0,6880
Móveis 1,2661 0,0165 1,3054
Rouparia - 1,1694 - 0,0045 0,3878
Transporte 0,3924 0,0619 15,7683
Individual - 0,1289 - 0,0169 13,1108
Coletivo 2,9638 0,0788 2,6575
Vestuário - 0,5534 - 0,0356 6,4241
Roupas - 0,6746 - 0,0304 4,5117
Calçados - 0,6151 - 0,0096 1,5529
Acessórios 1,2347 0,0044 0,3595
Educação e Leitura - 0,3173 - 0,0300 9,4454
Educação - 0,2131 - 0,0186 8,7481
Leitura - 1,6246 - 0,0113 0,6973
Saúde 0,8151 0,0857 10,5171
Assistência Médica 0,7992 0,0671 8,3915
Aparelhos 0,0000 0,0000 0,0706
Medicamentos e Prod.Farmacêuticos 0,9081 0,0187 2,0549
Recreação - 0,1175 - 0,0025 2,1520
Produtos - 0,5259 - 0,0074 1,4122
Serviços 0,6620 0,0049 0,7391
Despesas Pessoais 0,1416 0,0045 3,2093
Higiene e Beleza 0,1926 0,0042 2,1733
Fumo e Acessórios 0,0346 0,0004 1,0360
Despesas diversas 5,6195 0,0161 0,2873
Animais 2,2661 0,0054 0,2362
Comunicação 21,1047 0,0108 0,0511






DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos