Fonte: DIEESE.
(1) Para efeito de cálculo foi considerada uma jornada de trabalho de oito horas diárias para todas as categorias.
(2) Coleta de dados a partir de notícias de jornais e informações dos sindicatos.
(*) Não foram incluídas vinte e seis greves, pois não foi possível obter o número de grevistas e/ou a duração da paralisação.
Em abril, as principais motivações das greves foram de ordem econômica. Ocorreram 21 paralisações (39,6% do total) que tinham entre suas reivindicações a luta por reajustes salariais, o estabelecimento de uma política salarial, de um piso salarial para a categoria e/ou o pagamento de participação nos lucros e resultados.
A busca de reajustes salariais esteve presente em 32,1% do total de greves ocorridas no mês (dezessete paralisações), patamar superior ao que foi verificado em abril de 1997 (26,7% dos movimentos paredistas). Em março de 1998, como nos primeiros meses do ano, a luta pelos direitos dos trabalhadores, entre eles o atraso no pagamento de salários e/ou benefícios ou o descumprimento de cláusulas acordadas ou de disposições legais, foi a principal causa das greves.
Em abril, treze greves (24,5%) apresentavam entre suas reivindicações o cumprimento dos direitos dos trabalhadores. A luta pelo recebimento de salários atrasados foi verificada em onze destas paralisações (20,8%). Em abril de 1997, o atraso no pagamento de salários esteve presente em 21 movimentos (36,8%).
Outra reivindicação da classe trabalhadora, em abril, foi o pagamento de adicionais. Em treze paralisações (24,5%) constava a luta pelo pagamento do adicional de função, ou o estabelecimento de um critério para gratificação por determinada função, atividades especiais ou acúmulo de funções. Foram os servidores públicos, principalmente os professores das redes públicas estaduais e federal, que reivindicaram um adicional específico para sua categoria profissional.
Em abril, ocorreram onze paralisações (20,8%) que visavam a manutenção ou criação de empregos. Em cinco greves, os trabalhadores protestavam contra a demissão de companheiros, em duas buscavam estabilidade no emprego e em três reivindicavam a contratação de trabalhadores.
O setor industrial foi palco de catorze paralisações (26,4%) - dez (18,9%) de trabalhadores metalúrgicos. No setor de serviços públicos, foram os professores federais, estaduais e municipais que mais paralisaram as atividades, em abril, realizando oito greves (15,1%).
Apesar da ocorrência de maior número de greves em abril de 1997 (58), se comparado a mesmo mês de 1998 (53), neste ano houve um aumento no número de grevistas e na relação trabalhadores x hora parados. Em abril de 1997, o número de grevistas era de 39.564; neste mês foram 146.161. O número de trabalhadores x hora parados era, em abril de 1997, 899.028; neste mês chegou a 7.823.264. Isso deve-se ao número de grevistas e ao tempo de duração das paralisações de categorias realizadas pelos professores da rede estadual de ensino no Rio de Janeiro e na Bahia.