PERFIL DOS NOVOS CONTROLADORES DO SISTEMA TELEBRÁS
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Dada a heterogeneidade dos grupos que adquiriram as empresas - com exceção da Tele Centro Sul, Embratel e Tele Centro Oeste Celular, que terão forte influência em sua gestão pela Telecom Itália, MCI e Splice do Brasil, respectivamente -, tornou-se inviável uma análise precisa sobre a forma de gestão que será adotada pelas empresas do sistema Telebrás que foram privatizadas. Com a privatização, e a passagem do cenário da negociação do setor estatal para o privado, ficou claro que serão necessárias informações acerca dos novos controladores das empresas de telefonia fixa e celular brasileiras para que o movimento sindical monte sua estratégia de negociação. Com essa preocupação, a subseção DIEESE na Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações (Fittel) elaborou este estudo, no qual traça um perfil das empresas que - acionistas majoritárias na privatização ou não - ficaram com a tarefa de efetuar a gestão das telefônicas brasileiras.
TELEFONIA FIXA
Tele Norte Leste (AL, AM, AP, BA, CE, ES, MA, MG, PA, PB, PE, PI, RJ, RN, RR e SE)
O consórcio que adquiriu a Tele Norte Leste é a Telemar. Individualmente, a Andrade Gutierrez, Inepar, Macal e La Fonte não possuem o controle acionário da Telemar, mas pretendem atuar em bloco para dirigir a empresa. Somadas, as participações dos quatro acionistas chegam a 45,1% das ações. Os quatro grupos somam mais de R$ 3,5 bilhões de patrimônio e R$ 5 bilhões de faturamento anual. Os outros acionistas são BR Veículos, Cia. de Seguros Aliança do Brasil, fundos de pensão e BNDESPar.
A Tele Norte Leste é a maior operadora do país e a segunda da América Latina, atrás apenas da Telmex. Atua com 7,6 milhões de terminais instalados e sua área de cobertura atinge uma população de 86 milhões de pessoas.
O Grupo Andrade Gutierrez, com sede em Minas Gerais, tem sua principal atuação no ramo da construção pesada. O grupo disputou seis áreas para a exploração da banda B de telefonia celular, mas não conseguiu sair vitorioso em nenhuma delas. Sua atuação no setor de telecomunicações (AG Telecom) representava, até julho, apenas 10% do faturamento do grupo (R$ 1,1 bilhão, em 1996). A Construtora Andrade Gutierrez obteve lucro líquido de R$ 86,6 milhões em 1997, sendo R$ 107,6 bilhões o lucro auferido pelo grupo. A empresa está presente na Venezuela, Congo, Bolívia, Equador, Colômbia, Peru, Camarões, Guiné e Chile. Segundo o levantamento setorial realizado pela Gazeta Mercantil, é a segunda maior empresa do setor, atrás apenas da carioca Norberto Odebrecht. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Pesada de Minas Gerais, não há dificuldades com a empresa em relação ao cumprimento da convenção coletiva e nem problemas com condições de saúde e segurança no trabalho.
O grupo Inepar, com empreendimentos principalmente nos setores de energia e de telecomunicações, planeja uma expansão no mercado de extração, produção e refino de petróleo. Com atuação nestes três setores, a Inepar pretende ampliar significativamente seu faturamento, via diversificação de empreendimentos. A empresa tem sede no Paraná e obteve lucro líquido de R$ 47 milhões em 1997.
A Inepar já atuava no setor de telecomunicações através da implantação de redes e de obras de infra-estrutura para expansão dos sistemas das então empresas estatais de telecomunicações. No segmento de telefonia mundial via satélite, participa do projeto Iridium, um conglomerado de empresas que pretende atuar neste setor.
A BR Veículos e a Cia. de Seguros Aliança do Brasil são empresas nas quais o Banco do Brasil é um dos principais acionistas. É importante conhecer a forma de crescimento que as instituições financeiras vêm adotando nos últimos anos. Em geral, os bancos têm assumido uma tendência de diversificação "para dentro" e "para fora". Inter NAMEnte, as ações são no sentido de ampliar os serviços para além do limite meramente bancário, como os mais diversos tipos de seguro e previdência privada. Na estratégia de diversificação para outros setores da economia, os bancos têm realizado investimentos em portfólio - neste tipo de investimento não assumem o controle acionário, tendo apenas uma pequena participação. Uma das vantagens é a divisão de riscos, com a diversidade de empreendimentos com empresas de diversos setores. Outra forma de diversificação que alguns bancos estão utilizando é a formação de conglomerados econômicos, onde, ao contrário do investimento em portfólio, assumem o controle das empresas.
Com relação à área trabalhista, o Banco do Brasil não concede reajustes salariais desde 1995. O que vem ocorrendo é uma política, por parte do banco, baseada em abonos e a adoção cada vez maior da remuneração variável, o que está sendo feito em todo o setor bancário. A partir de 1996, o plano de cargos e salários foi modificado, ocasionando a redução das diferenças dos níveis salariais e o achatamento de salários. Desde 1994, o banco demitiu cerca de 45.000 funcionários. No ano de 1997, a eliminação de postos de trabalho chegou a 8.974, além da dispensa de 1.373 estagiários. Em relação a 1996, a redução do quadro de pessoal foi de 10,5%. Por outro lado, o Banco do Brasil tem investido na capacitação de seus funcionários, mantendo doze centros de trei NAMEnto em todo o país.
Assim como em todo o setor, o Banco do Brasil está flexibilizando as relações de trabalho, com a adoção do banco de horas, o que tem causado uma superexploração do trabalho bancário, já que, como o setor de serviços, caminha para o funcio NAMEnto 24 horas, com atendimento aos sábados e domingos, em shoppings, por exemplo. Outro aspecto que merece destaque é o forte processo de terceirização, que já chega ao setor de compensação de cheques.
Os fundos de pensão - Previ, Funcef, Petros, Sistel e Telos - estão presentes em operadoras de praticamente todo o país, exceto São Paulo. Investiram cerca de R$ 1,5 bilhão na privatização do setor de telecomunicações. A participação nos processos de privatização é uma tendência mundial dos fundos de pensão.
Juntos, Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica Federal), Sistel (Telebrás) e Telos (Embratel) têm participações nas operadoras fixas Tele Norte Leste (19,9%) e Tele Centro Sul (19,9%). Na banda B, são integrantes dos consórcios Americel e Telet, com participações de 42,0% em cada um. Na banda A, estão presentes na Telemig Celular (24,0%) e na Tele Norte Celular (24,0%). Na realidade, os fundos estavam interessados na Tele Celular Sul, como parte de sua estratégia de abrangência do Rio Grande do Sul ao Centro-Oeste, mas foram impedidos pelas regras do edital de privatização (a Telet opera em Pelotas), tendo que mudar para o Norte do país (expandindo suas operações desde o Centro-Oeste). Além disso, são sócios da Companhia Telefônica de Ribeirão Preto (Ceterp), da qual possuem 45,0% das ações. Os fundos também já mostram interesse na licitação das empresas-espelho (empresas que serão autorizadas a concorrer com as empresas privatizadas). De janeiro a junho de 1998, os fundos de pensão brasileiros já investiram recursos que ultrapassam 11% do PIB nacional, ou seja, US$ 77,2 bilhões, com destaque para os setores financeiro (US$ 37,9 bilhões) e serviços (US$ 24,8 bilhões).
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) participa do consórcio via BNDESPar, que investiu R$ 686,8 milhões (20,0% do lance), dos quais R$ 400 milhões pagos na primeira parcela. Com sede no Rio de Janeiro, o BNDES possui patrimônio líquido de R$ 10 bilhões (dez/97) e obteve lucro líquido de R$ 822 milhões, em 1997. A intenção divulgada pela Telemar é buscar uma associação com parceiros estratégicos com experiência em serviços como Internet, satélites e uso de infra-estrutura alternativa para ampliar redes de telefonia. Cerca de 15,0% da participação do BNDESPar deverá ser vendida a estes possíveis parceiros. Segundo o mercado, os possíveis parceiros são empresas que já mostraram interesse, como a Sprint, Bell South, Bell Canadá e Telecom Itália.
Tele Centro Sul (AC, DF, GO, MS, MT, PR, RO, RS, SC e TO)
O consórcio Solpard, que adquiriu a Tele Centro Sul, terá como empresa responsável pela gestão a Telecom Itália. A Telecom Itália, empresa italiana de capital privado (antiga Stet), atua segundo uma estratégia de ampliar sua presença na América Latina e na Europa, onde concorre com a espanhola Telefónica em vários países, até mesmo na Espanha. Naquele país, adquiriu 21,6% da Retevisión, empresa que atuava no setor do serviço telefônico fixo. O governo italiano vendeu 44,71% das ações da empresa que ainda possuía, em outubro de 1997, efetuando a maior privatização da Europa realizada em um único bloco, no valor de US$ 151,1 bilhões.
Na América Latina, atua em países como Chile, Argentina, Cuba, Bolívia e no Brasil. Neste último, investiu R$ 1,4 bilhão em participações nas operadoras da banda B (área 4 - Minas Gerais - e área 9 - Bahia e Sergipe), da banda A (Tele Celular Sul e Tele Nordeste Celular) e de telefonia fixa (Tele Centro Sul). Apesar de ter perdido o mercado de São Paulo, a Telecom Itália possui concessões que cobrem desde a região Sul até o Nordeste, passando pelo Sudeste e Centro-Oeste. Considerando todas as empresas que arrematou, irá operar a telefonia móvel celular em uma área com 68 milhões de habitantes. Com a Tele Centro Sul, atenderá uma população de 27 milhões de pessoas. A empresa tem cerca de 25 milhões de clientes na Itália e é a maior operadora européia de telefonia móvel, com 8 milhões de clientes, e a sexta maior do mundo em vendas.
Seguindo a estratégia adotada pelas grandes empresas de telecomunicações mundiais, a Telecom Itália tem feito parcerias/alianças para uma atuação global. Recentemente, fez uma aliança mundial com a Cable and Wireless (empresa britânica), num intercâmbio de ativos de mais de US$ 2 bilhões. Tal aliança é importante para a Telecom Itália, reforçando sua presença na América Latina, pois a Cable and Wireless tem forte atuação no Caribe.
Do ponto de vista da negociação coletiva, a gestão empresarial na Tele Centro Sul deverá ser fortemente influenciada pela Telecom Itália. A empresa deverá adotar o modelo italiano, que é caracterizado pelo regime de contratação coletiva, o qual leva em consideração o importante papel das representações sindicais. Após sua privatização, a Telecom Itália elaborou um projeto de reestruturação de três anos (1998 a 2000), no qual está incluída a dispensa de 15 mil empregados.
EMBRATEL
A MCI, empresa que adquiriu sozinha o controle da Embratel, é a segunda maior operadora de ligações interurbanas dos Estados Unidos - um mercado avaliado em US$ 80 bilhões. Além do Brasil, está operando no Chile, México, Peru, Venezuela e Argentina. Fundada em 1968, a empresa oferece serviços de comunicação de voz, dados e Internet locais, nacionais e internacionais. Adquirindo a Embratel, será a primeira vez que atuará como operadora dominante (empresa que detém o controle do serviço no setor). Portanto, pode-se prever que a forma de gestão a ser empregada, incluindo relações trabalhistas, seguirá o modelo norte-americano, em que os acordos coletivos, em sua maioria, são plurianuais.
A empresa, que atualmente está concluindo um processo de fusão com a empresa americana WorldCom (um negócio de US$ 37 bilhões), fatura cerca de US$ 20 bilhões e possui 55 mil funcionários. No segundo trimestre de 1998, a MCI registrou lucro de US$ 194 milhões, abaixo dos US$ 280 milhões auferidos em igual período em 1997. Para completar o processo de fusão com a WorldCom, a MCI se desfez de seus negócios na Internet, atendendo às restrições da União Européia. A compradora das operações da MCI na Internet (por algo em torno de US$ 2 bilhões) foi a Cable ' Wireless, aquela mesma empresa que firmou aliança com a Telecom Itália.
Alguns dias após a compra da Embratel, a MCI anunciou que manterá a política de compras da ex-estatal, assim como seus investimentos em rede e em trei NAMEnto e a carteira de fornecedores. Dessa forma, o programa de investimentos da Embratel para este ano continuará sendo de US$ 1 bilhão - de setembro a dezembro serão investidos cerca de US$ 525 milhões. A MCI sinaliza uma abertura para possíveis sócios na Embratel e não descarta empresas como a Portugal Telecom e a Telefónica, da qual já é sócia em partes iguais para negócios internacionais na joint venture Telefónica Pa NAMEricana - MCI, criada em 1997. A MCI tem 1,0% do capital da Telefónica e 0,5% da Portugal Telecom.
TELEFONIA CELULAR - BANDA A
Tele Sudeste Celular (ES e RJ) e Tele Leste Celular (BA e SE)
A Telefónica (Telefónica de España) tem uma estratégia clara de crescimento na América Latina. Já atua em vários países, como o Chile, Peru, Venezuela e Argentina, e agora tem forte presença no Brasil, adquirindo empresas como a Telesp, a Tele Sudeste Celular, a Tele Leste Celular e a Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). Aliás, sua entrada no Brasil foi iniciada com a compra de 35% das ações da CRT, colocadas à venda pelo governo gaúcho.
Levando em consideração os mercados da Espanha, Argentina, Chile, Peru, Porto Rico e Brasil, a Telefónica conta com cerca de 35 milhões de clientes. Sua atuação no mercado latino-americano tem sido realizada de forma diversificada, explorando a telefonia, comunicação de dados, voz e imagens, Internet e TV a cabo, dentre outros serviços. É o que acontece na Argentina e no Chile, por exemplo, onde detém participações em várias empresas que oferecem diferentes serviços de telecomunicações. Além da América Latina, a Telefónica já atua no mercado norte-americano, onde é sócia da Infonet, empresa especializada em transmissão de dados.
Na CRT, a Telefónica realizou um amplo programa de reestruturação, com significativos investimentos. A empresa gaúcha foi dividida conforme o interesse comercial - antes era organizada por segmentos tecnológicos. Em contrapartida, o quadro de pessoal foi reduzido em 30% (até maio/98), com a adesão de 1.500 pessoas ao plano de aposentadoria voluntária.
A Tisa (subsidiária da Telefónica) espera que, a longo prazo, cerca de 50% de seu faturamento seja proveniente das empresas adquiridas na América Latina. Hoje, o percentual é de 15%. Confirmando tal estratégia, a Tisa aproveitou a onda de privatizações a partir do início dos anos 80, com a vantagem de poder se beneficiar ao máximo dos períodos de monopólio proporcionados nos países latinos. Atenta à privatização do Sistema Telebrás, realizou a maior operação de aumento de capital das bolsas de valores européias, captando US$ 2,8 bilhões.
A empresa, que possui 92.151 trabalhadores e obteve lucro líquido de US$ 1,26 bilhão em 1997, é considerada um empreendimento bem-sucedido e moderno. Possui cerca de 16 milhões de linhas, atendendo a quase todos os lares espanhóis. Suas ações estão pulverizadas no mercado, e os principais acionistas são os bancos Bilbao-Vizcaya, a Caja de Ahorros y Pensiones de Barcelona e o semi-estatal Argentaria. Os bons resultados da Telefónica em 1997 foram atribuídos ao forte crescimento da CTC Chile e da Telefónica del Perú.
Por outro lado, quanto à relação com os usuários e outras empresas, a Telefónica tem demonstrado certa debilidade. Comprovam tal tendência os acontecimentos ocorridos no Chile, em 1995, quando a CTC (Cia. de Telecomunicaciones de Chile SA, subsidiária espanhola) entrou em conflito com o governo chileno. Este estabeleceu um patamar tarifário que, segundo a empresa, afetaria negativamente seus lucros, o que não veio a acontecer (o problema com tarifas também é observado na Espanha, onde a Telefónica entra em conflito com as organizações de defesa do consumidor, que alegam que o preço elevado é o problema da empresa, e não a qualidade). Ainda no Chile, em 1996, a CTC distribuiu a lista telefônica residencial somente aos assinantes que fizeram uma solicitação. A insatisfação dos usuários resultou em outra crise entre a empresa e as autoridades. No Peru, uma empresa de acesso à Internet chegou a denunciar práticas de mercado desonestas adotadas pelo Telefónica del Perú (subsidiária espanhola), no sentido de afetar os serviços da concorrente.
No Brasil, os ventos estão soprando a favor da Telefónica, que adquiriu quatro empresas. Além disso, a Portugal Telecom, sua parceira internacional, adquiriu a Telesp Celular, e a MCI, sua sócia na Telefónica Pa NAMEricana (empresa com sede em Miami), comprou sozinha o controle da Embratel.
A Telefónica adquiriu a Tele Sudeste Celular em parceria com a Iberdrola, empresa espanhola de energia elétrica, NTT e Itochu. Na realidade, o lance para a compra da operadora celular ultrapassou as expectativas das duas empresas japonesas (talvez pela situação financeira extremamente delicada da NTT), fazendo com que elas permaneçam apenas com uma participação simbólica no consórcio, o que poderá ser modificado no futuro. Além disso, o principal interesse da NTT é concentrar-se nos planos de investir mais na Europa, especialmente nos mercados da França e Alemanha.
Em relação à Tele Leste Celular, a empresa passou para o controle do consórcio formado pela Telefónica e Iberdrola. A empresa espanhola de energia elétrica teve interesse particular na Tele Leste Celular, porque já possuía participação na Companhia de Energia Elétrica da Bahia (Coelba), o que consolida sua expansão no estado. A Iberdrola é sócia majoritária no consórcio, mas apesar disso a gestão ficará por conta da Telefónica.
Telemig Celular (MG) e Tele Norte Celular (AM, AP, MA, PA e RR)
O consórcio formado pela Telesystem International Wireless (TIW), Banco Opportunity e fundos de pensão comprou a Telemig Celular e Tele Norte Celular, esta última com atuação nos estados do Amazonas, Roraima, Pará, Amapá e Maranhão.
A TIW é uma operadora de telefonia celular canadense, com 5.000 empregados. É um dos maiores grupos empresariais do setor no Canadá, com faturamento de US$ 7 bilhões. Além do Brasil, atua nos mercados da China, Romênia e Índia.
O Banco Opportunity foi criado em 1993. Em 1997, administrou recursos da ordem de R$ 4 bilhões. No segmento de investimentos em ações, é o mais atuante no Brasil. Entre seus cotistas, estão vários fundos de pensão de empresas estatais e o Citibank. O banco tem participações relevantes na Cia. Vale do Rio Doce, Cemig, Escelsa, Americel e Telet, além de 51% do Metrô do Rio de Janeiro, 40% do Terminal de Contêineres do Porto de Santos e 51% do Esporte Clube Bahia.
Tele Celular Sul (PR, RS e SC) e Tele Nordeste Celular (AL, CE, PB, PE, PI e RN)
A União Globopar Bradesco (UGB), em parceria com a Telecom Itália, apesar de ter perdido a disputa pela Telesp fixa e celular, adquiriu a Tele Celular Sul e a Tele Nordeste Celular. Na banda B, também em parceria com a Telecom Itália, formou o consórcio Maxitel e vai explorar as áreas 4 (Minas Gerais) e 9 (Bahia e Sergipe).
Neste estudo já foi colocada a estratégia de atuação que vem sendo praticada pelo setor bancário. O Banco Bradesco (maior banco privado brasileiro), que integra as Organizações Bradesco, é um banco que possui uma visão de longo prazo, investindo em vários setores da economia, ou seja, diversificando seus empreendimentos - o que é uma característica das instituições financeiras que participaram da privatização do Sistema Telebrás.
O Bradesco vem ampliando seus negócios para diversos setores da economia, como o setor energético, quando adquiriu participação acionária na Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). A Bradesco Seguros tem obtido ótimos resultados, com prêmios retidos de US$ 2,4 bilhões e cerca de 4.000 empregados. Com a privatização da Telebrás, o banco ampliou seu espaço no mercado de comunicações, onde já integrava empresas de rádio-chamadas, transmissão de dados via satélite e operadoras de TV a cabo. Tem investido na automação bancária - em 1997, os gastos em informática e telecomunicações chegaram a R$ 273 milhões, 21,3% acima do investido no ano anterior. Em contrapartida, diminuiu seu quadro de pessoal em 6,4%, em 1997. Assim como o Banco do Brasil, tem investido em programas de trei NAMEnto - cada bancário participou em média de 1,9 atividade de trei NAMEnto em 1997.
A Globopar (empresa de participações das Organizações Globo), apesar da parceria com o Bradesco, tem sido bastante procurada para compor outras empresas. Após a privatização, já foi procurada pela Telefónica para uma possível participação na Telesp. Além disso, seu interesse maior parece estar nos serviços de TV a cabo, onde a Globo tem 70% do mercado (TV por assinatura), e, por isso, deve ser forte concorrente na licitação das empresas-espelho. A TV Globo Ltda. tem faturamento de US$ 1,8 bilhão, empregando 8.000 pessoas. Sua principal atividade é a rede de televisão aberta.
Tele Centro Oeste Celular (AC, DF, GO, MS, MT, RO e TO)
A Splice do Brasil arrematou sozinha a Tele Centro Oeste Celular, por R$ 440 milhões, o que causou surpresa no mercado. As seis operadoras celulares que compõem a holding possuem juntas mais de 380 mil terminais. A Splice recebeu um financiamento de R$ 79,2 milhões do BNDES para o pagamento dos 40% da proposta feita pela holding. A Splice do Brasil é fabricante de equipamentos de telecomunicações (é fornecedora da Telemig Celular) e tem sede em Sorocaba/SP. A empresa controla um grupo que atua em vários setores, como o financeiro, paging, engenharia, coleta de lixo e navegação de cabotagem. Seu faturamento anual chega a US$ 253 milhões, empregando 1.600 pessoas.
A empresa anunciou que investirá R$ 580 milhões para acabar, em pouco tempo, com a demanda reprimida em Brasília, Goiás e Acre. Segundo o presidente da Splice, não haverá demissões na Tele Centro Oeste Celular.
A principal empresa do grupo é a Splice do Brasil Telecomunicações e Eletrônica Ltda., fundada em 1971. Atua, principalmente, na fabricação de equipamentos e na prestação de serviços na área de telecomunicações. A Splice do Brasil possui uma carteira de investimentos de cerca de US$ 700 milhões.
TELEFONIA CELULAR - BANDA B
Algar (área 3 - RJ e ES)
O consórcio Algar é formado pela Lightel Tecnologia da Informação, pela construtora Queiroz Galvão e pela Korea Mobile Telecom International (empresa coreana). O Algar, visando reverter a fama de má qualidade dos serviços de telecomunicações no Rio de Janeiro, foi cuidadoso na escolha de seu principal executivo, ex-diretor da Embratel, ex-vice-presidente da Xerox e um especialista na área de qualidade, com foco na satisfação dos clientes. Segundo ele, todos os funcionários terão trei NAMEnto em qualidade.
A Lightel é uma empresa subsidiária do grupo Algar, que obteve lucro líquido de R$ 53 milhões em 1997, com patrimônio líquido de R$ 707 milhões. O grupo atua nos mais diversos setores da economia: informática, telecomunicações, agropecuária, alimentos, consórcio, fretamento de vôos, transporte de cargas, editora gráfica, propaganda e publicidade, lazer e turismo e eletroeletrônica. A Lightel foi criada em 1993 para o desenvolvimento de parcerias internacionais no setor de tecnologia da informação.
No setor da construção pesada, atividade principal da Construtora Queiroz Galvão S.A., os resultados já foram melhores. A causa é a falta de verbas para obras públicas, além do receio da classe média em adquirir imóveis financiados. No entanto, os empresários avaliam que a expansão do setor, neste ano, pode ser superior em 1 a 2 pontos percentuais à do PIB brasileiro. A Queiroz Galvão opera com faturamento anual de US$ 453 milhões, com 6.850 empregados. Atua, principalmente, nos mercados de Recife (onde foi fundada em 1953) e São Paulo. Além da área de construção civil, atua no setor de exploração de petróleo e gás, siderurgia, agropecuária e alimentos, transportes, finanças e concessões de serviços públicos. É considerada uma das principais construtoras do país, por sua extensa experiência no gerenciamento de projetos de infra-estrutura no Rio de Janeiro.
A Korea Telecom deverá ser privatizada em breve, com a Ásia ainda sofrendo os efeitos da crise iniciada em 1997. Vendeu sua participação na Miditel, empresa mexicana que opera telefonia de longa distância, arrecadando US$ 49,5 milhões para saldar dívidas. É a maior operadora mundial de telefonia celular digital, com cerca de 5 milhões de assinantes na Coréia do Sul, mais 7 milhões de assinantes do serviço paging. Atualmente, conta com cerca de 8,7% de penetração no mercado. É uma das maiores empresas da Coréia do Sul.
Maxitel (áreas 4 - MG - e 9 - BA e SE)
A Maxitel, operadora da banda B de telefonia celular nos estados de Minas Gerais (área 4), Bahia e Sergipe (área 9), é formada pela Vicunha, Globopar, Bradesco e Telecom Itália. A operadora anunciou investimentos para os três estados de R$ 1 bilhão em cinco anos. A maior parte dos recursos será destinada para Minas Gerais.
O grupo Vicunha tem sede em São Paulo e atua principalmente no setor têxtil. Seu faturamento anual é de US$ 340 milhões, empregando cerca de 5.900 empregados. Sua origem data da década de 50, com uma pequena tecelagem, e hoje tem ativos estimados em R$ 3 bilhões. A expansão das atividades do grupo tem sido direcionada para a infra-estrutura. Tem participações, além de outras empresas menos conhecidas, na Companhia Siderúrgica Nacional, Cia. Vale do Rio Doce, Light e Ferrovia Centro-Atlântica.
Global Telecom (área 5 - PR e SC)
Consórcio formado pela Companhia Suzano de Papel e Celulose, DDI e Nissho Iwai (empresas japonesas), Motorola e Inepar. A Global Telecom, após a vitória para a exploração da banda B de telefonia celular na área 5, anunciou investimentos de R$ 500 milhões em cinco anos, criando 876 empregos diretos e 1.300 indiretos, no Paraná e em Santa Catarina. Segundo a empresa, suas operações serão iniciadas até o final de 1998 nas principais regiões metropolitanas de sua área de atuação, e deverão ser instalados 180 mil acessos de telefonia celular no primeiro ano de concessão.
Apesar do baixo crescimento da economia brasileira como um todo, a indústria de papel e celulose não pode reclamar. Em 1998, está completando três anos de crescimento acima da média brasileira. A Suzano, uma das principais empresas do setor com sede em São Paulo, fatura US$ 521 milhões anualmente, empregando cerca de 4.000 trabalhadores. O Grupo Suzano é um conglomerado de empresas que atua em vários segmentos da economia, com destaque para os setores de celulose, petroquímico e reflorestamento. Sua estratégia de expansão passa por investimentos em segmentos emergentes, como o de telecomunicações.
Além da NTT, os japoneses estão presentes no mercado de telecomunicações brasileiro através da DDI e Nissho Iwai. A DDI é uma das maiores operadoras japonesas, com mais de 35 milhões de usuários - 5 milhões só em telefonia celular. Por sua vez, a Nissho Iwai, empresa japonesa, movimenta cerca de R$ 90 bilhões por ano e já investe no Brasil há mais de quarenta anos.
A Motorola, multinacional de origem americana, fabricante de produtos eletrônicos, está apostando em seus empreendimentos no mercado latino-americano, já que seus resultados nos Estados Unidos e Ásia têm demonstrado queda em relação a períodos anteriores. No segundo trimestre deste ano, a Motorola registrou um lucro bruto da ordem de US$ 6 milhões. No mesmo período de 1997, o resultado foi de US$ 392 milhões. A empresa anunciou o corte de 15 mil postos de trabalho (10% do quadro de pessoal) como parte de um programa de reestruturação. No entanto, não mudou sua estratégia de expansão no setor de telecomunicações, anunciando a fusão com a Teledesic, empreendimento de satélite dos Estados Unidos. O negócio tem por objetivo projetos multimídia para operações via satélite na Internet.
Em conjunto com a Nokia e a Ericsson, as três empresas são responsáveis por 70% dos aparelhos de telefonia móvel do mundo. Além de produzir terminais, a Motorola fabrica equipamentos de transmissão, comutação e softwares de gerenciamento de redes de telefonia celular.
Telet (área 6 - RS)
O consórcio Telet é composto pela International Equity, TIW e Bell Canadá e opera a telefonia celular banda B no estado do Rio Grande do Sul, tornando-se concorrente da CRT, operadora gaúcha sob controle da Telefónica espanhola. A empresa, para iniciar suas operações em janeiro de 1999, já está investindo cerca de R$ 140 dos R$ 350 milhões destinados para implantar o sistema até o ano 2000. A projeção é de habilitar 100.000 linhas até abril do próximo ano.
Americel (área 7 - AC, DF, GO, MS, MT, RO e TO)
O consórcio Americel, composto pela TIW, Bell Canadá, Citibank, Banco do Brasil, Opportunity, Grupo Jereissati e fundos de pensão, foi o primeiro a operar a telefonia celular da banda B, iniciando suas operações em dezembro de 1997. O início das operações da empresa foi problemático e vários consumidores fizeram queixas sobre a má qualidade do serviço prestado. Em junho, a Americel liderou a lista de reclamações do serviço celular no Procon.
Apesar das dificuldades iniciais, a Americel completou seu primeiro ano de concessão com uma planta de 85 mil terminais, principalmente nas capitais de sua área de atuação. Segundo a empresa, o ritmo será mantido e uma nova cidade deverá ser atendida por semana.
O Citibank é uma instituição com o planejamento a longo prazo. O projeto do Citibank, aparentemente, é centralizar suas operações via telemática, daí seu interesse no setor de telecomunicações. O grupo ao qual o Citibank pertence obteve lucro de R$ 54 milhões no primeiro semestre de 1998, o que significa um redução de 18,5% em relação ao mesmo período de 1997. O patrimônio líquido estava em R$ 1.069,5 milhões até julho. Atualmente possui 2.400 empregados.
BSE (área 10 - AL, CE, PB, PE, PI e RN)
O consórcio, que enfrenta problemas em São Paulo pela má qualidade do serviço de telefonia celular, tem como participantes o grupo O Estado de S. Paulo, Splice, BombShell, Verbier Representações e BellSouth. A empresa já atua em Maceió desde agosto, mas ainda não divulgou o número de linhas vendidas, dentre as 20 mil disponibilizadas. O consórcio começou a operar no Nordeste - Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco e Alagoas - em junho deste ano. Daquele mês até agosto, foram habilitadas cerca de 50 mil linhas em Maceió, João Pessoa, Recife, Fortaleza, Natal, Campina Grande e Teresina.
O grupo O Estado de S. Paulo, também operando a telefonia celular - banda B - na região metropolitana de São Paulo, fatura anualmente cerca de US$ 490 milhões, empregando 3.300 pessoas. Sua atividade principal é a área jornalística, atuando também nos setores de transporte e armazenagem. Em 1997, obteve lucro líquido de R$ 25 milhões. É um dos maiores e mais influentes grupos de comunicação do Brasil e possui jornais, publicações, empresas de publicidade, estações de rádio, uma empresa de informações on line e uma fábrica de papel.
A BellSouth é uma empresa norte-americana (sediada em Atlanta), líder do mercado latino-americano de telefonia celular. Além do Nordeste, venceu a licitação para a exploração da telefonia celular na região metropolitana de São Paulo (área 01). A empresa tem direcionado seus investimentos diretos, mundialmente, apenas para a telefonia celular. Nos Estados Unidos, atende a uma área de mais de 53 milhões de pessoas em nove estados e conta com mais de 8,5 milhões de usuários de telefonia celular em todo o mundo. Internacionalmente, a BellSouth opera em vinte países na América Latina, Europa, Oriente Médio e região Ásia/Pacífico. A empresa é a holding do grupo, controlando várias empresas de telecomunicações, incluindo a BellSouth Telecommunications (atua no sudeste dos Estados Unidos), a BellSouth Cellular Corporation (telefonia celular), BellSouth Advertising and Publishing (editora de páginas amarelas) e BellSouth.net (atua no mercado da Internet).
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Boletim nº 208
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Económicos