Fonte: DIEESE
(1) Para efeito de cálculo foi considerada uma jornada de trabalho de oito horas diárias para todas as categorias.
(2)Coleta de dados a partir de notícias de jornais e informações dos sindicatos.
(*)Não foram incluídas 22 greves, pois não foi possível obter o número de grevistas e/ou a duração da paralisação.
Este mês, ocorreram cinco greves (7% do total de greves) que reivindicavam alterações na jornada de trabalho. Em quatro, o objetivo era conquistar a redução da jornada, enquanto em uma os trabalhadores protestavam contra a redução (portuários de Santos), que acarretaria a redução do salário.
A redução de jornada é um tema muito discutido no movimento sindical, podendo propiciar a criação de novos postos de trabalhos, como também a melhoria das condições de vida e de trabalho. É uma tendência mundial. No Brasil, a jornada legal é de 44 horas semanais. Em países desenvolvidos, como a Dinamarca, por exemplo, a jornada de trabalho é de 36 horas semanais. Há uma necessidade urgente, principalmente nas últimas décadas, em buscar novas formas de inserção de trabalhadores excluídos no mercado de trabalho formal. A crise econômica fez com que o desemprego conjuntural, tecnológico e por exclusão obrigue o trabalhador a estender a jornada de trabalho acima do permitido em lei, sendo que, no mês de junho, duas categorias reivindicavam a jornada estabelecida em lei.
Os trabalhadores da indústria do vestuário de Osasco (empresa Prespontex) e os policiais militares e civis do Estado do Pará reivindicavam a redução da jornada para 44 horas semanais. Os servidores da saúde e médicos da rede estadual da saúde de São Paulo paralisaram suas atividades reivindicando uma jornada de 30 horas semanais e os médicos residentes da rede estadual de saúde de Ribeirão Preto tinham por objetivo a mudança na jornada.
No ano de 1996, ocorreram 1.258 greves. Deste total, 151 greves (12%) tinham entre suas reivindicações a alteração ou manutenção da jornada do trabalhador.
A manutenção apareceu como causa de duas greves no segundo semestre de 1996. Redução de jornada foi objetivo de 34 movimentos no primeiro semestre, representando 2,7% do total das greves do ano, e de 115 no segundo semestre, representando 9,14% do total do ano.
No primeiro semestre de 1997, ocorreram 281 greves, excluindo as greves que passaram de um mês ao outro, o que acarretaria dupla contagem. Destas greves, doze paralisações (4,27% do total do semestre) apresentavam este tema como reivindicação. Nove paralisações (3,2%) buscavam a redução da jornada, uma era contra o aumento da jornada e duas contra a redução.
Em julho de 1997, a luta por reajustes salariais foi a principal causa da deflagração das greves. Este é o terceiro mês consecutivo em que o número de greves que buscam reajustes salariais superou o daquelas que visam o pagamento de salários atrasados. Os movimentos que reivindicavam a participação nos lucros e resultados, pela primeira vez no ano, tiveram mais registros que aqueles que visavam o pagamento de atrasados.
Ocorreram 29 movimentos (40,8% do total do mês) que reivindicavam reajustes salariais, frente a um total de 71 greves. Em junho, 23 paralisações (36,5%) foram realizadas por esse motivo. Em julho de 1996, 45 (39,1%) das 115 greves apresentaram esta característica.
Em junho, as greves por reajustes salariais foram realizadas principalmente pelos trabalhadores da construção civil. Este mês, os policiais civis e militares, com doze greves (17,1%), realizaram o maior número de movimentos com essa característica.
A luta por participação nos lucros e resultados determinou a realização de catorze greves (19,7%) em julho, enquanto em junho representava 17,4%, com um total de onze greves. Em julho de 1996, foram feitas quinze greves (13,0%) pelo mesmo motivo.
O pagamento de salários e vales quinzenais atrasados foi motivo de dez registros (14,1%), mantendo a tendência de redução verificada nos últimos meses. Em abril, as greves que tinham entre suas causas essa reivindicação representavam 36,8% do total do mês, em maio 33,3%, em junho 20,6%. No ano passado, ela estava presente em pouco mais de 42% do total de movimentos realizados. Em julho de 1996, ocorreram 36 paralisações (31,3%) cobrando atrasados.
As mobilizações por atraso de salários foram realizadas principalmente por categorias do setor terciário, como os policiais militares e civis e os servidores públicos municipais e estaduais. Anteriormente, as categorias que se destacavam eram os metalúrgicos e os trabalhadores da construção civil.